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30/09/22

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «E LA NAVE VA»

«... In illo tempore algum homem barbudo e mal lavado se apercebeu de que as cabeleiras e o colo femininos lhe excitavam os sentidos (ou isso ou os cabelos longos das mulheres favoreciam a reprodução de piolhos). Entretanto, o mesmo homem, lidando a custo com o seu entusiasmo indecoroso e porventura pretendendo vingar Sansão do corte de cabelo ordenado traiçoeiramente por Dalila, entra em negação e mergulha estoicamente nos livros. Cogita. Lucubra. Teoriza. Alcança a luz do dogma como um budista o satori: às mulheres, e para seu bem e protecção, é devido que se cubram para não perturbarem os homens. Tudo isto, claro, antes de ter sido inventada a mini-saia, o shampoo quitoso ou da actriz Jean Seberg ter lançado a moda dos cabelos curtíssimos.

Séculos passados, alguém com obrigação de saber que já não vivemos nas cavernas e que o acasalamento humano requer uma sofisticação que não se esgota na mudança das estações apesar do que diz a letra do Let’s do it de Cole Porter – que, lá está, não é para ser interpretada à letra – reedita o preceito e impõe-no sob a forma de lei à totalidade das mulheres, incluindo as secularizadas. Os mais radicais – lembrando-nos que pior é sempre possível – ultrapassam a obrigação do uso do hijab: mulher é de niqab ou burka, ou seja, cobertas da cabeça aos pés, respectivamente com olhos e sem olhos à mostra. (...)»

13/08/22

E RECORDANDO CHARB, ASSASSINADO PELOS ISLAMISTAS EM PARIS NO ATAQUE AO CHARLIE HEBDO DE JANEIRO DE 2015

 


Ou como escreveu Umberto Eco em «O Cemitério de Praga»: «As pessoas nunca são tão completa e entusiasticamente más como quando agem por convicção religiosa» (daqui

AINDA RUSHDIE: DA CORAGEM INTELECTUAL

Enquanto Macron assina um comentário cobarde cheio de palavras vazias

«Depuis 33 ans, Salman Rushdie incarne la liberté et la lutte contre l’obscurantisme. La haine et la barbarie viennent de le frapper, lâchement. Son combat est le nôtre, universel. Nous sommes aujourd'hui, plus que jamais, à ses côtés»

o próprio Rushdie há muito havia posto os pontos nos iis, escrevendo em «Joseph Anton» (traduzido por cá na D. Quixote): «A new word has been created to help the blind remain blind: islamophobia».
Acabou a pagar o preço da frontalidade.