E isto sou eu agora a imaginar um consumidor que, soterrado entre etiquetas de produtos do dia, marcas brancas, produtos em promoção, folhetos, vales e descontos em cartão, mais o selo anunciado agora pela ministra, corre o risco real de deixar mesmo alguém para trás, por exemplo, uma criança. (...)»
É final de percurso. Ficam ali junto ao jardim, vazios e silenciosos, e o motorista, na espera, encosta por vezes a cabeça sobre o volante. Outras vezes anda cá por fora, mãos pensativas nos bolsos, zelando pelos pneus. Já assisti a um ou outro pontapé. À luz do fim do dia a cena torna-se absurdamente nostálgica e sem que eu saiba explicar porquê deixa-me sempre triste. Parece um quadro do Hooper. Hoje de manhã, foi só depois da cadela ter cumprido aquela parte do ‘vamos lá escavar um bocadinho à procura da Maddie’ que o vi sair detrás da árvore, aos pulinhos, ainda ajeitando as calças demasiado subidas. Não sei se corou porque, com grande sentido das conveniências, a cadela puxou-me na direcção oposta. Recomeçou a brincar com a trela e voltámos felizes para casa, exorcizado o Hooper.