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14/07/22

BLOQUEIO AO ENCLAVE RUSSO DE KALININGRADO: MEDIR FORÇAS

«A Lituânia, membro da União Europeia, permitirá que mercadorias russas sujeitas a sanções transitem pelo seu território a caminho do enclave russo de Kaliningrado, informou o ministério dos Negócios Estrangeiros na quarta-feira, alterando a política do país após novas directrizes vindas da Comissão Europeia.
As novas diretrizes seguem-se a semanas de tensão entre Moscovo, a Lituânia e a União Europeia, que testaram a determinação da Europa em impor sanções à Rússia.

Kaliningrado, que faz fronteira com estados da UE e depende de linhas de caminho de ferro e de estradas que atravessam a Lituânia para ter acesso à maioria das mercadorias, teve parte do transporte de mercadorias vindo da Rússia continental cortado desde 17 de Junho devido às sanções impostas por Bruxelas.
(...)
Moscovo vinha afirmando que restringir o trânsito terrestre de mercadorias da Rússia para Kaliningrado equivalia a um bloqueio ilegal; a Lituânia respondeu que não tinha escolha a não ser aplicar as regras impostas por Bruxelas.

"Esta decisão, que remove as restrições a uma certa gama de produtos transportados por caminho de ferro, é uma demonstração de realismo e bom senso", disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo por e-mail na quarta-feira, "embora ainda tenhamos dúvidas sobre o conteúdo do documento".

O governador de Kaliningrado, Anton Alikhanov, escreveu no Telegram que as novas directrizes são "apenas o primeiro passo necessário" para resolver o impasse: "Continuaremos a trabalhar para a remoção completa das restrições".

A orientação publicada na quarta-feira diz que as sanções comerciais não se devem aplicar ao transporte entre a Rússia e o seu enclave, desde que os volumes não excedam as médias dos últimos três anos, reflectindo "a procura real por bens essenciais no seu destino".
Apesar de garantir que seguiria as directrizes, o ministério dos Negócios Estrangeiros da Lituânia afirmou em comunicado que as regras anteriores que bloqueavam o transporte de muitas cargas para Kaliningrado eram "mais aceitáveis".

"As regras de trânsito para Kaliningrado podem criar uma impressão injustificada de que a comunidade transatlântica está a suavizar a sua posição e política de sanções em relação à Rússia", escreve no comunicado o ministério dos Negócios Estrangeiros lituano.

Os membros da UE foram encarregados de monitorar o comércio entre a Rússia e Kaliningrado para verificar se há fuga às sanções, para garantir que "não haja fluxos ou padrões comerciais incomuns".
O trânsito de bens e tecnologia militares, assim como os bens que possam ter utilização militar, continua totalmente proibido.
Kaliningrado, território alemão antes da II Guerra Mundial, e que inclui um porto no Báltico e conta com cerca de 1 milhão de habitantes, foi anexada pela União Soviética no final da guerra e está ligada ao resto da Rússia através de território da UE, sobretudo por via ferroviária através da Bielorrússia e da Lituânia.
Bens que se enquadram nas categorias humanitárias ou essenciais, como alimentos, sempre estiveram isentos das sanções. O tráfego de passageiros não é proibido e Kaliningrado ainda pode ser alcançado por via aérea ou marítima.» (notícia da Reuters)

21/06/22

UMA NOVA GUERRA MUNDIAL COM RASTILHO NA LITUÂNIA?

A decisão da Lituânia, membro da NATO, de não deixar passar mercadorias por via férrea para o enclave russo de Kaliningrado e a consequente ameaça de retaliação por parte da Rússia estão a deixar o pessoal que manda nisto tudo muito nervoso. 

Esperemos que tomem todos Xanax antes de darem o próximo passo. 

E claro que há também a considerar o facto de a realidade ter o hábito de nos pregar valentes sustos nas esquinas mais improváveis...  

«Russia's attempts to threaten Lithuania as it banned the transit of goods to the Kaliningrad region "pose a challenge for the European Union and NATO," Ukraine's president Office's head Andriy Yermak said on Telegram. Russia has provoked concern in Brussels as it warned of a retaliatory move over Lithuania’s recent ban. The latter banned the transportation of coal, metals, construction materials and advanced technology, that constitutes around 50% of all goods exported by Russia. 

Russian Foreign Ministry on Monday summoned the Lithuanian Charge d'Affaires, Virginia Umbrasene. Moscow's officials "strongly protested" Lithuania's move of banning transit of its exports, and demanded that such an ection must immediately be reversed. Lithuanian Foreign Minister Gabrielius Landsbergis had earlier cautioned that NATO and the European Union cannot underestimate the danger posed by Russia. And that the bloc "must be fully prepared" of consequences of challenging Moscow's authoritarian leader Vladimir Putin as whole of EU teeters on the brink of "huge political change."  

Vilnius' recent measure was labelled as “unprecedented” in Moscow, triggering widespread anger. EU’s foreign policy chief, Josep Borrell, meanwhile said in a statement issued later that Lithuania was simply enforcing the bloc’s sanctions directed in response to Russia's brutal invasion of Ukraine. “I am always worried about Russian retaliation,” said Borrell. “There is no blockade. The land transit between Kaliningrad and other parts of Russia has not been banned. Second, transit of people and goods that are not sanctioned continues. Third, Lithuania has not taken any unilateral national restrictions."

Moscow, although asserted that  it "reserves the right to act to protect its national interests."»