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06/10/13

O Eduardo Pitta não sabe usar o google? E terá lido o Magris?

Ninguém é perfeito. Nem eu nem o Billy Wilder que é o mais próximo da perfeição que conheço.
Toda a gente asneira de vez em quando. Mas já lá dizia o velho Sócrates que não há ninguém mais ignorante do que aquele que não sabe que não sabe.

Num país de cegos quem tem olho é rei. Com o google, a miopia ficou difícil de disfarçar. É como aqueles homens que a gente encontra sozinhos à noite ao fundo de um balcão e cujo olhar, cerrado e compenetrado, nos parece profundo e inteligente. Vai-se a ver e o problema é a falta de óculos.

Resumindo: por que é que o Eduardo Pitta passa a vida a dizer asneiras de cátedra e ainda por cima daquelas fáceis de evitar?

"Este ano, a Academia sueca recebeu 195 propostas de todo o mundo. A recepção fechou em Março. Desses 195 nomes, a Academia considerou 48. Este considerar não tem nada a ver com a maior ou menor relevância do autor. A formalização da proposta obedece a critérios que têm de ser respeitados. A 30 de Maio foram escolhidos os cinco nomes da shortlist.Essa shortlist é secreta mas nos círculos bem informados de Estocolmo, especula-se que possa ser composta pelo israelita Amos Oz, 74 anos; o austríaco Daniel Kehlmann, 38 anos; os americanos Don DeLillo, 76 anos [em Novembro fará 77], e Jonathan Franzen, 54 anos; e o judeu-húngaro Imre Kertész, 83 anos [em Novembro fará 84]. A ver vamos. Por mim, tenho muita pena que o italiano Claudio Magris, 74 anos, não entre nestas contas." 

Mas não bastava ir ao site do Prémio Nobel e poupar-se aos disparates?

Descoberto AQUI

27/04/12

De como uma aldrabice do eduardo pitta me levou a este maravilhoso poema ou deus escreverá direito por linhas tortas [obrigada, nuno, sejas tu quem fores]

ESTE POST TEM QUE VER COM ESTE (cf. caixa de comentários)

"Escrevo ainda sobre o livro de contos Nos Sonhos Começam as Responsabilidades, de Delmore Schwartz (1913-1966), a obra que o consagrou. Admirado por Nabokov e T. S. Eliot, Schwartz é um dos poetas mais importantes dos anos 1930-40 americanos. Convidado habitual da Casa Branca, morreu aos 52 anos na miséria extrema. (...)."
[do senhor citado mais abaixo]

"In addition to being known as a gifted writer, Schwartz was considered a great conversationalist and spent much time entertaining friends at the White Horse Tavern in New York City."
[daqui]


E AGORA VAMOS AO QUE INTERESSA






Nothing is given which is not taken.

Little or nothing is taken which is not freely desired,
       freely, truly and fully.

"You would not seek me if you had not found me": this is
       true of all that is supremely desired and admired...

"An enigma is an animal," said the hurried, harried 
        schoolboy:

And a horse divided against itself cannot stand;

And a moron is a man who believes in having too many 
       wives: what harm is there in that?

O the endless fecundity of poetry is equaled 
By its endless inexhaustible freshness, as in the discovery
        of America and of poetry.

Hence it is clear that the truth is not strait and narrow but infinite:
All roads lead to Rome and to poetry
        and to poem, sweet poem
       and from, away and towards are the same typography.

Hence the poet must be, in a way, stupid and naive and a 
       little child;

Unless ye be as a little child ye cannot enter the kingdom 
        of poetry.

Hence the poet must be able to become a tiger like Blake; a
       carousel like Rilke.

Hence he must be all things to be free, for all impersonations
a doormat and a monument
to all situations possible or actual
The cuckold, the cuckoo, the conqueror, and the coxcomb.

It is to him in the zoo that the zoo cries out and the hyena:
"Hello, take off your hat, king of the beasts, and be seated, 
Mr. Bones."

And hence the poet must seek to be essentially anonymous.
He must die a little death each morning.
He must swallow his toad and study his vomit
as Baudelaire studied la charogne of Jeanne Duval.

The poet must be or become both Keats and Renoir and
Keats as Renoir.
Mozart as Figaro and Edgar Allan Poe as Ophelia, stoned 
out of her mind
drowning in the river called forever river and ever...

Keats as Mimi, Camille, and an aging gourmet.
He must also refuse the favors of the unattainable lady
(As Baudelaire refused Madame Sabatier when the fair 
blonde summoned him,

For Jeanne Duval was enough and more than enough, 
although she cuckolded him
With errand boys, servants, waiters; reality was Jeanne Duval.
Had he permitted Madame Sabatier to teach the poet a greater whiteness,
His devotion and conception of the divinity of Beauty
would have suffered an absolute diminution.)

The poet must be both Casanova and St. Anthony,

He must be Adonis, Nero, Hippolytus, Heathcliff, and
Phaedre,
Genghis Kahn, Genghis Cohen, and Gordon Martini
Dandy Ghandi and St. Francis,

Professor Tenure, and Dizzy the dean and Disraeli of Death.

He would have worn the horns of existence upon his head, 
He would have perceived them regarding the looking-glass, 
He would have needed them the way a moose needs a hatrack;
Above his heavy head and in his loaded eyes, black and scorched,
He would have seen the meaning of the hat-rack, above the glass
Looking in the dark foyer.

For the poet must become nothing but poetry, 
He must be nothing but a poem when he is writing 
Until he is absent-minded as the dead are
Forgetful as the nymphs of Lethe and a lobotomy...
("the fat weed that rots on Lethe wharf").



DAQUI

26/04/12

É Portugal, ninguém leva a mal, mas depois não venham com a treta que eu embirro com o Eduardo Pitta e etc.


Um crítico literário é uma pessoa como as outras. Se acreditarmos em Empédocles – e não vejo razões para não acreditarmos –, nele se misturam os quatro elementos constitutivos do mundo – a saber: água, ar, fogo e terra – tal como acontece a tudo quanto existe no Universo.
Por não ser um ser à parte, encontrando-se, como a totalidade das coisas existentes, sujeito à Lei do Amor e do Ódio, da União e da Separação, o crítico literário não tem como fugir à Teoria dos Humores hipocrática. Teremos, assim, o crítico de temperamento sanguíneo, de temperamento melancólico, colérico (bilioso) e, finalmente, fleumático.
Num plano ideal, o crítico literário saberá encontrar o equilíbrio entre estes 4 humores primordiais. Num plano mais ideal ainda, será capaz de se lançar na cratera do Etna em defesa de um livro.
O espírito, na verdade, está ansioso, mas a carne é fraca.” (Mat. 26:41). Assim, raros são os críticos que alguma vez se lançaram no Etna. Ao invés, arrebatados pela ignara rebeldia própria das criaturas humanas, muitos são os que confessam ter cedido à tentação dos versos do poeta: “Ai que prazer / Não cumprir um dever, / Ter um livro para ler / E não o fazer!”
Pelo seu valor literário, as fraquezas humanas enternecem-me. E isto vale também para os críticos. Existem, contudo, limites. Um desses limites, que tenho para mim como axioma, é que um crítico deve, no mínimo, ser capaz de falar de um livro que não leu.
Sei que a vida está difícil. Não vou armar-me em franciscana e dizer que dinheiro não tem importância. Nem vou armar-me em wittgensteiniana e dizer que um ensaio vale um “tuíte”. Concordo que queimar pestanas a ler um volume denso de mais de 500 páginas devia ser mais valorizado. O facto, porém, é que o Saul Bellow não tem culpa de a crítica literária ter descido em Portugal ao nível dos call center.
E nem era preciso ter lido o livro (O Legado de Humboldt, Saul Bellow, Quetzal) – bastaria talvez ler a contracapa  para saber que Humboldt nunca esteve “atolado em álcool e dívidas”, nem sofreu nenhum “penoso processo de divórcio” ou teve “uma amante cara”. Também me parece arriscado afirmar que “a história de Humboldt tem todos os ingredientes de um thriller com trânsito por Chicago, Madrid e Paris”, tanto mais que, em 527 páginas, só se sai, provisoriamente, do “Novo Mundo” na página 440, a 87 páginas do final. Finalmente, bastaria googlar com mais cuidado, para saber que, n' O Legado de Humboldt, o poeta Delmore Schwartz não se chama Charlie Citrine, mas precisamente Von Humboldt Fleisher.
O mistério maior para mim, porém, consiste no seguinte: como é que alguém, tendo entre mãos este portento, lhe resiste e o acha ainda assim notável? 

Hoje na Sábado escrevo sobre O Legado de Humboldt, de Saul Bellow (1915-2005), livro que em 1976 lhe valeu o Pulitzer (ficção) e o Nobel da Literatura. O romance ficciona a vida do poeta Delmore Schwartz (1913-1966), de quem a editora Guerra & Paz acaba de publicar a famosa colectânea de contos Nos Sonhos Começam as Responsabilidades. Mas pode alhear-se do item Schwartz  —  que no livro se chama Charlie Citrine  —, porque O Legado de Humboldt é na realidade um thriller muito bem esgalhado com todos os ingredientes do género (...).

"O leitor pode alhear-se dos envios, que vão de Shakespeare a Edith Sitwell, sem esquecer Diderot, Joyce e outros. Atolado em álcool e dívidas (um penoso processo de divórcio, uma amante cara), a história de Humboldt tem todos os ingredientes de um thriller com trânsito por Chicago, Madrid e Paris. Longe de ser um livro de mexericos, a verrina faz dele um notável romance de ideias."




22/09/11

Eduardo Pitta descobriu que, afinal, Sócrates não era o salvador da pátria... e em seguida foi comer profiteroles

O blogger Eduardo Pitta não faz a coisa por menos: "a Europa está à beira da implosão" e Portugal "não conta no desenho do novo Reich".
Seguro do seu radicalismo apocalíptico que, garante, será revelado ao mundo no prazo de 15 dias ou, pelo menos, até ao Natal, conclui que andamos a perder tempo com miudezas: "o governo que está é irrelevante. Este ou qualquer outro (menos acriançado)".
O itálico é dele e os profiteroles também. É o que dá, dez anos depois, querer imitar o estilo mordaz, seco e inimitável de Bellow.
Como diria (e disse), a propósito de Mark Steyn, Martin Amis (escritor igualmente mordaz e seco e com a grande vantagem de ter convivido longamente com Bellow antes de este ter morrido): "dei por mim a decidir que o sentido de decoro do Sr. [Pitta] deverá ser quase inumanamente escasso."

04/08/11

Portugal não é para levar a sério [alguém que chame o 112 para nos tirar daqui]

Os partidos do chamado arco da governação, após coincidirem na votação do Orçamento Rectificativo (PSD, CDS e PS), descobriram que, afinal, tinham divergências graves.
Tão graves que um deputado chamado Manuel Pizarro, do PS, já veio exigir um pedido de desculpas público ao PSD.
Lendo a notícia, percebe-se que se trata de uma divergência de vida ou de morte.
E se isto não é a silly season, eu sou o Eduardo Pitta.

21/07/11

What a Dick!

Eduardo Pitta não pára de me surpreender. Após Cormac McCarthy, o versátil crítico comenta agora Por Este Mundo Acima, de Patrícia Reis, na revista Sábado.
Eduardo Pitta diz que Patrícia Reis “em poucos anos, marcou o território da voz própria”. Acrescenta que a “geografia dos afectos sobrepõe-se à desolação”, que o livro é um “corajoso exercício de mnemónica” e que “as personagens discreteiam com naturalidade sobre os mais diversos temas”.
Ficamos também a saber que há uma personagem chamada Pedro e que “o passado cabe inteiro num quarteirão em ruínas”.
Pitta exemplifica a “dimensão de destruição, terrífica, monumental, inesperada […] para mim como uma moldura do Mal onde Pedro se desloca, estrangeiro” (in Por Este Mundo Acima), citando outra passagem do romance que é assim: “A livraria municipal, a pastelaria da moda, o Galeto que fechava às duas e servia refeições a toda a hora.”
Apresenta-nos depois Sofia, “mulher-bunker” (Pitta) que não terá tido tempo de ser menina. Segundo o crítico, “entre os 7 e os 11 anos, o pai, veterano de guerra, não deixou. Cala os abusos e advém mulher”.
A seguir a Sofia advém um rapaz, Eduardo, cujo "altruísmo faz dele um homem"(Pitta), o qual, a dado momento, “parte outra bolacha em quatro, desajeitado, e oferece-me dois pedaços.” (in Por Este Mundo Acima)
Na "moldura do Mal" de Patrícia Reis há (Pitta dixit) uma “estação do metropolitano que sobra intacta para instalar um centro de dia.”; “No Inverno é um bom sítio para estar; para evitar o contacto com a chuva” (in Por Este Mundo Acima).
Mas onde a crítica de Pitta nos alucina mesmo é neste parágrafo: “Não sei se Patrícia Reis é ou foi leitora omnívora de Philip K. Dick, mas alguma coisa do seu (dele) universo fantasmático passou para este romance de uma Lisboa pós-hecatombe. A tradição oral sobrevive num punhado de versos de Ary dos Santos: “Agarro a madrugada/como se fosse uma criança,/uma roseira entrelaçada,/uma videira de esperança.”
Cormac McCarthy; Patrícia Reis; Philip K. Dick; Ary dos Santos. Insondáveis são os caminhos de Pitta!

19/07/11

Eduardo Pitta comenta Cormac McCarthy: o resultado é apocalíptico

Eduardo Pitta escreveu sobre Cormac McCarthy na última edição da revista Sábado. Confirmei o que já sabia. Cormac McCarthy é um escritor de génio. Eduardo Pitta é um “crítico” medíocre.
Transcrevo o texto de Pitta com algumas anotações a itálico. Peço-vos só que não adormeçam: é que ele a mim dá-me sono.

«Por causa de um filme dos irmãos Coen, “Este País não É para Velhos”, Cormac McCarthy (n.1933) tornou-se o santo-e-senha das classes médias urbanas. [Escreve-se tornou-se no... mas isso ainda será o menos]
«Antes disso, quando comparado com Melville ou Faulkner, ainda McCarthy era ignorado pela maioria dos actuais devotos. Não se percebe. [Eu de certeza que não percebo. Terá McCarthy deixado, entretanto, de ser comparado a Melville ou a Faulkner por causa dos actuais devotos?]
«Afinal, há mais de duas décadas que o autor de “Nas Trevas Exteriores” é uma figura incontornável da literatura de língua inglesa. [Adoro o adjectivo “incontornável”: é quase tão bom como “giro” ou “interessante"]
«Dupla injustiça, se pensarmos que estão traduzidos em Portugal nove dos 10 romances que escreveu. Paulo Faria traduziu oito, um deles (“Meridiano de Sangue”, 1985) duas vezes, sendo a nova versão do fim de 2010.» [Longe de mim pôr em causa os dotes contabilísticos de Eduardo Pitta, um reformado do Ministério da Economia, mas não seria já altura de falar do livro? A não ser que se entenda que toda a prosa anterior visa insinuar que o incontornável Pitta há pelo menos duas décadas que lê Cormac McCarthy e nada de misturas com os actuais-devotos-das-classes-médias-urbanas, esses parolos que antes do filme dos Coen nunca tinham ouvido falar do homem...]
«”Nas Trevas Exteriores”, segundo livro de McCarthy, acaba de chegar às livrarias. A tragédia de Rinthy e Culla Holme foi publicada em 1968 sem que o tema do incesto entre irmãos tivesse provocado a rejeição universal que suscitaria hoje. [Alguém que explique a Pitta o que é uma parábola que eu agora não tenho tempo para temas fracturantes. E, já agora, alguém que lhe explique também que, não, o Nabokov não queria – na realidade – dormir com a Lolita].
«Pelo contrário, ajudou a consolidar a reputação sanguinária do autor, corroborada por críticos tão diferentes como Harold Bloom e James Wood. [Se o Pitta me conseguir mostrar onde é que os críticos citados chamaram sanguinário ao McCarthy, juro que vou de joelhos a Fátima].
«A tradução traz o selo inconfundível de Faria: “A criança lançou brados como imprecações, amaldiçoando o obscuro mundo paludoso da sua natividade, urro após urro, enquanto ele ali jazia a balbuciar com os gonzos da mandíbula paralisados, as mãos a repelir a noite como um Paracleto néscio sitiado por todos os clamores do limbo.” McCarthy e Faria dão o mais alto conseguimento ao horror, ilustrado na imagem do esqueleto do bufarinheiro a desfazer-se ao vento, “suspenso naquela floresta solitária como uma gaiola feita de osso.”
«Centrada em Appalachia, uma região inóspita da Virgínia, a intriga é linear: Rinthy e Culla Holme têm um filho que o rapaz abandona (ainda bebé) na floresta. [1. Se Pitta se tivesse dado ao trabalho de ler pelo menos o Prefácio do tradutor que tanto parece elogiar teria lido isto: “Se nos três outros romances da primeira fase da obra de McCarthy [...] a minuciosa localização geográfica serve de matriz a uma narrativa tantas vezes habitada por espectros e por criaturas fantásticas, em Nas Trevas Exteriores o local onde tudo se passa é bem menos claro: estamos no Sul dos Estados Unidos, é certo, mas onde? No Tennessee onde McCarthy viveu infância e juventude não deverá ser, já que aí não existem aligátores que possam soltar bramidos surdos nas margens dos rios. O cenário impreciso reforça a atmosfera onírica que tudo envolve...” 2. E se se tivesse dado ao trabalho de ler apenas as 12 primeiras páginas do livro saberia que Culla Holme não abandona o filho ainda bebé – mas imediatamente após Rinthy ter dado à luz. 3. Quanto à “intriga linear”, aconselhava-o a ler um pouco mais do que resumos na NET...]
«O interesse radica na economia discursiva com que o autor narra os factos, sem trair preciosismos dialectais dos nativos. [Querem lá ver que o Pitta leu o livro no original e decifrou os "preciosismos dialectais dos nativos", enquanto os próprios americanos continuam às aranhas?]
«Os excessos barrocos da linguagem de McCarthy sobrelevam a violência e devastação geral, detalhe que se tornou lugar-comum em livros posteriores. [1. Não há nenhuma devastação geral em "Nas Trevas Exteriores" (Pitta deve ter visto “A Estrada” do John Hillcoat, filme inspirado no livro homónimo de McCarthy e confundiu tudo...) e se houvesse nunca seria um detalhe; 2. alguém lhe devia explicar a diferença entre “comum” e “lugar-comum”]
«Não obstante, “Nas Trevas Exteriores” tem uma quota nítida: “Holme viu a lâmina relampejar à luz como um comprido olho de gato, oblíquo e malévolo, e um sorriso escuro irrompeu na garganta do menino e alargou-se, todo ele disforme, sobre a pele do pescoço.” [A quota será nítida, mas que raio quererá Pitta dizer?]
«McCarthy faz a cartografia da violência americana como ninguém antes ou depois dele. [Blá... blá... blá...]
«Contudo, apesar de toda a eloquência, “Nas Trevas Exteriores” está longe da fúria apocalíptica de “Meridiano de Sangue”. [Dado o extraordinário naco de prosa transcrito, sei lá eu se Pitta folheou o “Meridiano de Sangue”!]
Resumindo: Ainda falam da Lili Caneças!

02/07/11

Ceci, naturalmente, ce n'est pas une polémique

Há pessoas de quem gosto muito. Há pessoas de quem gosto. Ponto.
Há ainda pessoas que me são indiferentes (a maioria). E outras que me dão sono. Pitta pertence a esta última categoria. Faz-lhe companhia João Carlos Espada.
Ambos parecem cultivar uma leitura sui generis do "estilo british", versão Rainha Vitória, embora o primeiro seja conhecido pelo seu apoio aos chamados "temas fracturantes". Deduzo, talvez erroneamente, que Espada o tenha adoptado ofuscado por Oxford e Pitta em alguma farm próxima da África do Sul.
Seja como for, os dois recordam-me sempre a resposta de uma amiga a um beto armado aos cágados com quem ela se cruzou um dia.
Diz o beto armado aos cágados: "A mãe morreu!" Responde a minha amiga: "A tua! A minha está viva e de excelente saúde".
Resumindo. Ao contrário da Rainha citada, we are most amused com a dúvida que tomou de assalto Pitta, a qual nos propomos, aliás, esclarecer de imediato: não, não fomos convidadas para secretariar pessoalmente João Gonçalves.

10/04/11

Do Platão ao bailinho da Madeira passando pelas favas acaralhadas

O retrato do artista enquanto saltimbanco, tão difundido ao longo do século XIX em imagens hiperbólicas e voluntariamente deformadoras, renasceu, no nosso tempo, graças aos ‘festivais de literatura’. Curiosamente, a arte literária, que tinha ficado fora do retrato, tornou-se entretanto o seu modelo de eleição. Os festivais onde o escritor se apresenta como saltimbanco têm os seus antepassados no teatro de feira, nas “fêtes foraines”, no mundo cómico e farsante das “troupes”, dos “bouffons” e dos acrobatas. Pese embora o esforço que muitos participantes fazem para disfarçar essa incómoda linhagem, ela surge com toda a evidência quando entra em ação o grande “clown” da commedia literária — misto de Pierrot e Arlequim — que se chama Eduardo Pitta. Leia-se o que este rei da irrisão involuntária escreveu no seu blogue sobre o Festival Literário da Madeira para percebermos o que é esse mundo feérico, onde as proezas funambulescas do escritor se dissipam numa apoteose gastronómica. Quando ele chega, uma glória fácil espalha a sua luz e converte tudo em luxo, degustação e volúpia. Ou, nas palavras do artista, “gossips & drinks”. Não fosse ele poeta, não fosse a sua exuberância de clown admirada pelos seus pares como um equivalente alegórico do ato poético e aplaudida como um feito da mais genial “bouffonnerie” (é ele que fala da “versão madeirense de ‘La grande bouffe’”) e ninguém lhe perdoaria a licenciosidade com que transforma um festival literário num piquenicão para “happy few” (utilizando uma expressão que lhe é cara). A um festival, mesmo literário, não se pede ascetismo. Mas, para o seu prestígio, não convém a pantomima de um Arlequim que descreve como “grande bouffe” o que os seus anfitriões apresentam como pura substância espiritual.
Texto assinado por António Guerreiro no Expresso deste sábado a propósito de uma coisa chamada Festival Literário da Madeira

13/08/09

Por onde andam os 'divertidos' que só nos saem duques, perdão, 'sisudos', ou há malta que nasce com costela de ministro e pronto

AINDA A TOMADA DA BASTILHA, PERDÃO, DA CAMÂRA, MELHOR DIZENDO DA BANDEIRA

Quando li o manifesto do SIMplex registei a pluralidade dos humores: a vida tem destas coisas, juntar pessoas que não se conhecem, homens e mulheres, jovens e menos jovens, gente consagrada e por consagrar, gente divertida e sisuda... No que toca ao recente episódio da troca das bandeiras não sei, porém, onde páram os primeiros. Os sisudos, sim. E, pelas declarações, já foram convidados para ministros.

Com o crime de furto rebaixado à categoria de anedota nacional, vivemos hoje num país mais perigoso (Diogo Moreira)

Caso não haja uma resposta enérgica e firme por parte das autoridades, nunca a expressão “República (ou Câmara) das Bananas” foi mais apropriada (Diogo Moreira)

Eu pensava que os anarquistas eram de extrema-esquerda. Estamos sempre a aprender (Diogo Moreira)

Nunca tão poucos deram uma machadada tão grande na autoridade do Estado (Diogo Moreira)

É bom ver que a autoridade do Estado, o Estado de Direito ou o simples cumprimento da Lei é algo que os “guerrilheiros ideológicos” consideram risível (Diogo Moreira)

Em matéria de autoridade do Estado não há graçolas (Eduardo Pitta)

CONCLUSÃO: Como escreveu Bruno Sena Martins «entre monárquicos bem humorados e republicanos sisudos estou, naturalmente, com os primeiros».