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22/01/13

Recordando Manuel António Pina a propósito do lirismo metafísico de Margarida Moreira e dos 12 mil euros que vamos pagar em vez dela

Alegria no trabalho
O facto de a directora regional de Educação do Norte escrever com erros de ortografia e sintaxe e se exprimir num tartamudeio vagamente parecido com o Português, ou lá que língua é, não seria notícia no estado de coisas (um "Estado Novo" pois, como diria Pessoa, é um estado de coisas como nunca se viu) a quechegou a Educação em Portugal.
Notícia é continuar a fazê-lo, ante a mandarínica indiferença do Ministério da "Educação". Agora deu-lhe para o lirismo metafísico, num e-mail de agradecimento às escolas pelo seu "apoio" (pelos vistos está convencida de que tem o apoio das escolas):
"Faz hoje 4 Anos./ Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas./ Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem./ Contudo há algo que o tempo tem os limites certos".
É verdade que momentos, ou "algo que o tempo tem os limites certos", de boa disposição como os que provoca a correspondência da directora regional são importantes em dias de tensão como os que hoje se vivem nas escolas.
Talvez, quem sabe?, seja esse louvável objectivo que move Margarida Moreira: pôr as escolas a rir.


A actualidade de Margarida Moreira, aqui

05/11/09

19/05/09

Manuel Alegre diz que por enquanto não verseja mas já a Margarida Moreira dá-lhe e dá-lhe forte

Manuel Alegre lá esclareceu o tabu: fica.
Porém, se o bardo histórico fica mas calado [pelo menos, por agora], o mesmo não se diga de Margarida Moreira, a tal senhora da DREN cujo português nem com 30 acordos ortográficos... Como bem resumiu Manuel António Pina "deu-lhe para o lirismo metafísico". E deu-lhe forte.
Poetisou, pois, a dita, diz-se que em agradecimento ao apoio demonstrado pelas escolas. Foi uma orgia em verso branco.
Eis a prova:

"Faz hoje 4 Anos.
Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas.
Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem.
Contudo há algo que o tempo tem os limites certos." *

Note-se que para além da compreensão clara do emaranhado relativista einsteiniano, que aqui assume todo um pendor místico que nem o poema de Alegre "Ser ou não ser" alçança, Margarida também melhorou muito o português: "Contudo há algo que o tempo tem os limites certos."
E ainda há quem, surdo à alma lirica de Moreira, ouse gritar-lhe: "NON, TU NE CHANTERAS PAS ! NON, TU NE CHANTERAS PAS!"
[obrigada Tomás]

*Versão integral do e-mail de inspiração camoniana roubada daqui:
De: Margarida Moreira (DREN) [mailto:margarida.moreira@dren.min-edu.pt]
Enviada: segunda-feira, 11 de Maio de 2009 19:38 Para: Escolas Sede e não Agrupadas (DREN – Externo)
Assunto: 4 ANOS DE MANDATO
Caras e caros colegas Faz hoje 4 Anos (Surpreeeeeeesa).
Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas.
Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem.
Contudo há algo que o tempo tem os limites certos:
- Foram quatro anos bons de amizade, de solidariedade e de prazer de poder contar com o vosso profissionalismo e apoio.
DA VOZ DAS COISAS
Só a rajada de vento
dá o som lírico
às pás do moinho
Somente as coisas
tocadas pelo amor
das outras têm voz.
Fiama Hasse Pais Brandão
Em nome da Direcção o nosso muito obrigado.


[E digo eu: coitada da Fiama!!!]

19/03/09

Sobre contentores e outras miudências

Não vou jurar, mas talvez não volte ao assunto. Nem vou repetir os factos: 17 putos ciganos de fraco aproveitamento, entre os 9 e os 19 anos de idade, foram agrupados num monobloco colocado no recreio da Escola Básica 1 de Lagoa Negra, em Barqueiros, Barcelos.
A notícia surgiu e, talvez porque metia ― de novo! ― a iletrada Moreira, deu estrilho. Ao coro dos indignados (alguns, certamente hipócritas, e que viram na ocasião uma mera oportunidade para malhar na defensora do Sócrates), juntaram-se outros que desconfiaram da história. O problema era o contentor? Seriam mesmo só ciganos? Que mal tem uma turma especial quando a conversa da "escola inclusiva" parece mesmo só conversa?

Ora bem.
1. Quanto aos contentores, repito mais ou menos o que já escrevi num comentário deixado no post anterior:
Eu realmente não percebo a que ponto teremos chegado para que se ache normal dar aulas em contentores, mesmo que lhe chamem monoblocos e venham apetrechados. Uma coisa é uma situação provisória a que os putos até acharão graça, como a tudo o que é diferente. Outra é considerar que dar aulas em contentores, em situação prolongada, é admissível... porque nós também tivemos. A única explicação que encontro para isto é que, definitivamente, nos devemos ter habituado ao horrível. Recordo apenas, como disse antes, que a respeitabilidade das instituições passa pelo espaço e pelos seus equipamentos. O presidente da república não vive numa barraca e os tribunais não se alojam em vãos de escada. O espaço das escolas é um aspecto que foi absolutamente descurado, para finalmente chegarmos aqui em que contentores why not?
2. Turma de ciganos
A turma é de ciganos, de acordo com todas as notícias, e eu não vejo, mas talvez me expliquem, o que é que do ponto de vista escolar poderá justificar a sua separação por etnia, a não ser que falem romeno.
3. Escola inclusiva
A escola devia ser inclusiva (apesar do termo ser um pouco arrevesado). Mas ter uma escola inclusiva não significa, claro, distribuir os problemáticos por turma e disso resultar apenas que os problemáticos continuam problemáticos e os outros não aprendem nada com o desassossego.
Para resumir: os contentores repugnam-me; que a autoridade do Estado e das suas instituições não sirva para assegurar às crianças ciganas a escolaridade a que têm direito, recorrendo-se depois a estes expedientes mal-acondicionados, indigna-me (embora não estejamos em Itália). Justificar isto tudo com a inserção social e a discriminação positiva acho absolutamente delirante (aliás, a própria expressão "discriminação positiva" me parece delirante).
Não quero ser pessimista: mas algum daqueles miúdos, com ou sem ar-condicionado, gostará de ir à escola? E se gostar, vai aprender o quê? Ou não é para isso que a escola serve?

18/03/09

A ciganagem e tudo aquilo que já nos parece normal

Volto ao tema. Eu sabia que o assunto não era líquido. Mesmo expurgado das tricas partidárias que, realmente, não me interessam.
Factos: uns miúdos ciganos que, ao que parece, vêm mostrando alguma relutância em frequentar a escola, foram colocados, separadamente, num contentor e nele têm aulas exclusivas.
A bondade da solução foi defendida publicamente por Margarida Moreira que justificou o contentor (ou monobloco), e a diferenciação correlativa, como medida de discriminação positiva e de inclusão social.
Enquadramento: escusando-nos ao politicamente correcto, teremos de reconhecer que os ciganos não são lá muito bem vistos.
Só dois exemplos: aqui há uns tempos houve uma bronca das valentes que implicou a Mercedes, com o concessionário C. Santos a desaconselhar, em documento interno, a venda da marca aos ciganos. E também há uns tempos, um pouco mais recuados, em 1996, houve outra bronca das valentes, que meteu o então governador civil de Braga, Pedro Bacelar de Vasconcelos, que saiu em defesa dos ciganos que a população de Oleiros pretendia correr de lá.
Equipamentos: sublinho ainda que essa coisa dos contentores (mesmo que luxuosamente apetrechados e hermeneuticamente interpretados) não será com certeza a melhor forma de dignificar as escolas. Ninguém me disse, mas desconfio que a mania dos pré-fabricados abarracados que durante muito tempo dominou a paisagem escolar (quando, após o 25 de Abril, o número de estudantes, felizmente, aumentou em flecha), alguma coisa terá que ver com o declínio da respeitabilidade da mesma.
A discriminação positiva: claro que não há nada mais injusto do que tratar como igual aquilo que é diferente. Mas há direitos básicos. E o da educação é com certeza um deles. Neste aspecto, com o nomadismo das populações ciganas a descer consideravelmente, interrogo-me sobre as especificidades dessa comunidade que tenham implicações em matéria de educação.
Não falam português? Têm feriados à Quarta? Lêem da esquerda para a direita? Usam a numeração romana?
Será, no caso concreto, o grupo do contentor formado por alunos mais velhos que merecem um tratamento diferente. Sem dúvida. Mas o único tratamento diferente que ocorre é enfiá-los todos juntos dentro de um monobloco e fé em deus? Alguém acredita que, do ponto de vista escolar, e do ponto de vista da inserção social, isso contribua – realmente – para alguma coisa objectivamente positiva?
Pergunto-me: que raio de escola é esta, e que raio de sociedade é esta, que acha normal segregar alunos pela sua origem? Porque, deixemo-nos de tretas, é disso que se trata (ou não haverá na região mais nenhum aluno crescido para juntar ao grupo?), mesmo apondo-lhe o chavão magnânimo da discriminação positiva.
É que a mim, mas se calhar sou eu, a discriminação tout court cheira-me sempre a queimado.

17/03/09

Que discriminem positivamente a Margarida Moreira e a metam num contentor a aprender português são os meus votos

A polémica sobre os alunos ciganos alojados em contentor próprio, trouxe de novo à liça a inenarrável Margarida Moreira. Independentemente das tricas partidárias que envolvam o assunto, o que me encanitou nesta história foi a conversa da discriminação positiva e da integração social. Fala Margarida Moreira da especificidade do grupo e de que seriam alunos que tinham fugido à escola.
Pergunto eu: mas, nesse caso, não seria mais eficaz aplicar-lhes uns triângulos castanhos para não repetirem a graça?

20/02/09

(re)Confirma-se: Margarida Moreira escreve mal comàmerda [e que me processe de novo]

Da série embirrações assumidas VI

Como o meu masoquismo tem limites, não vou repetir o anterior exercício, feito aqui, a partir de uma outra pérola literária assinada por Margarida Moreira. Neste caso, limito-me a destacar a seguinte frase:
Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável, acompanharemos de muito perto a defesa do bom nome da escola, dos professores, dos alunos e de toda uma população que muito tem orgulhado o nosso país pela valorização que à escola tem dado.

Esta senhora das duas uma: ou é analfabeta ou sofre de anacolutia mental.
[o texto foi descoberto aqui, e clique-se na imagem para, aumentando-a, se poder confirmar que não sou eu quem está maluca]

Aposto três arrobas de bolas-de-berlim em como a senhora delegada do 1º juízo é amiga da Margarida Moreira

Portugal é um país de grandes tradições onde sempre houve mais papistas do que papas. A portaria na imagem data de 1953 e aplicava-se a Lisboa. Não sei se senhora que fez a queixa em Torres Vedras, mais a senhora que a levou a sério, seriam nascidas na altura. Mas apesar do avanço da ciência, é inegável que há coisas que nos ficam no sangue vá lá a gente perceber como e porquê.

[reproduzo apenas a parte dedicada às multas, sublime ensaio de eufemística:

Mão na mão - 2$50

Mão naquilo - 15$00

Aquilo na mão - 30$00

Aquilo naquilo - 50$00

Aquilo atrás daquilo - 100$00

Parágrafo único - Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado]

Portaria camarária nº 69. (OLÁ!) 035 gamada aqui

11/01/09

Redacção distribuída pela DREN onde se prova que Margarida Moreira escreve mal comàmerda e agora que me processe

O que se segue foi catrapiscado aqui e gamado integralmente daqui.
Trata-se de um documento oficial da Direcção Regional de Educação do Norte assinado por Margarida Moreira.
Quem é Margarida Moreira? Perguntais bem. Poucos saberiam sequer da sua existência, até há uns tempos ter saído descabelada em defesa do bom nome do primeiro-ministro, instaurando um processo disciplinar a um professor que terá dito em privado aquilo que muita gente no Metro diz em público. O quê? Não sabemos. O processo foi arquivado e Moreira reconduzida no cargo (a ordem dos factores é ao contrário). Fez-se ouvir de novo, mais recentemente, quando, a propósito das criancinhas a quem Sócrates foi oferecer o Magalhães e depois ficaram sem ele, explicou que o dá e tira tratara-se de uma opção pedagógica.
Pedagogias à parte, a carta assinada por esta senhora está cheia de erros. Patenteia (uma forma verbal que agradaria certamente a Margarida Moreira...), à falta de ideias, aquela vacuidade empolada de quem pensa que usar bem a língua é encher as frases de escolhos. E, citando-a, sem mais qualquer delonga, vamos à redacção.
A vermelho as asneiras, a itálico os comentários.

Ex.mo(a) Senhor(a)


Director(a) / Presidente do Conselho Executivo


Como é do conhecimento de todos, têm vindo a ser entregues nas escolas do Norte, [olá!!! que raio de vírgula é esta?] cerca de 4 000 Magalhães/dia por parte de empresas distribuidoras e da própria Direcção Regional de Educação do Norte [suponho que o simples "por" tenha parecido demasiado vulgar à escrevente]
A distribuição continua ao mesmo ritmo e por isso gostaria de recordar as indicações que anteriormente já enunciei: [agora perdi-me: se tudo continua igual, qual é o "por isso"? Ou quereria a senhora dizer que "como o ritmo da distribuição não vai abrandar..."]
1. Embora os computadores entregues não correspondam à totalidade da encomenda, tal só significa que haverá novas distribuições; [tal a obscuridade da construção frásica que arrisco que se pretenderia chamar a atenção para o seguinte: embora (conjunção, sinónimo de "apesar de") blá-blá-blá..., as encomendas não se irão embora (advérbio, sinónimo de "dar de frosques")]
2. Os computadores recebidos devem ser enviados pela escola para casa, no próprio dia de entrega, sem mais qualquer delonga; [aqui a senhora delonga-se um bocado sem necessidade, visto que já tinha dito que a entrega devia ser imedita]
3. Em Janeiro, deverá ser marcado um dia em que as crianças devem trazer os Magalhães, para iniciar o trabalho casa-escola. [neste ponto terei de assumir a minha ignorância: no meu tempo só havia trabalhos de casa (e sem hífen)]
4. O pagamento dos Magalhães, nos casos em que a isso os pais sejam obrigados, estão a receber informação por sms devendo, em todas, constar a entidade 11023; [tanta oração subordinada é o que dá. Põe-se "o pagamento dos Magalhães" a receber sms, esquecida uma regra básica: keep it simple, stupid!]
5. Caso o número de computadores de entrega, [mais um exemplo de pomposidade desastrosa: onde está "de" devia estar "da"; provavelmente a escrevente julga que isto é como nos nomes de família em que é mais fino ser "de qualquer coisa" do que "da qualquer coisa"...] não corresponda com o número [ah, as preposições! "corresponder a" e não "corresponder com"] presente na guia de remessa, deve o facto ser mencionado directamente nesta, referindo o número total recebido.Tal facto não impede que, de imediato, se recebam os computadores apresentados; [uma mensagem cifrada não diria com mais clareza; mas onde se lê se recebam os computadores deverá ler-se se receba os computadores: a concordância do verbo é com o sujeito e não com o complemento (neste caso, o sujeito é indefinido: "alguém" - receba] *
6. O Ministério da Educação tem perfeita consciência das dificuldades que este tipo de acção de massas acarreta às escolas [ocorreu-me agora, considerando a terminologia: também terá a escrevente um perigoso passado esquerdista?] e, embora esta situação lhe escape [também a mim me escapa isto: não é o Ministério quem comanda a "acção de massas"? E já agora: falta uma vírgula após "escape"] entende que o mais importante é a recepção dos Magalhães, como mais valia almejada pelos nossos alunos [aqui tenho de ir por etapas: 1. mais-valia tem hífen; 2. almejada - ALMEJADA? e repito, ALMEJADA?!!!; 3. e nossos porquê? A Moreira dá aulas? Ou trata-se de um "nossos" majestático, próprio da real iliteracia da dita cuja?], e por isso agradece toda a colaboração e compreensão dos orgãos [órgãos com acento, s.f.f]** de gestão, dos professores e dos serviços administrativos e auxiliares.
7. Quando um encarregado de educação recebe sms e é do escalão A, deve ser reportado [pergunto-me: que mal lhe terão feito os encarregados de educação do escalão A...?] e naturalmente o computador entregue ao aluno; [dado o advérbio de modo não estar entre vírgulas, leia-se, com naturalidade, talvez assobiando para o ar...]
8. Outras situações anómalas devem ser sempre imediatamente reportadas [outra vez?!!! E não há quem a deporte...] para o nosso mail dsgm@dren.min-edu.pt;
8. Recorda-se ainda que as escolas que ainda não procederam à encomenda do Magalhães [o que é com certeza sinal de muito mau procedimento!; e que tal: fizeram a encomenda - demasiado bolónio, não?] o devem fazer com celeridade. [e porque não sem mais qualquer delonga?].
Com os melhores cumprimentos,
A Directora Regional de Educação do Norte
Margarida Moreira
*Obrigada João e ver comentário de Ana Soares na caixa de comentários deste post
** Obrigada Graça