Mostrar mensagens com a etiqueta Woody Allen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Woody Allen. Mostrar todas as mensagens

04/10/22

SOBRE O PEDIDO DE INDEMNIZAÇÃO DA POLÓNIA À ALEMANHA NO VALOR DE 1,3 BILIÕES DE EUROS...

A primeira vez que vi «Shoah», o longo documentário do descansado do Claude Lanzmann sobre o extermínio dos judeus na Europa, fez-me espécie a irritação que ele, judeu, mal escondia quando falava com simples polacos, em contraponto aos nervos de aço que mostrava quando dialogava com alemães, incluindo nazis que haviam ocupado postos de alguma importância no Partido Nacional-Socialista.

Na altura supus que ia se poderia dever ao facto de Lanzmann falar fluentemente alemão e precisar de uma tradutora para polaco. Mas isso foi antes de eu própria ter estado na Polónia...
Era só.

01/01/22

A MEDITAÇÃO DE SEXTA NO ÍPSILON: «2021 correu muito bem. 2022 será pior.»

Se tivéssemos tido um pai com a profissão de talhante, a tarefa de olhar para trás, para o passado, ficaria muito facilitada. Bastaria enfileirar uma resma de chouriços e espreitar pelo buraco formado pelos enchidos.

O RESTO AQUI,

23/10/11

A voz do dono ou de como o Luís M. Jorge topa o Ricardo Salgado

As notícias são tantas e tamanhas que o efeito é estonteante. Subsídios? Viste-los. Aumentos salariais? Queria-los. Direitos adquiridos? Esquece-los. Impostos? Paga-los. Estado social? Bye, bye, Maria Alice.
Resumindo, é que éramos muito pobres: emprestaram-nos dinheiro e o dinheiro, puff!
Numa primeira fase, em betão e monumentos; depois em betão e monumentos + novas tecnologias (Magalhães – de fazerem inveja a Steve Jobs –; painéis solares – adaptados a céu nublado, chuva e até à “noite muito escura” de Caeiro).
A agricultura (que era o que era) foi-se, a indústria (que era o que era) kaputt; as pescas, idem. Passámos do Algarve ao Allgarve; de Jardim à Beira-Mar Plantado à Europe's West Coast. No entretanto, baixou-se o analfabetismo, a mortalidade infantil e legalizou-se o casamento gay. Citando Sholem Aleichem, “Podia ter sido pior; e não se pense no melhor que para isso não há limites”.
Dizem-nos agora que falimos. Sempre abominei a ditadura do “nós” (“estamos com fome, não estamos?”; “estamos com frio, não estamos?”; “vamos tomar um banhinho, não vamos?”…) mas se é para ser usado, seja: “We are not amused” (Victoria dixit).
Conta-se n' As Farpas que a solução para os problemas de Portugal do Partido Reformista se resumia ao polissílabo, economias. A história repete-se, como afiançava o outro.
A palavra é papagueada de manhã à noite e madrugada fora. Como a mãe ubíqua de Woody Allen em Histórias de Nova Iorque, desenha-se no céu de Portugal e ilhas adjacentes (Madeira, inclusive).
O efeito é devastador. Os portugueses, excepto os contabilistas, já não saem de casa. No outro dia, porém, um cidadão de nome Luís M. Jorge arriscou pôr o pé na rua. Foi, então, que viu Ricardo Salgado a entrar no edifício onde decorria o Conselho de Ministros! Corajosamente denunciou a coisa no blogue Vida Breve: “Um Governo que recebe a família Espírito Santo enquanto discute o Orçamento de Estado é um Governo que reconhece, tão bem como o anterior, a voz do dono. E se eu puder chatear, que remédio”.
So be it.

11/09/11

Eu não queria falar do 11 de Setembro mas dado que a imbecilidade ainda não deixou de me indignar...

... sinto-me na obrigação de reproduzir a coisa mais idiota que vi hoje citada no facebook sobre os acontecimentos desse dia: «Lembrando uma máxima de imensa sabedoria popular: "não faças aos outros (11 de Setembro de 1973, Chile) o que não gostas que te façam a ti"».

Há criaturas cuja profundidade intelectual e selectividade empática me lembram sempre uma piada antiga de Woody Allen: "Não posso ouvir muito Wagner. Dá-me logo vontade de invadir a Polónia".

27/01/08

Se isto não é humor do melhor que venha a ASAE e me feche a Pastelaria

As citações de Woody Allen que se seguem foram retiradas de A Filosofia Segundo Woody Allen, ed. por Mark T. Conard e Acon J. Skoble, Estrela Polar, 2008.
Só pelo capítulo A Ratoeira: Ler Woody Allen, assinado por James M. Wallace, vale a pena ler o livro.

«Estou atormentado por dúvidas. E se é tudo uma ilusão e nada existe? Nesse caso, de certeza que paguei demais pelo meu tapete.»
«Ele saiu do hotel e subiu a Oitava Avenida. Dois homens estavam a assaltar uma senhora idosa. Meus Deus, pensou Weinstein, já lá vai o tempo em que uma só pessoa dava conta do recado. Que cidade. Caos por todo o lado. Kant tinha razão. A mente impõe a ordem. Também nos diz quando devemos dar gorjeta. Como é maravilhoso estar consciente! Pergunto-me o que farão as pessoas de New Jersey.»
«Na sua condição de filósofos, eles confiavam bastante na lógica e achavam que, se a vida existia, alguém devia tê-la causado, e foram à procura de um homem moreno com uma tatuagem que estava a usar um casaco da Marinha.
Quando nada resultou daí, abandonaram a Filosofia e dedicaram-se ao negócio da venda postal, mas o preço dos portes subiu e eles morreram.»
«DORIS: Mas, sem Deus, o mundo não tem significado. A vida não tem significado. Nós não temos significado. (Pausa dramática) Tenho uma vontade súbita e avassaladora de ir para a cama com alguém.»
«Estas "partículas" [átomos ou mónadas] foram postas em movimento por alguma causa ou princípio subjacente, ou talvez alguma coisa tenha caído de algum sítio. O que interessa é que agora é demasiado tarde para fazer alguma coisa a esse respeito, excepto, talvez, comer bastante peixe cru. Claro que isso não explica por que razão a alma é imortal. Nem diz nada acerca da vida após a morte, ou sobre o meu Tio Sender ter a sensação de que está a ser seguido por albaneses.»
«Ora, então, para conhecermos uma substância ou ideia temos de duvidar dela, e assim, duvidando dela, alcançarmos a percepção das qualidades que possui no seu estado finito, que estão verdadeiramente "na coisa em si", ou que são "da coisa em si", ou de algo ou de nada. Se isto estiver claro, podemos deixar de lado a epistemologia, por agora.»

07/11/07

Os Petiscos ou a História da Cenoura e do Burro

Não me interpretem mal. Eu adoro salada de rúcula, tapas de salmão fumado, pasta al dente, tomate com mozzarella e comida japonesa. Ainda assim, custa-me perceber porque desataram os pratos referidos a invadir os restaurantes portugueses de Norte a Sul, à custa de outros sabores como as sardinhas assadas, os pastéis de bacalhau, a salada de grão, os peixinhos da horta, as batatas a murro, as ameijoas à Bulhão Pato, o xarém de conquilhas, sei lá eu. Não me interpretem mal: o meu paladar não sofre de qualquer desvio nacionalista nem a globalização é para aqui chamada. Porque onde é que já se viu os franceses cortarem no camembert, os espanhóis largarem os pimentos padrón ou os belgas os mexilhões?
Eu sei que às brigadas da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica não é isto que as preocupa. Mas será o seu zelo higienista alheio ao caso? Porque o caso é este: qualquer dia, arriscamo-nos a fazer o papel daquela personagem criada em 1973 por Woody Allen para Sleeper, comédia de ficção-científica em que o dono do restaurante Happy Carrot dava entrada no hospital e, por acidente, era posto a dormir durante 200 anos, ressuscitando num mundo completamente diferente. Dois séculos passados, o que ele continuava a não perceber, in the first place, é como é que tinha adoecido se só comia cenouras.

20/07/07

Pensamento reconfortante antes de ir para a cama

«Freud desbloqueia Mahler, de modo que ele volta a conseguir escrever e, em resultado disso, Mahler triunfa sobre o medo que alimentou toda a sua vida em relação à morte.
- Como é que o Mahler triunfa sobre o seu medo da morte? – perguntei eu.
- Morrendo. Pus-me a pensar nisso – e é realmente a única maneira.»
Woody Allen, «Cantem, tortas Sacher», in Pura Anarquia (acabou de sair)

04/07/07