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26/07/22

QUANTA REALIDADE É POSSÍVEL SUPORTAR?

Os cinco migrantes encontrados mortos num barco de pesca à deriva resgatado pela guarda costeira italiana morreram de sede depois de a água potável ter sido racionada pelos traficantes que organizaram a viagem.

'“Durante a travessia, os recursos hídricos e alimentares foram racionados de forma desumana, ao ponto de os migrantes serem obrigados a partilhar uma chávena de café cheia de água entre dez pessoas”, referiu, num comunicado, o Ministério Público [italiano], pormenorizando as condições em que as 674 pessoas resgatadas do barco de pesca viajaram.

Os migrantes foram também espancados “com paus e cintos”.

Devido ao calor intenso e à falta de água potável, “muitos dos migrantes adoeceram e disseram ter visto os seus companheiros de viagem morrer devido ao calor e à desidratação, já que tiveram de beber até água do mar e do motor”.

Segundo a mesma nota, os membros da tripulação nomearam um migrante para gerir e racionar o abastecimento de água potável, que era espancado se recusasse, “com a consequência adicional para os migrantes de sofrer mais racionamento progressivo de água potável”.

Os migrantes também relataram que tinham deixado a Líbia após um mês numa “casa de passagem”, local de trânsito onde os migrantes são mantidos encarcerados, e que durante a travessia a tripulação desligou subitamente os motores e pediu ajuda com um dispositivo de ligação por satélite, atirado depois borda fora.

A embarcação, à deriva com 674 migrantes, foi resgatada no sábado, 124 milhas ao largo da Calábria por um navio mercante, três barcos patrulha da Guarda Costeira e uma unidade da Guardia di Finanza, que encontraram também os cinco corpos sem vida a bordo. (...)»

20/07/22

ENTRETANTO NA CHINA, A POLÍTICA ZERO-COVID CONTINUA A ALIMENTAR A DISTOPIA

«Authorities in southern China have apologised for breaking into the homes of people who had been taken to a quarantine hotel, in the latest example of heavy-handed virus-prevention measures that have sparked a rare public backlash.

State media said that 84 homes in an apartment complex in Guangzhou city’s Liwan district had been opened in an effort to find any “close contacts” hiding inside and to disinfect the premises.

The doors were later sealed and new locks installed, the Global Times newspaper reported.

The Liwan district government apologised on Monday for such “oversimplified and violent” behaviour, the paper said. An investigation has been launched and “relevant people” will be severely punished, it said.

China’s leadership has maintained its hard-line "zero-Covid"policy despite the mounting economic costs and disruption to the lives of citizens, who continue to be subjected to routine testing and quarantines, even while the rest of the world has opened up to living with the disease.

Numerous cases of police and health workers breaking into homes around China in the name of anti-Covid-19 measures have been documented on social media. In some, doors have been broken down and residents threatened with punishment, even when they tested negative for the virus. Authorities have demanded keys to lock in residents of apartment buildings where cases have been detected, steel barriers erected to prevent them leaving their compounds and iron bars welded over doors.(...)»

04/04/22

GUERRA NA UCRÂNIA: E NO FIM GANHA A CHINA?

A hegemonia ocidental tem os dias contados? A democracia e os direitos humanos sairão reforçados desta guerra? A condenação mundial a Putin será mesmo mundial? 

São perguntas a que não vale a pena fugir.

02/08/11

Às vezes prefiro mesmo a minha cadela e que se lixe a metafísica

A história de Ameneh Bahrami é sinistra. Um homem, Majid Mohavedi, que viu recusado o seu pedido de casamento, atirou-lhe ácido à cara, desfigurou-a e cegou-a.
Segundo a lei vigente no Irão, quem com ferro mata com ferro morre. Um tribunal condenou Majid Mohavedi à cegueira e a sentença só não foi executada porque a vítima o perdoou no último momento. Em vez de cego, o agressor terá de lhe pagar uma determinada quantia em dinheiro, com base naquilo a que é chamado “dinheiro de sangue”.
É evidente que qualquer ser humano que lance ácido sobre outro merece castigo e dos valentes (a não ser que mais nenhum recurso lhe reste para se salvar a si próprio), e a história desta iraniana dirá muito da relação entre os dois sexos no país.
O que choca, contudo, na notícia é, mais do que o gesto do homem, um tribunal tê-lo condenado à cegueira. E, ainda mais do que isso, a execução da sentença ter lugar num hospital. Sem ou com anestesia, pergunto?
Porque, no último caso, seria um pouco como a pena capital, em que os matamos civilizadamente, tal como no poema da Sophia, sem descurar a sensibilidade do acto.

18/07/11

A Europa e os Bárbaros

Desculpar-me-ão os leitores deste post o tom vagamente confessional (e, já agora, o meu gosto quiçá inflacionado pelos advérbios de modo).
Paris, uma punhalada no coração, escreveu Jack Kerouac; cito-o e subtraio-lhe a conotação poética.
Foi em Paris que me estreei no rigoroso controlo policial dos “papéis” (os Petits Papiers cantados por Gainsbourg), Barbès-Rochechouart, zona habitada maioritariamente por árabes, únicos viajantes tardios do último Metro sujeitos a identificação que a mim me gritavam sempre “Allez! Allez!”, até que uma vez fiz questão em ir para a fila, passaporte na mão, estrangeira, também eu.
Foi em Paris, aussi, que aprendi a distinguir racismo de xenofobia ao som da Linda de Suza que nesse dia não cantou. Convidada de um programa televisivo sobre emigração, falava quando o chefe de família da casa – homem de trato adorável – exclamou entre dois pinard: Estes portugueses estão em todo o lado! e, reparando depois no silêncio que se fizera à mesa, olhou para mim e sorriu: Não é contigo. Tu até podias ser francesa, cumprimento envenenado que, ainda hoje, julgo ter ficado a dever-se ao facto de gostar de camembert, cognac e falar francês sem “acento”.
Tudo isto aconteceu antes de termos lugar na Europa; éramos, então, cidadãos de segunda e emigrantes de terceira.
O meu amigo mexicano foi impedido de entrar em Espanha este mês. Destino: Madeira. Motivo: férias.
24 horas preso em Madrid, sem passaporte, sem máquina fotográfica, sem telemóvel e sem cinto das calças (apreendido). Devolvido à procedência por falta de documentação.
A saber. Reserva de hotel paga. Ok. Responsável pela estadia. Ok. Cartão de crédito. Ok.
Papéis em falta: comprovativo de depósito de 5200 euros (!) obrigatoriamente feito no México (!!), carta-convite (documento obscuro do qual as autoridades teriam de ser informadas com um mês de antecedência, de modo a poderem confirmar a sua veracidade).
Azar o dele, pois, ter nascido mexicano e sorte a minha ter nascido portuguesa (apesar de tudo, não é?).

02/12/09

Ainda a Ben-U-Ron comprimidos, passe a publicidade, passo só para dizer uma coisa: estou com a Aminetu Haidar * e quero que os minaretes se lixem

Porque, afinal, sobre os minaretes já tudo foi dito aqui e melhor é impossível:
... lá proibiram os minaretes na Suíça. O mundo está cheio de gente que odeia mulheres.

* clicar na foto de Aminetu Haidar na coluna da direita deste blog, sff
[Entretanto, A Amnistia Internacional - Portugal convocou todos defensores dos Direitos Humanos para uma VIGÍLIA de SOLIDARIEDADE com AMINETU HAIDAR, a realizar 5.ª Feira, dia 3 de Dezembro, entre as 18h30 e as 20h00, na Av. da Liberdade, frente ao Consulado na Espanha, junto ao monumento de Homenagem aos Mortos da 1.ª Guerra Mundial]

23/10/08

Não lhe deram o Nobel, mas ao menos deram-lhe o Sakharov

Hu Jia, o activista chinês dos direitos humanos que o governo de Wen Jiabao condenou, no passado mês de Abril, a três anos e meio de prisão, recebeu o prémio Sakharov, prémio criado pelo Parlamento Europeu em 1985 para homenagear personalidades ou organizações que se destaquem no combate pela liberdade. A China, que tinha exercido imensas pressões para que o Nobel da Paz não fosse entregue a Hu Jia, já fez saber que considera esta atribuição uma ingerência nos seus assuntos internos. Será. Mas vai ter que ingeri-la.