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07/04/23
06/08/22
NÃO PERCEBO, NEM QUERO PERCEBER, DE TÁCTICAS MILITARES MAS É-ME IMPOSSÍVEL NÃO ACHAR ESTRANHO QUE OS RUSSOS SE BOMBARDEIEM A SI PRÓPRIOS
Aprende-se muito com a literatura. Por exemplo, com Elizabeth Finch de Julian Barnes onde um dos capítulos é dedicado a Juliano, o Apóstata, o último imperador pagão de Roma que mandou queimar a sua própria frota para não a deixar como oferta ao inimigo.
Vem isto a propósito de os russos terem, segundo os ucranianos, bombardeado a maior central nuclear da Europa que eles próprios ocupam.
03/05/11
09/08/10
A book a day keeps the doctor away: "O Papagaio de Flaubert", Julian Barnes
O papagaio de Flaubert antes de ser de Flaubert, ou sequer de Barnes, foi de Félicité, a eterna criada de madame Aubain retratada pelo mestre em Um Coração Simples, conto extraordinário, perfeito, como quase tudo o que saiu da pena do autor de Madame Bovary.Tantos anos passados, o inglês Geoffrey Braithwaite atravessa o Canal (Barnes, o próprio, fá-lo-ia também para escrever precisamente o conjunto hilariante de histórias Do Outro Lado do Canal) com o objectivo de observar, in loco, o papagaio que havia servido de inspiração a Flaubert.
O animal está embalsamado, tal qual ficaria no final de Um Coração Simples, a ordens de Félicité que se iria também pouco depois, confundindo beatificamente a ave com o Espírito Santo.
Mas será o papagaio do Museu de Rouen, de facto, o de Flaubert? Assim parece mas, entretanto, um outro papagaio...
Julian Barnes, francófono assumido, escreve aqui um genial ensaio, apresentando-o sob a forma de romance, numa mescla de géneros que dá ao conceito de híbrido um sabor irresistível. Se toda a gente soubesse falar assim dos clássicos, estes conquistariam de certeza o coração de mais leitores. Primeira conclusão.
Segunda: Barnes é um grandessíssimo escritor. Vencedor de vários prémios, O Papagaio de Flaubert foi agora reeditado. Educação sentimental que mistura biografia com humor (a rodos) e envereda descontraidamente pelo pastiche, pelo policial (?), levando-nos a concluir pela impossibilidade das respostas definitivas, o livro questiona o mestre para lhe dar razão.
O obcecado pela objectividade do “mot juste”, o defensor convicto do apagamento do autor (apesar do paradoxo de “Madame Bovary c’est moi”), é esquadrinhado por Braithwaite, seu fã incondicional, que busca o homem por detrás da obra. Mas qual o papagaio que se pode reclamar, realmente, do eremita de Croisset?
Se há título que consegue aliar divertimento e inteligência é este. Porque o texto, claro, é digno do seu objecto.
O Papagaio de Flaubert, Julian Barnes, Quetzal, 2010
07/07/10
Melhor do que o papagaio de flaubert só o flaubert himself sendo que a comparação é parva
31/05/08
Livros que valem a pena
Pessoa só estava certo às vezes. Ou seja, isto nem sempre se aplica: «Ai que prazer/ Não cumprir um dever/ Ter um livro para ler/ E não o fazer!». Porque se certos livros são mesmo uma «maçada», nem por aproximação o adjectivo condiz com A Mesa Limão.Não é preciso subscrever a teoria dos géneros de Todorov, nem sequer ter lido A Filosofia da Composição de Poe, para intuir que o conto tem que se lhe diga. Abreviando: se o romance, pela sua dimensão, permite certos deslizes (quem não acertar numa frase menos feliz de Proust que atire a primeira pedra...), em texto curto as mazelas são visíveis a olho nu, irremediáveis e, eventualmente, mortais. Ora, nada disso acontece nestes contos de Julian Barnes, cuja mestria para o género já ficara comprovada, por exemplo, no hilariante Do outro lado do Canal.
Neste caso a morte substiui-se à França enquanto tema unificador, filtrada aquela pelo envelhecimento das personagens (algumas inesquecíveis). E para arrumar já A Mesa Limão na prateleira certa: embora diferente na forma e estilo, pode ele emparceirar, pelo talento e matéria, com outros dois livros igualmente possuídos pela passagem do tempo – O Animal Moribundo, de Philip Roth, e Diário da Guerra dos Porcos, de Adolfo Bioy Casares.
O tom fica dado na abertura, com «Uma Breve História do Penteado», tríptico do mesmo homem que se senta no barbeiro em três idades diferentes, nunca, na verdade, perdendo o medo atávico de se fazer tosquiar, o mesmo que em criança o paralizava quando, acompanhado pela mãe, esta lhe definia o corte: «curto atrás e aos lados e em cima um bocado menos».
«A História de Matd Israelson», que recorda Tchékhov, é uma obra-prima de construção, relato da relação amorosa nunca consumada entre Anders Bodén e Barbro Lindwall, finalmente desfeita pela morte dele, o amor previamente desbaratado num diálogo equívoco.
«Reviver», outra história de amor (entre um homem velho e uma jovem fogosa), mergulha na vida do escritor russo Ivan Turgenev e casa na perfeição nostalgia e ironia: «Ele continuou a invocá-la até à morte. Foi, num sentido, a sua última viagem, a última viagem do coração. “A minha vida ficou para trás”, escreveu, “e aquela hora passada no compartimento do comboio, onde quase me senti como um rapaz de vinte anos, foi a última explosão da chama.” Quer isto dizer que quase teve uma erecção?».
Em «Saber Francês», exemplo maior do chamado humor à inglesa, o estilo epístolar dá-nos a ler as cartas que uma idosa francófona, recolhida num lar, dirige ao próprio Barnes, também ele um amante da língua e da pátria de Flaubert (e quem nunca leu o O Papagaio de Flaubert não sabe o que perde...), interrompidas no fim pela morte da remetente.
«Vigilância» retrata um casal de homossexuais, um deles melómano enfurecido pelo crescendo de tosse e espirros nos concertos; «Apetite» utiliza uma das paixões confessadas de Barnes (a cozinha) para narrar um pungente episódio de senilidade; «A Gaiola da Fruta» faz da sexualidade tardia o tema central...
Os 11 títulos – tão à-vontade na tragédia como na comédia, no humor como na melancolia, no vernáculo como no erudito, nos assuntos da alma como do corpo – são a prova de que a literatura ainda nos consegue provocar aquele «arrepio na espinha», de que falava Nabokov, o menos sentimental dos escritores.
Resumindo: Barnes terá envelhecido e, com ele, as suas personagens. Como o vinho do Porto, quanto mais velho melhor.
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