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22/11/24
09/09/22
29/07/22
11/05/14
Quem se mete com a poesia leva...
07/05/13
Só tenho uma dúvida, se eu não gostar de comer frango com as mãos mandam-me para um campo de reeducação na Coreia do Norte?
José Luís Peixoto gosta do seu povo. E é por me comover que ele goste tanto do seu povo que dedico ao Peixoto este poema que o Mário Cesariny dedicou às gentes que gostam do seu povo.
Vamos ver o povo
Que lindo é
Vamos ver o povo
Dá cá o pé
Vamos ver o povo
Hop-lá!
Vamos ver o povo
Já está.
A declaração de amor ao povo de José Luís Peixoto pode ser lida aqui.
Vamos ver o povo
Que lindo é
Vamos ver o povo
Dá cá o pé
Vamos ver o povo
Hop-lá!
Vamos ver o povo
Já está.
A declaração de amor ao povo de José Luís Peixoto pode ser lida aqui.
27/04/12
De como uma aldrabice do eduardo pitta me levou a este maravilhoso poema ou deus escreverá direito por linhas tortas [obrigada, nuno, sejas tu quem fores]
ESTE POST TEM QUE VER COM ESTE (cf. caixa de comentários)
"Escrevo ainda sobre o livro de contos Nos Sonhos Começam as Responsabilidades, de Delmore Schwartz (1913-1966), a obra que o consagrou. Admirado por Nabokov e T. S. Eliot, Schwartz é um dos poetas mais importantes dos anos 1930-40 americanos. Convidado habitual da Casa Branca, morreu aos 52 anos na miséria extrema. (...)."
[do senhor citado mais abaixo]
"In addition to being known as a gifted writer, Schwartz was considered a great conversationalist and spent much time entertaining friends at the White Horse Tavern in New York City."
[daqui]
E AGORA VAMOS AO QUE INTERESSA
DAQUI
"Escrevo ainda sobre o livro de contos Nos Sonhos Começam as Responsabilidades, de Delmore Schwartz (1913-1966), a obra que o consagrou. Admirado por Nabokov e T. S. Eliot, Schwartz é um dos poetas mais importantes dos anos 1930-40 americanos. Convidado habitual da Casa Branca, morreu aos 52 anos na miséria extrema. (...)."
[do senhor citado mais abaixo]
"In addition to being known as a gifted writer, Schwartz was considered a great conversationalist and spent much time entertaining friends at the White Horse Tavern in New York City."
[daqui]
E AGORA VAMOS AO QUE INTERESSA
Nothing is given which is not taken.
Little or nothing is taken which is not freely desired,
freely, truly and fully.
"You would not seek me if you had not found me": this is
true of all that is supremely desired and admired...
"An enigma is an animal," said the hurried, harried
schoolboy:
And a horse divided against itself cannot stand;
And a moron is a man who believes in having too many
wives: what harm is there in that?
O the endless fecundity of poetry is equaled
By its endless inexhaustible freshness, as in the discovery
of America and of poetry.
Hence it is clear that the truth is not strait and narrow but infinite:
All roads lead to Rome and to poetry
and to poem, sweet poem
and from, away and towards are the same typography.
Hence the poet must be, in a way, stupid and naive and a
little child;
Unless ye be as a little child ye cannot enter the kingdom
of poetry.
Hence the poet must be able to become a tiger like Blake; a
carousel like Rilke.
Hence he must be all things to be free, for all impersonations
a doormat and a monument
to all situations possible or actual
The cuckold, the cuckoo, the conqueror, and the coxcomb.
It is to him in the zoo that the zoo cries out and the hyena:
"Hello, take off your hat, king of the beasts, and be seated,
Mr. Bones."
And hence the poet must seek to be essentially anonymous.
He must die a little death each morning.
He must swallow his toad and study his vomit
as Baudelaire studied la charogne of Jeanne Duval.
The poet must be or become both Keats and Renoir and
Keats as Renoir.
Mozart as Figaro and Edgar Allan Poe as Ophelia, stoned
out of her mind
drowning in the river called forever river and ever...
Keats as Mimi, Camille, and an aging gourmet.
He must also refuse the favors of the unattainable lady
(As Baudelaire refused Madame Sabatier when the fair
blonde summoned him,
For Jeanne Duval was enough and more than enough,
although she cuckolded him
With errand boys, servants, waiters; reality was Jeanne Duval.
Had he permitted Madame Sabatier to teach the poet a greater whiteness,
His devotion and conception of the divinity of Beauty
would have suffered an absolute diminution.)
The poet must be both Casanova and St. Anthony,
He must be Adonis, Nero, Hippolytus, Heathcliff, and
Phaedre,
Genghis Kahn, Genghis Cohen, and Gordon Martini
Dandy Ghandi and St. Francis,
Professor Tenure, and Dizzy the dean and Disraeli of Death.
He would have worn the horns of existence upon his head,
He would have perceived them regarding the looking-glass,
He would have needed them the way a moose needs a hatrack;
Above his heavy head and in his loaded eyes, black and scorched,
He would have seen the meaning of the hat-rack, above the glass
Looking in the dark foyer.
For the poet must become nothing but poetry,
He must be nothing but a poem when he is writing
Until he is absent-minded as the dead are
Forgetful as the nymphs of Lethe and a lobotomy...
("the fat weed that rots on Lethe wharf").
DAQUI
09/12/11
29/10/11
À espera dos bárbaros
Cavafy, o grego, não conheceu Kadhafi, o líbio. Este, chefe de Estado entre 1969 e 2011, foi assassinado a 20 de Outubro último.
A sua morte foi registada em directo; a não ser que — à semelhança de No Palácio do Fim de Martin Amis — Senad el Sadýk el Ureybi — o rebelde líbio que disse perante as câmaras não lhe agradar “a ideia de ele ser capturado vivo” e daí ter-lhe dado dois tiros, “um na cabeça, outro no peito” — se tenha enganado no alvo e atingido tão-só um sósia.
Não vi o vídeo e para o caso tanto faz. Não vi, como não vi o da criança chinesa atropelada, do enforcamento de Saddam ou da decapitação de Daniel Pearl. Em jovem assisti, por militância cultural, a 120 Dias de Sodoma de Pier Paolo Pasoloni. Enouhg is enough.
Leio agora que foram divulgadas mais imagens dos últimos momentos do alucinado, que apenas acrescentam crueldade à crueldade. Entretanto, o Ocidente festejou a queda do ditador — um “líder carismático”, nas palavras de José Sócrates (convidado de honra do 41º aniversário da revolução líbia), que ainda em finais de 2007 acampava no Forte de São Julião da Barra, era recebido com pompa pelo governo português e até dava “aulas” sobre os “Problemas da Sociedade Contemporânea” na reitoria da Universidade Clássica de Lisboa.
Não se pense, porém, que a hipocrisia foi exclusivo da “diplomacia económica” de Sócrates/Amado.
A sua morte foi registada em directo; a não ser que — à semelhança de No Palácio do Fim de Martin Amis — Senad el Sadýk el Ureybi — o rebelde líbio que disse perante as câmaras não lhe agradar “a ideia de ele ser capturado vivo” e daí ter-lhe dado dois tiros, “um na cabeça, outro no peito” — se tenha enganado no alvo e atingido tão-só um sósia.
Não vi o vídeo e para o caso tanto faz. Não vi, como não vi o da criança chinesa atropelada, do enforcamento de Saddam ou da decapitação de Daniel Pearl. Em jovem assisti, por militância cultural, a 120 Dias de Sodoma de Pier Paolo Pasoloni. Enouhg is enough.
Leio agora que foram divulgadas mais imagens dos últimos momentos do alucinado, que apenas acrescentam crueldade à crueldade. Entretanto, o Ocidente festejou a queda do ditador — um “líder carismático”, nas palavras de José Sócrates (convidado de honra do 41º aniversário da revolução líbia), que ainda em finais de 2007 acampava no Forte de São Julião da Barra, era recebido com pompa pelo governo português e até dava “aulas” sobre os “Problemas da Sociedade Contemporânea” na reitoria da Universidade Clássica de Lisboa.
Não se pense, porém, que a hipocrisia foi exclusivo da “diplomacia económica” de Sócrates/Amado.
Aznar,González, Prodi, Berlusconi, Sarkozy, Putin, Barroso, Lula, Chávez, Fidel, Condoleezza Rice, Obama… nenhum faltou ao beija-mão. A alguns narizes, o smell do petróleo cheira melhor que o nº 5 da Chanel.
A indiferença com que reagiram à ignomínia do assassínio do homem diz bem do novo paradigma que assinala o caminho do declínio: em vez das públicas virtudes, Estado de Direito e tal, acção directa, no caso, versão kiss, kiss, bang, bang.
É o regresso ao Far West, mas sem bons — só feios e maus.
A indiferença com que reagiram à ignomínia do assassínio do homem diz bem do novo paradigma que assinala o caminho do declínio: em vez das públicas virtudes, Estado de Direito e tal, acção directa, no caso, versão kiss, kiss, bang, bang.
É o regresso ao Far West, mas sem bons — só feios e maus.
Citando Cavafy, o poeta que não conheceu Kadhafi: “E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros? Essa gente, mesmo assim, era uma solução”.
09/06/10
A Pastelaria do Cesariny
Afinal o que importa não é a literaturanem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
– ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos
frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
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