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15/04/10

Silogismos de pendor aristotélico a propósito das declarações de Tarcisio Bertone ou, literalmente, da relação entre o cu e a batina

Percebo que o Vaticano tenha vindo tentar pôr água na fervura [embora não tenha entendido bem a especificidade da pedofilia entre o clero versus pedofilia em geral].
Feita a ressalva, a verdade é que até a mim escapara o modo como as declarações do cardeal Tarcisio Bertone, que pretenderam estabelecer uma relação causal entre homossexualidade e pedofilia, poderiam ser favoráveis à Igreja.
Senão vejamos. Em traços gerais, o que o cardeal disse foi:
1. Não há relação entre celibato e pedofilia
2. Há relação entre pedofilia e homossexualidade.
Aceitemos a bondade das afirmações proferidas. Temos assim:
1. Todos os padres são celibatários
2. Alguns padres são pedófilos
3. Não há relação entre celibato e pedofilia
4. Há relação entre pedofilia e homossexualidade
5. Todos os padres são celibatários e alguns, além disso, são pedófilos e homossexuais
Conclusão: 3 em 1?
Nota: A questão central que o Cardeal Tarcisio Bertone parece ter esquecido é que a pedofilia é crime e a homossexualidade não.
Quanto à relação causal – pretensamente baseada em estatísticas – vale o que vale. Ou seja, zero.
O que me recorda uma anedota lida algures online: 33% dos acidentes de trânsito envolvem pessoas embriagadas. Logo, 67% envolvem pessoas completamente sóbrias. Conclusão: é sempre preferível conduzir bêbedo.

29/03/10

Padres pedófilos saltando como coelhos da cartola

Não sou cristã. Nem por convicção, nem por água benta. Em casa de meus pais pontificava Jean Barois.
Pequenina, sentia-me estranha no colégio por ser a única que não acreditava em Deus. Às vezes falava com Ele e pedia-lhe um sinal. Coisas pueris. Que chovesse num dia de sol. Que a marmelada da sanduíche se transformasse em queijo. Que a camisola de lã me deixasse de picar. Nunca obtive resposta.
Já crescida, li sobre a Inquisição e outros temas edificantes da historiografia cristã. Tive a minha fase mata-frades. Há uns anos, em Auschwitz, voltei a sentir vontade de despachar alguns elementos do clero, mas também já me cruzei com católicos interessantes.
Pela parte que me toca, irrita-me o Novo Testamento. Prefiro a neurose judaica ao sorriso da Teresa de Calcutá (do que é que ela ri, afinal?).
À Virgem Maria, reputo-a responsável por séculos de prazer subtraído às mulheres; e mesmo a única ideia evangélica na aparência simpática — a de que somos todos irmãos em Deus — subverteu-a o proselitismo: os que negavam o parentesco eram perfilhados à força.
Chegada aqui, não sou cristã mas também não sou ateia. Gosto de me pensar panteísta, à maneira de Espinosa ou de Einstein. Ao ateísmo acho-lhe sobretudo uma falha: empobrece a imaginação. Quanto a acreditar em Deus, lembro a frase de Hemingway, citada pelo escritor Lobo Antunes, quando lhe perguntaram por isso: “Às vezes, à noite, no escuro”.
Agora quanto aos pedófilos, é assim. As denúncias são demasiadas, e demasiado graves, para que se possa continuar na lengalenga do costume que todas as classes (???) têm defeitos (???) desse género (???) (em Portugal, ao que parece, a coisa resume-se mesmo ao Frederico da Madeira que bazou para o Brasil).
Não sendo católica, e reconhecendo que as religiões de Deus único não terão trazido assim tanto Bem ao mundo, confesso, porém, que fico um pouco assustada com a hipótese de a Ratzinger sucederem os Bob Proctor. É que o primeiro, ao que dizem, terá de responder ante Deus. O Deus dele. Mas pelo menos isso.

10/01/08

4 postites de uma vez e em forma de telegrama (não sei se «postites» vem no Acordo Ortográfico mas deve vir)

1. INVOCANDO O NOME DE DEUS EM VÃO
José Sócrates recusa referendo ao Tratado de Lisboa por uma questão de ética da responsabilidade.
Lido aqui.
Paulo Pedroso explicou que foi por “um imperativo ético” que decidiu apresentar uma acção cível contra o Estado português
Foi ensaiado ou é a ética que está na moda?
2. THAT'S ENTERTAINMENT!
Representatives of Madeleine McCann's family have spoken to an entertainment and media company about turning the story of her disappearance into a film. Clarence Mitchell, the spokesman for Gerry and Kate McCann, said the meeting with IMG before Christmas was positive, but that no deal had yet been signed. Lido
aqui.
Foda-se! (ultimamente ando a dizer muitas asneiras como se poderá confirmar de novo no post seguinte; peço desculpa)
3. DECIDAM-SE PORRA!
A Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) e o conjunto das agências nacionais da União Europeia alertaram para o “risco de ideias suicidas ou tentativas de suicídio” surgidos durante tratamentos com o medicamento Champix prescrito para deixar de fumar.
4. PERGUNTA DE 20 VALORES
Para que ninguém fique com a sensação que o Governo é mesquinho e quer ficar com o dinheiro seja de quem for, na primeira oportunidade pagará o aumento de Dezembro aos reformados (...), assegurou José Sócrates ontem na Assembleia da República.
A minha pergunta singela é:
Quando será a primeira oportunidade?
A pergunta de 20 valores, com intróito, é:
Não sei se ficou claro para todos: são 68 cêntimos por mês que o governo vai pagar aos reformados para não lhes entregar, em Janeiro, o aumento a que têm direito relativo a Dezembro. O secretário de Estado explicou na SIC essa sua tendência para a generosidade: «Não seria aceitável que os pensionistas recebessem um valor de pensão qualquer em Janeiro e no mês seguinte o valor do seu recibo de pensão era menor, diminuía.» Não seria nada aceitável. Está na cara. E quanto a juros, qual é o banco em que o governo tem conta? Lida aqui.

21/11/07

Post que Desagradará a alguns Frequentadores da Pastelaria mas Quem não Tiver Sentido de Humor Terá de Ir Comer Bolas de Berlim noutro Estabelecimento

Comentário sobre o nosso jardim à beira-mar plantado proferido por um emigrante de Leste - engenheiro na terra dele mas que aqui trabalha nas obras - todos os dias confrontado com novas desventuras casapianas: «País de pedreiros e paneleiros!».

16/10/07

Causas Justas

Esclareça-se. Se fosse a favor da pena de morte - o que não sou - o abuso sexual de crianças constaria da minha lista de crimes capitais. Acrescente-se. Num caso desses, a justiça por mãos próprias não me causa arrepios, nem na espinha nem na moralidade.
Posto isto: uma coisa sou eu, outra coisa é o Estado.
No início deste mês, a Interpol tornou pública a fotografia de um indíviduo de nome «Vico» que há anos anda a fazer circular na NET imagens de si próprio a abusar de crianças. O apelo para a localização do homem terá dado resultado e, ao que consta, sabe-se agora que o pedófilo vive na Tailândia.
À primeira vista, nada parece objectar a que, para encontrar um criminoso deste calibre, se declare aberta a caça ao homem.
Punhamos de lado pormenores despiciendos, tipo:
E se o meu vizinho do lado tiver uma cara mesmo parecida com o Vico e alguém (com legitimidade mas equivocado) lhe limpar o sarampo?
Pensemos antes no seguinte:
Um pedófilo não é criatura que nos fale ao coração. Se for dentro, tanto melhor. Mas o precedente veio para ficar. E qualquer dia poderá ser a nossa vez de aparecer na televisão do Metro, por muito que não gostemos de pedófilos.
Como dizia não sei quem: de vez em quando, até os paranóicos têm razão.

14/10/07

Do Fraco Consolo da Poesia

Não há quarto segredo, Bento XVI não virá a Fátima e Pedro Santana Lopes não falou.
Na Cova de Iria, os peregrinos fartaram-se de esperar pela abertura do novo templo, e com muito menos paciência do que a demonstrada por Job manifestaram-se ruidosamente: «Isto foi construído com o nosso dinheiro!»
Dinheiro que ascendeu, não sabemos se ao céu mas seguramente a cerca de 80 milhões de euros (o dobro do previsto): «Foi tudo pago com (o) que os peregrinos ofereceram a Nossa Senhora», garantiu o reitor do Santuário Luciano Guerra.
Nas declarações de Monsenhor - o mesmo que com sábia clarividência explicou ao Jornal de Notícias, a propósito da violência doméstica e do divórcio: «Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos» - não houve qualquer referência à obra, perdão, ao banco de Jardim Gonçalves, contra o qual vocifera de novo Joe Berardo com visível satisfação, a propósito da dívida de 12, 5 milhões de euros que terá sido perdoada a um grupo de empresas de que o filho do banqueiro, Filipe Jardim Gonçalves, era sócio.
Pergunto eu: além da soma ser bastante inferior à oferecida a Nossa Senhora, que pai não perdoaria a um filho?

Por falar em filhos, continua a saga Maddie: prova do avanço galopante da ciência, veio a público que o espermatozóide de Gery não fecundou a criança desaparecida. Terá sido ela levada pelos extraterrestres em que acredita Paul Allen da Microsoft, pelo menos o suficiente para doar 20 milhões de euros a um projecto que já espalhou 42 antenas parabólicas nos Estados Unidos em busca de contacto?
Note-se: 20 milhões de euros continuam a ser, ainda assim, menos dos que os 80 milhões da nova catedral de Fátima embora mais do que a dívida que Jardim Gonçalves terá perdoado.
Perdão e caridade também para Carlos Cruz que regressou, entretanto, aos palcos do Casino Estoril como apresentador de um espectáculo de fados, enquanto continua - alegremente - a decorrer nos tribunais o caso Casa Pia que recua aos idos de 2002 e para o qual, segundo Catalina Pestana, citando alguns juristas, foi criado expressamente o artigo 30 do novo Código Penal que atenua as penas referentes aos crimes de abuso sexual:
«Antes, um crime de abuso sexual contava as vezes que uma vítima era abusada; o actual Código Penal diz que um crime continuado de abuso sexual conta como um único crime. Eu percebo por que é que foi preciso esticar no tempo este processo, com o tribunal a permitir a repetição de perguntas ad infinitum»
Ao contrário de Carlos Cruz - a respeito de quem se repete à exaustão que é inocente até se provar ser culpado - a ex-Provedora tem vindo a ser criticada com veemência, nomedamente pela Associação dos Trabalhadores da Casa Pia de Lisboa, que a acusa de ter instalado um clima de terror na instituição. É um ponto de vista. E para quem ande distraído, recorde-se como o «ponto de vista» se tornou no princípio gnoseológico do mundo moderno.
Entretanto, o beato Al Gore arrecadou o Nobel da Paz - para descanso das boas consciências.

Por falar em ecologia, e porque o planeta rebenta pelas costuras, visivelmente overbooking apesar da baixa de natalidade ocidental, talvez seja uma boa notícia que, segundo um estudo realizado pelo Serviço de Biomédica e Ética Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, cerca de 50% das pessoas idosas institucionalizadas admitem a legalização da eutanásia.
E quando o Estado já é encarado como legítimo legislador da morte, que mais nos sobra? É o hegelianismo no seu apogeu: «O racional é real e o real é racional». Estamos lixados.

Herberto Helder em Os Passos em Volta será fraco consolo. Ainda assim:
Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo... Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é um modo subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos?