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04/10/24
09/09/22
25/08/22
DIZ QUE O RAPAZ QUE ESCREVEU ESTA PÉROLA FOI CONSIDERADO UM CHAMARIZ DE VISITANTES À FEIRA DO LIVRO DO LISBOA PELOS ORGANIZADORES DA MESMA
«Reparei desde pequena que os adultos vivem muito em casais, mesmo que nem sempre sejam óbvios porque algumas pessoas têm par mas andam avulsas como as solteiras, há casais de mulher com homem, há de homem com homem e outros de mulher com mulher. Há também casais de pássaros, coelhos, elefantes, besouros, pinguins – que são absurdamente fiéis –, quero dizer: há casais de pinguins e até golfinhos que podem ser casais. Tudo por causa de amor. O amor constrói. Gostarmos de alguém, mesmo quando estamos parados durante o tempo de dormir, é como fazer prédios ou cozinhar para mesas de mil lugares».
Valter Hugo Mãe in «O Paraíso São os Outros».
03/08/22
DESCUBRA AS DIFERENÇAS
«— O que queres ter quando fores grande?
— Um brilho nos olhos.
Ainda na última vez que nos cruzámos ele lá estava, o mesmo olhar, a mesma vontade de descobrir tudo pela primeira vez, levava uma criança ao colo e eu percebi que só foi pai para ter uma desculpa para não crescer.
— Então o que fazes?
— Invento.
— O que inventaste hoje?
— Uma nova maneira de abraçar.»
Pedro Chagas Freitas, «A Raridade das Coisas Banais»
«Eu queria ser sagaz, ter perspicácia, estar sempre inspirado. O meu avô pedia que não me desiludisse. Quem se desilude morre por dentro. Dizia: é urgente viver encantado. O encanto é a única cura possível para a inevitável tristeza. Havia, às vezes, um momento em que discutíamos a tristeza. Era fundamental sabermos que aconteceria e que implicaria uma força maior.»
Valter Hugo Mãe, «As Mais Belas Coisas do Mundo»
12/07/22
QUERO LÁ SABER DE JANTARES, EXPLIQUEM-ME É O RAIO DO «É URGENTE VIVER ENCANTADO»
Um antigo ministro da Cultura acha-se na obrigação de defender os comensais de um jantar na recente Bienal de São Paulo, em que os escritores convidados comeram na companhia de Marcelo Rebelo de Sousa. Para isso até cita Julien Gracq, autor de A Literatura no Estômago, um libelo a desancar precisamente em jantares e outras coisas do género. Ironias!
Não percebi completamente o raciocínio (a defesa dos talheres pode ser lida aqui), mas acho que é este: nenhum livro chegará aos seus leitores sem umas jantaradas com os representantes do Poder pelo meio.
Intelecção profunda, digna de emparceirar com Eco ou mesmo com Aristóteles, a que só acrescentaria isto: se a qualidade do jantar estiver estado ao nível da qualidade da maior parte daquilo que se publica — incluindo, claro está, a prosa xaroposa de Valter Hugo Mãe, o comensal autor do extraordinário mote levado por Portugal à Bienal «É Urgente Viver Encantado» (Deus nos ajude!) — temo que a coisa tenha dado diarreia. Verbal, deu com certeza.
03/07/22
E AGORA PARA ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE: O VALTER! O VALTER!
Em São Paulo, onde nem sei se Marcelo chegou ou não a almoçar com Bolsonaro, desembarcaram para a Bienal do Livro 21 autores e 2 chefs de cozinha (sic).
Já me estando a rir com os chefs, leio em seguida que Portugal é o convidado de honra e adoptou como mote para a sua participação uma frase de Valter Hugo Mãe. Tremo!
E a frase é: «É urgente viver encantado».
Engasgo-me com o gaspacho, assusto as cadelas com o movimento abrupto da cadeira e parafraseio mentalmente o Woddy Allen: Cada vez que ouço falar no Valter, só me apetece que invadam Portugal.
Já me estando a rir com os chefs, leio em seguida que Portugal é o convidado de honra e adoptou como mote para a sua participação uma frase de Valter Hugo Mãe. Tremo!
E a frase é: «É urgente viver encantado».
Engasgo-me com o gaspacho, assusto as cadelas com o movimento abrupto da cadeira e parafraseio mentalmente o Woddy Allen: Cada vez que ouço falar no Valter, só me apetece que invadam Portugal.
23/02/22
NÃO NOS BASTAVA A GUERRA NA UCRÂNIA, AINDA LEVAMOS COM UMA EXPOSIÇÃO DO VALTER HUGO MÃE
A coisa chama-se sugestivamente «Parece Um Pássaro, Mas É Um Pirilampo Ou Um Louva-a-Deus» e está patente na Póvoa do Varzim, no âmbito das Correntes de Escrita.
Diz que são bonecos feitos durante o «ano introspectivo» da pandemia, em que o rapaz revisitou a infância e escreveu o «Contra Mim», livro onde nos confessa lembrar-se perfeitamente do 25 de Abril (apesar de nessa altura ter apenas dois anos e sete meses).
16/02/14
03/10/13
Razão tem o Cavaco: isto há gente mesmo masoquista
"Descobri a escrita do Valter Hugo Mãe numa tarde chuvosa de 2010. O "remorso de baltazar serapião" caíra-me no colo sem pré-aviso e, sem mais nem quê, abarbatou-me pelos colarinhos para me largar apenas depois da desfolha da última página. Arrasado com tamanho talento, só me saíram duas palavras: quero mais."
Excerto de "Carta Aberta a Valter Hugo Mãe", Nelson Nunes, publicada AQUI
Excerto de "Carta Aberta a Valter Hugo Mãe", Nelson Nunes, publicada AQUI
18/03/12
Para não estar sempre a bater no mesmo ceguinho
Algures nas caixas de comentários, uma cliente deste tasco levantou a hipótese de eu ter um questão pessoal com o José Luís Peixoto. Não conhecendo eu sequer o José Luís Peixoto, deixo hoje, para variar, um excerto encontrado na NET assinado por valter hugo mãe, o qual (excerto) em nada fica atrás, apesar das minúsculas, dos outros que transcrevi aqui do autor de Morreste-me.
E, a propósito de ambos os citados, cito o malogrado Christopher Hitchens: Everybody does have a book in them, but in most cases that's where it should stay.
Excerto de a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe: “Abracei o corpo da minha mulher, segurei-lhe a mão, a sua cabeça no meu ombro,criei um pequeno embalo, como para adormecê-la, ou como se faz a quem chora e queremos confortar. vai ficar tudo bem, vai correr tudo bem. o que era impossível, e o impossível não melhora, não se corrige. estávamos encostados à parede, sobre o cortinado, como fazíamos na juventude para os beijos e para as partilhas tolas de enamorados. estávamos escondidos de todos, eu e a minha mulher morta que não me diria mais nada, por mais insistente que fosse o meu desespero, a minha necessidade de respirar através dos seus olhos, a minha necessidade vital de respirar através do seu sorriso. eu e a minha mulher morta que se demitia de continuar a justificar-me a vida e que, abraçando-me como podia, entregava-me tudo de uma só vez. e eu, incrível, deixava tudo de uma só vez ao cuidado nenhum do medo e recomeçava a gritar.”
Incrível, indeed.
E, a propósito de ambos os citados, cito o malogrado Christopher Hitchens: Everybody does have a book in them, but in most cases that's where it should stay.
Excerto de a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe: “Abracei o corpo da minha mulher, segurei-lhe a mão, a sua cabeça no meu ombro,criei um pequeno embalo, como para adormecê-la, ou como se faz a quem chora e queremos confortar. vai ficar tudo bem, vai correr tudo bem. o que era impossível, e o impossível não melhora, não se corrige. estávamos encostados à parede, sobre o cortinado, como fazíamos na juventude para os beijos e para as partilhas tolas de enamorados. estávamos escondidos de todos, eu e a minha mulher morta que não me diria mais nada, por mais insistente que fosse o meu desespero, a minha necessidade de respirar através dos seus olhos, a minha necessidade vital de respirar através do seu sorriso. eu e a minha mulher morta que se demitia de continuar a justificar-me a vida e que, abraçando-me como podia, entregava-me tudo de uma só vez. e eu, incrível, deixava tudo de uma só vez ao cuidado nenhum do medo e recomeçava a gritar.”
Incrível, indeed.
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