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16/06/10

Em São Paulo o Churchill nem cigarro quanto mais charuto

Após dez horas de voo e mais duas dentro de um aeroporto tentando sair dali e não me deixam é natural que um pobre fumador queira repor os seus níveis de nicotina. Já na rua, acendo um Lucky Strike. Sou imediatamente abordada pela autoridade que me explica que não posso fumar à porta do terminal. Só do outro lado da rua. Debaixo da cobertura é proibido! O mesmo dois dias depois, na esplanada de um botequim numa transversal da Avenida Paulista. Um risco amarelo divide o passeio: aqui as mesas e as cadeiras, ali uma faixa estreita junto à estrada de trânsito ininterrupto. Se quiser fumar, só lá. Em pé, naturalmente. E apesar da loucura proibicionista eu e os descendentes de japoneses fumamos para caramba.
Mario Quintana, que não era paulista, escreveu:“Desconfia dos que não fumam: esses não têm vida interior, não têm sentimentos.O cigarro é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar". Ora bem.

29/01/08

Não tenho pedalada para isto. Nos próximos dias é só música e já vão com sorte [com 2 acrescentos que «isto» anda mesmo, mesmo acelerado]

Não sei se é do jogging viril do primeiro-ministro se do abaixamento para 5% do IVA dos ginásios mas que este país acelerou, acelerou.
Uma pessoa distrai-se e, num ápice,
correm a pontapé com uma vintena de ilegais, aos quais de nada serviu terem encalhado na Culatra, ilha onde são todos emigrantes, já foram ou pelo menos o pai. A medida de repatriamento portuguesa não passou, porém, de uma operação singela quando comparada com a enérgétique proposta de Nicolas Sarkozy, essa sim, capaz de pôr em sentido todos os chicos-espertos demasiado tisnados: mostrem lá o ADN e provem que têm familiares em França (e pergunto eu: será que os neocolonialistas do petróleo têm avós enterrados nos poços?).
O ADN não é tudo. Em Agosto passado, em Argenteuil, o presidente da câmara (também do UMP) já fora assaz criativo: nada de varrer misérias para debaixo da carpete. Assim, mandou
pulverizar os locais onde se reuniam os sem-abrigo da cidade com um desinfectante nauseabundo e só interrompeu a medida porque os trabalhadores camarários se recusaram ao serviço e houve quem tivesse o bom senso de recordar outras limpezas.
A propósito de tisnados. Não pude deixar de reparar nos traços tão pouco arianos do novo
suspeito encontrado pelos McCann, o que levou o Senhor Comentador a comentar, com claríssima clarividência, que «se esse homem é inocente, eu sou a Cicciolina. Não pode ter uma cara mais culpável. Se não sequestrou a Maddie com certeza é culpado de outros crimes hediondos». Pela parte que me toca, tive de concluir que os argumentistas do casal andam a perder qualidades.
De volta à política caseira, continua a saga do encerramento do país pelo (agora ex) ministro da saúde. Neste particular, foi curiosa a reacção do
nosso Primeiro, ainda antes de ser conhecida a causa clínica da morte do bebé da Anadia, indignado com o que chamou um aproveitamento mesquinho e oportunista do caso, em declarações de cavo fundo humanista.
Vá lá saber-se porquê, ao vê-lo esganiçar tanto a voz, veio-me à cabeça o fácies daqueles condutores que, culpados de um acidente, saltam das viaturas aos berros e de peito aberto ao mundo. (No caso posterior, protagonizado pelo INEM e por duas cooperações de bombeiros,
o acidente já tinha acontecido; a dificuldade parecia estar em que alguém se fizesse à estrada.)
[PRIMEIRO ACRESCENTO: os aviões, esses, terão mesmo cruzado o céu azul de Lisboa...]
Mais coisas. Recente foi a prescrição de um dos 23 crimes de que foi acusada Fátima Felgueiras, facto que li em resumo apropriamente titulado «
Começaram os Milagres de Fátima». Faltam 22.
Quanto ao julgamento
Casa Pia, a coisa continua a correr... com calma, meu, com calma.
E ainda. Assim que me lembre, as declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados que já explicou que não é bufo nem polícia. A
bra-se mais um inquérito, abra-se! Pim!
O nosso Primeiro, fazendo jus ao apelido, declarou a propósito: “Eu não sei nada sobre o que ele pretendia dizer”, frase cuja profundidade socrática não é preciso ter um curso incompleto de filosofia para perceber. Será Marinho, Sebastião? O país está em suspenso.
Outra notícia, para acabar com a saga nacional. Um inquérito trouxe a público conclusões extraordinárias: os professores são a profissão em que os portugueses mais confiam e os políticos as criaturas que mais apupos lhes merecem.
A nível mundial os resultados não diferem muito.
E assim vai o mundo. Sem fitas mas com algumas remodelações [E ISTO É OUTRO ACRESCENTO]
Deprimido com o post?
Anime-se. Podia ser bem pior. Podia, por exemplo, acontecer-lhe como ao ex-chanceler social-democrata alemão Helmut Schmidt, 89 anos, fumador, e à sua mulher Loki, 88, fumadora, que tiveram de esperar até tão provecta idade para serem
denunciados à polícia por uma organização de vigilância e pressão de não-fumadores .
É por isto que eu digo sempre: antes aldrabão que fascista. E vive la Suisse Libre!

13/01/08

Sigamos o exemplo do grande timoneiro José Sócrates: Let's Get Physical


Este vídeo foi a melhor forma que encontrei para mostrar como estou de acordo com as prioridades do governo: ginástica para o povo, fumadores para a rua (literalmente) e o Tratado de Lisboa por conta dos eurocratas, aparentemente os únicos cidadãos com um grau de QI suficiente para o perceberem.

11/01/08

A Política já não é o que era

Ontem, depois de entrar na Brasileira do Chiado onde pude tomar uma bica e fumar um cigarro sem ser olhada como se tivesse lepra, e depois de assistir à belíssima adaptação para cinema do belíssimo romance de Ian McEwan, Expiação (no qual se fuma do princípio ao fim enquanto a vida corre com carácter de urgência) ocorreu-me que a mudança dos tempos se poderia resumir nisto.
Durante décadas houve quem agitasse, para o bem e para o mal, a bandeira do Proletários de todo o mundo, uni-vos!
Hoje em dia a coisa resumir-se-ia a Fumadores de todo o mundo, uni-vos!
Quero eu dizer: um admirável mundo novo mas indiscutivelmente mais pobre em sonhos. Acabaram-se os proletários, qualquer dia acabam-se os fumadores e depois virá outra coisa. Mas este intervalo é particularmente maçador.

10/01/08

4 postites de uma vez e em forma de telegrama (não sei se «postites» vem no Acordo Ortográfico mas deve vir)

1. INVOCANDO O NOME DE DEUS EM VÃO
José Sócrates recusa referendo ao Tratado de Lisboa por uma questão de ética da responsabilidade.
Lido aqui.
Paulo Pedroso explicou que foi por “um imperativo ético” que decidiu apresentar uma acção cível contra o Estado português
Foi ensaiado ou é a ética que está na moda?
2. THAT'S ENTERTAINMENT!
Representatives of Madeleine McCann's family have spoken to an entertainment and media company about turning the story of her disappearance into a film. Clarence Mitchell, the spokesman for Gerry and Kate McCann, said the meeting with IMG before Christmas was positive, but that no deal had yet been signed. Lido
aqui.
Foda-se! (ultimamente ando a dizer muitas asneiras como se poderá confirmar de novo no post seguinte; peço desculpa)
3. DECIDAM-SE PORRA!
A Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) e o conjunto das agências nacionais da União Europeia alertaram para o “risco de ideias suicidas ou tentativas de suicídio” surgidos durante tratamentos com o medicamento Champix prescrito para deixar de fumar.
4. PERGUNTA DE 20 VALORES
Para que ninguém fique com a sensação que o Governo é mesquinho e quer ficar com o dinheiro seja de quem for, na primeira oportunidade pagará o aumento de Dezembro aos reformados (...), assegurou José Sócrates ontem na Assembleia da República.
A minha pergunta singela é:
Quando será a primeira oportunidade?
A pergunta de 20 valores, com intróito, é:
Não sei se ficou claro para todos: são 68 cêntimos por mês que o governo vai pagar aos reformados para não lhes entregar, em Janeiro, o aumento a que têm direito relativo a Dezembro. O secretário de Estado explicou na SIC essa sua tendência para a generosidade: «Não seria aceitável que os pensionistas recebessem um valor de pensão qualquer em Janeiro e no mês seguinte o valor do seu recibo de pensão era menor, diminuía.» Não seria nada aceitável. Está na cara. E quanto a juros, qual é o banco em que o governo tem conta? Lida aqui.

09/01/08

Quem me dera um royal flush!

Os casinos vão ter um regime mais favorável no que diz respeito à aplicação da lei do tabaco. Pelo que tenho lido e ouvido, os portugueses mostram-se indignados com a excepção, incluindo os fumadores. Pois bem. Eu não.
Percebo que fundamentalistas anti-tabaco (ou de qualquer outra coisa) se indignem. Não percebo que pessoas razoáveis idem aspas.
Em vez de se raciocinar assim:
Eles que fumem nos casinos! ou, Ao menos fuma-se nos casinos! (dependendo, respectivamente, do desprazer ou prazer que cada um tem ao inalar nicotina);
Raciocina-se assado:
É proibido, é proibido! ou, Se eu não posso fumar, eles também não! (dependendo, respectivamente, de se ser mais autoritário ou invejoso).
Nenhuma das hipóteses é estimável.
Sinal dos tempos – e de uma preocupção higienista singular que tem antecedentes em leis tão tenebrosas como as do apuramento da raça ariana propostas pelo III Reich e aplicações tão actuais, presume-se, como a de Sócrates baixar o IVA dos ginásios de 21 para 5% – a proibição do fumo terá vindo para ficar.
Seria demagógico, apesar de muito, muito tentador (pelo que não resisto) lembrar que destas seis figuras, Churchill, Roosevelt, Estaline, Hitler, Mussolini e Franco, só precisamente as três últimas eram não-fumadores, mas até eu que fumadora me confesso sei reconhecer quando um argumento não tem pernas para andar (além de que o Estaline me estraga bastante o painel).
Assim, o único argumento que me ocorre contra leis proibitivas é o que remete para a sua eficácia (e eis-me rendida ao pragmatismo):
Se a SIDA (para me ater a uma patologia tendencialmente mortífera) fosse provocada pela ingestão de bróculos ou de couves de bruxelas, fácil seria exterminá-la. Proibiam-se os bróculos, interditavam-se as couves e era remédio santo. O problema é que a SIDA também se transmite pelo sexo e o sexo está associado ao prazer. E o prazer bem que podem proibi-lo...
Não estou com isto a insinuar (a soldo que qualquer Tabaqueira) que os fumadores têm orgasmos sucessivos cada vez que dão uma passa, até porque não sou freudiana. Estou simplesmente a dizer que têm prazer ao fumar.
Esclareço, para depois não me virem chamar selvagem, que sou daquelas que às vezes agradece o cartão vermelho (será por motivos egoístas: fumo menos). E das que não tem por hábito soprar glamourosamente para cima dos comensais da mesa ao lado. Na praia uso um cone, certificado ou improvisado, ou guardo as beatas no saco. Nos quartos não entram cigarros e até já considerei abandonar o tabaco por causa do maldito cheiro (cá em casa mais depressa se morrerá de uma pneunomia provocada pelas correntes de ar do que do fumo). Mas a verdade é que, e agora cito, «um governo que punisse todos os vícios de maneira imparcial é segundo toda a evidência de tal maneira impossível que nunca se viu, nem verá, uma pessoa tão estúpida que o propusesse».
O texto foi picado ao Café dos Loucos, vem assinado por Lysander Spooner (os vícios não são crime, fenda, 1999) e continua: «O máximo que se pode propor é que o governo puna um vicio ao acaso, ou quando muito alguns, ou aqueles que considera repugnantes. Mas trata-se de uma discriminação totalmente absurda, ilógica e tirânica. Que direito pode ter seja que grupo de homens a dizer: "nós puniremos os vícios dos outros homens mas ninguém punirá os nossos próprios vícios (...)».
Dir-lhe-ia, se fosse vivo, caríssimo Lysander Spooner, que a mim os que me assustam realmente são os que não têm vício nenhum. Que também os há. Como o homem do bigodinho do painel de ainda há bocado.

[... vieram-me nesmo agora dizer que o Primeiro-Ministro decidiu que o Tratado Europeu não iria a referendo («um dos grandes defeitos da Democracia é os resultados»). Vou contar até 10, fumar um cigarro e recolher ao leito. Boa noite!]

04/01/08

Gente Singular*

Juro que não ia falar de tabaco. Nem sequer para prestar solidariedade ao presidente da ASAE, apanhado a fumar no Casino do Estoril depois da entrada em vigor da lei que proíbe o fumo, a qual será fiscalizada pelo próprio organismo a que preside António Nunes. Sobre o acontecido, e já que voltei ao tema, só quero dizer o seguinte: antes aldrabão que fascista! (A propósito de casino, recordo que nem os norte-americanos, pioneiros da luta antitabágica, se lembraram de proibir o fumo aqui).
Como resistir, porém, a esta matéria pícara vinda directamente do Sul? (Relembro que o Sul é aquela direcção que
Pedro Bidarra nunca saberia apontar por muito xerém que comesse). Transcrevo:
Um auto «foi levantado no Algarve, terça-feira, pouco antes de almoço, quando o proprietário de um café da Fuzeta, concelho de Olhão, chamou a GNR para autuar um cliente que se recusava a apagar o cigarro. Chegada a patrulha, o prevaricador e seus cigarros já tinham partido e o dono do café não conseguiu identificá-lo para posterior autuação. Contudo, os militares da GNR acabaram por multar o dono do estabelecimento, porque não tinha colado os obrigatórios dísticos de proibição de fumar. "Se ainda estivesse no café, o próprio fumador poderia sempre ter alegado que não sabia se era proibido ou não fumar, porque nada o indicava naquela casa", enfatizou à Lusa uma fonte da GNR».
Pela parte que me toca, fico feliz: multou-se o bufo, ilibou-se o fumador. Este saiu à francesa, àquele saiu-lhe a coima e como prémio de consolação uma praga da Fuseta. Por exemplo:
«Deus permita que venhas a morrer afogado numa pia de água benta!»
* Título roubado a um conto de Manuel Teixeira Gomes, escritor algarvio e Presidente da República entre 1923 e 1925, tendo resignado ao cargo.

03/01/08

Do Fumo à Dúvida Teológica

Este post poderia começar apropriadamente, citando Cesário Verde:
Eu hoje estou cruel, frenético, exigente
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente

Não seria verdade. Não cheguei a tanto. Ainda assim, e porque o que me irrita não é o combate ao fumo mas a prepotência irracional da lei recém-higienista — as leis proto-higienistas levavam a assinatura de um partido chamado Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei à frente do qual estava um senhor de bigodinho que não comia carne, não fumava, e quanto ao resto só sei o que dizem as más línguas — é com prazer que relato a seguinte cena.
Passando eu ontem no Edifício São Francisco de Sales, para onde em tão má hora se trasladou o semanário Expresso, e faço um interregno para descrever o primeiramente referido:
Trata-se de um edifício de tipo inteligente construído em vidro, material que, como se sabe, é o que mais se adequa ao nosso clima frio, onde as janelas não se mexem nem para trás nem para a frente nem para os lados, como nos hotéis a partir do terceiro andar não vá algum hóspede suicidar-se antes de pagar a conta, espaço organizado em open space, de per si uma coisa bestialmente moderna que no início gerava um burburinho ensurdecedor paulatinamente substituído depois por um silêncio de repartição porque como a malta vê estas coisas nos filmes americanos em que há aquelas redacções fantásticas que decidem o futuro dos presidentes mas depois esquece-se da parte da insonorização, quem trabalha em open space à portuguesa acaba por ter de calar o bico e pronto.
Dizia eu. O edifício é espaçoso, dando para alojar uma série de títulos e serviços além do Expresso. Quando se entra, há um átrio bem capaz de meter no chinelo muito centro comercial da periferia (com um café e uma cantina ao fundo).
Olhando para cima, o céu é o limite. O edifício organiza-se pelas laterais, com os andares dispostos em torno do núcleo central, vazio, cada um deles rematado por um passadiço com varandim onde desembocam os elevadores, e onde até dia 31 de Dezembro vinham também desembocar os fumadores.
Pois passando lá eu ontem, como estava a dizer, descortinei ao longe um friso humano e friorento de umas 10, 15 pessoas à porta, do lado de fora, todas, curiosamente, com um cigarro na mão. Apesar de visíveis até da estrada, exibiam sem excepção um look clandestino, naturalmente inapropriado até porque tudo isto se passava em plena luz do dia. Chegada ao segundo andar, e comentando o estranho comité de recepção em que tropeçara à entrada, fui informada que Francisco Pinto Balsemão, o próprio, ao abeirar-se do seu edifício pela manhã e confrontado com espectáculo semelhante comentara: «Mas que disparate vem a ser este?!» e depois acrescentou: «No meu gabinete podem fumar!».
Frase de circunstância ou não, confesso que me falou ao sentimento. Dei por mim a aplaudir de pé: Ah! Grande Balsemão! Empolgada, informei ir fumar eu própria um cigarro ao agora imaculado passadiço. O que fiz. E eis que já não era eu, mas sim a própria Dolores, La Pasionaria!
Depois deste longo desabafo, que alguns terão tido a paciência de ler até aqui, confesso que o que eu queria mesmo dizer se resume a isto: «Vivre Est Dangereux Pour la Santé». Transformar o simples acto de fumar num gesto de desobediência civil, só prova o grau de autismo a que chegou este velho continente, a rebentar de si próprio pelas costuras.
E só antes de me ir embora, uma dúvida que me ocorreu aqui há dias, para justificar o título do post:
Qual o pecado maior? Um padre celibatário fumar um cigarro às escondidas no escurinho do confessionário ou render-se ao apelo das hormonas enquanto lê Teresa D'Ávila?
Duas informações úteis mesmo para finalizar:
Parece que no restaurante Stop, a Campo de Ourique, continua-se a poder fumar.
Parece que um atestado médico passado por um psiquiatra permite puxar do cigarro sem sermos tomados por gangsters. E se os fumadores portugueses enlouquecessem de vez? Antes isso do que encher os bolsos à indústria farmacêutica que anda por aí tão diligente a querer tratar-nos da saúde.

01/01/08

Em 2008 Fumamos como Perdidos ou Emigramos para Madrid Rendidos à Graciosa Irrespetuosidad que Es Característica del Madrileño. Cesariny Teria Gostado

eu em 1951 apanhando (discretamente) uma beata (valiosa) / num café da baixa por ser incapaz coitados deles / de escrever os meus versos sem realizar de facto / neles, e à volta sua, a minha própria unidade / — Fumar, quere-se dizer // esta, que não é brilhante, é que ninguém esperava ver num livro de / versos. Pois é verdade. Denota a minha essencial falta de higiene / (não de tabaco) e uma ausência de escrúpulo (não de dinheiro) / notável. // o Armando, que escreve à minha frente / o seu dele poema, fuma também // fumamos como perdidos escrevemos perdidamente / e nenhuma posição no mundo (me parece) é mais alta / mais espantosa e violenta incompatível e reconfortável / do que esta de nada dar pelo tabaco dos outros / (excepto coisas como vergonha, naturalmente, / e mortalhas) // que se saiba esta é a primeira vez / que um poeta escreve tão baixo (ao nível das priscas dos outros) / aqui e em parte mais nenhuma é que cintila o tal condicionamento / de que há tanto se fala e se dispõe / discretamente (como que as apanha.) // sirva tudo de lição aos presentes e futuros / nas taménidas (várias) da poesia local. / Antes andar por aí relativamente farto / antes para tabaco que para cesariny / (mário) de vasconcelos
Manual de Prestidigitação, Mário Cesariny, Assírio & Alvim

31/12/07

Literatura para Fumadores mas, como não Sou Fundamentalista, os não Fumadores também Podem Ler

A propósito da entrada em vigor amanhã da lei anti-tabaco, repesquei um texto sobre um livro que anda por aí (foi publicado em 2004 pela Teorema) e que fala das relações entre a cultura e o acto de fumar. Chama-se apropriadamente A Matéria de Que São Feitos os Sonhos e merece ser lido. O autor, quando o conheci, fumava SG Ventil.
A Matéria de Que São Feitos os Sonhos não é um livro a favor ou contra o fumo. Pretende apenas, a pretexto desse prazer etéreo, expor «uma teia sem fim de narrativas que evidencia como as grelhas de leitura mudam com a mudança do mundo. Na verdade, no início dos anos 60 (...) a representação que se fazia dos ‘grandes homens’ estava indissoluvelmente ligada a um cigarro (Bogart), a um charuto (Churchill) ou a um cachimbo (Sherlock Holmes)».
Arriscando-me a ser acusada de ignorante a respeito dos malefícios do tabaco, recordo que Churchill morreu aos 91 anos, Arthur Conan Doyle aos 71 e que, dos três, apenas Bogart desapareceu precocemente aos 57. Mas, como decerto subscreveria Hanif Kureishi, «antes ignorante que fascista».
«(...) porque a morte, como processo fortemente não-linear, tem aversão à ‘separabilidade’ dos factores que a provocam, talvez seja de aceitar alegremente o velho aforismo ‘It’s better to die from something than from nothing’», escreve-se na pág. 238 em resposta ao facto de fumar se ter tornado «the leading cause of statistics». Recordar que «não é possível dar conta da combinatória de riscos a que cada ‘morto’ foi sujeito» talvez não seja despiciendo quando, entre outras, mortes tão provectas como as de Bette Davis, Cantinflas ou John Huston (todos aos 81 anos), Sinatra e Barbara Stanwyck (82), Freud (83), Groucho Marx (86), ou mesmo David McLean, o cowboy da Marlboro (73), são apontadas pelos militantes antitabagistas como exemplos de desaparecimentos ligados ao tabaco. Apetece lembrar que, atendendo pelo menos à idade, os referidos teriam de morrer de alguma coisa.
Reafirme-se: o objectivo de Henrique Garcia Pereira não é negar os riscos da nicotina; o que ele faz é passar em revista memórias, leituras e cumplicidades, criadas e vividas em ambiente de fumo. Dele, aliás, não seria de esperar um livro politicamente correcto ou — dever-se-ia antes dizer? — politicamente saudável.
Lisboeta, nascido na capital em 1945, formou-se em Engenharia Química e de Minas no Instituto Superior Técnico, onde é professor catedrático. Define-se como babyboomer, urbano e viajante. Adivinha-se, pela leitura dos seus textos (onde as notas de rodapé fazem parte do núcleo duro da escrita), ser também um leitor compulsivo (e um amante incondicional de Enrique Vila-Matas).
Em 2000 publicou Arte Recombinatória (Teorema) [é esse livro que exibe na fotografia acima]; em 2002, Apologia do Hipertexto na Deriva do Texto (Difel), obra a que a APE concedera o Prémio Revelação de 1999. A intrincada teia que estabelece entre vida/ciência/literatura, já presente nos trabalhos anteriores, volta a constituir a trama do presente livro.
À primeira parte, onde Garcia Pereira deriva pelas suas memórias invocando a bolorenta Lisboa da sua juventude, fugas e autores de estimação, seguem-se oito anexos temáticos que relacionam o fumo com a clorofila; o amor; a repressão; o jornal; o risco; a lentidão; o imaterial; e, e, e...
O tema do cigarro serve-lhe, por exemplo, para tecer alguns comentários sobre a «leveza» das ligações em rede (Net), para contar a história da cigarreira de Crowley onde este terá escondido uma enigmática carta a Pessoa ou, até, para estabelecer relações desejáveis entre a imaterialidade do fumo e a figura do judeu errante. E, porque escrevi «judeu errante», sublinho as passagens onde se referem as campanhas nazis contra o tabaco e os estudos do médico alemão Fritz Lickint, que, já em 1939, publicava um trabalho sobre a relação entre fumo e cancro no aparelho respiratório.
A Matéria de Que São Feitos os Sonhos conta centenas de histórias, em ritmo levemente provocatório, e recorda, sobretudo, que enquanto actores conscientes não necessitamos de ser protegidos daquilo que nos dá prazer. Lembre-se que a radicalidade das actuais campanhas já chegou ao ponto de passar uma borracha sobre vários retratos (o que remete para o belíssimo começo de Kundera em O Livro do Riso e do Esquecimento): Lucky Luke, os Beatles e Malraux são apenas três exemplos de censura histórica.
Como diz Harvey Keitel em Smoke: «Cigarros hoje, sexo amanhã», e hoje já nem a simples pergunta «Desculpe, tem lume?» seria permitida a Bacall antes de ensinar Bogart «how to whistle».

24/12/07

A ASAE vista por Jacques Tati e Vasco Pulido Valente

Uma Cozinha ASAE/DGS
A ASAE Explica-se
A ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), preocupada com o seu bom-nome e reputação, resolveu explicar que não é tão má como a pintam. “Dizer mal” da ASAE parece que se tornou uma “moda” e ela, naturalmente, sofre com isso; tanto mais que ajudou Portugal a estar “à frente da Europa” na sua importantíssima especialidade. Para que Portugal a compreenda e a estime, resolveu assim desfazer alguns “mitos”: do mito da bola-de-berlim ao mito da açorda. A bola-de-berlim, por exemplo. A ASAE não proibiu que se venda a bola-de-berlim nas praias. Proibiu, sim, que se vendam nas praias bolas-de-berlim de mau “fabrico” (e, tanto quanto me lembro, em “contentores” com uma temperatura excessivamente alta), para evitar que o bom público ingerisse “óleos saturados”, muito deletérios para a “saúde humana”. Se este zelo inquisitorial expulsar a bola-de-berlim das praias, ninguém poderá culpar a simpática ASAE. O mesmo se passa com a colher de pau. Ao contrário de um boato insidioso, a ASAE não baniu as colheres de pau. Só baniu as colheres de pau “que não se encontrem num perfeito estado de conservação”. Será que a ASAE se propõe examinar as colheres de pau de cada português? Revolver com minúcia cada gaveta? É uma ideia prometedora. Quanto às castanhas que se costumavam embrulhar em papel de jornal, a ASAE jura que não condena essa prática venerável, desde que o papel de jornal não contenha qualquer desenho, pintura ou palavra impressa “na sua parte interior”. Por outras palavras, desde que não seja papel de jornal. A ASAE é generosa. Excepto no galheteiro, que não quer ver na frente; e nos petiscos domésticos, de que suspeita do fundo da sua alma vigilante (os portugueses são porcos). Já com o pão para a açorda, a ASAE adoptou uma política liberal, uma vez que lhe dêem a garantia (como?) de que ele não foi contaminado. E, num gesto, que sempre lhe agradeceremos, não obriga ao uso de copos de plástico para o café.
A ASAE é um corpo de polícia estimável. A polícia é em si própria estimável e o indigenato precisa muito de polícia. Como a história prova, os portugueses não se portam nunca convenientemente se não os proibirem, inspeccionarem, multarem e de várias maneiras reprimirem a intervalos regulares. Pena que a benéfica existência da ASAE não encoraje o governo a fundar uma milícia contra o álcool, o tabaco, o sal, o açúcar, a obesidade e a preguiça. E, pensando bem, contra o voto. [in Público]

23/11/07

Antes que nos Venham Selar o Guarda-Vestidos, Anunciamos já a Cor das nossas Cuecas. É Trabalho que se Poupa à ASAE

Vem isto a propósito do encerramento da «Ginginha» do Rossio pelos serviços da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica [ASAE - uns rapazes que entram pelos locais adentro de colete à prova de balas e barrete na cabeça e, que eu saiba, ainda não encerraram nenhuma cantina escolar, essas onde os putos - eles que me perdoem o vernáculo - "comem mal como à merda"], informação que me chegou via José Agostinho Baptista, com o seguinte comentário:
«A prepotência, os desmandos e as poucas-vergonhas da ASAE continuam. Agora a vítima foi a velha Ginginha do Rossio. Qualquer dia até vão investigar a cor das nossas cuecas. As minhas são às riscas. Mas não sei se me será permitido continuar a usá-las
Zé, as minhas são lisas e assalta-me a mesma dúvida.

12/11/07

Um Poeta na Pastelaria. Servido a Quente. A Pastelaria Agradece. Na Verdade não Sabe como Agradecer. E Reafirma: ainda não Estamos Todos Parvos!

Texto e foto enviados por José Agostinho Baptista para a Pastelaria e que com muita honra se publicam
ASAE ... Entretanto, o coelhinho beirão, que ao fim de tantos anos acabou por comprar uma Gillette Mach 3 Turbo, made in largo do rato, e quis limpar a sua face poluída, como acólito supremo do sistema maçónico e tenebroso, fala da grandiosidade do paraíso sochialista que já esqueceu os entre-os-rios e todas as outras tragédias lusitanas e democráticas. Casas pias, apitos dourados, e outros que tais, como, por exemplo, o roubo de galinhas no quintal da princesa de Caneças. Para eles, é tudo igual.
Eu também seria capaz de amar este e outros homens da mesma estirpe, se tivesse o orgulho nacional de ter perdido todos os jogos do Campeonato do Mundo de Rugby e fosse o lobo que já não existe em serra nenhuma de Portugal. Eu seria capaz de amar o primeiro-ministro com o meu nome próprio (que infelicidade a minha, meu pai!) e outro (apelido?) de um grego maluco e genial, eu seria capaz de amar este rapaz quarentão e elegante que inventou cursos superiores (?) e gosta de percorrer, seminu, as cidades decadentes da sua Europa. Que corpo aceitável, se ao menos, por dentro, tivesse uma alma...
Depois, eles surgem, flamejantes, os rambos do novo fascismo, os fiscais castradores do prazer e da economia. Os lacaios do "homem melhorado". Com os seus blazers da Maconde, invadem cidades, litorais e serras, oferecem chocolates e gelados às criancinhas, manipulando-as até à delacção. Medronho caseiro, "rancho", "dobrada" chouriços que não passam pelos famosos computadores nacionais do primeiro-ministro doutor-engenheiro-imperador, corredor de maratonas da treta, frio e cibernético homem moderno que acha que nas Beiras e em Trás-os Montes os que lá vivem devem fazer farinheiras informatizadas, tudo deverá ser proibido e penalizado com coimas para o Estado da penúria.
Por isso, os rambos lusitanos, à boa maneira dos Reagan, Ford e Bush, depois de despirem os blazers que lhes realçam a pança, trazem à presença dos pais e familiares das crianças ludibriadas, as suas verdadeiras vestes de polícias de choque. São estes representantes do mau-gosto, da destruição da sensibilidade e do prazer que querem zelar pelos nossos hábitos (pela nossa saúde, salvo seja), líquidos e sólidos. Heróis do homem novo (?) é vê-los, intrepidamente, a invadir o dia-a-dia de quem só quer degustar. Destroem tudo, menos o que não presta. Impõem pizzas e hamburgers, coca-cola e sumol, sumos diversos a martelo, fumos de fábricas e automóveis, mas do demoníaco tabaco, nunca.
Manipuladas pela TV, as mentes escravizadas olham para o lado e aceitam. Os "pivôs" (que palavrão das modernas mentiras ortográficas) dirigem-se-nos, impávidos ou sorridentes, quer anunciem a dor ou a morte, ou um concurso de parolos. Cumprem a mensagem dos chefes, sejam eles do capital ou da política, irmãos siameses da mesma desgraça. Muito futebol (mau futebol), axns e doutores house, ou a burguesia entulhada em psiquiatras e farmácias. Vivam os pachecos e os marcelos, as águas pôdres do pântano, e o nosso querido presidente que desde Boliqueime só viu as praias à distância.

10/11/07

Ah! Grande Vasco! ou como ainda não Estamos Todos Parvos

Quando a imprensa inglesa e americana anuncia que a proibição de fumar em restaurantes não teve efeitos visíveis na saúde pública, em Portugal essa mesma proibição entrará em vigor a 1 de Janeiro de 2008. O que me espanta nisto não é a extravagância do acto em si. Duas coisas me parecem muito piores. Em primeiro lugar, a facilidade com que em todo o Ocidente o Estado resolveu intervir na vida privada de cada um e negar radicalmente o direito de propriedade (impedindo, por exemplo, que se criem restaurantes de fumadores), sem um protesto sério em parte alguma. Em segundo lugar, a rapidez com que o fumador foi socialmente estigmatizado e o vício de fumar (há 20 anos, normal e aceitável) se tornou quase o que era antigamente uma blasfémia, uma profanação ou uma heresia. Isto não anuncia nada de bom. Por um lado, porque fatalmente à campanha contra quem fuma se vai seguir a campanha contra quem bebe e a campanha contra quem come o que não deve ou come demais. E talvez, mais tarde, a campanha contra o “sedentarismo” e a falta de exercício. Não custa nada argumentar com as doenças que o álcool e a gordura provocam (tantas como o tabaco), ou retirar do mercado “produtos de risco”, ou vigiar o que os restaurantes servem. Por outro lado, já se viu que o poder do Estado para converter a populaça ao objectivo tenebroso de “melhorar o homem” é hoje ilimitado. A metamorfose das democracias do Ocidente em totalitarismos de uma nova espécie não incomoda ninguém. Não uso a palavra descuidadamente (não uso, de resto, nenhuma palavra descuidadamente): para Hitler (que não fumava, nem bebia), o alemão perfeito não andava muito longe do perfeito espécime do Ocidente contemporâneo. Imagino muitas vezes quem, de facto, quererá este mundo sufocante e asséptico, obcecado com a “saúde”? Gente, como é óbvio, com pouca imaginação. Por mais forte que seja o culto e a idolatria do corpo, a velhice chega. E, com ela, a irrelevância, a obsolescência, a solidão. Esta sociedade de velhos trata muito mal os velhos. A ideia (e a propaganda) de uma adaptação contínua é uma grande e cruel mentira. Os velhos são um embaraço. Um peso que se atura, que se arruma num canto, que se mete num “lar”. Setenta anos de esforço para durar acabam num limbo à margem da verdadeira vida, quando não acabam no sofrimento e na miséria. O Ocidente está a criar um inferno. Por bondade, claro.
Crónica assinada por Vasco Pulido Valente no Público
(Há dias escrevi um post relacionado com o assunto: quem tiver paciência, clique aqui)

07/11/07

Os Petiscos ou a História da Cenoura e do Burro

Não me interpretem mal. Eu adoro salada de rúcula, tapas de salmão fumado, pasta al dente, tomate com mozzarella e comida japonesa. Ainda assim, custa-me perceber porque desataram os pratos referidos a invadir os restaurantes portugueses de Norte a Sul, à custa de outros sabores como as sardinhas assadas, os pastéis de bacalhau, a salada de grão, os peixinhos da horta, as batatas a murro, as ameijoas à Bulhão Pato, o xarém de conquilhas, sei lá eu. Não me interpretem mal: o meu paladar não sofre de qualquer desvio nacionalista nem a globalização é para aqui chamada. Porque onde é que já se viu os franceses cortarem no camembert, os espanhóis largarem os pimentos padrón ou os belgas os mexilhões?
Eu sei que às brigadas da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica não é isto que as preocupa. Mas será o seu zelo higienista alheio ao caso? Porque o caso é este: qualquer dia, arriscamo-nos a fazer o papel daquela personagem criada em 1973 por Woody Allen para Sleeper, comédia de ficção-científica em que o dono do restaurante Happy Carrot dava entrada no hospital e, por acidente, era posto a dormir durante 200 anos, ressuscitando num mundo completamente diferente. Dois séculos passados, o que ele continuava a não perceber, in the first place, é como é que tinha adoecido se só comia cenouras.

30/10/07

Dente por Dente, Olho por Olho que quanto ao Tabaco já Estamos Servidos, Obrigada

Vão-me desculpar o tom repugnantemente confessional deste post mas há mais de três dias que me dói um dente. Cá vai: a Direcção-Geral da Saúde emitiu uma circular a todos os Centros de Saúde para que criem consultas específicas dirigidas a quem queira deixar de fumar, na sequência da nova lei do tabaco que entrará em vigor a 1 de Janeiro. A dependência tabágica, um dos temas mais fracturantes das sociedades pós-pós-modernas (a juntar a outros, como o aborto, a eutanásia, pena de morte, índice mínimo de massa corporal, celibato de padres e freiras, etc.), transforma-se, assim, numa patologia oficialmente reconhecida em Portugal.
Eu sei que a inveja é uma coisa muito feia. Mas as filas de fumadores arrependidos que imagino a formarem-se nos Centros de Saúde beneplacitamente acolhidas por pessoal de sorriso Pepsodent em riste faz vir ao de cima o pior que há em mim. E pergunto: por que não antes consultas específicas dirigidas a quem não queira ficar desdentado? E já agora também: por que não antes consultas específicas dirigidas a quem não queira ficar cegueta?
Concedo que um abcesso não é uma enfermidade fracturante por aí além, mas desde quando é preciso ser realisticamente moderno para se ter direito a médico? A pergunta é retórica. A dor é real. Recorda-me que o país entrou em delírio e que a Berkeley nunca lhe deve ter doído os dentes.