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04/04/25

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «Obedientemente, cronicando»


22/03/23

SE NÃO FOSSE TRÁGICO!

Portanto, mais de um ano após a abertura frontal das hostilidades com recurso à artilharia pesada na Europa, andam umas criaturas a afirmar o óbvio: a Rússia cai abertamente na esfera de influência da China.

Que perspicácia! Que brilhantismo de análise!

Pena é que só tivessem chegado lá depois de andarem anos a empurrar a Rússia para a esfera de influência da China. Foi e é uma estratégia de génio!
Os portugueses, como sempre, estiveram na vanguarda. Ainda me lembro da actual ministra do Trabalho, na altura secretária de Estado do Turismo, quase em lágrimas, a implorar aos chineses: "Façam de nós cobaias! Façam de nós cobaias!"

23/10/22

A HISTÓRIA SEMPRE A PREGAR-NOS PARTIDAS

O espectáculo decadente a que se assiste na Grã-Bretanha fez-me lembrar aquela ideia falhada de que a revolução comunista seria vitoriosa na Alemanha, onde havia proletariado a montes, para acontecer afinal na Rússia, a abarrotar de camponeses que até há poucos anos não passavam de servos da gleba.

15/09/22

TEM QUE SE TIRAR O CHAPÉU À PROPAGANDA UCRANIANA!

Putin falou em "desnazificação" para justificar a invasão da Ucrânia. O pretexto era um pretexto, mas o facto é que o Batalhão Azov e as suas ramificações no interior do exército regular ucraniano era bem conhecido no Ocidente. Até a insuspeita BBC lhe dedicava reportagens.

O fascista Stepan Bandera e o seu estatuto de herói nacional para muitos ucranianos, também era difícil de varrer para debaixo do tapete.  

O facto é que já no cerco a Mariupol os Azov iam perdendo a pele de neo-nazis para se transformarem em heróis da resistência à invasão russa. Entretanto, Bandera conseguia passar de fascista a "figura complexa".

E eis que desaparecidos os Azov e todas as outras mílicias de extrema-direita ucranianas, emergem agora em todo o seu esplendor os Wagner, apresentados como o "exército privado de Putin" que anda a recrutar presos nas cadeias, coisa que, aliás, a Ucrânia também já tinha feito. 

É o que eu digo: a Propaganda é uma coisa formidável!

03/09/22

NOVELA DO GÁS: TAKE... JÁ PERDI A CONTA

Rússia corta completamente o fornecimento de gás à Europa através do Nord Stream 1 (o Nord Stream 2, operacional, nunca foi activado devido às sanções) que estava previsto ser retomado este Sábado. Alegam os russos que foi entretanto detectada uma fuga numa turbina e não sabem quando estará reparada. 

Bruxelas fala de cinismo, mas se me permitem eu insisto na estupidez que não é um conceito moral. A partir do momento em que avisaram o Putin que só queriam gás por meia dúzia de meses e depois ele que o fosse vender ao Totta, do que é que estavam à espera?!

Afinal isto é uma guerra ou o chá das cinco na casa da Ursula?

29/08/22

AS SANÇÕES CONTRA A RÚSSIA QUE SUICIDAM A EUROPA: EM FRENTE CAMARADAS, O ABISMO É NOSSO

Uma análise assinada pela jornalista suiça de origem egípcia Myret Zaki. Alguns excertos traduzidos.

«... No final de Junho, o rublo tornou-se na moeda com melhor desempenho no mundo, atingindo o seu nível mais elevado em relação ao dólar em 7 anos. O PIB [russo] diminuirá em 6% em 2022, de acordo com o FMI, mas não 15% como fora previsto em Março. Analistas de Wall Street tinham previsto um colapso da Rússia.

Em Março, lembra-nos o “Business Insider”, a JP Morgan previra que o PIB russo cairia 35% no 2º trimestre. Para a Goldman Sachs, a economia do país experimentaria a sua maior contracção desde a implosão da URSS. Mas de Janeiro a Junho, o declínio foi de apenas 4% em relação ao ano anterior, graças a exportações acima do esperado, principalmente para a Índia. (...)

A estratégia [das sanções] estava extremamente bem montada. Excepto num "pormenor": a maioria dos países devia entrar no jogo e foi aí que a porca torceu o rabo. "A maior fraqueza das sanções, observa "The Economist", é que mais de uma centena de países, o que  representa 40% do PIB mundial, não seguiram os Estados Unidos e a Europa, e não impõem nenhum embargo (parcial ou total ) à Rússia […] A maioria dos países não deseja implementar a política ocidental.”

(...) Países tão importantes como a China, Índia, Brasil, Arábia Saudita estão a fazer exactamente o contrário, continuando a sua cooperação com a Rússia. Do Dubai, pode-se voar sete vezes por dia para Moscovo. A dura realidade reside na influência insuficiente que as democracias ocidentais tiveram sobre o resto do mundo. 

(...)

Mas a observação mais dolorosa é o preço exorbitante que o Ocidente é obrigado a pagar para punir os seus inimigos. É difícil escapar à sensação de autopunição face ao custo desproporcionado suportado pela Europa, onde uma crise energética sem precedentes se aproxima, falhas de energia eléctrica são anunciadas para este Inverno, picos de preços e recessão económica.

(...) a premissa básica estava errada. Em vez de serem indolores para o Ocidente e fatais para a Rússia, como originalmente se esperava, as sanções estão a mostrar-se pelo menos igualmente punitivas para a Europa. A assimetria é até invertida. “A Rússia poderia dar-se ao luxo de interromper todas as exportações de gás para a Europa por um ano sem grandes consequências para sua economia”, escreve Liam Peach, analista da Capital Economics, em nota citada pelo “Bloomberg” a 25 de Agosto. (...).

Inflação, escassez, insegurança são elementos que podem colocar as populações ocidentais contra os seus governos, quando o objectivo inicial das sanções era que os russos se voltassem contra o Kremlin.

(...)

Para “The Economist”, a conclusão é que o Ocidente será forçado a regressar às estratégias de “hard power”, ou seja, o poder militar, com um rearmamento maciço dos membros da NATO. Sem dúvida porque é nessa área que o Ocidente ainda tem uma vantagem muito clara.

Mas face a potências nucleares, poderemos manter esse tipo de raciocínio, ou ele é totalmente imprudente? Quando autoridades de Washington viajam repetidamente para Taiwan para dar palestras sobre a China, que resultado pode ser previsto de tal estratégia? Já antecipámos as consequências desta vez? (...)»

ARTIGO NA ÍNTEGRA EM FRANCÊS AQUI



26/08/22

GUERRA NA UCRÂNIA (CHAPLYNE): O FACTO DE ALGUÉM SER INVADIDO NÃO JUSTIFICA TUDO NEM BATER EM TUDO

Desta vez foi o Gabinete para a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). Ontem tinha sido o Papa. Há semanas fora a Amnistia Internacional. Antes disso, o presidente alemão: o «salsicha de fígado ofendido», nas palavras do então embaixador ucraniano em Berlim, o negacionista Andriy Melnik. E por aí fora.

Agora, a propósito do ataque russo em Chaplyne, o alvo foi Gabinete da ONU por «falta de clareza». 

Com Zelensky a acusar as tropas russas de terem cometido mais um crime de guerra de que teria resultado a morte de 25 civis, incluindo duas crianças, e a Rússia, por sua vez, a reclamar que o ataque foi a um comboio de tropas e armamento (200 soldados ucranianos teriam sido mortos), a Ucrânia diz-se desapontada com a «falta de uma posição clara» do organismo internacional que apelou a que «todos os lados» respeitem o Direito Internacional Humanitário.  

O argumento usado para criticar a OCHA é o argumento recorrente: não se pode confundir o agressor com o agredido. 

E não saímos disto e daqui nada chega o Inverno. 





22/08/22

EU JÁ ESTAVA A ACHAR MUITA FRUTA O BORRELL DIZER UMA COISA ACERTADA

«O Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa da UE recusou uma proposta que visa proibir a entrada de cidadãos russos no bloco comunitário. (...) Josep Borrell considera que, apesar de a UE dever fechar portas a oligarcas russos, há muitos cidadãos “que querem fugir” da Rússia devido à guerra.

“Proibir a entrada de todos os russos não é uma boa ideia”, disse Josep Borrell esta segunda-feira, numa conferência em Espanha. “Temos de ser mais selectivos”, acrescentou. Estas declarações surgem depois de alguns Estados-membros que fazem fronteira com a Rússia terem proposto impedir que cidadãos russos entrem no bloco comunitário, numa altura em que está para breve a discussão da suspensão dos vistos a turistas russos (...)»

Portanto, se bem percebo, só entrarão os russos que pedirem exílio... E vá que os russos não são escurinhos.

Não chamem adultos à sala, não!

ALEXANDER TUSHKIN, UM RUSSO FALA SOBRE A RÚSSIA: ENTÃO VAMOS LÁ

É complicado. Se quiseres uma resposta curta, sim mas não. Quando vemos as sondagens, conduzidas pelo Estado, as pessoas apoiam a guerra. Isso é muito importante para o Kremlin. Uma das sondagens diz que a popularidade de Putin é altíssima: 82%. Antes da guerra andava pelos 62% e de repente subiu. O que aconteceu? As pessoas não apoiam a guerra, não querem derramamento de sangue nem mais sanções. Algumas vêem os ucranianos como parte da nação russa, o que também é meio complicado. 
Falamos a mesma língua e temos muito em comum. Diria que a Ucrânia é o país mais próximo da Rússia. É típico haver famílias em que alguns são russos e outros ucranianos. Não posso dizê-lo desta maneira, mas não há realmente uma grande diferença entre a Rússia e a Ucrânia. Os ucranianos dirão que isso é propaganda russa, mas, para mim, olhando para isto de forma simplista, vejo que compartilhamos a mesma herança cultural, os mesmos idiomas. Há muitas famílias, muitos amigos, que compartilham essa mistura de heranças russa e ucraniana. Diria que é claro que as pessoas não querem esta guerra, mas, ao mesmo tempo, apoiam Putin. E, claro, esse número é um bocado alto. Talvez não seja 82%, mas 60% ou 70%.
Podemos confiar nas sondagens?
Não. E não podemos confiar nas pessoas que respondem às sondagens porque as próprias não confiam em quem está a fazer as perguntas. Quando a pessoa com um bloco de notas e uma esferográfica vem ter contigo e pergunta, “apoia Putin?”, a resposta é simples: “claro que sim”. Mas não é verdade. Voltas para casa e quando estás na cozinha, a comer com a tua mulher, queixas-te que Putin é um estupor. É típico da mentalidade russa. Chamamos-lhes “cães de cozinha”, vem dos tempos da União Soviética, quando tinhas de ser um grande apoiante do regime, ir aos comícios e às reuniões, mas em casa, a jantar com a família, podias ser honesto. 
Mas tenho de ser honesto: a maioria dos russos apoia Putin, porque para muita gente foi ele que impediu o desmoronamento da Rússia. Promoveu a estabilidade e conseguiu dá-la, em comparação com o período de [Boris] Ieltsin, quando o povo russo foi humilhado. Antes tínhamos um grande país e isso era motivo de orgulho. Depois vieram os anos 1990, toda a gente ficou pobre. A minha família não tinha comida para pôr na mesa. A melhor coisa que podias comer era frango. Esse capitalismo tão bom, importado da Europa e dos Estados Unidos, arruinou o nosso país.