Mostrar mensagens com a etiqueta censura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta censura. Mostrar todas as mensagens

01/12/22

EDIÇÃO & TAL.

Aquela cena de calarem a Ursula no vídeo e lhe colarem o discurso com nova edição lembra um bocado a história dos tipos que o Staline mandava tirar das fotografias.

Calma! Não se enervem já. Eu sei que há diferenças. Normalmente os tipos que o Staline mandava apagar das fotografias já tinham morrido e a Ursula continua viva e nos nossos corações.

27/09/22

GUERRA NA UCRÂNIA: A PROPAGANDA COMO MAL ABSOLUTO

E foi depois de dar com o título de uma notícia que anunciava a fuga de Putin para um "palácio secreto" (o bunker de Hitler, topam...?) que descobri esta crónica que traduzo. 

E sobre a propaganda do lado putinista, lamento, lamento mesmo, mas não tenho matéria para fazer omoletes. A censura está instalada do lado de cá e para nosso bem, naturalmente, não fosse a gente correr a alistar-se no exército russo. 

«PODE AINDA DEBATER-SE A GUERRA NA UCRÂNIA?

Gérad Araud (Le Point, 18-9-2022)

«Desconfiemos dos especialistas de salão que povoam as TVs e impedem qualquer debate equilibrado sobre esta guerra. 

Quando dei por mim num estúdio de televisão para participar num debate sobre a guerra na Ucrânia,  senti imediatamente a armadilha em que havia caído. Todos os outros participantes eram “verdadeiros crentes” que vinham celebrar as recentes vitórias da Ucrânia não só sem lhes acrescentar qualquer contexto ou nuance, mas também impedindo que isso pudesse acontecer. Não me enganei. Não houve debate, pois todos estavam presentes com o objectivo de tudo fazerem para que a derrota da Rússia, doravante a seus olhos adquirida, fosse total. A Ucrânia devia recuperar todos os seus territórios, incluindo a Crimeia, e obter reparações do agressor, enquanto Putin enfrentava um novo julgamento em Nuremberg.

Que fique claro que eu ficaria muito satisfeito com esse resultado e que considero a vitória da Ucrânia do interesse do nosso país. Mas tenho a fraqueza de examinar a viabilidade e o custo de uma apólice quando esta me é oferecida e foi isso que tentei fazer. Qual seria o custo humano? É realista, por exemplo, ambicionar a recuperação da Crimeia anexada pela Rússia e que esta defenderá a todo custo, possivelmente recorrendo inclusive ao uso de armas nucleares? Talvez esteja errado, mas acho estas perguntas legítimas. O que eu fui dizer! Um respondeu que a Rússia tinha sequestrado trezentas mil crianças ucranianas e outro que a ocupação é pior do que a guerra.

Note-se que tais respostas não tinham nada a ver com a minha pergunta. Sentimentos opunham-se ao meu raciocínio. Olharam-me de lado. Não tive oportunidade de ser ouvido e calei-me. Nessa mesma noite, a minha conta no Twitter transbordava de insultos dirigidos ao pró-russo que eu era. Pró-Rússia por fazer perguntas sobre o custo de uma política; pró-Rússia por recusar o entusiasmo cego depois de um sucesso inegável, mas parcial.

A primeira vítima da guerra é sempre a verdade

Dito isto, que os genuínos pró-russos não tentem aproveitar-se de mim. A Rússia é de facto o agressor e seu exército está envolvido em atrocidades bem documentadas, independentemente do que Madame Royal pensa.

Não estou surpreendido com o que me aconteceu, que é apenas uma ilustração modesta da impossibilidade virtual de um debate equilibrado em tempos de guerra. “A primeira baixa da guerra é sempre a verdade”, terá dito Kipling. Uma verdade que, ao que parece, deixa de interessar a quem quer que seja quando as armas começam a falar. De facto, os beligerantes lançam-se sem pudor no exercício da propaganda e hoje é um eufemismo notar que os ucranianos, nesse aspecto, se mostraram melhores do que os russos.

Além disso, à nossa volta, na maioria das vezes escolhe-se um campo com base em convicções pré-existentes e não na análise ponderada do que acontece. Por exemplo, há bastantes pró-russos nos dois extremos do espectro político. Acrescente-se a isso o peso das emoções perante o sofrimento dos civis e temos criado um coktail de embriaguez, indignação e entusiasmo que silencia qualquer voz  tão-só levemente matizada.

Não houve, aliás, um especialista que twittou recentemente: “Pedir negociações foi o que fez Pétain; apelar a resistir foi o que fez de Gaulle”? Esta comparação absurda, que é a negação da ética do debate, visa tornar ilegítima a menor dúvida. Vemos mais uma vez o que a guerra nos traz: desumanização do adversário, maniqueísmo, credulidade e fanatismo; dispensa a razão, o questionamento e a dúvida. Porque escaparia ela agora ao seu destino?

Heroísmo de sofá

De nossa parte, nós que queremos entender o conflito antes de comentá-lo, que nos orgulhemos de fazer tudo para manter a cabeça fria. Nunca esqueçamos que nos enganam de ambos os lados, embora sem que, resultado dessa constatação, optemos por um cepticismo absoluto que seria tão pernicioso como a credulidade. Distingamos rigorosamente a análise dos factos da opinião que deles se pode deduzir. Admitamos que os "bons" ocasionalmente cometem erros, até crimes, e que os "maus" às vezes têm boas razões para a insatisfação.

Não esqueçamos que no final, se um ou outro lado está certo ou errado, infelizmente isso não é determinante, é o campo de batalha que decidirá; um campo de batalha onde nada está definido, onde ainda correrá muito sangue, onde a incerteza é a única certeza. Desconfiemos dos estrategas de salão que nos atacam com as suas sucessivas verdades sempre com a mesma segurança.

Mas o mais importante não reside aí: lembremo-nos sempre que esta guerra que não somos nós a travar significa a morte dos outros e a devastação da casa dos outros. Que este lembrete nos imponha um mínimo de decência e modéstia.
Demasiados especialistas das nossas TVs gostariam que a guerra decorresse até à morte do último ucraniano. Que a Ucrânia disponha de todas as armas para vencer, claro, mas que tal apoio não nos transforme em belicistas irrealistas, dispostos a todas as jogadas, seja qual for o preço para os ucranianos. Nunca percamos de vista o objectivo de restabelecer a paz, o que inevitavelmente supõe alguma forma de compromisso com o agressor.
“Bem-aventurados os pacificadores”, diz o Evangelho. Conte comigo: sempre me recusarei a ceder ao exercício fácil do “heroísmo do sofá” tão prepoderante hoje nos nossos ecrãs, mesmo que isso signifique ser insultado.»

13/08/22

AINDA A FATWA A SALMAN RUSHDIE

Ver tanto(a) «ofendidista», tanto(a) defensor da «liberdade de expressão sim, mas com limites», tanto(a) adepto(a) da «censura para não conspurcar os factos», tanto(a) «controleiro da verdade», todos e todas perturbadíssimos com o atentado a Salman Rushdie dá-me volta ao estômago.

Só me lembram o poema da Sophia sobre as pessoas que não matam galinhas, mas lambuzam-se com uma canjinha ou uma perninha de frango assado.

08/06/22

A UCRÂNIA A CAMINHO DO ESTALINISMO? (e não, não estou a brincar)

O mais do que genial escritor Saul Bellow fez um dia a pergunta provocatória: "Onde está o Tolstoi dos zulus?", pergunta a que aliás o jornalista desportivo Raph Wiley responderia com grande inteligência: "Tolstoi é o Tolstoi dos zulus".

Com as alterações aos programas escolares anunciadas pelo vice-ministro da Educação e Ciência da Ucrânia teme-se o retorno da pergunta de Bellow em versão actualizada pela guerra. 

Infelizmente a "Onde está o Tolstoi dos ucranianos?" será impossível responder como o fez Wiley: o escritor russo vai ser banido das escolas na Ucrânia. 

«... A invasão russa tornará os programas escolares mais práticos e exige que sejam actualizados. A informação foi avançada por Andriy Vitrenko, vice-ministro da Educação e Ciência, na televisão ucraniana. “Reforçaremos a educação nacional-patriótica e existirá um novo bloco sobre segurança anti-minas”, explicou Vitrenko, acrescentando que o objectivo do Governo é alertar as crianças para o perigo das minas deixadas pelas forças de Moscovo no terreno.

Além disso, “não será estudado na Ucrânia nada que glorifique as tropas russas, tudo desaparecerá do programa escolar” — Vitrenko refere-se, por exemplo, ao romance histórico Guerra e Paz, escrito por Leo Tolstoi, que integrava o programa de Literatura Mundial. “A História da Ucrânia e a História Mundial estarão fundamentadas por documentos de arquivo ucranianos”, acrescenta. “A relação entre a nação ucraniana e o ‘mundo russo’ será escrita com base na verdade histórica. (...)”»

Jornal Público, 7 de Junho de 2022

11/03/22

GUERRA NA UCRÂNIA: SE NÃO FOSTE TU, FOI O TEU PAI?

«"Pedimos com firmeza às organizações membro para não discriminar nem excluir jovens artistas das suas competições", declarou a Federação Mundial de Concursos Internacionais de Música (WFIMC), quando pelo menos um jovem pianista russo acaba de ser excluído do concurso de piano de Dublin.»

NOTÍCIA AQUI

02/03/22

QUANTOS CIVIS UCRANIANOS SERIAM POUPADOS À MORTE POR SE PROIBIR A LEITURA DE DOSTOIEVSKI?

Depois da crise literalmente operática em curso, com maestros e cantores russos impedidos de usar a batuta ou a voz, eis que a Universidade de Milano-Bicocca, que não é propriamente uma instituição de vão de escada, decide anular um curso previsto sobre o escritor russo, para evitar controvérsias num momento em que Putin faz a Rússia cair em desgraça. 

Embora tendo recuado na decisão, a coragem intelectual dos autores da ideia (o próprio reitor e restante corpo directivo) não pode deixar de ser realçada. E um aviso para quem andar a ler livros russos nos autocarros: o melhor é meterem-lhes uma capa! 

05/02/12

Porque me irrita a indignação selectiva

Não gosto de listas. Nunca gostei de listas e não é agora que vou passar a gostar.
O conteúdo das mesmas é-me relativamente indiferente: listas de compras, de livros, listas de tarefas, de amigos, listas de intenções, listas de listas. Claro que as listas são, em acto, sempre incompletas (as listas completas podem bifurcar-se indefinidamente noutras listas). Ainda assim, há nelas um pendor escatológico que me perturba.
Talvez o verdadeiro amante de listas seja, porém, aquele que traz consigo o secreto desejo de nunca findar a lista, à semelhança (invertida) do real amante de poker que nunca deixa de sonhar fazer um dead man’s hand e levar um tiro a seguir.
Foi a esta interpretação que me conduziu, pelo menos, a frase de Umberto Eco: “gostamos de listas porque não queremos morrer”.
Dir-se-á, com certa razão, que se trata de uma frase full service. Tão banal como a própria morte ou o programa “Prós e Contras”. E se falo do P&C, não o faço movida por desígnios obscuros.
É vero que a gestualidade diligente de Fátima Campos Ferreira me deixa um pouco “almariada”. Registe-se, contudo, a favor dela, o facto de nunca nos ter brindado com um só romance histórico.
O caso é que fui parar a uma lista disponível na Net sobre os temas abordados no referido programa. O inaugural, de 14/10/2002, girava em torno da pergunta: “Os portugueses são pouco produtivos?”. O estranho é que logo na vez seguinte a questão era: ”Lisboa deve ter um casino?”
O tempo foi passando, Fátima foi ficando, e uma das últimas emissões versou Angola. Pedro Rosa Mendes não gostou, disse-o na rádio e… Trriim!
O que é que isto tem que ver com listas? É que se não gosto em geral de listas (Eco que me perdoe), de listas negras… Urgh!

28/01/11

Eu estou com o Céline, pas vous?

Esta soit disant polémica será muito afrancesada, mas não deixa de ser paradigmática da pobreza de ideias que substitui hoje os debates a sério.
O autor do extraordinário Viagem ao Fim da Noite foi excluído das comemorações oficiais em França.

[E confesso já que Viagem ao Fim da Noite deve ter sido o livro que mais me custou a ler até hoje. Não pelo tamanho, não pela dificuldade, certamente não pela falta de interesse. Apenas porque dali ninguém sai vivo — incluindo o leitor.]

08/07/10

Cá por mim até podem publicar nus da nossa senhora de fátima mas o que eu dispensaria mesmo são as análises profundas

"Aparentemente, algumas pessoas ainda não captaram a verdadeira essência e conceito da revista", lamenta a Frestacom [empresa detentora da Playboy], que se "espanta" com a "atenção dada ao imediato em detrimento da análise profunda" que, sublinham os responsáveis, é transmitida na produção fotográfica. Daqui.

12/02/10

Ainda não está tudo parvo lá para as bandas do PS (II) ou há quem chame os bois pelos nomes

Eu não sei quem é esse tal Rui Pedro Soares, o boy sem cv que aos 32 anos foi alçado a administrador-executivo da PT pelo Estado, a ganhar escandalosamente mais num ano do que o meu marido ganhou em toda a vida, ao longo de 40 anos como servidor do Estado nos mais altos escalões.
Socialista encartado, dizem. Será, nunca dei por ele, que eu saiba nunca sequer me cruzei com ele.
Fraquinho no descernimento é, de certeza. Porque se não quis encalacrar os socialistas, foi exactamente isso que logrou ao accionar uma providência cautelar para impedir a saída do jornal SOL com mais escutas das suas ruminações telefónicas, justamente numa semana em que os socialistas procuraram desmentir quem clamava contra a falta de liberdade da imprensa.
E se investiu para abafar o jornal, a criatura tambem não percebeu que, ao contrário, projectava ainda mais longe a radiação solar.
Com bóis destes, para que servem ao PS os boys?
Ana Gomes, AQUI