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18/11/22
13/10/22
26/07/22
20/07/22
04/04/22
GUERRA NA UCRÂNIA: E NO FIM GANHA A CHINA?
A hegemonia ocidental tem os dias contados? A democracia e os direitos humanos sairão reforçados desta guerra? A condenação mundial a Putin será mesmo mundial?
02/08/11
Às vezes prefiro mesmo a minha cadela e que se lixe a metafísica
A história de Ameneh Bahrami é sinistra. Um homem, Majid Mohavedi, que viu recusado o seu pedido de casamento, atirou-lhe ácido à cara, desfigurou-a e cegou-a.
Segundo a lei vigente no Irão, quem com ferro mata com ferro morre. Um tribunal condenou Majid Mohavedi à cegueira e a sentença só não foi executada porque a vítima o perdoou no último momento. Em vez de cego, o agressor terá de lhe pagar uma determinada quantia em dinheiro, com base naquilo a que é chamado “dinheiro de sangue”.
É evidente que qualquer ser humano que lance ácido sobre outro merece castigo e dos valentes (a não ser que mais nenhum recurso lhe reste para se salvar a si próprio), e a história desta iraniana dirá muito da relação entre os dois sexos no país.
O que choca, contudo, na notícia é, mais do que o gesto do homem, um tribunal tê-lo condenado à cegueira. E, ainda mais do que isso, a execução da sentença ter lugar num hospital. Sem ou com anestesia, pergunto?
Porque, no último caso, seria um pouco como a pena capital, em que os matamos civilizadamente, tal como no poema da Sophia, sem descurar a sensibilidade do acto.
Segundo a lei vigente no Irão, quem com ferro mata com ferro morre. Um tribunal condenou Majid Mohavedi à cegueira e a sentença só não foi executada porque a vítima o perdoou no último momento. Em vez de cego, o agressor terá de lhe pagar uma determinada quantia em dinheiro, com base naquilo a que é chamado “dinheiro de sangue”.
É evidente que qualquer ser humano que lance ácido sobre outro merece castigo e dos valentes (a não ser que mais nenhum recurso lhe reste para se salvar a si próprio), e a história desta iraniana dirá muito da relação entre os dois sexos no país.
O que choca, contudo, na notícia é, mais do que o gesto do homem, um tribunal tê-lo condenado à cegueira. E, ainda mais do que isso, a execução da sentença ter lugar num hospital. Sem ou com anestesia, pergunto?
Porque, no último caso, seria um pouco como a pena capital, em que os matamos civilizadamente, tal como no poema da Sophia, sem descurar a sensibilidade do acto.
18/07/11
A Europa e os Bárbaros
Desculpar-me-ão os leitores deste post o tom vagamente confessional (e, já agora, o meu gosto quiçá inflacionado pelos advérbios de modo).
Paris, uma punhalada no coração, escreveu Jack Kerouac; cito-o e subtraio-lhe a conotação poética.
Foi em Paris que me estreei no rigoroso controlo policial dos “papéis” (os Petits Papiers cantados por Gainsbourg), Barbès-Rochechouart, zona habitada maioritariamente por árabes, únicos viajantes tardios do último Metro sujeitos a identificação que a mim me gritavam sempre “Allez! Allez!”, até que uma vez fiz questão em ir para a fila, passaporte na mão, estrangeira, também eu.
Foi em Paris, aussi, que aprendi a distinguir racismo de xenofobia ao som da Linda de Suza que nesse dia não cantou. Convidada de um programa televisivo sobre emigração, falava quando o chefe de família da casa – homem de trato adorável – exclamou entre dois pinard: Estes portugueses estão em todo o lado! e, reparando depois no silêncio que se fizera à mesa, olhou para mim e sorriu: Não é contigo. Tu até podias ser francesa, cumprimento envenenado que, ainda hoje, julgo ter ficado a dever-se ao facto de gostar de camembert, cognac e falar francês sem “acento”.
Tudo isto aconteceu antes de termos lugar na Europa; éramos, então, cidadãos de segunda e emigrantes de terceira.
O meu amigo mexicano foi impedido de entrar em Espanha este mês. Destino: Madeira. Motivo: férias.
24 horas preso em Madrid, sem passaporte, sem máquina fotográfica, sem telemóvel e sem cinto das calças (apreendido). Devolvido à procedência por falta de documentação.
A saber. Reserva de hotel paga. Ok. Responsável pela estadia. Ok. Cartão de crédito. Ok.
Papéis em falta: comprovativo de depósito de 5200 euros (!) obrigatoriamente feito no México (!!), carta-convite (documento obscuro do qual as autoridades teriam de ser informadas com um mês de antecedência, de modo a poderem confirmar a sua veracidade).
Azar o dele, pois, ter nascido mexicano e sorte a minha ter nascido portuguesa (apesar de tudo, não é?).
Paris, uma punhalada no coração, escreveu Jack Kerouac; cito-o e subtraio-lhe a conotação poética.
Foi em Paris que me estreei no rigoroso controlo policial dos “papéis” (os Petits Papiers cantados por Gainsbourg), Barbès-Rochechouart, zona habitada maioritariamente por árabes, únicos viajantes tardios do último Metro sujeitos a identificação que a mim me gritavam sempre “Allez! Allez!”, até que uma vez fiz questão em ir para a fila, passaporte na mão, estrangeira, também eu.
Foi em Paris, aussi, que aprendi a distinguir racismo de xenofobia ao som da Linda de Suza que nesse dia não cantou. Convidada de um programa televisivo sobre emigração, falava quando o chefe de família da casa – homem de trato adorável – exclamou entre dois pinard: Estes portugueses estão em todo o lado! e, reparando depois no silêncio que se fizera à mesa, olhou para mim e sorriu: Não é contigo. Tu até podias ser francesa, cumprimento envenenado que, ainda hoje, julgo ter ficado a dever-se ao facto de gostar de camembert, cognac e falar francês sem “acento”.
Tudo isto aconteceu antes de termos lugar na Europa; éramos, então, cidadãos de segunda e emigrantes de terceira.
O meu amigo mexicano foi impedido de entrar em Espanha este mês. Destino: Madeira. Motivo: férias.
24 horas preso em Madrid, sem passaporte, sem máquina fotográfica, sem telemóvel e sem cinto das calças (apreendido). Devolvido à procedência por falta de documentação.
A saber. Reserva de hotel paga. Ok. Responsável pela estadia. Ok. Cartão de crédito. Ok.
Papéis em falta: comprovativo de depósito de 5200 euros (!) obrigatoriamente feito no México (!!), carta-convite (documento obscuro do qual as autoridades teriam de ser informadas com um mês de antecedência, de modo a poderem confirmar a sua veracidade).
Azar o dele, pois, ter nascido mexicano e sorte a minha ter nascido portuguesa (apesar de tudo, não é?).
14/06/11
Não era síria, não era mulher nem era lésbica but who cares? Era um apóstolo da liberdade
Ler aqui. A propaganda à distância de um clique ou estamos a enlouquecer à velocidade da luz.
02/03/11
10/12/10
Hoje é dia de Nobel
Na ausência do próprio, preso na China, o prémio Nobel da Paz foi entregue a Liu Xiaobo.
09/12/10
Boas notícias para variar [apesar de ainda não terem sido confirmadas]*
Sakineh Mohammadi Ashtiani terá sido libertada! [E é nesta alturas que se vê a falta que faz um ponto de exclamação]* infelizmente, a boa notícia não se confirma mesmo.
08/10/10
02/12/09
Ainda a Ben-U-Ron comprimidos, passe a publicidade, passo só para dizer uma coisa: estou com a Aminetu Haidar * e quero que os minaretes se lixem
Porque, afinal, sobre os minaretes já tudo foi dito aqui e melhor é impossível:... lá proibiram os minaretes na Suíça. O mundo está cheio de gente que odeia mulheres.
* clicar na foto de Aminetu Haidar na coluna da direita deste blog, sff
[Entretanto, A Amnistia Internacional - Portugal convocou todos defensores dos Direitos Humanos para uma VIGÍLIA de SOLIDARIEDADE com AMINETU HAIDAR, a realizar 5.ª Feira, dia 3 de Dezembro, entre as 18h30 e as 20h00, na Av. da Liberdade, frente ao Consulado na Espanha, junto ao monumento de Homenagem aos Mortos da 1.ª Guerra Mundial]
23/10/08
Não lhe deram o Nobel, mas ao menos deram-lhe o Sakharov
Hu Jia, o activista chinês dos direitos humanos que o governo de Wen Jiabao condenou, no passado mês de Abril, a três anos e meio de prisão, recebeu o prémio Sakharov, prémio criado pelo Parlamento Europeu em 1985 para homenagear personalidades ou organizações que se destaquem no combate pela liberdade. A China, que tinha exercido imensas pressões para que o Nobel da Paz não fosse entregue a Hu Jia, já fez saber que considera esta atribuição uma ingerência nos seus assuntos internos. Será. Mas vai ter que ingeri-la.
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