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07/06/22

ACHO QUE ATÉ O PRÓPRIO PUTIN DISPENSARIA DEFESA TÃO IDIOTA

Diz que corre pelas redes sociais e eu sou testemunha porque vi a coisa escrita, com estes que a terra há-de comer: «A Ucrânia não existe porque não registou as fronteiras!»

E depois ainda gozam com a malta da Terra plana...

12/11/11

Ainda sobre o facto de o Messias ter aparecido no "Avante"...

Embora a contragosto, devo confessar: enganei-me! As notícias vindas a público acerca do facto de o camarada Jorge Messias, cronista do PCP, não gostar de judeus são manifestamente exageradas, como bem explicou, aliás, Jerónimo de Sousa: “Nós gostamos de toda a gente, excepto do Drº Mário Soares” (citação apócrifa).
Tudo começou quando Messias resolveu rivalizar, nas páginas do “Avante”, com Dan Brown e José Rodrigues dos Santos.
“A rede conspirativa que se vai instalando na terra tem claramente origem em formações capitalistas proclamadamente religiosas. Basta olhar-se para o esquema organizativo que vai chegando ao conhecimento público para nele se reconhecer a mãozinha sinuosa dos jesuítas e dos illuminati maçónicos”, escreveu logo a abrir.
No intuito de corroborar a sua tese, o cronista ignorou As 7 Profecias Maias, As Profecias de Nostradamus, o Manual Prático do Vampirismo (Paulo Coelho), ou mesmo The Threat Revealing the Secret Alien Agenda, do conceituado especialista em raptos alienígenas David Michael Jacobs, preferindo fundamentar-se no Protocolos dos Sábios de Sião.
Os judeus — que, desde que lhes aconteceu o que lhes aconteceu, se tornaram, vá lá saber-se porquê, sensíveis a certos temas — resolveram vir lembrar duas coisas.
Uma delas, sabida pelo menos desde 1921 (Jorge Messias ainda não teria nascido…), é que os Protocolos… são uma refinada treta, criação da polícia secreta do Czar Nicolau II para liquidar certos problemas internos; uma espécie de “arma de destruição maciça” avant la lettre.
A segunda é que, enquanto “arma de destruição maciça” a coisa resultou muito bem, com Hitler a citá-los no Mein Kampf e a usá-los como (mais um) pretexto para a “Solução Final”.
Assim sendo, termino apenas com um conselho a Jorge Messias: a próxima vez que quiser explicar o estado do mundo aos leitores do “Avante”, é preferível ficar-se pelo conceito de “luta de classes”.
Será um conceito problemático, mas Marx (outro judeu, caraças!) já não está entre nós para lhe dar chatices.

02/07/11

Ceci, naturalmente, ce n'est pas une polémique

Há pessoas de quem gosto muito. Há pessoas de quem gosto. Ponto.
Há ainda pessoas que me são indiferentes (a maioria). E outras que me dão sono. Pitta pertence a esta última categoria. Faz-lhe companhia João Carlos Espada.
Ambos parecem cultivar uma leitura sui generis do "estilo british", versão Rainha Vitória, embora o primeiro seja conhecido pelo seu apoio aos chamados "temas fracturantes". Deduzo, talvez erroneamente, que Espada o tenha adoptado ofuscado por Oxford e Pitta em alguma farm próxima da África do Sul.
Seja como for, os dois recordam-me sempre a resposta de uma amiga a um beto armado aos cágados com quem ela se cruzou um dia.
Diz o beto armado aos cágados: "A mãe morreu!" Responde a minha amiga: "A tua! A minha está viva e de excelente saúde".
Resumindo. Ao contrário da Rainha citada, we are most amused com a dúvida que tomou de assalto Pitta, a qual nos propomos, aliás, esclarecer de imediato: não, não fomos convidadas para secretariar pessoalmente João Gonçalves.

20/02/10

A literatura portuguesa na alcova

Há dias o Ipsilon editava um trabalho sobre o erotismo na literatura nacional. O erotismo, o sexo, sei lá. Parece que a coisa está mal, por estas bandas. O erotismo, ou mesmo a literatura. O Autor do artigo confessava algumas limitações. Desde o MEC que se pode escrever fodido. Não se pode foder, mas pode-se escrever fodido. Ora o Autor confessa que, quinze anos depois, não se permite utilizar palavras começadas por c. Vão ser precisos mais MECs, mais quinze anos, até os escritores portugueses chegarem ao c.
Este Autor entrevistou Escritores e a todos perguntou se tinham jeito. Os entrevistados, incontornáveis, declararam que as cenas de camas são más - quando escritas por outros -, que os escritores portugueses - os outros -, não são mestres no género. O cronista em quem João Bénard da Costa encarnou também foi ouvido. Afinou pelo mesmo diapasão. Os escritores portugueses são muito bons a dizer que a literatura erótica portuguesa é fraca.
Post roubado com a devida vénia daqui e ilustrado por José Vilhena.

26/11/09

E o Formitrol, esqueceram-se do Formitrol?

O senhor está constipado
e ficou mal de repente
porque não teve cuidado
porque foi imprevidente.
Para o mal cujo motivo
está na chuva, frio ou sol
qual o melhor preventivo?
Formitrol, Formitrol, Formitrol!

Com música aqui.

25/10/09

Ainda o Saramago e o marketing antijeová

«Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito.»
Vasco Pulido Valente, "Uma farsa". Público. 23.10. 2009
Ou como me dizia um amigo: «É como se alguém lesse as Fábulas de La Fontaine e achasse que aquilo era mesmo sobre cigarras e formigas».
Já depois de ter feito este post, descobri que há um kit Saramago ateísmo para donas de casa modernas, e que aos 100 primeiros compradores serão oferecidos action man de José Saramago.
Não podia deixar de vir acrescentar estas preciosas informações.

29/09/09

Peço imensa desculpa mas as notícias não são boas nem me parece que venham a melhorar nos próximos tempos

O Serviço Nacional de Saúde português ― apesar de na recente campanha eleitoral Sócrates ter usado de novo e até ao vómito aquela coisa da mortalidade infantil ter decrescido espectacularmente e tal ... ― está entre os piores da Europa: 25.ª posição num universo de 33 países.
Se recordarmos a firme defesa do SNS feita pelo grande líder nas últimas semanas, concluo que a culpa é com certeza dos doentes que em vez de adoecerem assim de qualquer maneira deviam mas é comprar painéis solares, de preferência os da empresa Energie que têm um sistema bestial capaz de funcionar com sol, céu nublado, chuva e à noite.

13/08/09

Por onde andam os 'divertidos' que só nos saem duques, perdão, 'sisudos', ou há malta que nasce com costela de ministro e pronto

AINDA A TOMADA DA BASTILHA, PERDÃO, DA CAMÂRA, MELHOR DIZENDO DA BANDEIRA

Quando li o manifesto do SIMplex registei a pluralidade dos humores: a vida tem destas coisas, juntar pessoas que não se conhecem, homens e mulheres, jovens e menos jovens, gente consagrada e por consagrar, gente divertida e sisuda... No que toca ao recente episódio da troca das bandeiras não sei, porém, onde páram os primeiros. Os sisudos, sim. E, pelas declarações, já foram convidados para ministros.

Com o crime de furto rebaixado à categoria de anedota nacional, vivemos hoje num país mais perigoso (Diogo Moreira)

Caso não haja uma resposta enérgica e firme por parte das autoridades, nunca a expressão “República (ou Câmara) das Bananas” foi mais apropriada (Diogo Moreira)

Eu pensava que os anarquistas eram de extrema-esquerda. Estamos sempre a aprender (Diogo Moreira)

Nunca tão poucos deram uma machadada tão grande na autoridade do Estado (Diogo Moreira)

É bom ver que a autoridade do Estado, o Estado de Direito ou o simples cumprimento da Lei é algo que os “guerrilheiros ideológicos” consideram risível (Diogo Moreira)

Em matéria de autoridade do Estado não há graçolas (Eduardo Pitta)

CONCLUSÃO: Como escreveu Bruno Sena Martins «entre monárquicos bem humorados e republicanos sisudos estou, naturalmente, com os primeiros».

05/08/09

Finalmente percebi porque é que a minha vida pessoal anda uma merda e perdoem-me o desabafo desabrido

A resposta foi-me apontada aqui. E, vai daí, segui o link.
O link, tal estrada de Damasco, conduzia-me à Iluminação. Quero eu dizer, a um post de Carlos Santos no SIMplex que, por sua vez, era uma reprodução de um post de Valupi, no Aspirina B.
Para não vos maçar demasiado, passo a resumir: contas feitas, 58,9% dos eleitores não irá votar PS mas sim noutros partidos. Que, por isto ou por aquilo, são todos maus. Os outros partidos.
Ao negarem-se a votar na modernidade socrática, esses 58,9% de eleitores provam habitar «algures no espaço cósmico, bem longe da gravidade terráquea».
Nota da autora deste post: os abstencionistas não são considerados mas supõe-se que também flutuem na exosfera.
A parte que abalou porém e completamente os fundamentos do meu Ser, como se fora atingida, em simultâneo, pelos 22 raios da Fraternidade Branca (seja lá isso o que for) vinha a seguir, à laia de conclusão: «E se esta é a clarividência que revelam em matérias políticas, como será noutras áreas da sua vida pessoal e nossa existência colectiva?»
E eu, quase a desistir da vida pessoal e da nossa existência colectiva nem se fala, senti-me repentinamente invadida por um vaga de esperança, um frémito retemperador, uma substância de vida que nem a Laurinda Alves nos seus dias mais profundos.

30/07/09

Também não é preciso tanto exagero e não, não é um post sobre as promessas eleitorais de José Sócrates

Retirado de «8 Regras para um casamento picante» e é logo a número 1
Seja afectuoso. Os especialistas dizem que os preliminares, nas mulheres, começam uma semana antes.
Revista Única, Expresso, 25 de Julho de 2009

25/06/09

Da série embirrações assumidas: este manuel de pinho nunca me desilude!

Registe-se mais uma frase sábia do ministro da economia e inovação sobre o potencial [turístico] de Portugal:
Às vezes esquecemos que o cão do presidente Obama é um cão algarvio.
[Que por acaso nasceu no Texas...]
Lido aqui, vindo daqui

12/06/09

Silvio Berlusconi, Muammar Kadafi e as 700 virgens

A vida amorosa e sexual de Silvio Berlusconi não me interessa para nada. Compreendo que a legítima tenha pedido o divórcio; o resto é lá com eles.
O facto de Silvio receber Muammar e haver 700 mulheres dispostas a sujeitar-se à palhaçada de participarem numa palestra do ditador líbio (ainda por cima mais feio do que uma noite de trovões, como se diz na minha terra...) jã me parece digno de nota.
Até porque, sejamos rigorosos: segundo o hadith atribuído a Maomé, tal encontro só no Paraíso e nunca com 700: o profeta terá prometido apenas 72, número, convenhamos, bastante mais razoável.

14/05/09

Afinal houve milagre e não foi o do azeite da fritadura de peixe: Ali Agca quer tornar-se português depois de ter cumprido o 3º milagre de Fátima!

"Voglio diventare cattolico, farmi battezzare in Piazza San Pietro e proclamare la mia nuova fede davanti ai media di tutto il mondo(...)
Stiamo facendo dei passi nei confronti del governo portoghese. Mi piacerebbe prendere la cittadinanza. In Portogallo, a Fatima, c' è la statua della Madonna di Fatima cara a Wojtyla. Papa Ratzinger ha spiegato che l' attentato da me condotto costituiva il famoso Terzo segreto. Ecco perché ho scelto il Portogallo." [mais aqui]
E para quem não sabe [ou já esqueceu] quem é o Ali Agca... clicar aqui sff.

06/05/09

As frases de Manuel Pinho sairão na farinha Amparo?

Há mistérios na vida e não me refiro à virgindade de Maria. Antes às razões, naturais ou sobrenaturais, que justificam a presença de Manuel Pinho no governo. Num governo. Em qualquer governo. Mas pronto, há que saber aceitar os limites do entendimento humano, como diria Garrett, perdão, David Hume.
Vem isto a propósito do referido ministro ter acabado de acrescentar mais uma máxima à sua já muito considerável colecção de frases memoráveis. Disse ele: "O doutor Paulo Rangel ainda tem de comer muita papa 'Maizena' para chegar aos calcanhares do doutor Basílio Horta".
Deixo de lado os doutores, cujos nomes são igualmente obscuros para mim. Mas COMER MAIZENA?!!! Não seria antes, "comer muito pão", "cerelac", ou quiçá "nestum"?
Posso estar enganada. Mas, pelo menos cá em casa, só usamos a Maizena para bolos ou para fazer molho branco. E, ainda assim, preferimos a "Nacional".

04/05/09

Bengaladas III [e não, nunca fui de andar à pancada, nem nos meus tempos de perigosa extremista]

Já estava noutra. Mas quando dei com as notícias
1. Manuel Alegre condena incidentes com Vital
2. José Lello garante que "afinal, há sempre uma voz que se cala"
[e note-se o sentido poético do segundo, paradoxalmente ausente do primeiro]
.... achei que ainda havia matéria para continuar o folhetim.
Deixo-vos com as imagens. E das duas uma: ou o operador de câmara, com medo de ser processado pela CGTP, omitiu a parte dos pontapés, murros e estaladas, ou então o que eu vejo neste vídeo fica-se por aquela coisa tipicamente portuguesa do "agarrem-me senão vou-me a ele!".
A segunda hipótese, terão de convir, é mais provável. Só por isto:
Vital já não é jovem. E um dia depois da "brutal agressão" estava a fazer rafting no Minho.
Tudo indica, pois, que ainda não foi desta que o jurista de Vilarinho do Bairro teve a sua "Marinha Grande".

03/05/09

Ainda a propósito de bengaladas [roubado com todo o descaramento e eu só assino por baixo]

Sócrates foi assobiado em Melgaço quando fazia campanha eleitoral. Sócrates disse que era normal em democracia. Já os insultos a Vital, não. Sócrates explicou que quem insulta Vital tem que pedir desculpas ao Partido Socialista. Peço já desculpas ao Partido Socialista.
Daqui.

02/05/09

Oh! o antiquíssimo método das bengaladas

[...]
O orador (concluindo): – E foi assim, sr. presidente que se passaram os factos.
O Sr. Luciano de Castro (interrompendo com grandes punhadas na mesa): – O ilustre deputado tem estado simplesmente a dizer refinadíssimas petas...
Vozes: – Apoiado, apoiado!
O orador (voltando-se e desabotoando o colete): – Petas? oh! formidável patife! (apoiado, apoiado). Eu, sr. presidente, não posso consentir que esse celerado entre no meu foro interior!
Vozes: – Fora, fora!
Uma voz suplicante: – Sr. presidente, estão-me aqui a dar pontapés (sussuro).
O Sr. Coelho do Amaral (espancando com grande dignidade o Sr. Barros e Cunha) : – E aqui está, sr. presidente, como se prova que o Sr. Barros e Cunha não tem razão alguma nos princípios que estabeleceu.
O Sr. Mariano de Carvalho: – Mas a ditadura foi nefasta! E não há biltre nenhum que me prove o contrário... (tira o casaco).
O Sr. Coelho do Amaral (continuando o espancamento): – Não me interrompam o discurso!
O Sr. Presidente (aos Srs. Mariano e Santos Silva): – Os senhores não têm direito a interromper sovas que o regimento garante (berreiro).
O Sr. Presidente do Conselho: – A Câmara está-se sepultando na mais profunda abjecção!
(O sr. presidente do Conselho sucumbe, sob uma chuva de bengaladas).
O Sr. Braamcamp (batendo com a bengala sobre a mesa, a um continuo) :–Dois cafés! Um cabaz!
Vozes (atravessando o corpo legislativo). –Salta, meia de Colares!
O Sr. Pinheiro Chagas (deitado, fumando com ar melancólico):

«Oh virgem pálida e triste
Branca visão doutros Céus!»

O Sr. Aires de Gouveia: – O que diz ele?
Vozes: – Ele cisma! Ele cisma!
A oposição atira cebolas ao Sr. Pinheiro Chagas. Alguns senhores deputados dizem obscenidades, que o ruído impediu que chegassem à mesa dos taquígrafos.
O orador: – A Câmara não quer escutar-me? Pois bem, eu passo a outros argumentos... (Distribui bengaladas).
Tumulto. O sr. presidente atira a campainha à cara da maioria, e o tinteiro aos queixos da oposição. Alguns senhores deputados miam de gato. O Sr. Santos e Silva, no auge da sua indignação dá cambalhotas. O Sr. Jota Moniz, no seu zelo pelos princípios, retira-se da sala. O Sr. Luís de Campos termina por distribuir, bem a seu pesar, uma prodigiosa quantidade de pontapés, com uma nobre imparcialidade.
O Sr. Presidente: – Para amanhã continua esta interessante discussão.
A Câmara sai correndo, gritando, rebolando pelas escadas abaixo.
Os contínuos levantam as garrafas de Colares.
[...]
in As Farpas, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão
Imagem encontrada aqui.