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20/12/13
Caramba! Gostava de ter escrito isto.
"Neste
Governo, minirremodelação é pleonasmo. Ninguém espera que saia grande
coisa de um buraquito. Mas anunciada uma mini junto ao chumbo do
Tribunal Constitucional parece termos um grande problema. Calma: há um
plano B! Embora este seja outro pleonasmo: com este Governo, o plano é
sempre B, deve saltar-se o A. Nos Conselhos de Ministros, quando
um ministro diz "chefe, tenho uma ideia!", Passos Coelho devia dizer:
"Deixa cair essa, diz-me lá a seguinte." É, o nosso sonho era ter um
Governo q.b., de medida certa, mas calhou-nos um Governo Pb, símbolo de
plumbum, chumbo. O chumbo é um metal tóxico, pesado e maleável. Confere.
E mau condutor de eletricidade (olha, vender a EDP deve ter sido a sua
única medida certa...) Enfim, este é um Governo chumbado a zagalote do
TC, mas, felizmente, há um plano B: fazer um vídeo. O enredo já meio
Portugal conhece, há só que mudar as personagens. Aparece uma ministra
que tenhamos loura, de passada firme pelos passeios de Lisboa, enquanto
se ouve uma voz ao fundo: "Maria Luís Albuquerque e Associados é hoje
uma boutique vocacionada para a recuperação de impostos." Entretanto,
vão aparecendo um a um os morenos do seu escritório. Passos Coelho no
Terreiro do Paço, de cabelos esvoaçantes (há que fazer, rápido, o
vídeo...), Paulo Portas a entrar para um táxi, Aguiar-Branco numa
arcada... No fim, todos os morenos à volta da loura. E a voz-off: "Os
resultados obtidos falam por nós." Oh quanto!", Ferreira Fernandes.
25/05/13
Se a Europa [ainda] fosse isto, estávamos safos.
Jacques Canetti é um judeu dos nossos que partiram, sefardita que nasceu na Bulgária, na margem do Danúbio, irmão de Elias Canetti, Nobel de Literatura, que escrevia em alemão mas morreu cidadão britânico, na Suíça. Jacques, esse, tornou-se francês, patrão artístico dos discos Polydor, para proveito do mundo pelo que fez por Brel, que era belga, e Serge Gainsbourg, filho de russos, e por ter convencido o francês, nascido em Reggio nell"Emilia, Itália, Serge Reggiani, então com 41 anos, a começar a cantar. Isto deu: Ma Liberté, Votre Fille a Vingt e Sarah, canções oferecidas por um grego, nascido no Egito, Georges Moustaki. Há uns anos, em 2008, eu escrevi uma crónica sobre Aznavour, que cantara na véspera em Lisboa. Uma crónica sobre um rapaz batizado Shahnourh, filho de arménios, que virou Charles e símbolo de França, porque nasceu num porto, num cruzamento do mundo, em Paris. E dele parti para a canção de há quarenta anos, Le Métèque, que não era dele, era de Georges Moustaki. A canção do meteco, palavra do grego metoikos, como os atenienses chamavam aos que não eram da cidade, que viviam nela mas tinham vindo de longe. Meteco como Moustaki, filho de Alexandria, e que desaguou em França para a inundar de belas canções. Meteco como Aznavour. Este fez 89 anos anteontem. Moustaki morreu ontem. Ambos amantes de Édith Piaf, filha de uma berbere... Onde é que eu estava? Ah, já sei, a Europa. É grande.
Ferreira Fernandes
Ferreira Fernandes
20/05/09
Porque o Ferreira Fernandes me tirou as palavras da boca...
AQUI [imagem tirada do filme de ficção-científica Village of the Damned, 1960]
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