Mostrar mensagens com a etiqueta Christopher Hitchens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Christopher Hitchens. Mostrar todas as mensagens

23/11/22

DOGMA LITERÁRIO OU DO ESTADO DA ARTE

«Everyone has a book inside them, which is exactly where it should, I think, in most cases, remain.», Christopher Hitchens

18/03/12

Para não estar sempre a bater no mesmo ceguinho

Algures nas caixas de comentários, uma cliente deste tasco levantou a hipótese de eu ter um questão pessoal com o José Luís Peixoto. Não conhecendo eu sequer o José Luís Peixoto, deixo hoje, para variar, um excerto encontrado na NET assinado por valter hugo mãe, o qual (excerto) em nada fica atrás, apesar das minúsculas, dos outros que transcrevi aqui do autor de Morreste-me.
E, a propósito de ambos os citados, cito o malogrado Christopher Hitchens: Everybody does have a book in them, but in most cases that's where it should stay.


Excerto de a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe: “Abracei o corpo da minha mulher, segurei-lhe a mão, a sua cabeça no meu ombro,criei um pequeno embalo, como para adormecê-la, ou como se faz a quem chora e queremos confortar. vai ficar tudo bem, vai correr tudo bem. o que era impossível, e o impossível não melhora, não se corrige. estávamos encostados à parede, sobre o cortinado, como fazíamos na juventude para os beijos e para as partilhas tolas de enamorados. estávamos escondidos de todos, eu e a minha mulher morta que não me diria mais nada, por mais insistente que fosse o meu desespero, a minha necessidade de respirar através dos seus olhos, a minha necessidade vital de respirar através do seu sorriso. eu e a minha mulher morta que se demitia de continuar a justificar-me a vida e que, abraçando-me como podia, entregava-me tudo de uma só vez. e eu, incrível, deixava tudo de uma só vez ao cuidado nenhum do medo e recomeçava a gritar.”
Incrível, indeed.

17/12/11

Por que razão o carácter também é importante nos políticos? Christopher Hitchens explica

Morreu Christopher Hitchens. De cancro. Aos 62 anos. Um dos mais veementes opositores da religião organizada.
Houve cristãos, piedosos, que rezaram para que se convertesse antes da morte; e outros houve, impiedosos, que aplaudiram o castigo divino pela sua vida de devassidação e blasfémia. Uns oraram pela sua cura; outros para que apodrecesse o mais rápido possível no inferno.

Hitchens, claro, não se arrependeu no final. Era um guerreiro:

“Beware the irrational, however seductive. Shun the 'transcendent' and all who invite you to subordinate or annihilate yourself. Distrust compassion; prefer dignity for yourself and others. Don't be afraid to be thought arrogant or selfish. Picture all experts as if they were mammals. Never be a spectator of unfairness or stupidity. Seek out argument and disputation for their own sake; the grave will supply plenty of time for silence. Suspect your own motives, and all excuses. Do not live for others any more than you would expect others to live for you.”

Sobre os políticos, diz isto que diz tudo:
«(...) Um dos traços "conservadores" do pensamento de Hitchens está nesta preocupação insistente com o carácter das figuras políticas. O exemplo de Richard Nixon: apesar de psicopata perigoso, Nixon foi também um Presidente que lançou algumas políticas progressistas no domínio da saúde. Deveremos valorizar apenas este último aspecto? A importância do carácter está na sua permanência, argumenta [Hitchens]. "Os políticos podem mudar de políticas de saúde, mas não o facto de serem psicopatas."»
Se isto é ser conservador, sou conservadora com todo o prazer.

Ah! E, e já agora, também gosto particularmente destas palavras de Hitchens sobre a Madre Teresa de Calcutá, senhora que sempre me irritou supinamente [tenho uma certa dificuldade com as pessoas "boazinhas"]:

“[Mother Teresa] was not a friend of the poor. She was a friend of poverty. She said that suffering was a gift from God. She spent her life opposing the only known cure for poverty, which is the empowerment of women and the emancipation of them from a livestock version of compulsory reproduction.”