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16/07/22
18/04/12
16/10/08
Eu não saberia expor melhor o reaccionarismo obsceno que se esconde por detrás de certos discursos prá-frentex sobre a escola
«[...] continuarei a afirmar que o nivelamento por baixo, que oficialmente se instituiu no ensino (lembremo-nos das palavras recentes do Dr. Jorge Pedreira a propósito do ensino em Portugal ser demasiado exigente), faz com que os alunos deixem de acreditar nas suas próprias capacidades, perdendo a vontade e a perseverança, que acompanham habitualmente o desenvolvimento de todo o estudo. É uma forma deselegante, no mínimo, mas também muito elitista, de dizer antecipadamente aos alunos, sobretudo aos da Escola Pública, que são uns incapazes. «[...]Esta euforia do novo pelo novo, que actualmente impera e se manifesta em todos os campos, lembremo-nos do inovador «Allgarve», é um discurso ditado por quem está mais interessado em que se cumpram ordens, neste caso de Bruxelas, e em formatar o ser humano, neste caso, alunos e professores. (...) Este discurso oficial decide, mostrando a sua arrogância (e também mediocridade) intelectual, que os interesses dos alunos se centram no presente, solto de influências, e no excesso de imagens que humanamente é impossível reter e que se dispersam sem qualquer significado. No fundo, talvez o objectivo primeiro (e estou cada vez mais convicta disso) seja treinar os alunos a não pensar.
«[...] chamaram-me elitista quando dei a conhecer, de forma crítica, a presença do «Big Brother», de «Testonovelas» e outras do mesmo género, em manuais, e quando defendi a importância da arte, nela incluindo naturalmente a literatura, na sala de aula. Mas elitistas são as pessoas que estão por detrás destes programas e das suas metodologias. Com efeito, se não for a Escola a preencher o vazio cultural, que resulta de uma situação familiar fragilizada, quem o fará? Pelo contrário, os que têm a possibilidade de conviver, em suas casas, com um discurso de cultura, não terão qualquer problema se a Escola falhar nessa sua missão. A esta desigualdade de oportunidades, que a Escola promove, chama-se cavar o fosso entre ricos e pobres, para mais tarde, como diria Vieira, no seu Sermão de Santo António aos peixes, os maiores comerem os mais pequenos. Expressiva é também a frase de uma das canções de Schumann: Aqueles que são ignorantes são fáceis de conduzir. Na verdade, quem não pensa, acaba por baixar os olhos, caminhar em grupo, seguindo os passos de quem o conduz, esquecendo-se de si próprio. E é um crime fazer com que os alunos se esqueçam de si próprios, se anulem enquanto seres humanos, nunca reflictam sobre o que quer que seja. E depois admiramo-nos com o facto de os jovens não irem votar... »
«[...] chamaram-me elitista quando dei a conhecer, de forma crítica, a presença do «Big Brother», de «Testonovelas» e outras do mesmo género, em manuais, e quando defendi a importância da arte, nela incluindo naturalmente a literatura, na sala de aula. Mas elitistas são as pessoas que estão por detrás destes programas e das suas metodologias. Com efeito, se não for a Escola a preencher o vazio cultural, que resulta de uma situação familiar fragilizada, quem o fará? Pelo contrário, os que têm a possibilidade de conviver, em suas casas, com um discurso de cultura, não terão qualquer problema se a Escola falhar nessa sua missão. A esta desigualdade de oportunidades, que a Escola promove, chama-se cavar o fosso entre ricos e pobres, para mais tarde, como diria Vieira, no seu Sermão de Santo António aos peixes, os maiores comerem os mais pequenos. Expressiva é também a frase de uma das canções de Schumann: Aqueles que são ignorantes são fáceis de conduzir. Na verdade, quem não pensa, acaba por baixar os olhos, caminhar em grupo, seguindo os passos de quem o conduz, esquecendo-se de si próprio. E é um crime fazer com que os alunos se esqueçam de si próprios, se anulem enquanto seres humanos, nunca reflictam sobre o que quer que seja. E depois admiramo-nos com o facto de os jovens não irem votar... »
[Excertos de uma entrevista da professora de liceu Maria do Carmo Vieira ao «Notícias Magazine» de 14 de Setembro 2008; mea culpa, descobri-lhe a referência apenas agora aqui]
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