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26/02/10

Nunca ganhará o nobel da literatura mas, sem querer armar-me na Cristina da Suécia que a mim também ninguém me trata por chefe, ganhou o meu apreço

... sem negar que tudo aquilo é muito confrangedor (tirando talvez a voz fantástica do senhor sentado ao lado do José António Saraiva que não sei como se chama) e quanto às perguntas do PS nem falo.
Ou só isto (parafraseando as palavras de Francisco Assis acerca da possibilidade da Assembleia da República avançar mesmo para uma comissão de inquérito parlamentar): "O PS não está interessado em esclarecer seja o for e concentrou-se num único objectivo: pôr em causa o carácter dos convidados incómodos."
imagem de José António Saraiva roubada daqui

13/02/10

A coisa está a subir ainda mais de nível: Granadeiro diz-se "encornado"

Cá para mim, as desconfianças de Granadeiro, o encornado confesso, devem ter começado naquele dia em que ouviu o primeiro-ministro garantir na Assembleia que o governo se ia opor a um negócio que já sabia não existir, conforme ele próprio, Granadeiro, informara no dia anterior José Sócrates em casa de Manuel de Pinho.
Na altura declarou:"Não percebo isso. Fiquei um bocado surpreendido". Pois devia ter percebido.

12/02/10

Ainda não está tudo parvo lá para as bandas do PS embora ao Cravinho também o tivessem chutado para canto

As escutas divulgadas no âmbito do processo «Face Oculta» são uma questão de Estado que assim devem ser tratadas, considera João Cravinho. O socialista defende que o Governo deve «provar e convencer os portugueses de que as suspeitas que estão a transformar o país num pântano não têm razão de ser».
«Isto é uma grande questão de Estado e as grandes questões de Estado tratam-se no plano político, frontalmente, com argumentos convictos e com força. Não podem ser chutadas para canto nem podem ser cobertas por floreados formais», disse, esta quarta-feira, no seu espaço de opinião na Renascença.
«É do interesse do Governo, é, fundamentalmente, do interesse do país, da defesa das instituições democráticas, é prova fundamental de sentido de Estado reconhecer que se trata de um problema grave e atacar este problema com a força, a verdade e a convicção que é preciso nestas coisas dando os esclarecimentos que forem necessários e até onde forem necessários», sublinhou.
DAQUI
E, já que estamos com a mão na massa, relembre-se ISTO dos idos de 2007.

11/02/10

Há uma coisa chamada providência cautelar e outra chamada desobediência civil. Entre um tal Rui Pedro Soares e o Thoreau alguém tem dúvidas?

Um tal Rui Pedro Soares conseguiu em tribunal uma providência cautelar que visa impedir o semanário Sol de publicar esta sexta-feira mais escutas relacionadas com o negócio PT/TVI.
Felizmente, ao que parece, as edições do jornal destinadas a Angola, Moçambique e Cabo Verde já haviam seguido caminho. Não sei se ficaram, ou se ficarão, retidas no aeroporto. Em qualquer caso, assino por baixo o que diz Joaquim Vieira:
"Há suspeitas graves que envolvem pessoas do aparelho de Estado. Não havendo ninguém interessado em desvendar o assunto, cabe aos jornalistas fazê-lo no âmbito do direito à informação, princípio consagrado na Constituição”, continua.
“Que processem os jornalistas. Em última instância, o assunto vai até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e, aí, certamente que serão absolvidos”.

E assino por baixo também daquilo que escreveu Henry David Thoreau, nos idos de 1849, ainda nenhum destes chicos-espertos era nascido. Chama-se "Desobediência Civil" e começa assim:
«Aceito com entusiasmo o lema "O melhor governo é o que menos governa"; e gostaria que ele fosse aplicado mais rápida e sistematicamente. Levado às últimas consequências, este lema significa o seguinte, no que também creio: "O melhor governo é o que não governa de modo algum"; e, quando os homens estiverem preparados, será esse o tipo de governo que terão. O governo, no melhor dos casos, nada mais é do que um artifício conveniente; mas a maioria dos governos é por vezes uma inconveniência, e todo o governo algum dia acaba por ser inconveniente.(...)»
Não sei se o Louçã o terá lido em moço.

24/11/09

É demasiada informação

A gripe A que nos ameaça com os seus batalhões de vacinas mais as tribos dos antivacinas. As escutas relevantes que nos ocuparam semanas e que foram prá sucata. A Europa dos eurocratas. Primeiro pelo referendo. Depois pela sua repetição. A carne de borrego, coelho e aves que não se pode picar nos talhos (as coisas que uma pessoa aprende ao ir ao supermercado fazer compras para um empadão…). Os oponentes ao casamento gay e os preponentes do mesmo (uma pessoa ouve-os falar e fica naquela do celibato prá vida…). A Apple em paranóia antifumo. O caso de Rom Houben, durante 23 anos considerado em coma e que afinal sentia, via e ouvia absolutamente tudo. O Quinta do Côtto que agora tem rolha de plástico. O semanário Sol salvo pelos angolanos. O reformado octogenário morto por 150 euros. O calendário Maia que acaba em 2012...
Go, go, go, said the bird: human kind//
Cannot bear very much reality

19/11/09

Tudo isto é uma enorme maçada, como diria o Dr. Mário Soares

Supondo, por mera hipótese de raciocínio, serem verdadeiros os vários factos que, segundo o semanário Sol, envolvem José Sócrates, as consequências de tal situação estão à vista: o Governo, o Estado e as instituições ficariam a tal ponto descredibilizados que a solução seria, pura e simplesmente, a demissão do primeiro-ministro pela prática reiterada de batotas várias, de todo incompatíveis com a lei e com a ética, com a dignidade do seu cargo e com o interesse nacional.
É evidente que toda a gente, incluindo os titulares de altos cargos políticos, tem direito à sua privacidade. E também é evidente ter havido uma grave violação (apenas mais uma…) do segredo de justiça.
Os apaniguados de Sócrates desmultiplicaram-se, numa operação mediática sem precedentes, a invocar razões puramente jurídicas em tudo quanto é sítio, procurando desviar as atenções do problema político e da sua real dimensão.
Mas o problema tornou-se escandalosamente político. E tornou-se também uma questão de decência. As coisas são o que são e são assim mesmo.
O presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o procurador-geral da República viram-se metidos num verdadeiro imbróglio. Trata-se de dois altos magistrados, cuja idoneidade, rigor, competência e experiência são absolutamente indiscutíveis.
Por muitas explicações que sejam dadas agora quanto ao calendário das remessas e da apreciação das certidões, foi nítido o embaraço decorrente da situação, aliás protelado ao longo de vários dias e artificialmente pontuado por reenvios de competências que deixaram toda a gente perplexa. Ora nada disto terá decorrido da evidente inocuidade dos conteúdos das certidões enviadas. Se fossem inócuos tais conteúdos, qualquer deles poderia ter vindo logo a público dizer isso mesmo, dissipar dúvidas com a sua palavra autorizada e acalmar a opinião pública. Ninguém discutiria então a aplicação da lei.
Mas agora, mandadas destruir as certidões (e quem sabe se algum jornal tem cópia delas...), pode sempre pairar a suspeita de que esses conteúdos não eram afinal tão inócuos quanto isso e apontavam para qualquer coisa de política e juridicamente tão desconfortável que só um procedimento meramente formal conseguiu travar outros desenvolvimentos. No plano político, isso é desastroso e vira-se contra José Sócrates.
E afinal quem é que mandou fazer as escutas e analisou o resultado desses procedimentos. Terão sido políticos da oposição? Jornalistas de tablóides? Paparazzi desempregados? Jovens e ineptos utilizadores do Magalhães?
A resposta é confrangedoramente simples: foram magistrados portugueses, o procurador-coordenador do DIAP de Aveiro e o juiz de instrução criminal, no exercício das respectivas funções, quem sustentou existirem indícios da prática de um crime de atentado ao Estado de direito. Tratar-se-ia de puros incompetentes? De estagiários sem saber nem experiência? De loucos furiosos de justicialismo ultra-esquerdista a dispararem contra revoadas de mosquitos na outra banda? Ou antes de gente que achou ser de tal gravidade a matéria de que lhe chegavam indícios que entendeu do seu dever não agir de outra maneira?
Fosse como fosse, independentemente de apreciações formais, os factos que, pelo processo ínvio e lamentável da violação do segredo de justiça, vieram a público, adquiriram a maior relevância política e não há argumentação jurídica, por muito fundamentada que seja, que possa dissipar o seu efeito negativo.
O que é que faz com que José Sócrates e o seu naipe de ventríloquos e demais criaturas de serviço finjam não perceber o que se passa? Não há "salto à vara" que lhes permita passar airosamente por cima da situação criada, sem um esclarecimento muito sério que, dadas as circunstâncias, devia ser um imperativo político para o primeiro-ministro.
O mais deprimente é a sensação generalizada com que se fica de que Portugal está a caminho de se transformar numa república em que as bananas crescem num lodaçal. É nesses lugares que os valores se evaporam, as leis são impunemente violadas, tudo se degrada, todos os responsáveis são cúmplices e nada nem ninguém consegue evitar isso.
Mas é muitíssimo bem feito. Elegeram essa gente? Pois têm o que merecem… Assoem-se lá a esse guardanapo. Besuntem-se com o resultado. Amanhã ainda vai ser pior...

20/09/09

As minhas alfaces aparecem no google earth: será que é um assunto de estado que interesse a joão marcelino ou ao josé manuel fernandes?

A gente lê esta notícia, esta, esta e esta, mais esta, esta e esta, ou mesmo esta, ou até esta, que já não é notícia mas é muito boa, etc. e etc., e fica é com uma enorme vontade de recolher as alfaces abusivamente espiadas.
Pela parte que me toca as minhas já estão a salvo: comi-as em salada temperada com queijo, azeitonas, azeite gourmet e vinagre balsâmico, tudo do pingo doce.

19/09/09

Opereta lusa: mas se um país foi destruído porque uns tipos inventaram que nele se escondiam armas de destruição maciça porque não umas escutazinhas?

A política tornou-se num nojo. Talvez sempre tenha sido. Mesmo antes de Maquiavel. Eu porém fui formada num tempo em que a política trazia consequências. Perdoem-me o desabafo, mas é que venho de uma família que passou pelo Hospital de Caxias e pelo Forte de Peniche.
Longe de mim apologizar os good old times. Verdade, verdadinha é que só quando as coisas apertam é que dá para perceber a qualidade dos bichos.
Vem isto a propósito do número das escutas à Presidência. Um plot de quinta categoria cujo timing noticioso não podia ser mais óbvio.
Até ao dia das eleições não se prevêem melhoras no argumento. Será o vale tudo. Mas o que devia sublinhar-se é que, apesar da luta ser de morte, todos irão sobreviver após 27 de Setembro. Com mais tacho ou menos tacho. Com mais jobs ou menos jobs. Ao menos, no tempo em que a política trazia consequências, o risco sempre era sério. E a sério.
Nos dias que correm apoia-se a destruição de um país porque uns tipos inventaram que nele se escondiam armas de destruição maciça e ainda se é reeleito. Presidente da Comunidade Europeia, que não fazem a coisa por menos. Com os votos do PSD somados aos do PS.
Ora vão todos bardamerda e enfiem as vossas escutas num sítio que eu cá sei! E excuse my french.

22/10/07

Quando o Telefone Toca

Em entrevista ao semanário Sol, o Procurador-Geral da República veio dizer que, em Portugal, as escutas telefónicas «são feitas exageradamente». E acrescentou: «eu próprio não sei se tenho o telefone vigiado».
Solidária com as preocupações orwellianas de Pinto Monteiro, a Pastelaria propõe a criação de um movimento contra a discriminação das escutas: «Get Smart - Queremos Todos Ser Escutados» (nome de código: GSQTSE). Além do mais, é um direito que nos assiste.