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12/01/14

Novas da sarjeta

"As realidades familiares naturais são compostas por um homem e uma mulher e orientadas para o nascimento e boa educação dos filhos. O bem comum é prejudicado pela existência de famílias não-convencionais", Nuno Lobo, CDS.
 
"Acreditamos que o prolongamento até ao 12º ano do ensino obrigatório é um erro o que se devia recuar para o 9º ano de escolaridade. A par desta medida a conclusão do Ensino Secundário apenas devia ser possível com nota [superior a] 9,5 valores no Exame nacional de Português", moção da Juventude Popular do CDS

16/09/10

Quantos ciganos queres para a troca?

Num mundo em que o que realmente importa se designa por nomes estranhos como monoplay, doubleplay, spin off ou sell out é natural que os ciganos sejam uma maçada.
A troca de galhardetes a que temos vindo a assistir na Comissão Europeia a propósito das medidas francesas contra as comunidades ciganas é, quanto a isso, bastante esclarecedora.
A luxemburguesa Viviane Reding, comissária europeia da justiça, evocou as limpezas étnicas da II Guerra mas houve logo quem lembrasse que um bilhete de avião à borla e 300 euros no bolso não era coisa comparável. Com certeza.
Mas teremos, então, que chegar às portas de um campo de extermínio para expressar indignação? Não nos bastará saber que Sarkozy resumiu a coisa assim: "si les Luxembourgeois voulaient LES prendre il n'y avait aucun problème"?
E o que me lixa mesmo é a terceira pessoa do plural.

14/09/10

Eu acho o Obama racé, o Daniel Oliveira prefere atribuir-lhe uma raça

Quando a esquerda que temos, tão intransigente noutras matérias, insiste no conceito (pimba) de raça(s) bem pode Sarkosy expulsar prioritariamente ciganos.
Mesmo a popularidade de Obama, que varreu o Mundo há dois anos, deveu-se mais à sua simpatia e oratória, à sua RAÇA e à sua juventude, do que ao corte político e ideológico que, apesar de tudo, a sua eleição significaria [Daniel Oliveira, "A Política Pimba"; (as maísculas são minhas)]

Definição da palavra francesa racé (para os frequentadores da Pastelaria que já só tiveram espanhol na escola)

05/09/10

A Casa Pia nunca existiu

Conhecida a sentença que condena todos os arguidos — com excepção de Gertrudes Nunes, a dona da casa de Elvas absolvida por razões técnicas (alteração de 2007 à lei do lenocínio) —, os visados avisaram que vão recorrer da decisão. Marinho Pinto, que não falará de cor, garantiu publicamente que o risco de prescrição é real.
Um processo é o que é e a justiça o que se sabe. Não vais ao cóquitel tás fodido, dizia o Cesariny.
Findo o primeiro round, os condenados cumprem o seu papel: recorrem. As vítimas regozijam-se, naturalmente. Um determinado tipo de reacções, ou a ausência delas, é que me espanta. Ou me envergonha.
Os que põem a mão no fogo pela inocência dos condenados (ou, pelo menos, pela de Carlos Cruz) usam dos mais variados argumentos. Da cabala política aos erros judiciários, do bode expiatório à inveja.
Os que não têm dúvidas sobre a decisão do tribunal clamam maioritariamente contra o tempo leve das penas (é verdade que se eu estivesse na pele do Bibi não hesitaria em pensar que cá no burgo a confissão não compensa…).
No intervalo, o absoluto silêncio. Em alternativa, um silêncio ruidoso e, como sempre, alicerçado no legalismo. Tomás Vasques escreve que se mantém fiel ao princípio da presunção de inocência até ao trânsito em julgado de sentença condenatória.
Parece-me bem mas deixo uma ou outra pergunta. Os arguidos foram ou não foram considerados culpados pelo Tribunal de Primeira Instância? A sua presunção de inocência sai ou não ferida neste primeiro acórdão, independentemente dos trâmites posteriores? E usando agora a muleta lançada pelo Marinho Pinho: se a coisa prescrever, como é possível que aconteça, qual será a posição do Tomás Vasques quando todos se safarem: vai considerá-los inocentes (à Leonor Beleza foi isso que aconteceu, não foi)?
Daniel Oliveira comenta o caso esperando que tenha sido feita justiça e mostrando-se sobretudo indignado — valha-lhe a retórica — com os jornalistas e com o Pedro Namora.
No Jugular, outro blogue de esquerda, sempre célere no apoio a todas as causas fracturantes, até ao momento em que escrevo a única referência consistia num post da Ana Matos Pires, que não faço ideia quem seja mas a falha é certamente minha, que esboça uma piada (?) sobre a relação entre a Casa Pia e a Maddie, remetendo para um jornal que também não costumo ler.
Não sou boa em listas e por isso fico-me por aqui.
Resumindo: nem uma palavra sobre as vítimas da Casa Pia (é que os miúdos foram mesmo repetidamente enrabados, topam?). Nem uma palavra sobre o padre António Emílio Figueiredo (já falecido) que denunciou o regabofe já nos idos de 60 e por isso foi para a rua (pois, temos pena mas este não era pedófilo). Nem uma palavra sobre o Mestre Américo Henriques, defensor dos putos e a quem a Costa Macedo decidiu pôr no sítio.
Resumindo que não me posso enervar: esta esquerda (desprovida de compaixão) não é a minha esquerda. Esta esquerda é quanto muito canhota.

15/07/10

Isto está a ficar tão chato que ainda nos vamos afundar todos num mar de merda, perdão, de bolas de berlim

No dia anterior tinha revisto Road to Perdition, filme que curiosamente reúne dois descendentes lusos, Tom Hanks e o próprio realizador, Sam Mendes.
Não tem nada que ver com o assunto, mas um dos actores mais bonitos de sempre, o Paul Newman, também entra. Faz de velho mafioso.
O filme é, portanto, sobre a Máfia. Na Máfia, como em todo o lado, há gente que presta e gente que não presta. Tom Hanks está entre os primeiros. Quanto aos segundos, primeiro matam-lhe a mulher e o filho mais novo; a seguir, tentam matá-lo a ele e ao filho mais velho. Road to Perdition, não sendo uma obra superlativa, daria certamente para dissertar sobre aquela frase do Ortega y Gasset (o filósofo que um dia Sócrates disse admirar), yo soy yo y mi circunstancia.
Adiante. No final do filme, o filho perde o pai e escolhe ir viver para a quinta de um casal de agricultores que os havia acolhido lá pelo meio. Durante todo o tempo em que andam a fugir ao Jude Law (que também é giro mas não tão bonito como o Paul Newman nem nada que se pareça), o puto, claro, não vai à escola. No fim, apesar de menor e órfão de mãe e pai, é ele quem escolhe as (boas) pessoas com quem deseja viver.
Resumindo: era um tempo sem Inspecção Geral da Educação nem Comissões de Protecção a Menores. Dir-me-ão que agora é melhor. Talvez. Mas o meu coração imediatamente balança quando leio, no dia seguinte a ver Road to Perdition, que a Autoridade Marítima apreendeu 500 bolas-de-berlim no Algarve.
E quem souber de algum caso de morte, ou de simples diarreia, derivado a bolas de berlim vendidas pelos areais que atire a primeira pedra!

21/08/09

Não vamos mais longe: a modernidade socrática espraia-se literalmente em Lagos, junto à linha da Meia Praia

A imagem será futuristicamente asséptica. Na realidade o que lá está são escavadoras, buracos, pó, feridas e mamarrachos. Uma figueira de gesso assiste (e resiste) ao progresso molto vivace, aliens de betão e mármores milionários para fazer a diferença com as "casas de emigrantes" e a "Mariani" do Cavaco que isto é gente que da Maconde passou para a Hugo Boss e férias só no Dubai.
Parafraseando os pescadores de Alvor, se os houver ainda, que vos desse uma traçã no beraco desse cu, que tevesseís sem cagar oito dias e quando cagassem só cagassem figos de pita inteiros.