No dia em que cheguei ao Rio de Janeiro, Dona Laura, como toda a gente aqui a conhece, fazia o lançamento do seu livro chamado A cozinha da Alcobaça - receitas e histórias (Editora Terceiro Nome).
Voltarei mais tarde a Dona Laura. Por agora, transcrevo uma história. Como aperitivo.
Voltarei mais tarde a Dona Laura. Por agora, transcrevo uma história. Como aperitivo.
"Quando me casei, aos 21 anos, era perfeitamente ignorante em matéria de cozinha. Fui morar em Houghton, uma cidadezinha mínina, no norte de Michigan, à beira do Lago Superior, nos Estados Unidos.
(...)
Durante muito tempo só usei receitas americanas, porque me sentia mais segura com a exatidão delas, o que não impedia, entretanto, que fizesse muita comida ruim, como galinha meio crua e macarrão cozido demais, até adquirir alguma prática.
(...)
Uma vez, ainda em Houghton, fiz uma coisa extraordinária: um pudim de claras! Fiz tudo como mandava o figurino e coloquei o pudim no forno em banho-maria. Quando devia estar pronto fui olhar. O pudim tinha sumido. Não sabia o que podia ter causado o fenómeno, mas descobri: o pudim tinha levantado voo - subiu e ficou grudado no teto do forno. Durante um tempão a casa ficou cheirando a açúcar queimado toda vez que se ligava o forno. Dessa vez a exatidão não funcionou."