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27/06/22

SENDO EU, EM MATÉRIA DE FINANÇAS, PIOR DO QUE O MENINO JESUS DO PESSOA, ALGUÉM QUE ME ESCLAREÇA, MAS DEVAGARINHO...

A Rússia entrou em incumprimento porque:
A: Faliu
B: Não faliu, mas não quer pagar
C: Quer pagar, mas as sanções não permitem
D: Outros
É que leio que o incumprimento será meramente simbólico e não fará grande mossa a Putin. E não, calma!, não li isso em nenhum órgão de informação putinista. 


09/06/22

ENTRETANTO NO NOSSO LAR, DOCE LAR: Ó SENHOR COSTA, VAMOLÁVER

Parem lá de gozar, se faz favor

Luís Aguiar-Conraria

«Às vezes, fico com a ideia de que os governantes gostam de gozar connosco. Voltei a ter essa sensação quando ouvi António Costa falar da necessidade de aumentar o peso dos salários no PIB e exortou as empresas a que fizessem um esforço coletivo nesse sentido. Pôs mesmo uma meta: até 2026, aumentar o salário médio em 20%. Neste caso, esta simples declaração é como um bom bolo de bolacha, tem várias camadas de gozo.

A primeira camada de gozo é a de fixar uma meta que em nada depende do Governo. Não é António Costa quem define quais os salários que as empresas pagam. Este discurso serve essencialmente para chamar a si mesmo o mérito de eventuais aumentos salariais que venham a ser concedidos no sector privado.

A segunda camada tem a ver com a justificação que o Governo deu, ainda não há muitas semanas, para não aumentar os funcionários públicos em mais do que 0,9%: não queria alimentar uma espiral inflacionista. Até parece que só os aumentos dos funcionários públicos é que causam inflação. Os aumentos dos salários no sector privado não.

(Se pensarmos com cuidado, percebemos que é precisamente o oposto. O perigo de os aumentos salariais alimentarem a inflação tem a ver com o facto de o empregador poder aumentar os preços transferindo o aumento de custos para o cliente. Esse perigo é muito maior no sector privado do que no público. Por exemplo, não é por se aumentarem os professores universitários que as propinas ficarão mais altas.)

A terceira camada é o próprio objetivo fixado e a forma de lá chegar. Diz António Costa que o peso dos salários no PIB é de 45% e quer que suba para 48%. Para tal ser possível é necessário que os salários aumentem mais do que o PIB. De acordo com as previsões da Comissão Europeia, o PIB português deverá crescer, em termos nominais, 8,8%. Na verdade, como a inflação prevista tem estado sempre a ser revista em alta, o provável é mesmo que o PIB nominal aumente ainda mais. (Note-se que o PIB representa o valor de todos os bens e serviços produzidos num ano, pelo que pode aumentar porque cresceu a produção e/ou porque os preços subiram; já quando falamos do PIB real, estamos a abstrair-nos dos efeitos inflacionistas.) Se as empresas seguirem o exemplo do Governo e aumentarem os salários em 1%, o que vai acontecer é que o peso dos salários no PIB, em vez de subir de 45% para 48%, desce para 42%. Se as empresas, em vez de fazerem o que António Costa diz, fizerem o que ele faz, o peso dos salários, em vez de aumentar três pontos percentuais, cairá em igual montante. Bem prega Frei Tomás…

Há uma quarta camada de gozo que é o de não dizer se o aumento de 20% é em termos reais ou nominais. Habituámo-nos de tal forma a não ter inflação que nos esquecemos que um aumento dos salários igual à taxa de inflação não é aumento nenhum. Se os preços em Portugal congelassem até ao fim do ano, a taxa de inflação de 2022 seria de 6,7%. Se traçar cenários otimistas e pessimistas para a inflação até 2026, concluirá que, até ao fim de 2026, os preços subirão entre 20% e 30%.

Portanto, se António Costa fala de um aumento nominal dos salários, 20% não é nada. Por trás de um número aparentemente ambicioso está, na verdade, uma ambição de descida dos salários reais. Faz lembrar quando, durante a campanha, o aumento de 0,9% dos salários da Função Pública foi apresentado como uma promessa eleitoralista. A promessa só era eleitoralista porque somos burros, dado que a inflação era bastante superior.

Se Costa se refere a aumentos reais dos salários, isso quer dizer que os salários têm de subir bastante acima da inflação. Admita, só para simplificar as contas, que a inflação em 2022 é de 7%, depois cai para 5% em 2023, 3% em 2024 e 2% em 2025 e 2026. Para que haja um aumento real de 20% dos salários, estes terão de crescer 3,85 pontos percentuais acima da inflação todos os anos. Só este ano teriam de subir quase 11%.

Há ainda uma quinta camada de gozo. O objetivo de aumentar os salários em 20% surge na mesma altura em que o Governo anuncia experiências-piloto para testar a semana dos quatro dias de trabalho. O Governo acena com menos um dia de trabalho por semana (ou seja, uma redução de 20% da carga de trabalho semanal) ao mesmo tempo que fixa como meta 20% de aumento salarial. Andam os economistas a discutir se será possível reduzir a semana de trabalho sem baixar salários e o Governo não só acha possível não baixar salários como até acha que dá para os aumentar em 20%. Se fizer as contas, verá que, para aumentar o salário em 20% ao mesmo tempo que reduz o horário noutros 20%, o salário por hora terá de aumentar 50%.

Fico na dúvida sobre se estão a gozar ou se não têm qualquer noção do que dizem.»

DAQUI, a partir DAQUI

07/04/22

PARADOXOS DA GUERRA: A UCRÂNIA E O GÁS RUSSO

O NEGÓCIO DO GÁS QUE CONTINUA ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

Editorial do jornalista francês Vincent Hervouët na Europe1, dando conta que a Ucrânia continua a servir de passagem para o fornecimento do gás russo aos países consumidores europeus, sendo paga por isso pelo país invasor. 

15/03/22

GUERRA NA UCRÂNIA: «Sobre a impossibilidade de isolar [economicamente] um grande país no século XXI»

«Remember the Brics? This acronym stood for Brazil, Russia, India, China and South Africa. Back in the early 2000s, they were thought of as the five largest emerging economies. What the four that are not Russia have in common today is that none of them have imposed sanctions on Russia. They are not strategic allies of Russia. But they, and many other countries, will continue to trade with Russia.

The west, meanwhile, has taken the biggest gamble in the history of economic warfare. We have frozen the assets of the Russian central bank. Call it a special economic operation.

But we did not think this through. For a central bank to freeze the accounts of another central bank is a really big deal. Economically, what this means is that the entire transatlantic west has defaulted on our most important asset: our fiat money. Russia’s central bank reserves were earnings from legitimate sales, mostly to the west. Courts can freeze assets if they are obtained illegally. But this was not the case here. Russia has violated international law by invading Ukraine. But its central bank accounts held abroad are legal.

With this one sanction, we have done all of the following: undermined trust in the US dollar as the world’s main reserve currency; forestalled any challenge the euro might ever make; reduced the creditworthiness of our central banks; encouraged China and Russia to bypass the western financial infrastructure; and turned bitcoin into a respectable alternative transaction currency. At least the blockchain is not going to default on you.

Vladimir Putin is playing this cleverly. He says Russia will stick to its international contracts and obligations. Russia will not default. It will continue to supply gas, as Russia did during previous wars. Europe is, of course, right to seek greater independence from Russian energy. The quid pro quo is that Russia is becoming more independent of the west too.

Even without the west, a commodities-rich Russia has many markets at its disposal. China will remain a solid business partner. So will India, Pakistan, and Indonesia. And of course South Africa and Brazil, along with most of Africa and Latin America. Russia isolated? You must be kidding. Or suffering from an inflated perception of the transatlantic west in the 21st century.

Now consider what the Chinese will make of our sanctions. The Chinese government knows that its large exposure to US assets is equally at risk. What the US did to President Putin over Ukraine can be done to President Xi over the Uyghurs. The process of de-dollarisation will take time. But China is never in a hurry.

As a direct result of these decisions, we have turned the dollar and the euro, and everything that is denominated in those currencies, into de facto risky assets. The probability of default of a dollar or euro denominated asset can no longer be credibly put at zero. With a single decision, we have created a tail risk.

Of course, no credit rating agency in the world would ever acknowledge freezing central bank assets as a formal default. They will, of course, not downgrade the entire US economy to junk status. Nobody is going to pay them any fee income for that. Nor will freezing central bank assets ever trigger collateral default swaps, financial instruments that constitute a form of default insurance.

So if this is not classified as a default in a legal sense, what kind of default is it then? Think of it as a default on money’s most important promise: that it allows its holders to engage in legal transactions. There are, of course, other ways for governments and central banks to debase money, through inflation for example. But we can hedge against inflation, whereas there is no hedge against the freezing of your accounts.

I hear you say: maybe this is a price worth paying to stop a dictator from waging war. Unfortunately, it won’t. Europe is still paying Putin some €800m each day for oil and gas.
As I argued last week, an oil and gas embargo is the sanction that would have made an impact in the short-term, severely constraining his ability to replenish military stock he is using up now. The west chose the central bank sanctions because they were least inconvenient in the short run. But we did so without even considering the long-term consequences.

We are resorting to the only problem-solving method we know: kicking the can down the road. Until we hit a brick wall.»

Wolfgang Münchau


20/01/12

Delírios lusos: Álvaro fala de pastéis, Gaspar fala de unicórnios

«(...) Depois de começar um ano crucial com a apresentação de um desvio, o ministro do rigor fala em viragens míticas e de unicórnios contra a mais elementar realidade. Talvez Gaspar saiba mesmo de algo que nós não saibamos, mas nesse caso pedimos que partilhe com o resto do país – caso contrário, podemos mesmo ficar preocupados.», Bruno Faria Lopes
Artigo completo AQUI (a partir DAQUI)

03/11/11

[Pastiche] A Ana Cristina Leonardo (ACL), detentora de 0% do capital da Europarque, reconheceu hoje a impossibilidade de honrar os pagamentos à banca

[O original]
"A Associação Empresarial de Portugal (AEP), detentora de 51 por cento do capital do Europarque, em Santa Maria da Feira, reconheceu hoje a impossibilidade de honrar os pagamentos à banca. Cabe agora ao Estado assumir estes encargos."

Aqui, a partir daqui.

13/05/10

O capitalismo que nos há-de foder a todos ou bem podem meter os PECs num sítio que eu cá sei

(...) Para que se faça uma ideia: nos últimos anos, a economia mundial cresceu à volta de 4%; o comércio mundial 4,5%; e o movimento de capitais 60%!
Como é possível conviver com um sector financeiro que em algumas décadas cresceu várias vezes mais do que a economia real?
É neste contexto que se inserem as novas medidas acordadas em Bruxelas para Portugal e outros países. Através dessas medidas não se trata, como a experiência já demonstrou, de fazer conjunturalmente sacrifícios para garantir a médio prazo o crescimento da economia, o desenvolvimento económico, o fomento do emprego, enfim, aqueles objectivos que justificariam um sacrifício presente para alcançar uma vantagem futura. Nada disso.
O resultado destes sacrifícios é estagnação económica, mais desemprego, menores salários, mais encargos. E quem ganha com isso? Antes de mais vão ganhar todos aqueles que tiverem de pagar menores salários, aqueles para os quais forem transferidos os bens públicos rentáveis e, obviamente, o capital financeiro que, continuando a fazer empréstimos a preços especulativos, duplicará, triplicará, facilmente os lucros e terá por aquela via garantida o reembolso da dívida…que não cessará de crescer.
(...)
boneco de Enki Bilal

20/03/09

Ah! como a inteligência pode ser afrodisíaca mesmo quando o assunto é a crise


(...) o sistema capitalista exige uma permanente dinâmica de expansão para não cair. É um sistema parecido com a bicicleta, só que gigantesco. Hoje com 60 biliões de dólares de bens e serviços produzidos anualmente, para 6800 milhões de pessoas, estamos produzindo cerca de 8 mil dólares por pessoa e por ano. Isto significa quase três mil dólares por mês por família de quatro pessoas. Ou seja, com o que produzimos hoje, todos poderiam viver de maneira digna e confortável no planeta. O problema é que o sistema produz, mas não sabe distribuir. Daí a necessidade funcional de um outro equilíbrio entre o Estado, as empresas e a sociedade civil organizada. O planeta está implodindo com os absurdos consumistas de um lado, com os dramas sociais de outro. O Japão está saturado, o japonês poupa mais, porque também já não sabe onde colocar mais uma televisão, mais uma bicicleta ergonómica. (...)

(...) As empresas de auditoria, com todos os seus códigos de ética, eram consultoras de quem controlavam, uma mão lavando a outra, como no caso da Artur Andersen. Os governos que deveriam regular o sistema financeiro, são constituídos por pessoas eleitas com o dinheiro das corporações. Como pode existir um sistema de regulação e controlo quando os reguladores são, de alto a baixo do sistema, pagos por quem devem regular? O Greenspan é simpático, pois confessa as maldades, inclusive as razões da guerra com o Iraque. Só que confessa, lamentavelmente, depois. No Tesouro entrou um executivo da Goldman & Sachs. Tutti buona gente. Mas sem dúvida que a revogação do sistema de regulação financeira nos Estados Unidos, no final dos anos 1990, foi rigorosamente um ataque organizado contra a economia real, batalhado pelos grandes especuladores, e vale a pena ver como se deu a votação. (...)

(...) Temos uma economia mundializada, enquanto os instrumentos políticos são nacionais. Isto gera um imenso vazio de governança planetária, que permite não só a malandragem dos grandes grupos financeiros (inclusive com os seus criminosos paraísos fiscais), mas também os excessos das corporações do petróleo, das grandes empresas de intermediação de grãos ou de produção de gado que pressionam a desflorestação da Amazónia e de outras regiões, do oligopólio farmacêutico que se esqueceu completamente de servir a saúde das populações e assim por diante. De SIDA, já morreram 25 milhões de pessoas. De malária, morrem 2 milhões ao ano. Os oceanos estão tornando-se desertos, quando se trata da principal base de vida do planeta. Tudo isto não é crise? (...)

Excertos de uma entrevista com o economista Ladislau Dowbor, que pode ser integralmente lida aqui.