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03/01/25

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «O ano de todos os perigos»

«(...) Se por aqui – algures perdidos num cenário ratado ora pelo calor, ora pelo frio e sempre pela desertificação: um “deserto de almas” despojado de jovens e de arquitetura high-tech, sem Antonioni nem críticas ao capitalismo – não se sente o cheiro a napalm pela manhã, isso não significa que não estejamos a par das notícias. Apesar de resguardados dos males maiores do mundo – bem ou mal, as couves e as batatas continuam a crescer nas hortas e as galinhas a pôr ovos (pese embora as investidas das raposas…) –, não seremos poucos no monte a aguardar, tal como em Washington, D.C., Londres, Paris, Moscovo, Pequim ou Kiev, a tomada de posse de Donald Trump a 20 de Janeiro, o Presidente escolhido pelos norte-americanos que nos vem deixando em suspenso a todos.

28/02/12

“Em Fevereiro, tem Carnaval”

"O mês do ano em que os políticos dizem menos disparates é Fevereiro porque Fevereiro só tem vinte e oito dias" (Coluche, Paris 1944-1986).
Tal afirmação adequar-se-á, peut-être, ao país que inventou o croissant, o surrealismo e os saltos compensados de Nicolas Sarkozy, mas, por cá, manifestamente não cola. Em Fevereiro, a coisa correu entre nós rotineira.
O PS, inflado de patriotismo, interpelou firme e construtivamente o Governo sobre Olivença, cidade onde o alcaide inimigo prepara uma “megaprodução” comemorativa da infame Guerra das Laranjas (cada um tem as Malvinas que pode…).
Muito embaraçado terá ficado Paulo Portas, tanto mais que o MNE, logo no dia 1, havia nomeado (Decreto nº24/2012) Jaime Van Zeller Leitão embaixador não residente da (sic) “República do Kuwait” (e ainda falam das Novas Oportunidades…), a que se seguiu (a ordem é arbitrária) a pungente declaração de Assunção Cristas, ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (em suma, das gravatas…) revelando estar à espera que chova!
Fevereiro foi também o mês em que o jovem João Pinho de Almeida, ex-Presidente da Juventude Popular, ex-Presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses” e actual Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP (é o que se chamaria deslocalizar-se de cavalo para burro…), lançou o grito viril “Mobilidade ou Rua!”
Fomos também informados em Fevereiro que os cidadãos saudáveis que teimem em não ir ao médico durante três anos serão “expurgados” das listas de médico de família (ou adoecem ou morrem…); quanto à explicação para a crise surgira uns dias antes: batendo todos os 13 países inquiridos, 68% dos portugueses dizem fazer sexo duas ou mais vezes por semana.
Haja saúde!

17/01/12

Que bem nos faria um Coluche!



Les discours en disent long

Françaises, français, cette année c’était très bien, l’année prochaine ce sera pire.

Nous envisageons un redressement dans cinq ans. En effet, dans cinq ans, nous serons considéré comme un pays sous-développé auquel viendront en aide les pays industrialisés.

Les pauvres sont indispensables. La preuve : les Américains en ont, c’est quand même pas par snobisme.

De tous ceux qui n’ont rien à dire, les plus agréables sont ceux qui se taisent.

Si la Gestapo avait les moyens de vous faire parler, les politiciens d’aujourd’hui ont les moyens de vous faire taire.

Le mois de l’année où les politiques disent le moins de conneries, c’est le mois de février car il n’y a que 28 jours.

Les hommes politiques, j'vais vous faire un aveu, ne sont pas bêtes. Vous vous rendez compte de la gravité ? Ils sont intelligents. Ca veut dire que tout ce qu'ils font, ils le font exprès. Ils y réfléchissent, ils y pensent. Parce que, vous comprenez, si c'était des cons, ça irait tout seul. On dirait : « Bon, beh, c'est des cons. » Nan, nan, nan, nan. Les présidents et les dirigeants des pays qui ont laissé crever l'Afrique, l'Amérique du Sud et bientôt les Indes, c'est des gens qui le font
exprès.

Les hommes politiques et les journalistes ne sont pas à vendre. D’ailleurs, on a pas dit combien.

29/03/11

Se não sabe por que é que pergunta

Dei-me ao trabalho de ler, com estes que a Terra há-de comer que eu cá não vou em cremações, que se visava assegurar uma trajectória descendente do rácio de dívida pública no PIB a partir de 2013, assim como a redução do défice de 4,6% do PIB em 2011, 3% em 2012 e 2% em 2013, e que para assegurar o ajustamento orçamental estaria em curso uma implementação de medidas de consolidação orçamental para 2011 – ajustamento estrutural do défice em 5,3% do PIB – que implicariam um reforço dos mecanismos de monitorização e controlo intra-anual da execução orçamental, assim como um reforço das medidas de consolidação adoptadas como precaução adicional face aos riscos resultantes da volatilidade do contexto financeiro e económico e que, para assegurar tal ajustamento, o esforço de consolidação e monitorização em curso, agora complementado com medidas adicionais em 2011, conferia uma margem de segurança adicional para o alcance da meta de 4,6% do PIB para o défice em 2011 e contribuia para o ajustamento da trajectória orçamental em 2012 e 2013, o qual teria de ser complementado por medidas nos anos seguintes, atenta a exigência das metas assumidas.

Tais gloriosas e singulares cousas – como diria Camões – só antes as lera no Campanha Alegre do Eça naquela cena em que, interrogado sobre as suas ideias em matéria de religião, o Partido Reformista respondia:
– Economias! (...).
Espanto geral.
– Bem! e em moral?
– Economias! – bradou.
– Viva! e em educação?
– Economias! – roncou.
– Safa! e nas questões de trabalho?
– Economias! – mugiu.
– Apre! e em questões de jurisprudência?
– Economias! – rugiu.
– Santo Deus! e em questões de literatura, de arte?
– Economias! – uivou. (...)
Fizeram-se novas experiências. Perguntaram-lhe:
– Que horas são? – Economias! – rouquejou.
(...) Fez-se uma nova tentativa, mais doce.
– De quem gosta mais, do papá, ou da mamã?
– Economias! (...)

Muito mais tarde o Coluche diria o mesmo, embora de forma diversa e em francês: Technocrates, c'est les mecs que, quand tu leur poses une question, une fois qu'ils ont fini de répondre, tu comprends plus la question que t'as posée.