16/08/24
MEDITAÇÃO DE SEXTA: «Os livros são para se comer»
05/01/23
NÂO SE PODE IR JANTAR ARROZ DE LINGUEIRÃO QUE CAI LOGO UM MEMBRO DO GOVERNO
Leio que a segunda titular de um calote ao Fisco se demitiu passadas 25 horas de ter sido nomeada para secretária de Estado do ministério a que preside a ministra das Couves.
23/12/22
25/11/22
23/11/22
DOGMA LITERÁRIO OU DO ESTADO DA ARTE
«Everyone has a book inside them, which is exactly where it should, I think, in most cases, remain.», Christopher Hitchens
06/10/22
DE EÇA DE QUEIRÓS A URSULA VON DER LEYEN OU VICE-VERSA: E AINDA DIZEM QUE A LITERATURA NÃO SERVE PARA NADA
Em entrevista, a nossa Ursula repete que vamos no futuro ficar mais verdes e no presente que, se regularmos os valores do ar condicionado em dois graus, estamos safos (desta vez não referiu aquela coisa de trocarmos de electrodomésticos...).
Com a proximidade do Inverno, tempera no entanto o optimismo. O título da entrevista é elucidativo:
«UE pode enfrentar “situação difícil” no abastecimento de energia no Inverno»
Depois, travando do braço a Carlos, aludiu comovido ao oferecimento de Afonso da Maia, que pusera à sua disposição Sta. Olávia, para ele se restabelecer nesses ares fortes e limpos do Douro. Oh esse convite tocara-o au plus profond de son coeur. Mas, infelizmente, Sta. Olávia era longe, tão longe!... Tinha de se contentar com Sintra, de onde podia vir todas as semanas, uma, duas vezes, vigiar a Legação. C'était enuyeux, mais... A Europa estava num desses momentos de crise, em que homens de estado, diplomatas, não podiam afastar-se, gozar as menores férias. Precisavam estar ali, na brecha, observando, informando...
— C'est très grave, murmurou ele, parando, com um pavor vago no olhar azulado... C'est excessivement grave! (...)»
14/09/22
ARTURO PÉREZ REVERTE: UMA ENTREVISTA PARA TODOS OS ENTEDIADOS QUE DISPARAM MÍSSEIS DOS SOFÁS E ATÉ ACHAM QUE OS UCRANIANOS TRATAM MELHOR OS CÃES DO QUE OS RUSSOS AS PESSOAS
08/09/22
30/08/22
DA LITERATURA QUE SE ENSINA NO SECUNDÁRIO: E PERANTE TANTO DISPARATE UM PEDIDO DE ESCLARECIMENTO À AUTORA DO REFERIDO
Os Lusíadas do Camões é colonialista;
Os Maias do Eça é racista;
A Mensagem do Pessoa é qualquer coisa que não percebi muito bem, talvez a súmula dos dois.
Despachado o assunto, pergunta Joana Fonte, a autora do descabelado resumo: «Não deve este programa [de português do Secundário] estar revestido por obras que representam os valores actuais da nossa sociedade?»
Acho muito bem que revistam o programa por obras. E por achar muito bem que revistam o programa por obras, perguntaria à Joana: Quais são os valores actuais da nossa sociedade e que obras recomenda que representem os valores actuais da sociedade?
E se alguém já lhe fez a pergunta, as minhas desculpas.
06/08/22
NÃO PERCEBO, NEM QUERO PERCEBER, DE TÁCTICAS MILITARES MAS É-ME IMPOSSÍVEL NÃO ACHAR ESTRANHO QUE OS RUSSOS SE BOMBARDEIEM A SI PRÓPRIOS
Aprende-se muito com a literatura. Por exemplo, com Elizabeth Finch de Julian Barnes onde um dos capítulos é dedicado a Juliano, o Apóstata, o último imperador pagão de Roma que mandou queimar a sua própria frota para não a deixar como oferta ao inimigo.
Vem isto a propósito de os russos terem, segundo os ucranianos, bombardeado a maior central nuclear da Europa que eles próprios ocupam.
04/07/22
ESQUEÇAM A UCRÂNIA OU O PACÍFICO: A PRÓXIMA GUERRA MUNDIAL SERÁ POR CAUSA DA LUA (se for NA lua talvez seja menos mau)
29/06/22
ESTÁ TUDO A CORRER TÃO BEM: «Grã-Bretanha pode parar de fornecer gás à Europa continental se a crise do gás russo se intensificar»
A notícia vem no Financial Times e no Guardian.
Pessoalmente, aconselho antes a leitura do «Cândido ou o Optimismo» de Voltaire.
ALICE, LIZ, O MESMO COMBATE OU DA UTILIDADE DA LITERATURA EM TEMPO DE GUERRA
Estava a ler as declarações de Liz Truss, a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, sobre negociações de paz — «We have to defeat Russia first» — e aquilo soava-me familiar. Depois lembrei-me.
Era a Rainha de Copas da Alice do Lewis Carroll: «Sentença primeiro! Veredicto depois!»
Como sempre digo, está tudo na literatura.
17/06/22
GUERRA NA UCRÂNIA: E DESPERTARAM TODOS DE REPENTE PARA A VIDA?
Qualquer pessoa com três dedos de testa — sem ser preciso ter lido "A Arte da Guerra" de Sun Tzu, mas preferencialmente tendo lido Tolstoi e alguns clássicos da Antiguidade (e volto a citar essa maravilha chamada "A Retirada dos Dez Mil" de Xenofonte, livro que, além de divertido, até está traduzido entre nós pelo Aquilino Ribeiro...) — percebe que quando se enfrenta um inimigo poderoso, além de tudo o mais convém ser inteligente e matreiro. Já agora, de passagem, acrescento que reduzi-lo à condição de louco psicopata é meio caminho andado para o desastre — o discernimento do inimigo, por muito que nos custe, é para ser levado a sério.
O recente ping-pong entre a Rússia e a União Europeia a propósito de fornecimento energético (com a ameaça de suspensão das importações — anunciadas aos sete ventos e com prazos e tudo... — a ser, naturalmente, antecipada por Putin que tem mais a quem vender e, dada a subida dos preços, ainda ganha mais com isso do que antes das sanções...) mostra bem até que ponto o lado ocidental anda a apanhar papéis.
Ao contrário dos que gritam Às armas! Às armas!, não me cheira nada que seja possível "humilhar" militarmente a Rússia, dando aqui razão a Macron que anda, também ele, num virote. Ignorante de matérias ligadas a tanques, bazucas e similares, mas mesmo dando de barato que os ucranianos recebam todas as armas do mundo (e estão a recebê-las à borla?, pergunto...), que futuro se imagina para a Europa com um país como a Rússia excluído e exorcizado? Ou estamos à espera que Putin morra do tal cancro anunciado e que venha de lá uma democracia instanânea tipo farinha Amparo?
A alternativa seria uma guerra global, também com a China, fora o resto que não é pouco.
Ou seja, a sensação com que se fica é que os países com regimes (mais) democráticos andaram este tempo todo a dormir tranquilamente com os inimigos, um dia acordaram de repente e desataram à estalada a torto e a direito. Tal despertar não tem nada de inteligente, matreiro muito menos, e eficaz então nem se fala. Ainda acordamos, não com os inimigos na cama, mas com os inimigos a ocuparem a casa, incluindo a cozinha e o quintal.
Mas, claro, eu sou só uma senhora que, não percebendo nada de tácticas militares, se limitou a ler o Tolstoi, o Xenofonte e, já agora, a rir à gargalhada na cama com o soldado Švejk.
Dir-se-á. Mas a razão está do nosso lado. Meus amigos, se a razão bastasse para vencer na História, os índios viveriam lá no paraíso deles e não em Reservas encharcados em álcool.
03/05/22
05/12/21
ESTE HOMEM ERA UM GÉNIO DA REPORTAGEM (LOGO, DA ESCRITA)

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