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17/06/22

DICIONÁRIO (EM CONSTRUÇÃO) DAS EXPRESSÕES PREFERIDAS DE ANTÓNIO COSTA

 Vamoláver continua à frente, seguida de muito perto por Era o que faltava. 

«... Confrontado com a opinião do deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, que na CNN também defendeu a demissão de Marta Temido no Governo, Costa respondeu: Era o que faltava agora andar a seguir as opiniões do Sérgio Sousa Pinto”, disse. (...)»

A MARTINHA! Ó A MARTINHA!

Não sei mesmo como alguém pode levar a sério uma ministra  falo evidentemente de Marta Temido  que, quando convidada do programa da Cristina Ferreira, diria acerca do seu papel em tempos de pandemia: «Lembro-me muito daquele filme, "A Vida É Bela", em que o pai tentava sempre proteger o filho num campo de concentração e contar-lhe histórias, animá-lo, para o proteger daquele ambiente negativo. Eu acho que é isso que nós temos de fazer uns aos outros» (sic).

Mais fofa só a Teresa de Calcutá que era má como as cobras!


31/01/14

O fundo do fundo do fundo

19 funcionários que trabalham no edifício da Direcção Geral de Energia e Geologia adoeceram com cancro.

"o secretário de Estado da Energia, Artur Trindade,[avançou] à TSF que se está à procura de uma outra localização para a DGEG, mas que é preciso encontrar uma renda mais barata e falta autorização do Ministério das Finanças."

DAQUI.

04/03/12

Da imbecilidade enquanto modo de aproximação ao real ou de como rir é tudo o que nos impede de cortar os pulsos

Tem existido uma certa "polémica" sobre as causas do aumento da mortalidade em Portugal no último mês.
Dizem alguns que as baixas temperaturas aliadas às piores condições de vida dos portugueses estão na origem do fenómeno.
Garantem outros que somar o frio à crise é falacioso, tanto mais que o "perfil de mortalidade das últimas semanas" é absolutamente normal, já se tendo registado em 2008/2009.

Vamos deixar de lado os mortos que só atrapalham.
Vamos também deixar de lado o frio.
O que não podemos certamente deixar de lado é a brilhante conclusão de um estudo imputado à Organização Mundial de Saúde que aferiu o seguinte:
as recessões económicas em países com o grau de desenvolvimento de Portugal não têm impacto ou reduzem mesmo as taxas de mortalidade, nomeadamente por acidentes rodoviários, já que as pessoas usam menos os carros.
Vem, a propósito do referido estudo, lembrar 3 coisas:
1. "A morte de uma pessoa é uma tragédia, a de milhões é estatística", José Estaline
2. "There are three kinds of lies: lies, damned lies, and statistics", Benjamin Disraeli
3. "Get your facts first, and then you can distort them as much as you please", Mark Twain

O que nos conduz, por seu turno, à clássica anedota da rã.
Um cientista estudava o salto das rãs. Colocou o bicho em determinado ponto preciso e disse: "Salta." A rã saltou e o cientista concluiu: "Uma rã de 4 pernas salta um metro."
Cortou-lhe uma perna e disse: "Salta." A rã saltou 75 cm. O cientista anotou: "Uma rã com 3 pernas salta 75 cm."
Cortou-lhe outra perna, disse "Salta" e a rã saltou 50 cm. O cientista registou: "Uma rã com 2 pernas salta 50 cm."
Cortou a terceira perna e ordenou à rã que saltasse. A rã saltou 25 cm. O cientista escreveu: "Uma rã com 2 pernas salta 25 cm.
"Finalmente, cortou-lhe a última perna. Fartou-se de repetir "Salta! Salta!" mas a rã permaneceu imóvel.
O cientista concluiu então sabiamente: "Rãs sem pernas são surdas."

02/03/12

A miséria mata e não há mutação que nos valha: isto é simplesmente uma vergonha

Os bois pelos nomes já que os mortos não os têm: são apenas estatística.
Morre-se de frio em Portugal porque não há dinheiro nem para aquecimento, nem para comida decente, nem para médico.
O Coelho, o Gaspar, o Álvaro, o Portas, a Cristas, a Paula, o Macedo que veio da Médis e aquele jovem ministro que se deslocava de motorizada mais a rapaziada da EDP e etc. bem podem ir a Fátima pedir perdão de joelhos.
Não serão perdoados. Sabem o que fazem.
O vómito aqui.
Quem não ficar suficientemente enojado, mais aqui.

29/12/11

Um estudo secreto encomendado pelo governo terá provado uma relação íntima entre a mentira e a epilepsia (e eu vou começar a escrever palavrões!)

A conclusão do estudo levou a que a isenção de taxas moderadoras para epilépticos fique sujeita ao controlo de juntas médicas.
"Os epilépticos são uma cambada de aldrabões!", disse uma fonte que quis manter o anonimato.
Um dos autores do estudo acrescentou, também sem querer revelar a sua identidade:
"Andam por aí a espumar da boca e a assustar as crianças mas isso agora vai acabar! Controlem-se que eu também me controlo. É inadmissível que se achem no direito de distribuir choques eléctricos às pessoas na via pública e que o façam, ainda por cima, roubando dinheiro ao Estado."

13/10/10

Os socialistas de merda ou a merda de socialistas e o Maldonado Gonelha que vá morrer num corredor de hospital

São anafados, engravatados e grunhem ao telemóvel. Passeiam-se pelas urgências do ambulatório guiados por uma senhora de bata branca que tem bordado no bolso directora de qualquer coisa.
A cor da bata da senhora, que não é médica, foi escolhida criteriosamente pela equipa de marketing e publicidade do hospital: sugere respeitabilidade, confiança, segurança.
(A coisa está mais do que provada: enfiem uma bata branca num idiota qualquer e as vendas do detergente aumentam.)
O grupo de trogloditas tem um ar saudável. Os doentes não. O mundo não é justo, já sabíamos, e a cena tem lugar no recentemente inaugurado HPP Hospital de Cascais.
Num pequeno ecrã da sala de espera das urgências corre em permanência o filme da inauguração. Resultado, levamos com o Sócrates de cinco em cinco minutos.
Dito isto, o novo hospital, não há nada a dizer, fica num sítio fantástico, cheio de bons ares apesar de um pouco ventoso e fora de mão. Para os lados de Alcabideche.
Mas também nisso eles pensaram.
(Eles são a malta do HPP Saúde.)
Há uma praça de táxis (normalmente vazia) e autocarros que passam de hora e meia em hora e meia. Por perto, várias megas-lojas e um centro comercial com hipermercado. O que poderíamos querer mais? Um audi, um chauffeur e um pretinho da guiné para nos carregar as compras?
O velho hospital ficava no centro de Cascais e rebentava pelas costuras. Fizeram, pois, um novo.
É ajardinado, tem estacionamento pago e o hall de entrada lembra um hotel do Allgarve. Além de substituir o antigo também substituiu o ortopédico da Parede.
Segundo informa um gajo com o nome adequado de José Miguel Boquinhas, a HPP Saúde é responsável pela gestão do Hospital de Cascais, em regime de Parceria Público-Privada (PPP). É o primeiro hospital do Serviço Nacional de Saúde a ser concessionado e construído neste regime, que contempla a concepção, construção, financiamento, conservação e exploração da unidade hospitalar.
Quanto ao HPP Saúde, himself, é dirigido pelo socialista Dr. António Manuel Maldonado Gonelha, a quem as más línguas do costume preferem chamar electricista mas não pude confirmar, e tem qualquer coisa que ver com a Caixa Geral de Depósitos, não percebi bem.
O que percebi bem foi isto.
No recente HPP Hospital de Cascais, apesar da largueza do edifício, o número de camas somado é igual ao que existia nos antigos hospital de Cascais e da Parede. Com uma nuance: como aumentou o número de especialidades, os doentes que anteriormente eram enviados para outras unidades hospitalares agora também vão para Alcabideche.
Conclusão: quem quiser ser internado, acampa nos corredores. Que são largos, insisto.
Será ao que eles chamam, lá no site deles, umas vezes "a saúde da nova geração", outras vezes "cuidados de saúde de excelência". É só carregar na setinha.

30/08/10

Da concentração no largo do camões às ambulâncias do INEM (que só actuam em caso de vida ou de morte) e este é o ponto comum entre uma coisa e outra

Corre por aí uma polémica, arrisco que de características tipicamente portuguesas, a propósito da concentração contra o apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani realizada em Lisboa no sábado passado.
A polémica, se assim lhe posso chamar, não é sobre o tamanho das pedras adequado ao acto. Tem que ver com outra coisa. A saber, com quem estava por detrás da dita.
Infelizmente, sobre isso nada posso adiantar. Não sei. Nem sequer sei quem terão sido os organizadores oficiais (a controvérsia pressupõe, claro, que existem organizadores não oficiais).
Também nada posso dizer de particularmente interessante sobre quem esteve presente. Encontrei uma amiga que não via há algum tempo e tropecei na Edite Estrela (despermanenteada). Confesso que não me agrada por aí além concentrar-me ao lado de Edite Estrela, mas a causa justificava-o (foi o que pensei na altura).
No Largo de Camões, muito pouca gente. Mais ou menos o mesmo número de pessoas que se juntava na escadaria da igreja do Chiado a ver uns mimos.
Os organizadores, era evidente, mostravam-se pouco familiarizados com megafones. Percebiam-se mal e os discursos foram moles.
Muitas mulheres de democrático salto-alto — o que me deixa sempre um pouco perplexa por ser do tempo em que a malta, quando se concentrava, corria o risco inevitável de ter de se desconcentrar à pressa.
Tudo isto, porém, são pormenores. Explico-me.
Se fosse eu quem tivesse sido condenada ao apedrejamento (ou, para que não haja equívocos, condenada à morte por qualquer dos métodos disponíveis) gostaria de saber que pelo mundo fora havia gente a manifestar-se. Incluindo a Edite Estrela (já sei que não poderia contar com o Pereira Coutinho que tem uma visão masturbatória da compaixão ou lá o que é...).
Adianto ainda que se tivesse organizado a coisa (não sei quem foi, como já referi acima...) teria preferido concentrar-me na Rua Alto do Duque, 49 e deixar saquinhos de pedras sortidas à porta da embaixada. Até tive uma ideia para um cartaz: As pedras já cá cantam.
Resumindo: na minha (pessoalíssima) opinião, corre por aí uma polémica tonta. Como até o politizado mais empedernido salvo seja, canhoto ou dextro, deveria perceber, o caso é de vida ou morte.
O que me conduz ao segundo tema deste post: o INEM.
Pois o 112, aquele número universal a quem a gente pensa poder recorrer quando está mesmo à rasca, afinal, não é o que parece.
A não ser que já estejamos mortos ou prestes a ficá-lo nos próximos 20 minutos, do 112 despacham-nos para os bombeiros.
Reparem, nada tenho contra bombeiros. Aliás, se há gente de quem goste é de bombeiros. A questão não é essa.
Eu sei que a uma senhora não fica bem falar do metal vil, mas a questão é que em Lisboa os bombeiros cobram 30 euros por ida (e o mesmo à volta), para nos levarem nem que seja a dez minutos de casa. Se sairmos do concelho — e tivermos, por exemplo, de levar um doente de Lisboa ao Hospital de Cascais — são 53 (só ida e não têm troco).
Insisto. O problema não reside nos bombeiros. O problema é o INEM.
Ok. Não se justifica ocupar uma ambulância por causa de uma dor de dentes. Ok. Não morro se não for ao hospital, digamos, no prazo de uma hora. Mas e se a situação for daquelas em que se nada for feito morro daí a três? Espero o óbito e telefono depois do além?
Parafraseando o Sócrates, se o Serviço Nacional de Saúde é uma batalha sem fim a vida é ao contrário. E borrifa-se nos "cortes estruturais". Não acreditam, perguntem ao ex-ministro do trabalho do PS, o profícuo Maldonado Gonelha.

06/08/10

Da justiça em portugal e não não me refiro ao fripór

Veio recentemente a público esse caso de sucesso exemplar em prol da saúde pública que foi a apreensão de 500 bolas de berlim nas praias algarvias!!!
Agora que quatro desgraçados estão internados nos Capuchos correndo o risco de cegar, após terem sido operados numa clínica em Lagoa que nem sequer tinha licença para vender patas de veado, os por favor, por obséquio, peço desculpa, espero não incomodar, dominam nas declarações dos responsáveis Francisco Mendonça (delegado regional de saúde do Algarve) e Francisco George (director-geral de saúde).
O primeiro, apesar de reconhecer (a contra-gosto) que a I-QMed não estava sequer licenciada, não se coíbe de dizer estas coisas extraordinárias:
"A ARS do Algarve só teve a informação de que quatro doentes teriam sido intervencionados nesta clínica e que estariam internados num hospital em Lisboa. Perante esta notícia, como medida cautelar suspendeu-se a actividade da clínica";
"Nós tivémos esta informação no dia 27 de Julho mas nesse dia a clínica já estava fechada para obras. A clínica ainda recebeu a notificação da ARS no dia 28 de Julho e só poderá reabrir depois de apurados os factos pela inspecção-geral de saúde e depois de estar devidamente licenciada".
Resumindo
1. as bolas de berlim que nunca deixaram ninguém indisposto são apreendidas e ponto final;
2. uma clínica que anda a brincar aos médicos é suspensa quando ela própria já se suspendeu...
Como dizem em Alvor (que não é assim tão longe de Lagoa): Que te desse uma traçã no beraco desse cu, que tevesses sem cagar oito dias e quando cagasses só cagasses figos de pita inteiros.

23/11/08

I beg your pardon?

Palavras do primeiro-ministro José Sócrates (e que eu continue agarrada aos kleenex pelo menos até aos Reis se isto não for verdade).
O referido, citado pela LUSA, garantiu ontem em Valongo que os portugueses começam a ver os bons resultados da reforma efectuada na saúde e que tanta incompreensão e obstáculos teve de enfrentar.
Esta urgência básica que hoje visitamos, que abre com os mais modernos sistemas de triagem, equipamentos técnicos e quadros, só existe porque nós realizámos uma reforma das urgências no nosso país, afirmou enquanto inaugurava a ampliação do Hospital Nossa Senhora da Conceição. E acrescentou que o novo serviço ficava antes de mais a dever-se a um governo que não se deixou intimidar pelo que se dizia e prossegue uma via reformista de mudança.
Isto foi dito ontem.
Entretanto, no passado dia 13 de Novembro, havia sido divulgado em Bruxelas um estudo realizado pela Health Consumer Powerhouse que colocava Portugal na cauda da Europa em termos de cuidados de saúde. Em 31 países analisados, Portugal ficava-se pelo 26º lugar, apenas à frente da Roménia, Bulgária, Croácia, Macedónia e Letónia, com a agravante de em 2007 ter ainda assim conseguido a 19ª posicão e em 2006 a 16ª.
Conclusão: ou os tipos da Health Consumer Powerhouse são uma cambada de aldrabões ou isto numa semana foi tudo corrido a viagra.

31/01/08

Portugueses teimam em adoecer. E não se pode exterminá-los?

«São as reformas da Saúde, sim senhor, que se encontram adiadas, pelo menos até ao fim da presente legislatura. O mais grave de tudo isto é que, apesar do muito que Campos conseguiu fazer para, racionalizando o SNS, preservá-lo e melhorá-lo, as despesas do Estado com a saúde nunca pararam de aumentar nestes últimos anos. [...] Daqui, lido aqui.

29/01/08

Não tenho pedalada para isto. Nos próximos dias é só música e já vão com sorte [com 2 acrescentos que «isto» anda mesmo, mesmo acelerado]

Não sei se é do jogging viril do primeiro-ministro se do abaixamento para 5% do IVA dos ginásios mas que este país acelerou, acelerou.
Uma pessoa distrai-se e, num ápice,
correm a pontapé com uma vintena de ilegais, aos quais de nada serviu terem encalhado na Culatra, ilha onde são todos emigrantes, já foram ou pelo menos o pai. A medida de repatriamento portuguesa não passou, porém, de uma operação singela quando comparada com a enérgétique proposta de Nicolas Sarkozy, essa sim, capaz de pôr em sentido todos os chicos-espertos demasiado tisnados: mostrem lá o ADN e provem que têm familiares em França (e pergunto eu: será que os neocolonialistas do petróleo têm avós enterrados nos poços?).
O ADN não é tudo. Em Agosto passado, em Argenteuil, o presidente da câmara (também do UMP) já fora assaz criativo: nada de varrer misérias para debaixo da carpete. Assim, mandou
pulverizar os locais onde se reuniam os sem-abrigo da cidade com um desinfectante nauseabundo e só interrompeu a medida porque os trabalhadores camarários se recusaram ao serviço e houve quem tivesse o bom senso de recordar outras limpezas.
A propósito de tisnados. Não pude deixar de reparar nos traços tão pouco arianos do novo
suspeito encontrado pelos McCann, o que levou o Senhor Comentador a comentar, com claríssima clarividência, que «se esse homem é inocente, eu sou a Cicciolina. Não pode ter uma cara mais culpável. Se não sequestrou a Maddie com certeza é culpado de outros crimes hediondos». Pela parte que me toca, tive de concluir que os argumentistas do casal andam a perder qualidades.
De volta à política caseira, continua a saga do encerramento do país pelo (agora ex) ministro da saúde. Neste particular, foi curiosa a reacção do
nosso Primeiro, ainda antes de ser conhecida a causa clínica da morte do bebé da Anadia, indignado com o que chamou um aproveitamento mesquinho e oportunista do caso, em declarações de cavo fundo humanista.
Vá lá saber-se porquê, ao vê-lo esganiçar tanto a voz, veio-me à cabeça o fácies daqueles condutores que, culpados de um acidente, saltam das viaturas aos berros e de peito aberto ao mundo. (No caso posterior, protagonizado pelo INEM e por duas cooperações de bombeiros,
o acidente já tinha acontecido; a dificuldade parecia estar em que alguém se fizesse à estrada.)
[PRIMEIRO ACRESCENTO: os aviões, esses, terão mesmo cruzado o céu azul de Lisboa...]
Mais coisas. Recente foi a prescrição de um dos 23 crimes de que foi acusada Fátima Felgueiras, facto que li em resumo apropriamente titulado «
Começaram os Milagres de Fátima». Faltam 22.
Quanto ao julgamento
Casa Pia, a coisa continua a correr... com calma, meu, com calma.
E ainda. Assim que me lembre, as declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados que já explicou que não é bufo nem polícia. A
bra-se mais um inquérito, abra-se! Pim!
O nosso Primeiro, fazendo jus ao apelido, declarou a propósito: “Eu não sei nada sobre o que ele pretendia dizer”, frase cuja profundidade socrática não é preciso ter um curso incompleto de filosofia para perceber. Será Marinho, Sebastião? O país está em suspenso.
Outra notícia, para acabar com a saga nacional. Um inquérito trouxe a público conclusões extraordinárias: os professores são a profissão em que os portugueses mais confiam e os políticos as criaturas que mais apupos lhes merecem.
A nível mundial os resultados não diferem muito.
E assim vai o mundo. Sem fitas mas com algumas remodelações [E ISTO É OUTRO ACRESCENTO]
Deprimido com o post?
Anime-se. Podia ser bem pior. Podia, por exemplo, acontecer-lhe como ao ex-chanceler social-democrata alemão Helmut Schmidt, 89 anos, fumador, e à sua mulher Loki, 88, fumadora, que tiveram de esperar até tão provecta idade para serem
denunciados à polícia por uma organização de vigilância e pressão de não-fumadores .
É por isto que eu digo sempre: antes aldrabão que fascista. E vive la Suisse Libre!

30/10/07

Dente por Dente, Olho por Olho que quanto ao Tabaco já Estamos Servidos, Obrigada

Vão-me desculpar o tom repugnantemente confessional deste post mas há mais de três dias que me dói um dente. Cá vai: a Direcção-Geral da Saúde emitiu uma circular a todos os Centros de Saúde para que criem consultas específicas dirigidas a quem queira deixar de fumar, na sequência da nova lei do tabaco que entrará em vigor a 1 de Janeiro. A dependência tabágica, um dos temas mais fracturantes das sociedades pós-pós-modernas (a juntar a outros, como o aborto, a eutanásia, pena de morte, índice mínimo de massa corporal, celibato de padres e freiras, etc.), transforma-se, assim, numa patologia oficialmente reconhecida em Portugal.
Eu sei que a inveja é uma coisa muito feia. Mas as filas de fumadores arrependidos que imagino a formarem-se nos Centros de Saúde beneplacitamente acolhidas por pessoal de sorriso Pepsodent em riste faz vir ao de cima o pior que há em mim. E pergunto: por que não antes consultas específicas dirigidas a quem não queira ficar desdentado? E já agora também: por que não antes consultas específicas dirigidas a quem não queira ficar cegueta?
Concedo que um abcesso não é uma enfermidade fracturante por aí além, mas desde quando é preciso ser realisticamente moderno para se ter direito a médico? A pergunta é retórica. A dor é real. Recorda-me que o país entrou em delírio e que a Berkeley nunca lhe deve ter doído os dentes.

30/06/07

É a saúde, estúpido! (III)

«Sou o mais tolerante possível, mas não aceito quem viola o dever de imparcialidade política e de lealdade», ministro Correia de Campos
Atente-se nos vocábulos «tolerante», «imparcialidade» e «lealdade». Note-se depois como o que o que é realmente importante na frase é o atributo «possível». Conclua-se, finalmente, que uma coisa é ser possível, outra coisa é não ser possível. E dê-se graça aos anos em que andámos a queimar pestanas com o Tractatus do
Wittgenstein ...