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06/09/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «Cronicando»

«(...) Voltando à mexida no gerúndio. Problema menor, se não mesmo inexistente (como reconhece, aliás, o jornalista e escritor brasileiro Sérgio Rodrigues na sua entrevista ao Expresso de 24 de Agosto), inexistente e insuficiente para encobrir a carrada de problemas reais que enfrenta a língua em Portugal.

10/05/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «Longe do mundo*»

(...) Lembrei-me depois de Camilo Castelo Branco e da sua copiosa produção literária, que a vida custa a todos (ou, pelo menos, à maioria).

15/03/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «OS Deploráveis»

«(...) Há, claro, que recuar ao ALLgarve de Manuel de Pinho, essa memorável personagem da nossa história recente, perito em Almeida Garrett e em cães. É dele a frase: “Às vezes esquecemos que o cão do Presidente Obama é um cão algarvio”, embora sabendo-se que o bicho tinha nascido no Texas.

26/07/22

ESTOU-ME NAS TINTAS PARA A NOVELA DO ABRUNHOSA/ PUTIN MAS A MEMÓRIA É LIXADA

Assim, bem me parecia que alguém tinha sido condenado em Portugal por faltar ao respeito aos governantes.  

E embora o então presidente da República, Cavaco Silva, se tenha negado a receber o valor da multa, que o Tribunal decidiu na altura, 2013, ser de 1300 euros. o facto é que o cidadão que tão-só lhe gritou "Vai trabalhar, mas é!", "Sinto-me roubado todos os dias!" (a GNR testemunhou que ouvira "chulo" e "malandro") até seria preso logo ali porque o respeitinho é muito bonito

Claro que tratando-se do Abrunhosa, qualquer multa teria de ser paga em rublos o que dificultaria muito o processo, o qual, além disso, teria de ser traduzido para russo.


11/07/13

Ponto da situação

Ponto 1. Cavaco Silva esteve bem.
Ponto 2. Cavaco Silva esteve bem pelas piores razões.
Ponto 3. Cavaco Silva puxou as orelhas ao Passos, lixou o Portas e entalou o Seguro.
Ponto 4. Amanhã, se não estiver muito calor, desenvolvo.

04/07/13

Uma narrativa

Pedro Passos Coelho (PPC) e Paulo Portas (PP) governam juntos. PPC é maior do que PP. Apesar de PP ser mais pequeno do que PPC, PPC precisa de PP. No entretanto, quem governa de facto é Vítor Gaspar (VG).

As políticas de VG são de grande rigor e guiadas por uma máxima simples, facilmente compreensível pelo POVO: se pauperizarmos a malta, isto vai lá. Dois anos a pauperizar a malta, as metas falham. Tendo ido além da Troika, as dificuldades para pagar à Troika avolumam-se.

Um dia, VG vai ao supermercado (não sabemos qual, embora isso fosse determinante para perceber a extensão classista da contestação…) e cospem-lhe em cima. VG considera que não está para isso depois de tudo o que fez pelo país e salta do barco a meio, deixando PPC descalço.

A notícia cai como uma bomba mas PPC, que não é particularmente inteligente, insiste em que continua calçado. PP, que também já estava com o governo pelos cabelos, e que já tinha tremido com a Linha Vermelha das pensões e tal, demite-se no dia seguinte. Bomba II.

Da mesma forma que não percebeu que a saída de VG o tinha deixado descalço, PPC também não percebe que a saída de PP o deixa de cuecas na mão. Recusa a demissão de PP. Surpreendentemente para muitos, o Partido de PP obriga PP a renegociar com PPC. PP, que é homem de rigor semântico, renegoceia mas mantém que não volta ao governo.

A nova “fórmula” governamental (que atribui mais poder ao Partido de PP) é levada a Cavaco Silva (CS) que enquanto tudo isto decorre grita com Maria CS e vice-versa.

Sentindo-se desautorizado por ter feito papel de corno (o último a saber, para quem não sabe) e tendo umas contas antigas a ajustar com PP, CS recusa a fórmula e exige que PP esteja no governo.

PP recusa. CS espuma. PPC chora. António José Seguro (AJS) ri.São convocadas eleições. AJS e PP saem vencedores (no caso de PP, para surpresa do seu próprio Partido).

Na I República isto tinha dado bordoada da grossa.

Quando a Marine Le Pen ganhar eleições em França, chamem-se.

Até lá, quero que o Gaspar, o Passos, o Portas e o Cavaco tenham muitos meninos.


Desculpem-me qualquer coisinha, mas é que já não se aguenta o cheiro a tanto estrume sintético.

14/05/13

Alguém tem de ser internado: ou ele ou nós.

«Foi tomada uma decisão muito importante para o nosso futuro, que foi colocar atrás das costas, finalmente, a sétima avaliação - não se fala noutra coisa há quase um mês - e penso que foi uma inspiração - como já a minha mulher disse várias vezes - da Nossa Senhora de Fátima, do 13 de maio», Cavaco Silva.

Juro pelas alminhas que julguei que a notícia era a gozar

E tem vídeo e tudo. . 

14/07/12

Tudo isto é triste, tudo isto existe, tudo isto é fado

Cavaco Silva, montanheiro de sequeiro sem um pingo de grandeza cujo projecto para o país se resumiu a asfaltá-lo, que levou aos píncaros tudo o que o novo-riquismo tem de pior, que se rodeou de gente que devia estar na cadeia e que cada vez que abre a boca me envergonha de ser portuguesa, vem dizer que os portugueses se tinham acostumado à "vida fácil".
"Vida fácil" que ele promoveu, que os patos bravos seus amigos promoveram, que os tipos das jogadas financeiras promoveram, e que o grande Sócrates continuou acrescentando-lhe a patine das fatiotas de bom corte. É preciso não ter vergonha na cara!

29/01/12

"Uns jantam, outros são jantados"

A minha professora de História do antigo 4º ano (hoje, 8º) chamava-se Helena Balsa.
Mais tarde jornalista da RTP, desaparecida prematuramente em 2006, chegou-nos como uma lufada de ar fresco. A aberta durou pouco: Helena cedo seria catalogada pelas luminárias rançosas que dominavam, então, o Liceu de Cascais (e o país, cela va de soi…) como persona non grata.
Motivos? As suas ultra-hiper-justas calças à boca-de-sino e o recurso ao materialismo histórico como grelha pedagógica.
Conceitos como “infra” e “superestrutura”, com a infraestrutura a determinar em “última instância” a super, lançavam uma nova luz sobre, por exemplo, a crise de 1383/85 que deixava de se resumir a uma confusa novela recheada de casamentos e traições, na qual, to make a long story short, o Conde Andeiro e a Leonor Teles representavam os maus da fita.
Lembro-me muitas vezes dessas aulas.
No outro dia, ao ver citado um excerto do livro de Álvaro Santos Pereira, O Medo do Insucesso Nacional, onde o actual ministro explicava o declínio da “indústria de produção de padres” (bracarense) pelos elevados “custos de produção de novos sacerdotes”, senti-me teletransportada a esses tempos – sombrios e ao mesmo tempo felizes, parafraseando Kertész em Sem Destino – nos quais a economia era a explicação de tudo, pelo menos em “última instância” (embora definir “última instância” fosse e, creio, continua a ser, o cargo dos trabalhos).
Ainda não refeita do retorno ao materialismo dialéctico via Álvaro, ouço Cavaco Silva ”indignar-se” publicamente. E eis que, irmanados, eu e a Presidência, pela crise, é Marx quem se desmorona de novo. Pois se até Cavaco Silva se queixa, que fazer da “luta de classes” como motor da História?
Acho que a Esquerda devia reflectir sobre isto (de preferência sem abdicar do c).

20/01/12

1300 euros, reconheço que pode ser pouco de reforma, mas há que não esquecer o direito ao uso, porte e manifesto gratuito de arma de defesa

«Tudo somado (...) quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas», Aníbal Cavaco Silva
Entretanto, o próprio e todos os outros membros do Conselho de Estado, têm direito às seguintes mordomias: aqui.
Não é que ache mal; o que acho mal é que andem a choramingar em público.
Eu, pessoalmente, não digo que me casasse por 1300 euros; mas já amancebar-me...