"Não tenho vergonha de dizer que estou triste
Não dessa tristeza ignominiosa, dos que em vez de se matarem
fazem poemas,
Estou triste por que vocês são burros e feios
E não morrem nunca."
Mário Quintana
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19/06/13
23/01/12
Pérolas da coroa
Os ingleses tinham a Índia, nós temos os pastéis de nata. “Ter” é melhor do que “ter tido” e o futuro a Deus pertence. A Deus ou à China.Na China, os nata chamam-se dan ta e são muito apreciados. Nunca fui à China mas soube que Chris Patten, último governador inglês de Hong Kong e fanático das portuguese egg tarts, numa recente viagem ao território chegou ao aeroporto e disse: “Desembarquei às 16 e às 17.15 já estava a comer um pastel de nata”.
Dado que tal confissão é anterior à escandalosa comparação feita por Álvaro Santos Pereira entre pastéis de nata e frango no churrasco (“Será o pastel de nata diferente do frango no churrasco?”), devo concluir duas coisas.
Uma, é que os ingleses, não contentes por nos andarem a intrujar com Tratados desde 1373, nos querem agora roubar o nosso pastel de nata!
Outra, é que o ministro, ao comparar o incomparável, prova ser um péssimo gourmet, facto que – insondáveis são os caminhos da mente – me fez de súbito lembrar um verso de Mário Quintana: O que tem de bom numa galinha assada é que ela não cacareja.
Mário Quintana/Brasil, Brasil/ “árvore das patacas”, expressão que, naturalmente, me ocorrera ao ler Catroga: “50% do que eu ganho vai para impostos. Quanto mais ganhar, maior é a receita do Estado (…), isso tem um efeito redistributivo para as políticas sociais”.
Se alguns viram aqui um exemplo acabado de “pensamento mágico” descabido num economista; outros, um insulto aos portugueses a quem se exige sacrifícios diários, férias e feriados incluídos; logo houve quem declamasse Pessoa: Quem quer passar além do Bojador/Tem de passar além da dor.
Algo semelhante fora dito em prosa pelo Almeida Santos: “O povo tem de sofrer as crises como o Governo as sofre”. E não foi assim há tanto tempo.
Imagem
09/02/11
Mário Quintana que me perdoe mas é que já não há cu para tanta indignação [porque isto (AQUI) parecendo que não, cansa!]
É segundo por segundoQue vai o tempo medindo
Todas as coisas do mundo.
Num só tic-tac, em suma,
Há tanta monotonia
Que até a felicidade,
Como goteira num balde,
Cansa, aborrece, enfastia…
E a própria dor – quem diria? -
A própria dor acostuma.
E vão se revezando, assim,
Dia e noite, sol e bruma…
E isto afinal não cansa?
Já não há gosto e desgosto
Quando é prevista a mudança.
Ai que vida tão comprida…
Se não houvesse a morte, Maria,
Eu me matava!
(Monotonia)
19/06/10
Foi o único português a ganhar o Nobel da Literatura: nem por isso sou obrigada a gostar
No caso de Saramago, não apreciava a literatura nem o autor. E não vale a pena repisar o seu passado no "Diário de Notícias" ou o mistério das dedicatórias desaparecidas. Por exemplo.
Quanto aos livros, a primeira coisa que li dele foi "Memorial do Convento". Acabei-o irritada com a mensagem: fazer equivaler os obreiros de Mafra aos operários da modernidade era demasiado anacronismo, mesmo para uma alegoria.
No resto dos textos, a coisa repetia-se. Romances que defendiam ideias escritos segundo uma fórmula estilística usada à exaustão.
Resumindo: para mim, literatura é outra coisa. Ofício de palavras e não de ideologias. Com ou sem vírgulas, com ou sem parágrafos, com ou sem maísculas. Até porque muitas vezes o estilo, como bem disse o Mário Quintana, "é uma dificuldade de expressão".
desenho de António
16/06/10
Em São Paulo o Churchill nem cigarro quanto mais charuto
Após dez horas de voo e mais duas dentro de um aeroporto tentando sair dali e não me deixam é natural que um pobre fumador queira repor os seus níveis de nicotina. Já na rua, acendo um Lucky Strike. Sou imediatamente abordada pela autoridade que me explica que não posso fumar à porta do terminal. Só do outro lado da rua. Debaixo da cobertura é proibido! O mesmo dois dias depois, na esplanada de um botequim numa transversal da Avenida Paulista. Um risco amarelo divide o passeio: aqui as mesas e as cadeiras, ali uma faixa estreita junto à estrada de trânsito ininterrupto. Se quiser fumar, só lá. Em pé, naturalmente. E apesar da loucura proibicionista eu e os descendentes de japoneses fumamos para caramba.Mario Quintana, que não era paulista, escreveu:“Desconfia dos que não fumam: esses não têm vida interior, não têm sentimentos.O cigarro é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar". Ora bem.
16/06/07
Pensamento reconfortante antes de ir para cama

«Poeminha do contra», do brasileiro Mário Quintana
«Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão
eu passarinho»
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