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13/02/14

E para que não restem dúvidas sobre o facto de eu achar o director do Zoo dinamarquês um animal...

Aquilo que nos faz ter piedade dos animais em sofrimento é, ao contrário do que pensam alguns, não uma forma retorcida de desprezo pelo humano mas uma qualidade nossa de mostrar respeito pelo que é diferente de nós.
Marguerite Yourcenar, essa Senhora com S maiúsculo, resumiu-o numa simples frase: "Et puis, il y a toujours pour moi cet aspect bouleversant de l’animal qui ne possède rien, sauf la vie, que si souvent nous lui prenons".
É a vida que nos comove. É o despojamento absoluto que nos comove. É a fragilidade que nos comove. E ainda bem. Quer dizer que ainda não embrutecemos completamente.
As crianças não precisam de ver girafas a ser esquartejadas. As crianças precisam de conviver com animais, com árvores e com a Natureza. Depois queixem-se de ter filhos insuportáveis e neuróticos e hiper-activos e outras coisas piores.


Para assinar a petição pela demissão do animal de director, assinar AQUI

Para ler sobre a previsão de mais um abate na Dinamarca, ler AQUI

[Só para quem tiver estômago] Para assistir ao espectáculo didáctico oferecido às criancinhas, não vão elas pensar que a carne que comem em casa vem das árvores, AQUI

12/02/14

Bom dia!

Os suíços inventaram o J para os passaportes judaicos e não foi há muitas décadas. Na Dinamarca de hoje esfola-se uma girafa à frente das crianças com intuitos educativos. Há dias em que gosto muito de ser portuguesa e do Sul.

27/06/10

Fish and chips, perdão, scutes e chipes embora o assunto não me interesse por aí além

Scutes lembra-me escuteiros e chipes, claro, batatas fritas. O assunto, apesar de não ter a certeza de poder chamar assunto às batatas fritas, não me interessa por aí além. Como diria Benchley.
Fazendo, contudo, um esforço de descentramento cívico, estou disposta a apostar que nas análises profundas que se farão ouvir após as próximas eleições legislativas (digo já que não arrisco datas…) a coisa será dada como a gota de água que fez cair José Sócrates.
De facto, a embrulhada é de monta. Promete-se a uns dinamarqueses que a gente não conhece de lado nenhum um negócio da China em Portugal. Como Portugal fica mais perto, os dinamarqueses, que também não nos conhecem de lado nenhum, aceitam sem saber no que se metem.
O assessor de um secretário de Estado chega mesmo a despedir-se do cargo para representar voluntariamente os escandinavos no nosso país, arriscando-se, afinal, a ir engrossar as filas do Fundo de Desemprego onde, como se sabe, dada as restrições impostas pela crise, já não há ninguém para servir salmão.
Ao desemprego terá, pois, o pobre assessor de somar o deficit de ómega 3, o que evidentemente resultará numa diminuição acentuada do seu bom colesterol, facto sobremaneira injusto dado Pedro Bento ser rapaz ainda jovem e para mais empreendedor, que é do que este país mais precisa como bem disse Cavaco Silva, cujo antigo governo by the way também terá caído por causa de umas portagens na ponte 25 de Abril, o que não deixa de denunciar um curioso padrão no comportamento político dos portugueses que já terá sido com certeza analisado pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos.
E tudo isto porque alguém decidiu que só a região norte passaria a pagar portagens. Os tipos da região norte ficaram naturalmente chateados (eu também ficaria, mesmo se o assunto não me interessa por aí além…) e garantem que ou há moralidade ou comem todos. Parece que vão todos comer pela medida grande. Mas, por enquanto, sem chips nem fish.
Entretanto, na Dinamarca, um pescador de salmão, entediado enquanto esperava pela passagem dos peixes, decifrou a sigla SCUT (SEM CUSTO PARA O UTILIZADOR), que até aí pensava ser uma variante portuguesa de salsichas.
Incrédulo, telefonou ao seu conterrâneo (e novo empregador do ex-assessor do secretário de Estado Paulo Campos), que ficou tão surpreendido como ele, e depois foram os dois beber umas Carlsberg, provavelmente a melhor cerveja do mundo.

13/02/08

Eles republicam, eu republico, mas por ordem de chegada






Vem isto a propósito dos jornais dinamarqueses terem sublinhado hoje a liberdade de expressão, voltando a publicar os cartoons de Maomé. Eu vou atrás e relembro a minha liberdade de pensar, AQUI, aproveitando para reproduzir, desta vez sem vénia, as declarações do ex- Ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, a quem, na altura, coube representar o papel do ecuménico de serviço.


Declaração do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros sobre a publicação dos "cartoons" sobre Maomé

«Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos e/ou caricaturas que ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos. A liberdade de expressão, como aliás todas as liberdades, tem como principal limite o dever de respeitar as liberdades e direitos dos outros. Entre essas outras liberdades e direitos a respeitar está, manifestamente, a liberdade religiosa – que compreende o direito de ter ou não ter religião e, tendo religião, o direito de ver respeitados os símbolos fundamentais da religião que se professa.
Para os católicos esses símbolos são as figuras de Cristo e da sua Mãe, a Virgem Maria. Para os muçulmanos um dos principais símbolos é a figura do Profeta Maomé. Todos os que professam essas religiões têm direito a que tais símbolos e figuras sejam respeitados. A liberdade sem limites não é liberdade, mas licenciosidade. O que se passou recentemente nesta matéria em alguns países europeus é lamentável porque incita a uma inaceitável “guerra de religiões” – ainda por cima sabendo-se que as três religiões monoteístas (cristã, muçulmana e hebraica) descendem todas do mesmo profeta, Abraão.
Diogo Freitas do Amaral, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros»
Amen!