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18/06/22

NO MEIO DE UM SILÊNCIO QUE DEVIA ENVERGONHAR TANTO CAMPEÃO DA LIBERDADE, O APLAUSO PARA O EDITORAL DO GUARDIAN SOBRE JULIAN ASSANGE

«The decision by Priti Patel, the home secretary, to extradite the WikiLeaks founder Julian Assange to the US ought to worry anyone who cares about journalism and democracy. Mr Assange, 50, has been charged under the US Espionage Act, including publishing classified material. He faces up to 175 years in jail if found guilty by a US court. This action potentially opens the door for journalists anywhere in the world to be extradited to the US for exposing information deemed classified by Washington.
The case against Mr Assange relates to hundreds of thousands of leaked documents about the Afghanistan and Iraq wars, as well as diplomatic cables, which were made public by WikiLeaks, working with the Guardian and other media organisations. They revealed horrifying abuses by the US and other governments that would not otherwise have been disclosed. Despite claiming otherwise, US authorities could not find a single person, among the thousands of American sources in Afghanistan and Iraq, who could be shown to have died because of the disclosures.
Mr Assange, who has a reputation for being a brilliant but difficult character, has suffered enough. Until 2019 Met police had waited seven years for him to emerge from the Ecuadorian embassy in London. Since then he has spent three years in Belmarsh high-security prison without being convicted of any crime. Mr Assange should have been given bail to be with his wife and their two young children. To keep track of him, the authorities could have insisted that he be electronically tagged and monitored.
The use of the Espionage Act to prosecute him should be seen for what it is: an attack on the freedom of the press. As the Knight First Amendment Institute’s Carrie DeCell wrote in 2019, when the charge sheet was published, “soliciting, obtaining, and then publishing classified information ... [is] what good national security and investigative journalists do every day”.
Ms Patel could have turned down the American request. Britain should be wary of extraditing a suspect to a country with such a political justice department. Her predecessor Theresa May halted the extradition proceedings of Gary McKinnon, who hacked the US Department of Defense. The UK could have decided that Mr Assange faces an unacceptably high risk of prolonged solitary confinement in a US maximum security prison. Instead, Ms Patel has dealt a blow to press freedom and against the public, who have a right to know what their governments are doing in their name. It’s not over. Mr Assange will appeal.
The charges against him should never have been brought. As Mr Assange published classified documents and he did not leak them, Barack Obama’s administration was reluctant to bring charges. His legal officers correctly understood that this would threaten public interest journalism. It was Donald Trump’s team, which considered the press an “enemy of the people”, that took the step. It is not too late for the US to drop the charges. On World Press Freedom Day this year, the US president, Joe Biden, said: “The work of free and independent media matters now more than ever.” Giving Mr Assange his freedom back would give meaning to those words.»

05/04/11

Onde está a WikiLeaks quando precisamos dela?

Presidência esclarece que aquele órgão não presta esclarecimentos sobre o Conselho de Estado (...), pelo que cada conselheiro é responsável pelo que diz. Quanto à acta da reunião em que foi discutida a situação de Portugal e a dissolução do Parlamento, ainda não está feita e estará sob segredo durante 30 anos.

A fotografia foi retirada deste painel aqui.

24/02/11

18/12/10

É por isso que o país não avança: há gente que reflecte demais e quanto às mulheres da limpeza não viram passar ninguém vestido de cor de laranja

A esquerda e a direita — decididamente — já não são o que eram. Enquanto nos EUA há republicanos indignados com as tentativas de silenciamento e criminalização da WikiLeaks (ver aqui) em Portugal uma larga faixa de gente que se assume de esquerda interroga-se, medita, tem dúvidas. Em alternativa, desconsidera o fenómeno.
O argumento mais recente avançado por esta esquerda inquieta (e cá para mim inquietante) vem embalado num twist pouco gracioso que tenta matar dois coelhos com uma só cajadada.
Diz o argumento (versão requentada do alfaiate do panamá): quem nos garante, afinal, que, para mostrar serviço, os embaixadores não tenham contado uma data de aldrabices nos telegramas?
Lançada a dúvida, avança-se com o segundo golpe: os radicais anti-americanos, sempre tão críticos dos states, deram para acreditar piamente em tudo o que os telegramas dizem. Ah! Ah! Ah! (isto é a esquerda inquieta a rir dos radicais anti-americanos).

Deixando de lado o facto de conceitos como “verdade”, “liberdade”, “democracia” não dependerem dos seus proponentes (mais ou menos radicais), não nos podemos deixar de surpreender com esta vaga súbita de inquietação metafísica, absolutamente rendida à Eigentlichkeit heideggeriana (que me vão permitir que traduza por “Autenticidade”).
A síntese da coisa surgiu há já alguns dias e veio assinada por esse paladino do pensamento complexo que dá pelo nome de Valupi: Os imbecis da esquerda imbecil confiam cegamente em qualquer coisa que a diplomacia norte-americana ponha por escrito. Extraordinária revelação.
Valupi faria escola
. O único senão é que, enquanto a propósito do fenómeno WikiLeaks (e da referida revelação) alguns vão tendo orgasmos intelectuais múltiplos e outros insinuando até teorias conspirativa quiçá com origem na América, o país real contenta-se com questões mais prosaicas. Um exemplo.

Ao tempo das investigações oficiais sobre os voos da CIA andaram a perguntar às mulheres da limpeza dos aeroportos se tinham visto passar alguém agrilhoado e com uns fatos-macacos laranja...

Vendo bem, são uns para os outros. E como é Portugal ninguém leva a mal.
Ou conhecem mais algum país onde não houvesse a porra de um jornalista que perguntasse o que raio são voos de repatriamento: e para onde os repatriavam, senhor ministro da presidência? para o RITZ lá do sítio?
De facto, chega uma altura em que não há paciência para tanto imbecil junto.

16/12/10

Eles nunca leram Mark Twain

When in doubt tell the truth.
(Imagem de Tiago Petinga/LUSA)

O Câmara Corporativa clama pela padeira de Aljubarrota

Enquanto dormis o sono dos justos, nas calles madrilenas forjam-se ataques soezes ao berço do condestável e às probas carcaças do panteão. Mas lede, lede o João Magalhães; observai como o El Pais escarnece de mais um ditoso filho da pátria e enlameia Portugal:

O El Pais garante, em título, que “Sócrates aprovou em segredo os voos a partir de Guantanamo”. E escreve, no texto, que tal autorização seria feita “caso por caso en determinadas circunstancias”. (…) Se o El Pais quisesse fazer jornalismo – e não apenas atirar lama sobre Portugal (…) – era esta a história que contaria.

Não é Sócrates que se conspurca, leitores — não é o Governo, não é o PS, não é o Estado, não são as instituições: é o povo, é a raça, é a nação.

Ah, canalha de Aragões. Nada aprendestes com Aljubarrota.
LIDO AQUI (e sem a ajuda do Google Reader)

Yes! Yes! Yes!

Apesar de tudo, uma vitória para a democracia (eu sei, a frase é um bocado pomposa mas de momento é o que se pode arranjar)

Não é por ser d'après Baudrillard que uma aldrabice deixa de o ser

Fernanda Câncio cita João Lopes.
Gostei muito de um livro de reportagens da Fernanda Câncio. E costumava gostar muito do que escrevia João Lopes, mesmo quando não gostava dos filmes de que ele gostava (vai no passado porque há muito tempo que não o leio).
Dito isto, escusam de vir com Sade, Baudrillard e o ódio à América porque não pega. A coisa é muito mais simples.
A América iniciou uma guerra por motivos ínvios. Provocou milhares de mortos, iraquianos mas também americanos, sem justificação. Bush devia ser julgado por crimes de guerra, se o mundo fosse um lugar justo. Não é. Ainda assim, uma aldrabice é uma aldrabice. E não é preciso ter lido La philosophie dans le boudoir para perceber isto.

Oh no, not again: Amado diz que Sócrates está a ser alvo de um "ataque pessoalizado"

Há muito tempo que não ouvíamos falar de uma campanha negra contra o Grande Timoneiro.

12/12/10

Zé Manel Fernandes: toma, embrulha e esforça-te mais um bocadinho


Os convertidos são sempre os piores. Por isso, ao contrário do Zé Manel Fernandes, o congressista republicano Ron Paul faz as perguntas certas.

E fá-las no pressuposto — não negociável — de que in a free society, we are supposed to know the truth. In a society where truth becomes treason, we are in big trouble (e esta também podia ser para o Pacheco Pereira).

DAQUI.

Não vem no Wikileaks nem ninguém lhe perguntou nada mas José Manuel Fernandes garante que não esteva na cama com Assange*

"(...) Refere-se à prisão de Assange? Não estive nas camas em que ele se meteu na Suécia (...)"
AQUI, a partir DAQUI.
*Dadas as óbvias conotações sexuais que este caso vem assumindo, talvez estivesse na altura de alguém desenterrar o Reich.

05/12/10

Estar com ou contra Julian Assange [porque há coisas que são mesmo assim: ou preto ou branco]


Uns querem vê-lo morto. Outros querem vê-lo preso. Há quem lhe chame anarquista e há quem lhe chame embusteiro. Para mim, Julian Assange é um herói.
Eu sei que a palavra não faz as delícias de uma certa esquerda (a luta de classes como motor da história e tal…), e que a direita, tradicionalmente, embora aprecie o termo neste caso não o adopta.
Dito isto: as últimas revelações da WikiLeaks não são sobre o botox do Muammar al-Gaddafi, como alguns pensam ou pensaram. A prova está na escala da perseguição a que se viu sujeito Assange desde que os telegramas diplomáticos começaram a vir a público.
A coisa foi em crescendo. Com os pretos do Quénia, claro, ninguém se importou muito. A guerra no Afeganistão e no Iraque fez mossa, mas quem no seu juízo perfeito ainda acredita na treta do War on Terror?
Quando se chegou à diplomacia, o que aconteceu foi que os EUA foram expostos ao ridículo (e também, precisamente, por causa do botox do outro). A ameaça pende agora sobre um Banco e sobre a Indústria Farmacêutica e com esses não se brinca. Mesmo.
Aos que duvidam da idoneidade da WikiLeaks ou defendem o secretismo estatal (muito ou só um bocadinho…) apenas queria dizer isto: tivesse existido a WikiLeaks há mais tempo e coisas como as sanguinárias ditaduras latino-americanas (diplomaticamente preparadas pelos EUA) não teriam existido. Resta-nos o consolo de que, no futuro, talvez os militares dos Apache comecem a ter mais cuidado quando brincam ao tiro ao alvo.
*O vídeo acima não é para Pessoas Sensíveis.

02/12/10

Gabinete de Sócrates na vanguarda da diplomacia internacional mostra ao mundo como se lida com criminosos tipo Assange

Hillary Clinton deve estar muito arrependida por não ter telefonado aos assessores de Sócrates para lhes pedir conselho sobre o que fazer face às revelações da Wikileaks. Afinal, enquanto a americana se desfaz freneticamente em telefonemas, cartas, conferências de imprensa, pedidos de desculpa e ameaças, o gabinete do primeiro-ministro limitou-se a uma declaração lacónica muito mais eficaz: Não comento! Não comento! Não comento!
Perante o sincretismo do governo português, a embaixada dos EUA em Lisboa já terá enviado um telegrama confidencial para Washington (que será relevado pela Wikileaks a seguir ao dia dos Reis), onde se sugere que as autoridades norte-americanas adoptem, embora tardiamente, a mesma atitude.
O porteiro da embaixada ter-se-á mostrado, todavia, reticente quanto à eficácia do no comments fora das nossas fronteiras.
Segundo o referido funcionário, que preferiu manter o anonimato e vive há cerca de 40 anos entre nós, só num país de poetas a negação da realidade é uma estratégia viável.

Post dedicado a Luís Amado [com música a condizer]


Agora, seria nossa vantagem acariciá-lo (???!!!) muito, frase final de um telegrama enviado pela embaixada norte-americana em Lisboa, a 18 de Outubro de 2006, a propósito dos voos da CIA de Guantánamo e referindo-se expressamente ao iluminado Luís Amado.

30/11/10

A queda em directo e ao vivo


Apesar do tom “telenovelesco” da maior parte dos documentos diplomáticos norte-americanos que têm chegado a público, cedidos pela Wikileaks, um assalto desta dimensão não é para brincadeiras.
Anda tudo a assobiar para o lado, com poucas excepções (uma foi Chávez que já veio dizer as coisas do costume), mas que os EUA se expuseram ao ridículo expuseram.
Podem os próprios — e os visados nos telegramas — fazer diplomaticamente de conta que continua tudo bem. No fundo, no fundo, estamos a assistir ao vivo e em directo à queda de um Império.
The times they are a-changin. Ou como bem disse o Tom Waits, "estamos no meio de uma revolução [só que desta vez] ninguém sabe de que lado vêm as pedras".