De repente, é ver a indignação que vai para aí com o PCP, cujos militantes, em tempos que já lá vão, eram denominados revisas ou mesmo social-fascistas. Há até quem fale da hipótese de criminalizar o partido que continua a ser de Cunhal pelas suas posições sobre a guerra na Ucrânia; outros, mais afoitos, pugnam já pela sua ilegalização.
Não tendo nada a ver com o PCP — coisa que é mesmo de família — não deixa de me fazer confusão esta bandeira anacrónica erguida com destemor nos anos 20 do século XXI.
Com o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, catapultado a ministro das Finanças, apesar de ter sido durante a sua vigência que se enviaram para a embaixada russa (entre outras) os dados pessoais de opositores ao regime de Putin, o escândalo estala agora porque há russos metidos ao barulho na recepção aos refugiados (e note-se que em várias câmaras municipais e não apenas na de Setúbal).
Vem mesmo o presidente de uma associação ucraniana — Ukrainian Refugees UAPT — declarar-se abismado por ainda existir um partido comunista em Portugal.
Bom, alguém lhe podia responder: é a democracia, pá, basicamente.
E quem concluir que serei uma espécie de compagnon de route (expressão tão anacrónica como o próprio PCP ou/e a gritaria que para aí vai contra o partido que continua a ser do Cunhal...) pode ir dar banho ao cão.
[E repare-se como o problema deixou de ser os russos pró-Putin e passou a ser os russos tout court: Nós não temos nenhum russo...]