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20/08/22
12/06/22
ELEIÇÕES LEGISLATIVAS EM FRANÇA
Com a esquerda e o partido de Macron com resultados muito próximos na primeira volta das legislativas, começa a chatear francamente a conversa dos extremos. E lá por a conversa dos extremos ter sido trazida à baila por uma mulher, a actual primeira-ministra em exercício, Elisabeth Borne, não chateia menos.
10/02/22
O ENTRISMO NÃO TEM NOVIDADE NENHUMA
Diz que os anti-sistema afinal não rejeitam o sistema. Mas qual é a admiração? A ideia de tomar o sistema por dentro é tão velha como a Sé de Braga. Só quem anda distraído é que pode pensar ter descoberto algo de novo debaixo do Sol.
Já que a extrema-direita ande a capitalizar o descontentamento popular, isso até que merecia um bocado mais de reflexão do que os ai-Jesus que isto anda cheio de "deploráveis" e de "chalupas".
05/11/21
04/11/21
10/08/21
14/01/14
Notícias da frente de combate
A
revolução começa sempre onde menos se espera. A de 1917 começou na
Rússia camponesa em vez de começar na Alemanha proletária. Em Portugal,
2014, foi na Mealhada: o triunfo dos leitões. O mundo é complexo, como
sempre digo.
13/04/12
Declaração de interesses ou como dizia o Quincas Borba "Ao vencedor, as batatas"
15/01/12
Da superioridade da literatura, enquanto arrumo na estante "O Colosso de Maroussi" de Henry Miller
«— You don’t have much use for politics?None whatever. I regard politics as a thoroughly foul, rotten world. We get nowhere through politics. It debases everything.
— Even political idealism of Orwell’s sort?
Especially that! The idealists in politics lack a sense of reality. And a politician must be a realist above all. These people with ideals and principles, they’re all at sea, in my opinion. One has to be a lowbrow, a bit of a murderer, to be a politician, ready and willing to see people sacrificed, slaughtered, for the sake of an idea, whether a good one or a bad one. I mean, those are the ones who flourish.»
21/10/11
Cisma venezuelano?
"Quero dar Graças a Deus e por isso a promessa ao Santo Cristo de La Grita, o mais antigo dos cristos. Vim apresentar-me ao chefe, ao comandante dos comandantes, a Cristo Redentor. Eu, um cristão cada dia mais cristão""O cristianismo verdadeiro é a doutrina da paz e do amor e não há outra"
"O socialismo é o caminho de Cristo".
"Desde do ponto de vista da ciência política e da realidade social, o socialismo é o caminho de Cristo".
20/10/11
A Arca de Noé

Um deputado do PSD chamado Pedro Saraiva veio ontem dizer na Assembleia da República que a alternativa à crise era adoptar-se “a visão da águia, a energia de um dragão, a força do leão e a postura briosa da formiga". Aqui há uns tempos, Cavaco Silva falara do sorriso das vacas.
É impressão minha, ou estamos entregues aos bichos?
02/10/11
O tipo escondeu a dívida, é populista, autoritário, mas, porra, é uma grande personagem!
Os excertos deste artigo, retirados de um discurso de Alberto João Jardim num comício na Madeira clamando pela maioria absoluta, são de mestre.
O homem é um case study. Vale a pena ler para desenjoar do economês.
14/07/11
Assis versus Seguro e Seguro versus Assis
(...) a campanha para as directas do PS reúne todas as condições para se tornar num dos mais fastidiosos momentos da vida política portuguesa. Ainda bem que eles têm o bom senso de a fazer quando mais de metade está a banhos e a outra parte a pensar fazer o mesmo!DAQUI
10/07/11
Mais um que percebe à brava de clítoris
Não há nada mais feminino do que dizer mal de tudo e por tudo. Ora tendo a sociedade portuguesa características vincadamente femininas, não é de estranhar, portanto, que “as meninas” se entretenham a zurzir o novo governo, a propósito de tudo e de nada.O número de ministros, o número de secretários de estado, o tamanho dos ministérios, o passado dos governantes, a extinção dos Governos Civis, as privatizações, o imposto especial sobre o subsídio de Natal, etc.
Este maldizer não significa literalmente nada. É falar por falar! Se não fossem estas coisas eram outras, as meninas não ficariam caladas.
A verdade é que o governo tem apenas treze "diinhas" de vida, tem um programa minimamente consistente (Troika oblige) e conta com um plantel de luxo, de pessoas capazes e conhecedoras da nossa realidade.
Qualquer comparação com o governo anterior é uma hipérbole tão histérica que só serve para sublinhar o frenesim clitoridiano das meninas.
Se o novo governo for minimamente viril, digo, ponderado e determinado, vai ignorar completamente este cacarejar e prosseguir sem hesitações com o seu programa. Ao fim e ao cabo, é isto que as meninas esperam e desejam de um homem, que as ignore completamente. Só desse modo é que elas lhe vão comer à mão e abrir... o coraçãozinho.
A PÉROLA TRANSCRITA FOI DESCOBERTA AQUI
Este maldizer não significa literalmente nada. É falar por falar! Se não fossem estas coisas eram outras, as meninas não ficariam caladas.
A verdade é que o governo tem apenas treze "diinhas" de vida, tem um programa minimamente consistente (Troika oblige) e conta com um plantel de luxo, de pessoas capazes e conhecedoras da nossa realidade.
Qualquer comparação com o governo anterior é uma hipérbole tão histérica que só serve para sublinhar o frenesim clitoridiano das meninas.
Se o novo governo for minimamente viril, digo, ponderado e determinado, vai ignorar completamente este cacarejar e prosseguir sem hesitações com o seu programa. Ao fim e ao cabo, é isto que as meninas esperam e desejam de um homem, que as ignore completamente. Só desse modo é que elas lhe vão comer à mão e abrir... o coraçãozinho.
A PÉROLA TRANSCRITA FOI DESCOBERTA AQUI
26/08/10
A rapaziada vista pelo ex-presidente da CIP ou é a economia estúpido
São dois rapazes novos, ambos vindos do mesmo sítio, com o mesmo aspecto, com a mesma conversa, muito baseada na imagem. Eles lá fora iam perguntar onde está a mudança e aumentavam o preço da dívida ou iam cortá-la ainda mais, declarações de Francisco Van Zeller, ex-presidente da CIP, a propósito de José Sócrates e Pedro Passos Coelho e de um eventual cenário (antecipado) de vira o disco e toca o mesmo.Aqui.
17/08/10
Da esquerda e da direita ou como se prova de novo mais valem dois escritores a voar do que um político na mão
[Enquadramento: o pequeno texto que se segue foi retirado de Como um Verão que Não Voltará (Quetzal, 2010), livro de memórias e reflexão assinado pelo marroquino Mohamed Berrada. Viagem na primeira pessoa até ao Egipto, cobre um período que vai dos anos 50 até ao final do século XX e é um documento imprescindível para se perceber como em meia dúzia de anos se pode passar da civilização à barbárie (e note-se que na Europa também já se provou do mesmo…)]«Hammad não esquecerá o seu encontro com o poeta Salah Jahine no início dos anos setenta. Tendo vindo ao Cairo procurar elementos para a sua tese, instalara-se numa pensão perto da avenida Kasr al-Nil. Uma noite, quando estava estendido na cama, foi iluminado pelo som de um alaúde acompanhado de uma voz doce e, de tempos a tempos, por comentários e risos; os ocupantes do quarto ao lado haviam organizado uma pequena festa entre amigos. No dia seguinte de manhã, perguntou ao proprietário da pensão quem ocupava o quarto: era o compositor Sayyed Mekkaoui. À tarde, ao sair, cruzou-se com Salah Jahine, cujo rosto lhe era familiar. Cumprimentou-o e apresentou-se; começaram a conversar e, quando Hammad lhe disse que gostaria de o rever com mais tempo, o poeta concordou de boa vontade e combinaram jantar juntos. Hammad, ainda cheio de entusiasmo apesar das decepções, inclinava-se para a revisão radical da experiência da esquerda. Nasser estava morto e tinha deixado um vazio que ninguém sabia como preencher. Hammad, ao abrigo da sua juventude e inexperiência, elaborava críticas e indicava o caminho da esperança; Salah Jahine deixava-o falar, contentando-se em intervir de tempos a tempos para lembrar a sucessão de desmoronamentos e recuos que assinalava a morte do grande sonho. Havia na voz dele uma melancolia indescritível; mesmo quando gracejava, o seu riso breve não conseguia vencer o muro de tristeza que o habitava por inteiro. Depois do jantar, Salah ofereceu-se para acompanhá-lo; a conversa continuou. Hammad falava e Salah escutava pacientemente. Chegados à porta da pensão, este disse-lhe:
— Ouça, ostaz Hammad, tudo o que diz é muito bonito mas, infelizmente, não serve para nada.
— E porquê, ostaz Salah?
— Porque o povo sempre foi de direita!
Hammad lançou um olhar surpreendido ao seu interlocutor; continuava embrulhado na sua tristeza, mas, de repente, desatou a rir. Riu-se com ele e depois separaram-se com um aperto de mão. Foi o seu primeiro e último encontro com Salah Jahine [que assina os diálogos e as canções do filme abaixo, realizado antes da moda da burka].»
[Nota de rodapé incluída no livro:] Poeta e artista de génio multifacetado, Salah Jahine (1930-1986), renovador da poesia egípcia e de expressão dialectal, foi também autor de canções glorificadoras da revolução e de Nasser, bastante populares nos anos sessenta. Muito afectado pela derrota de 1967, minado pela depressão, acabou por se suicidar em 1986.
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12/08/10
O delito de opinião foi cometido em primeiro mão no Delito e chega agora à Pastelaria*
Há um género de automobilistas que é assim: vai uma pessoa na estrada a ouvir e a assobiar Can’t Take My Eyes Off You completamente na boa quando aparece um tipo noutro carro e, por aselhice, desrespeito, incúria ou simples killer instinct, provoca um acidente.Os dois carros acabam por parar em modo enviesado e após aqueles intermináveis segundos em que se vê a vida andar para trás ou, pelo menos, a não andar para a frente, o condutor que ia numa boa a ouvir e a assobiar Can’t Take My Eyes Off You leva demoradamente a mão à maçaneta da porta e lança, algo hesitante, uma perna para o exterior.
É então que à surpresa do choque se acrescenta a surpresa de ver o outro automobilista (repita-se: o que provocou o acidente) já cá fora, bem firme nos membros, vociferante e esbracejando como um pássaro à bolina: Sua besta! Então não me viu? Aprendeu a conduzir em carrinhos de choque ou quê? Por pouco, ia-nos matando aos dois! Olha-me para isto! Olha-me para isto! E etc.
Perante o segundo ataque, desta vez tão-só verbal, o condutor inocente tende a sentir-se baralhado. Será que a culpa fora dele? Será que se entusiasmara demasiado naquela parte do I love you, baby/ And if it's quite alright/ I need you, baby e fizera asneira?
Há quem chame educadamente xico-espertice a esta estratégia de avançar de goela e peito abertos para a vítima invertendo os papéis: o facto é que resulta. Nos dias que correm, em que o pragmatismo é tudo e o que conta são os “resultados por objectivos”, creio tratar-se, aliás, de uma estratégia em ascensão.
O modelo é largamente utilizado pelos políticos, e não apenas portugueses (Sarkozy e Berlusconi também seriam bons exemplos). Por cá, Sócrates e seus acólitos têm contribuído com fibra para a sua implementação no continente (a Madeira daria pano para outro post).
Neste particular, o género terá sido iniciado por Jorge Coelho com a memorável frase Quem se mete com o PS leva, continuado por Augusto Santos Silva, o que gosta de malhar, pelo par de cornos de Pinho, sem esquecer, naturalmente, Ricardo Rodrigues que, ultrapassando a alta velocidade a fase verbal-metafórica, passou à “acção directa” e gamou dois gravadores. No meio desta lista (necessariamente incompleta), também é de registar o próprio primeiro-ministro, mão na anca, e o seu Era o que mais faltava!, a que teremos de somar o finíssimo Manso é a tua tia, pá.
Não me interpretem mal. Não me move qualquer puritanismo linguístico. O que me faz espécie é a boçalidade. Ou seja, a falta de ironia, de wit. Em resumo, a falta de ideias que não sejam apenas caceteiras.
Comparado com estes boys, o Almirante Pinheiro de Azevedo era um génio. Digno continuador de António Silva, a sua entrevista enquanto primeiro-ministro do VI Governo Provisório, governo que entretanto entrara em greve, é inesquecível:
Pinheiro de Azevedo: Estou farto de brincadeiras, ok? De brincadeiras, hem!?
Jornalista: Está...?
Pinheiro de Azevedo: Estou. Fui sequestrado. Já duas vezes. Já chega. Não gosto de ser sequestrado. É uma coisa que me chateia, pá.
Como assinala Eric Hobsbawm em livro recentemente traduzido pela Relógio D’Água, Escritos sobre a História (e que aproveito para recomendar), após uma tendência secular decrescente ao longo de 150 anos, a barbárie tendeu a aumentar durante a maior parte do século XX, não havendo qualquer indício que nos sugira que o seu avanço tenha terminado, o que é uma forma erudita de dizer aquilo que foi igulamente notado pelo humorista Lewis Black (e que não me canso de citar): In my lifetime, we've gone from Eisenhower to George W. Bush. We've gone from John F. Kennedy to Al Gore. If this is evolution, I believe that in twelve years, we'll be voting for plants.
Não querendo, porém, parecer demasiado pessimista, concluo com o amanhã sabe-se lá. Ou como terá dito Twain: Prediction is very difficult, especially about the future.
E muito obrigada pelo convite.
ADENDA: Os recentes desenvolvimentos do inesgotável, e parece que interminável, caso fripór, talvez pudessem servir para um post que, nos antípodas deste, se debruçasse sobre estratégias comunicacionais (aposto que adoras esta palavra, Pedro) não musculadas mas cândidas. E, a propósito de cândidas, alguém sabe da Cândida?
*texto publicado aqui, em resposta a um amável desafio
10/08/10
Post dedicado a Tomás Vasques da série Rir para não Chorar a propósito de sondagens e algumas perguntas tão óbvias que nem seria preciso fazê-las
[Claro, isto é do tempo em que a malta sabia que a política era uma puta velha e não uma alegada virgem (incrível como não foi assim há tanto tempo...)]
By the way, alguém sabe da cândida?
[Ver aqui e aqui]
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