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26/08/22

GUERRA NA UCRÂNIA (CHAPLYNE): O FACTO DE ALGUÉM SER INVADIDO NÃO JUSTIFICA TUDO NEM BATER EM TUDO

Desta vez foi o Gabinete para a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). Ontem tinha sido o Papa. Há semanas fora a Amnistia Internacional. Antes disso, o presidente alemão: o «salsicha de fígado ofendido», nas palavras do então embaixador ucraniano em Berlim, o negacionista Andriy Melnik. E por aí fora.

Agora, a propósito do ataque russo em Chaplyne, o alvo foi Gabinete da ONU por «falta de clareza». 

Com Zelensky a acusar as tropas russas de terem cometido mais um crime de guerra de que teria resultado a morte de 25 civis, incluindo duas crianças, e a Rússia, por sua vez, a reclamar que o ataque foi a um comboio de tropas e armamento (200 soldados ucranianos teriam sido mortos), a Ucrânia diz-se desapontada com a «falta de uma posição clara» do organismo internacional que apelou a que «todos os lados» respeitem o Direito Internacional Humanitário.  

O argumento usado para criticar a OCHA é o argumento recorrente: não se pode confundir o agressor com o agredido. 

E não saímos disto e daqui nada chega o Inverno. 





08/08/22

AINDA A AMNISTIA INTERNACIONAL E O RELATÓRIO DA POLÉMICA

E até já me interroguei se a insistência em denegrir a AI e o Relatório não é mais nociva para a causa ucraniana do que simplesmente aceitar o óbvio: na guerra não há santos, independemente de quem tenha ou não tenha razão. É que tanto barulho acaba por soar a censura e propaganda. 

«Apesar do clamor gerado pelo relatório que acusa o exército ucraniano de colocar civis em perigo na sua resistência à invasão russa, a ONG Amnistia Internacional mantém o rumo, liderada pela incansável Agnès Callamard.

A publicação na semana passada de um comunicado da Amnistia Internacional que acusa a Ucrânia de instalar infraestruturas militares em áreas povoadas, em violação ao direito internacional humanitário, provocou uma das controvérsias mais explosivas dos últimos anos envolvendo uma ONG.

Os críticos enfureceram-se em todo o mundo e na Ucrânia o presidente Volodymyr Zelensky acusou a Amnistia Internacional de colocar "em pé de igualdade a vítima e o agressor". Esta declaração provocou inclusive rupturas internas, levando em particular à demissão da chefe da AI na Ucrânia, Oksana Pokaltchouk, sob alegação de que o relatório estava servindo involuntariamente a "propaganda russa".

Mas a francesa Agnès Callamard, secretária-geral da AI desde Março de 2021, já conhecera outros críticos. Como relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, fora ameaçada de morte por uma autoridade saudita devido à sua investigação do assassínio do jornalista e dissidente saudita Jamal Khashoggi em Istambul, em 2018.

"Mantemos totalmente as nossas conclusões", disse Callamard à AFP na sexta-feira, assegurando que a pesquisa foi conduzida com idêntica seriedade à de "todo o trabalho da Amnistia Internacional". 

E as conclusões também coincidem com as conclusões de vários meios de comunicação ou organizações internacionais, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), lembrou. Num relatório de 29 de Junho, o ACNUDH lamentou que "as forças russas e grupos armados afiliados, assim como forças ucranianas, tenham assumido posições em áreas residenciais ou perto de infraestruturas civis de onde lançaram operações militares sem tomar medidas para proteger os civis presentes, conforme determinado pelo Direito Internacional Humanitário".


07/08/22

AMINISTIA INTERNACIONAL: O RELATÓRIO DA POLÉMICA

OCORREU-ME PORQUE ISTO ANDA TUDO LIGADO

E eu pensei.
Serão as pessoas defensoras da Ucrânia como Terra Impoluta da mesma família daquelas que consideraram o filme de Michael Cimino, "O Caçador", uma obra fascista porque continha cenas de crueldade onde os rapazes maus eram os vietcongues?

05/08/22

AMNISTIA INTERNACIONAL DEBAIXO DE FOGO

A Aministia Internacional atribui crimes de guerra aos russos: aplausos.

A Aministia Internacional denuncia que as tropas ucrânianas usam civis como escudos de guerra, ai que cai o Carmo e a Trindade e logo volta a acusação de não saber distinguir o invasor do invadido.

Como uma vez, já um bocado enfadada com a manipulação, gritei bem alto num anfiteatro da Faculdade, após o professor da cadeira de Teoria de Conhecimento sublinhar pela terceira ou quarta vez como quem não quer a coisa que o Empirismo é uma variante do Idealismo: «Já percebemos!»

Estamos assim. 

04/08/22

GUERRA NA UCRÂNIA: A AMNISTIA INTERNACIONAL RENDEU-SE À PROPAGANDA RUSSA?


Numa chamada de atenção pouco usual contra o governo da Ucrânia, a ONG diz que essas táticas usadas pelo exército da Ucrânia nos combates contra as forças invasoras russas “violam do direito humanitário internacional e coloca em perigo civis, ao transformarem objetos civis em alvos militares”.

Em comunicado, Agnés Callamard, Secretária-Geral da Amnistia Internacional, salienta que “documentámos um padrão em que as forças ucranianas colocam civis em risco e violam as leis da guerra [o direito humanitário internacional] quando operam em áreas povoadas”.
“Estar numa posição defensiva não isenta as Forças Armadas ucranianas de cumprirem o direito humanitário internacional”, aponta Callamard.

Sobre as actuações da Rússia, a Amnistia Internacional relata que já registou, em algumas regiões da Ucrânia, crimes de guerra cometidos pelas forças de Moscovo, “incluindo em algumas áreas da cidade de Kharkiv”. Contudo, aponta que “a organização não encontrou provas de que as forças ucranianas em áreas civis tenham sido ilegalmente visadas pelo exército russo”.(...)»

01/10/11

Viva a D. Maria II

Quando me ponho a pensar naquilo d’o orgulho de ser português assunto que raramente me ocorre por ser pouco atreita a patriotismos vem-me sempre à cabeça a abolição da pena de morte.
Indiferente à “doçura de sentimentos”, ao “ânimo sofredor” ou à “valentia sem alardes” que dizem (alguns) caracterizar a História de Portugal, quando chego àquela parte da D. Maria II a assinar o fim das execuções por crimes civis em 1852 sinto que nem tudo foi em vão.
Não é que isso anule o resto (“o Nada é só resto”, escreveu o poeta Reinaldo Ferreira). No caso, o resto podia também bem ser, como se relata nas Farpas, um homem condenado a varrer as ruas de Gouveia… por matar a mulher.
"Oh! Entenda-se bem: De modo nenhum queremos limitar os maridos no direito de matar suas mulheres. São questões domésticas com que nada temos. (…). Que os maridos quando lhes convenha, para melhor organização do interior doméstico, partam suas mulheres aos pedaços – coisa é que nem nos escandaliza nem nos jubila. (…) entendemos que, quando um marido se sinta dominado pelo desejo invencível de partir alguma coisa – é mais natural ir à cozinha trinchar o roast-beef do que à alcova, retalhar a esposa!"
Ramalho e Eça ridicularizaram assim, com a habitual ironia, um tribunal oitocentista. As recentes execuções nos EUA paralisam-me infelizmente o verbo.
A 21/09/2011, dois homens foram mortos pela Justiça americana, um na Georgia, outro no Texas: Troy Davis, um negro acusado de ter morto um polícia branco, clamou até ao fim a sua inocência, sujeito de um processo cheio de buracos, adiamentos e pedidos de clemência que incluíram Ratzinger, Jimmy Carter, Desmond Tutu e a Amnistia Internacional; Lawrence Brewer, um branco condenado por matar um negro, arrastando-o preso por uma corda à traseira de um jipe.
Repugnam-me as duas sentenças, mesmo se a minha simpatia se esgota em Troy Davis. E creio não ser preciso ter lido O Último Dia de um Condenado de Victor Hugo para se perceber porquê.