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10/10/13

Passos Coelho no Quem Quer Ser Pobrezinho?

Pelo que leio e vejo o Primeiro-Ministro ontem esteve muito à-vontade na televisão. Não cantou a Nini, mas pronto, também não se pode ter tudo.
Como se escreve no Delito de Opinião, só se esqueceram de lhe fazer uma pergunta.



07/01/12

Blogue do ano: tive quatro votos e ganhei!

Quero agradecer ao pessoal do Delito de Opinião que elegeu este humilde tasco como blogue do ano 2011!
Foram apenas quatro votos, poucos mas certamente os melhores (os restantes membros do Delito, inexplicavelmente, preferiram outros estabelecimentos...). Ainda assim, não posso deixar de me alegrar com a honrosa distinção, tanto mais que nunca pertenci ao SIED nem cultivo tráfego de influências.
Limitando-me, como bem sabem os que me visitam, a fornecer bolas-de-berlim, reafirmo:
Robalos, nunca! Lista de compras, jamé!

06/11/10

Pedro Correia, lamento, mas a frase do ano é minha que a ouvi com estas que a terra há-de comer

Pois é, Pedro. O autor da frase é anónimo mas ainda assim merece o prémio. Falava-se de dívida soberana, mercados, juros, especuladores e chineses. Foi quando ele suspirou e disse: Só a mim é que ninguém me compra as dívidas!

12/08/10

O delito de opinião foi cometido em primeiro mão no Delito e chega agora à Pastelaria*

Há um género de automobilistas que é assim: vai uma pessoa na estrada a ouvir e a assobiar Can’t Take My Eyes Off You completamente na boa quando aparece um tipo noutro carro e, por aselhice, desrespeito, incúria ou simples killer instinct, provoca um acidente.
Os dois carros acabam por parar em modo enviesado e após aqueles intermináveis segundos em que se vê a vida andar para trás ou, pelo menos, a não andar para a frente, o condutor que ia numa boa a ouvir e a assobiar Can’t Take My Eyes Off You leva demoradamente a mão à maçaneta da porta e lança, algo hesitante, uma perna para o exterior.
É então que à surpresa do choque se acrescenta a surpresa de ver o outro automobilista (repita-se: o que provocou o acidente) já cá fora, bem firme nos membros, vociferante e esbracejando como um pássaro à bolina: Sua besta! Então não me viu? Aprendeu a conduzir em carrinhos de choque ou quê? Por pouco, ia-nos matando aos dois! Olha-me para isto! Olha-me para isto! E etc.
Perante o segundo ataque, desta vez tão-só verbal, o condutor inocente tende a sentir-se baralhado. Será que a culpa fora dele? Será que se entusiasmara demasiado naquela parte do I love you, baby/ And if it's quite alright/ I need you, baby e fizera asneira?
Há quem chame educadamente xico-espertice a esta estratégia de avançar de goela e peito abertos para a vítima invertendo os papéis: o facto é que resulta. Nos dias que correm, em que o pragmatismo é tudo e o que conta são os “resultados por objectivos”, creio tratar-se, aliás, de uma estratégia em ascensão.
O modelo é largamente utilizado pelos políticos, e não apenas portugueses (Sarkozy e Berlusconi também seriam bons exemplos). Por cá, Sócrates e seus acólitos têm contribuído com fibra para a sua implementação no continente (a Madeira daria pano para outro post).
Neste particular, o género terá sido iniciado por Jorge Coelho com a memorável frase Quem se mete com o PS leva, continuado por Augusto Santos Silva, o que gosta de malhar, pelo par de cornos de Pinho, sem esquecer, naturalmente, Ricardo Rodrigues que, ultrapassando a alta velocidade a fase verbal-metafórica, passou à “acção directa” e gamou dois gravadores. No meio desta lista (necessariamente incompleta), também é de registar o próprio primeiro-ministro, mão na anca, e o seu Era o que mais faltava!, a que teremos de somar o finíssimo Manso é a tua tia, pá.
Não me interpretem mal. Não me move qualquer puritanismo linguístico. O que me faz espécie é a boçalidade. Ou seja, a falta de ironia, de wit. Em resumo, a falta de ideias que não sejam apenas caceteiras.
Comparado com estes boys, o Almirante Pinheiro de Azevedo era um génio. Digno continuador de António Silva, a sua entrevista enquanto primeiro-ministro do VI Governo Provisório, governo que entretanto entrara em greve, é inesquecível:
Pinheiro de Azevedo: Estou farto de brincadeiras, ok? De brincadeiras, hem!?
Jornalista: Está...?
Pinheiro de Azevedo: Estou. Fui sequestrado. Já duas vezes. Já chega. Não gosto de ser sequestrado. É uma coisa que me chateia, pá.




Como assinala Eric Hobsbawm em livro recentemente traduzido pela Relógio D’Água, Escritos sobre a História (e que aproveito para recomendar), após uma tendência secular decrescente ao longo de 150 anos, a barbárie tendeu a aumentar durante a maior parte do século XX, não havendo qualquer indício que nos sugira que o seu avanço tenha terminado, o que é uma forma erudita de dizer aquilo que foi igulamente notado pelo humorista Lewis Black (e que não me canso de citar): In my lifetime, we've gone from Eisenhower to George W. Bush. We've gone from John F. Kennedy to Al Gore. If this is evolution, I believe that in twelve years, we'll be voting for plants.
Não querendo, porém, parecer demasiado pessimista, concluo com o amanhã sabe-se lá. Ou como terá dito Twain: Prediction is very difficult, especially about the future.
E muito obrigada pelo convite.
ADENDA: Os recentes desenvolvimentos do inesgotável, e parece que interminável, caso fripór, talvez pudessem servir para um post que, nos antípodas deste, se debruçasse sobre estratégias comunicacionais (aposto que adoras esta palavra, Pedro) não musculadas mas cândidas. E, a propósito de cândidas, alguém sabe da Cândida?

*texto publicado aqui, em resposta a um amável desafio

11/05/09

Nostalgias em cadeia ou vice-versa



Não sou nada obediente. Apesar disso, gosto imenso daquela frase do Rantanplan em que ele diz: «Finalmente alguém que sabe mandar!».
O Pedro Correia, do Delito de Opinião, passou-me uma corrente: 15 séries de televisão que me tivessem ficado na memória. Raramente alinho em correntes mas o e-mail do Pedro acabava assim: «É mesmo para responder, está bem?»
E, vai daí, obedeço.

Columbo (com o fabuloso Peter Falk)
Hitchcock Apresenta (lembro-me sempre do episódio em que os polícias acabavam a lambuzar-se com a arma do crime)
Space 1999 (o guarda-roupa era imbatível)
Bonanza (ainda hoje sei trautear a música do genérico)
Eu, Cláudio (uma versão literal do "estes romanos são loucos!")
Soap (quando os temas fracturantes tinham graça)
Monty Phyton Flying Circus (com carneiros a cair em cima do apresentador do telejornal…)
Twin Peaks (embora, a partir de dada altura, aquilo nunca mais acabasse)
A Visita da Cornélia (será que sobreviveu ao tempo?)



Os Vingadores (o glam ao serviço de Sua Majestade)
A Música e o Silêncio (o António Vitorino d’Almeida sem a Bárbara)
Homem Rico, Homem Pobre (com o Nick Nolte)
Seinfeld (muito, muito feios, mas com muita, muita graça)
Casei com uma feiticeira (por causa do nariz, claro)
Casarão (lembro-me que a Elis Regina cantava "Fascinação" no genérico e aquilo era mesmo de fazer chorar as pedras...)
[nota: a ordem é aleatória e tive de me esforçar muito, mas, entretanto, ainda podia acrescentar o Blackadder, com o Mister Bean a contracenar com o Dr. House, a Balada de Hill Street, que ficava mais ou menos no bairro da Bela Vista lá do sítio, ou o Detective Cantor, como é que me fui esquecer dessa?]