Não se fala da Casa Pia. É falta de educação falar da Casa Pia. Aprendemos isso rapidamente. Há coisas de que se não fala. Não se fala de sexo em frente das tias, não se fala à mesa, não se fala de mortos, não se fala da menina Abigail a queimar cartas no terraço depois do senhor da Siemens a ter deixado, não se fala das capas das revistas de coração, não se fala das telenovelas que aliás nunca vemos, não se fala da Diana Chaves, não se come dobrada, nem se fala das vísceras em geral e do recto em particular, não se fala dos pobres, nem da pobreza, nem do que dizem os pobres, nem dos remediados, nem se fala de dinheiro, não se fala da Casa Pia. Não se fala do Saramago, nem do Lobo Antunes, não se fala, não se fala. Não se fala da Casa Pia. Não se vem para aqui falar das crianças maltratadas. Isto é um blogue civilizado. Não se fala. Criança maltratada é coisa de motorista. Coisa entre motoristas e crianças sem família. Devia ficar entre eles. Ou com os excitados sem causa, sempre à procura de tema para a excitação. Nós não somos responsáveis pelo mal do mundo. O mal está na natureza humana. Nós sabemos que o mal existe mas não é por falarmos dele que mudamos o que quer que seja. Não se fala da Casa Pia. É tema para entreter a populaça. Não se fala.
Mostrar mensagens com a etiqueta A Natureza do Mal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A Natureza do Mal. Mostrar todas as mensagens
07/09/10
Um blogue civilizado [e já agora, se isso interessa a alguém, adorável]
Não se fala da Casa Pia. É falta de educação falar da Casa Pia. Aprendemos isso rapidamente. Há coisas de que se não fala. Não se fala de sexo em frente das tias, não se fala à mesa, não se fala de mortos, não se fala da menina Abigail a queimar cartas no terraço depois do senhor da Siemens a ter deixado, não se fala das capas das revistas de coração, não se fala das telenovelas que aliás nunca vemos, não se fala da Diana Chaves, não se come dobrada, nem se fala das vísceras em geral e do recto em particular, não se fala dos pobres, nem da pobreza, nem do que dizem os pobres, nem dos remediados, nem se fala de dinheiro, não se fala da Casa Pia. Não se fala do Saramago, nem do Lobo Antunes, não se fala, não se fala. Não se fala da Casa Pia. Não se vem para aqui falar das crianças maltratadas. Isto é um blogue civilizado. Não se fala. Criança maltratada é coisa de motorista. Coisa entre motoristas e crianças sem família. Devia ficar entre eles. Ou com os excitados sem causa, sempre à procura de tema para a excitação. Nós não somos responsáveis pelo mal do mundo. O mal está na natureza humana. Nós sabemos que o mal existe mas não é por falarmos dele que mudamos o que quer que seja. Não se fala da Casa Pia. É tema para entreter a populaça. Não se fala.26/05/10
A crise vista a partir do Hotel da Penha Branca, que é de charme
O senhor comendador veio na mesma comitiva do analista, do deputado eleito agora membro da Comissão Parlamentar de Saúde, do director da CIP, convidado especial do Presidente, do presidente da Comissão de Coordenação que trazia dois assessores, da comissão directiva da ARS, do presidente da Fundação e do Bastonário da Ordem da Crise e do Joãozinho Villares que agora está na Comissão de Turismo ou nas Águas Unidas ou na Metro de Superfície.O programa da visita era complexo. Só fixei que tinham 2:30h para almoçar.
Ficaram quase todos no Hotel da Penha Branca, que é de charme.
No final da visita, disseram aos jornalistas que andamos todos a viver acima das nossas possibilidades e era por isso que vinha aí uma crise que nos ia lixar a todos, excepto a eles que estavam de partida para Lisboa.
Daqui.
01/04/10
Enquanto a batalha naval prossegue com dois submarinos ao fundo, roube-se o que há de bom para roubar
— Não há dúvida, professor. Porém, com o método antigo, os proprietários lucram mais. Sabe quanto ganham esses pobres pescadores que arriscam a vida e que nunca chegam a ficar velhos? Recebem cinco centavos por concha que contenha uma pérola, e são tantas as que se encontram vazias!
— Mas, isso é um absurdo — respondi. — Cinco centavos para essa pobre gente que enriquece seus patrões!... Não entendo...
— Pois é assim mesmo, professor. Isso é a civilização. A propósito, sr. Aronnax — disse o capitão mudando de assunto. — O senhor tem medo de tubarões?
— Mas, isso é um absurdo — respondi. — Cinco centavos para essa pobre gente que enriquece seus patrões!... Não entendo...
— Pois é assim mesmo, professor. Isso é a civilização. A propósito, sr. Aronnax — disse o capitão mudando de assunto. — O senhor tem medo de tubarões?
16/03/10
Ó Vitalino apanha as canas ou só vale a pena ler sobre política quando a política é tratada assim que o resto é maçada como diria o Pessoa
À hora em que Pacheco Pereira nos tentava dinamitar o cérebro com uma evocação de Rafael Bordalo e da sua sátira à Lei da Rolha, os congressistas do PSD aprovavam, com a pudica reserva dos futuros líderes, a pena de expulsão aos que ousem criticar os dirigentes. Ficam assim os cidadãos do PSD impedidos de falar. A medida seria perfeita se abrangesse os dirigentes. Um partido unido pelo silêncio é o que faz falta. Ainda não tinha digerido a pérola estatutária já o senhor Vitalino Canas se apressava a comentar. Daqueles comentários pomposos e circunstanciais, com a bandeira do Rato atrás e boquinha de virgem ofendida. O senhor Vitalino, quebrando a regra não-escrita de que partido não se pronuncia sobre a vida interna de partido ― que é a contrapartida institucional do saber popular que ensina a não nos metermos entre marido e mulher mesmo quando se ouvem gritos ― veio evocar a liberdade e o 25 de Abril. Acontece que, pelo menos desde que mataram a Rosa Luxemburgo, não me lembro de ter visto um socialista a criticar a cúpula dirigente.DAQUI, naturalmente.
10/03/10
30/11/09
Quando a inteligência (radical) dos outros nos reconcilia com o mundo logo pela manhã
«Já não leio livros. Mas continuo a gostar de livrarias. Ontem vi um livro, compilado por Desidério Murcho, sobre o Sentido da Vida. O livro tem 208 páginas. Poucas, para explicar o sentido da vida. Demasiadas, para mim. Há cem anos, no poema V do Guardador de Rebanhos, Caeiro arrumou a cousa em dois versos. “O único sentido íntimo das cousas é elas não terem sentido íntimo nenhum.” Das mais belas páginas de Dawkins em River out of Eden, bem longe do proselitismo ateu da Ilusão de Deus, são sobre o significado oculto das coisas. Este fim de semana li uma reportagem no Público sobre os lobos de Leomil. Se a vida dos lobos dependesse de um referendo aos habitantes de Leomil, mais de 80% viraria o polegar para baixo. O significado da vida dos lobos de Leomil passa agora pelas eólicas. Os de Leomil odeiam os lobos. São poucos os que alguma vez o avistaram mas, se os ouvirem falar, surpreender-se-ão com o súbito amor que estes simples têm pelas vítimas dos lobos. Uma égua, duas ovelhas, uma pastorinha. Excitados contra os predadores nada demove a sua ferocidade. Eles defendem o extermínio dos lobos, dos biólogos, dos ecologistas e da gente dos parques nacionais. Os mais condescendentes aceitariam a vida dos lobos, desde que confinada a um campo de detenção. Mas comovem-se com as pás das eólicas varrendo o horizonte. Não sei se o livro dos filósofos que Murcho reuniu, atentou na vida dos lobos, na vida dos camponeses de Leomil, na vida dos jornalistas, na minha vida de ex-leitor. Mas, sem uma crença que me tivesse bafejado, escapa-me o sentido da vida do lobo, da ovelha, dos seres abatidos à conta do nosso insaciável apetite. Ainda entendo, vá lá, o sentido da vida dos negociantes das eólicas. E em tempos pareceu-me entender o vento assobiando nas cumeadas.»Roubado ao A Natureza do Mal, um blog que estaria no topo da minha lista se eu fosse dada a listas
28/07/09
Mósse! o primeiro desenfeliz com gripe no futebol veio de Áfreca e joga no Olhanense
É do Senegal, chama-se Gomis e foi o primeiro jogador de futebol a contrariar o vírus H1N1 em Portugal. Joga no clube da terra onde eu nasci, claro, e já imagino as piadas!E a propósito desta notícia pícara, reproduzo o melhor post lido até hoje sobre a gripe A, vulgo gripe suína.
Do porco ao homem, do porco às aves, do homem ao homem, da Dra. Ana Jorge ao Professor Marcelo. É o trajecto normal de um vírus. Há cem mil anos como hoje. Modifica-se a velocidade, como disse o Paul Virilio. De resto tudo na mesma. Especialistas que estudaram tantos anos para nos aconselhar a tossir na manga e a lavar as mãos são como os feiticeiros do Pleistocénico. A OMS e a DGS são como o deus do Petit Prince. Às vinte e uma horas são capazes de prever o pôr-do-sol.
05/06/09
E quanto às eleições é isto
Acho que se deve votar. O voto branco, nulo e a abstenção são ignorados pelo sistema político. O voto será sempre uma escolha relativa, táctica, prática. Se excluirmos 25% de cidadãos bafejados pela graça, a imensa maioria não se identifica com nenhum programa, líder ou sub-líder, para andar por aí em comícios ou arruadas. Deixo de lado a fauna abjecta dos directores gerais e esposas, assessores, pequenos e médios autarcas e famílias, directores de hospitais e de agrupamentos de centros de saúde, administradores delegados filhos e filhas, brochistas e esposas. Essa gente é o esteio do regime. Vive da tença. O seu entusiasmo é proporcional às ajudas de custo. Organizam-se em sociedades discretas onde tratam dos valores e da sua reprodução. Deviam ser ignorados pelas pessoas de bem.
Deixo de lado os excursionistas, os pobres de espírito, o exército de reserva, os que fazem fila para um lugar na plateia e batem palmas, sorriem, dizem ohhhh de espanto a mando dos cartazes.
Deixo de lado os rapazes de família que vêem na chatice das tarefas partidárias a tarimba para um futuro radioso.
Deixo de lado os convictos. Os militantes dos partidos minoritários. Eu tive a fé deles e a doença deles.
Mas se excluirmos os pulhas, os excursionistas e os convictos que alimentam o espectáculo do regime, o que resta é a multidão que os suporta com indulgência e agora, ao que parece, se prepara para abster.
Como tomar banho na praia, beber um copo ou dormir são actos insignificantes, é preferível a insignificância do nosso voto. Um voto contra Sócrates, que representa o pior dos últimos trinta e cinco anos: inscreveu-se no PS porque se enganou na porta, assinou projectos que simbolizam a degradação imobiliária do país interior, transformou o PS no partido dos Coelhos e dos Varas, dos Campos e dos Vitais, esteve na trapalhada do Freeport, na entrega do CCB, criou a dona Lurdes e a dona Ana, privatizou o ar e nacionalizou o BPN, foi elogiado ad nausea pelo dr. Dias Loureiro. Aos socialistas que votam nessa sêxtupla de pesadelo que assombra as rotundas da pátria – Campos e Estrela, Gomes e Estrela, Capoulas e Estrela, Vital e Estrela, Elisa e Estrela – devíamos dizer: jamais esqueceremos.
Texto roubado daqui.
03/05/09
Ainda a propósito de bengaladas [roubado com todo o descaramento e eu só assino por baixo]
Sócrates foi assobiado em Melgaço quando fazia campanha eleitoral. Sócrates disse que era normal em democracia. Já os insultos a Vital, não. Sócrates explicou que quem insulta Vital tem que pedir desculpas ao Partido Socialista. Peço já desculpas ao Partido Socialista.
Daqui.
24/11/08
Qualquer um que tenha lido romances ou visto filmes em número suficiente percebe isto
É importante ver Sócrates ao lado de Medvedev para compreender a natureza de Sócrates. Sócrates é um perigoso prepotente inculto. Ao lado de Medvedev declarou: «A Geórgia é uma página virada» (...). Compreende-se o interesse nacional da paragem técnica de Medvedev e até se compreende que o primeiro-ministro queira ser um bom anfitrião. Mas Sócrates vai sempre mais além. Ele é o dono da História, ou pelo menos está com os donos da História (...). Permite-se falar grosso e dizer, quando Medvedev está ao lado, as coisas fortes que Medvedev gosta de ouvir, para que os fracos saibam o seu lugar (...). Se Sócrates tivesse gás e petróleo seria um Putin. Se Sócrates tivesse um Abramovic em vez de um Oliveira e Costa seria um Putin. Se Sócrates tivesse um país de gente calada e de cerviz vergada como os seus apoiantes socialistas, que de socialistas só têm a lapela fracturante, seria um Salazar reciclado, com jogging e namoradinha.Publicado aqui a 22 de Novembro.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
EM REDE
- 2 dedos de conversa
- A balada do café triste
- A causa foi modificada
- A cidade das mulheres
- A curva da estrada
- A dança da solidão
- A rendição da luz
- A revolta
- A terceira via
- A única real tradição viva
- Abrasivo
- Agricabaz
- Agua lisa
- Albergue espanhol
- Ali_se
- Amor e outros desastres
- Anabela Magalhães
- Anjo inútil
- Antologia do esquecimento
- Arrastão
- As escolhas do beijokense
- As folhas ardem
- Aspirina B
- ayapaexpress
- Azeite e Azia
- Bibliotecário de Babel
- Bidão vil
- Blogtailors
- Casario do ginjal
- Centurião
- Church of the flying spaghetti monster
- Ciberescritas
- Cidades escritas
- Cinco sentidos ou mais
- Claustrofobias
- Coisas de tia
- Complicadíssima teia
- Contradição Social
- Dazwischenland
- De olhos bem fechados
- Dias Felizes
- Do Portugal profundo
- Duelo ao Sol
- e-konoklasta
- e.r.g..d.t.o.r.k...
- Enrique Vila-Matas
- Escola lusitânia feminina
- Fragmentos de Apocalipse
- Governo Sombra
- Helena Barbas
- If Charlie Parker was a gunslinger
- Illuminatuslex
- Incursões
- Instante fatal
- Intriga internacional
- João Tordo
- Jugular
- Klepsydra
- Last Breath
- Ler
- Les vacances de Hegel
- Letteri café
- LInha de Sombra
- Mãe de dois
- Mais actual
- Malefícios da felicidade
- Manual de maus costumes
- Metafísica do esquecimento
- Mulher comestível
- Nascidos do Mar
- Non stick plans
- O Declínio da Escola
- O escafandro
- O funcionário cansado
- O jardim e a casa
- O perfil da casa o canto das cigarras
- Obviario
- Orgia literária
- Paperback cell
- Parece mal
- Pedro Pedro
- Porta Livros
- Pratinho de couratos
- Raposas a Sul
- Reporter à solta
- Rui tavares
- S/a pálpebra da página
- Se numa rua estreita um poema
- Segunda língua
- Sem-se-ver
- Sete vidas como os gatos
- Shakira Kurosawa
- Sorumbático
- Texto-al
- The catscats
- There's only 1 Alice
- Tola
- Trabalhos e dias
- Um dia... mais dias
- Um grande hotel
- We have kaos in the garden
