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20/01/23

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «ERAM TEMPOS DIVERTIDOS»

«... E por falar em plantas, uma palavra, antes de continuar, para a usual clarividência da nossa ministra Maria do Céu que, já tendo profetizado a venda milionária de hortaliças para a China no início da pandemia de Covid-19, veio há dias pôr os espanhóis na ordem, explicando-lhes que a eliminação do IVA nos produtos básicos decidida pelo governo do lado foi um disparate. “Nós entendemos que não é forma de acontecer”, declarou quando confrontada com a medida. Mas lembrando-se talvez do fiasco que constituiu a venda de couves para o Império do Meio, acrescentou em português mais terra-a-terra: “De qualquer modo, estamos a avaliar”.

Éramos portanto, jovens, felizes e maioritariamente divertidos. A obsessão com a fidelidade ao marxismo-leninismo e a política pura, dura e partidária atenuara-se e até o PCP, fruto das circunstâncias, moderara a irritante mania de manipular as assembleias, avançando com pontos de ordem à mesa que exigiam votações quando os opositores às suas propostas se inscreviam para falar. O MRPP, por seu turno, deixara de bater nas pessoas que, fazendo prova de grande imprudência, colavam cartazes por cima dos seus cartazes com data de validade há muito caducada. (...)»

01/05/22

O PCP E A DEMOCRACIA: DO ANACRONISMO PORTUGUÊS

De repente, é ver a indignação que vai para aí com o PCP, cujos militantes, em tempos que já lá vão, eram denominados  revisas ou mesmo social-fascistas. Há até quem fale da hipótese de criminalizar o partido que continua a ser de Cunhal pelas suas posições sobre a guerra na Ucrânia; outros, mais afoitos, pugnam já pela sua ilegalização.

Não tendo nada a ver com o PCP  coisa que é mesmo de família  não deixa de me fazer confusão esta bandeira anacrónica erguida com destemor nos anos 20 do século XXI. 

Com o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, catapultado a ministro das Finanças, apesar de ter sido durante a sua vigência que se enviaram para a embaixada russa (entre outras) os dados pessoais de opositores ao regime de Putin, o escândalo estala agora porque há russos metidos ao barulho na recepção aos refugiados (e note-se que em várias câmaras municipais e não apenas na de Setúbal). 

Vem mesmo o presidente de uma associação ucraniana  Ukrainian Refugees UAPT   declarar-se abismado por ainda existir um partido comunista em Portugal. 

"... como é que Portugal, um país democrático, continua a ter um partido como o PCP ... É um partido que está basicamente neste momento a apoiar a guerra, não entendo mesmo”.

Bom, alguém lhe podia responder: é a democracia, pá, basicamente. 

E quem concluir que serei uma espécie de compagnon de route (expressão tão anacrónica como o próprio PCP ou/e a gritaria que para aí vai contra o partido que continua a ser do Cunhal...) pode ir dar banho ao cão. 

[E repare-se como o problema deixou de ser os russos pró-Putin e passou a ser os russos tout court: Nós não temos nenhum russo...]

12/04/22

GUERRA NA UCRÂNIA: O PCP E A INDIGNAÇÃO QUE PARA AÍ VAI

Confesso que me dá vontade de rir. A equivalência  porque é isso que está em causa  entre a Rússia de Putin, o país invasor, e a Ucrânia de Zelenski, o país invadido, subjacente às posições do PCP não pára de ser denunciada por gente indignada e vermelha de tanto gritar que parece impossível. 

Palavra que não entendo a barulheira. Afinal, qual é a surpresa? Desde a Hungria, em 1956, que o PCP vem justificando os avanços russos, ou soviéticos, tanto faz. Onde é que esta malta vivia antes? Em Marte? Na ilha Sentinela do Norte?

05/03/22

TUDO A FAZER-SE DE PARVO?

Num país que nomeia como directora do Museu do Aljube - Resistência e Liberdade uma senhora chamada Rita Rato que não tem opinião sobre direitos humanos na China porque não é chinesa e quanto aos gulags não deu essa matéria na faculdade, acho admirável o barulho que por aí vai porque o PCP não condenou a invasão da Ucrânia pelo governo russo de Putin.  

24/02/22

CHINA RECUSA CHAMAR INVASÃO À ENTRADA DAS TROPAS RUSSAS NA UCRÂNIA: O PCP ESTÁ BEM ACOMPANHADO

China’s Foreign Ministry spokesperson refused to categorize Russia’s attack as an “invasion” during a news conference Thursday.

«The U.S. has been fueling the flame, fanning up the flame, how do they want to put out the fire?»

MAIS AQUI.

12/11/11

Ainda sobre o facto de o Messias ter aparecido no "Avante"...

Embora a contragosto, devo confessar: enganei-me! As notícias vindas a público acerca do facto de o camarada Jorge Messias, cronista do PCP, não gostar de judeus são manifestamente exageradas, como bem explicou, aliás, Jerónimo de Sousa: “Nós gostamos de toda a gente, excepto do Drº Mário Soares” (citação apócrifa).
Tudo começou quando Messias resolveu rivalizar, nas páginas do “Avante”, com Dan Brown e José Rodrigues dos Santos.
“A rede conspirativa que se vai instalando na terra tem claramente origem em formações capitalistas proclamadamente religiosas. Basta olhar-se para o esquema organizativo que vai chegando ao conhecimento público para nele se reconhecer a mãozinha sinuosa dos jesuítas e dos illuminati maçónicos”, escreveu logo a abrir.
No intuito de corroborar a sua tese, o cronista ignorou As 7 Profecias Maias, As Profecias de Nostradamus, o Manual Prático do Vampirismo (Paulo Coelho), ou mesmo The Threat Revealing the Secret Alien Agenda, do conceituado especialista em raptos alienígenas David Michael Jacobs, preferindo fundamentar-se no Protocolos dos Sábios de Sião.
Os judeus — que, desde que lhes aconteceu o que lhes aconteceu, se tornaram, vá lá saber-se porquê, sensíveis a certos temas — resolveram vir lembrar duas coisas.
Uma delas, sabida pelo menos desde 1921 (Jorge Messias ainda não teria nascido…), é que os Protocolos… são uma refinada treta, criação da polícia secreta do Czar Nicolau II para liquidar certos problemas internos; uma espécie de “arma de destruição maciça” avant la lettre.
A segunda é que, enquanto “arma de destruição maciça” a coisa resultou muito bem, com Hitler a citá-los no Mein Kampf e a usá-los como (mais um) pretexto para a “Solução Final”.
Assim sendo, termino apenas com um conselho a Jorge Messias: a próxima vez que quiser explicar o estado do mundo aos leitores do “Avante”, é preferível ficar-se pelo conceito de “luta de classes”.
Será um conceito problemático, mas Marx (outro judeu, caraças!) já não está entre nós para lhe dar chatices.

14/02/11

Basicamente acho que é isto: quem lhe comeu a carne que nos roa os ossos

Os egípcios encheram a Praça Tahrir até Mubarak partir para as termas. Os italianos, num processo de imitação a que Berlusconi chamou «subversivo», saíram para a rua este fim-de-semana. Em Portugal discutem-se “moções de censura”.
O BE avançou com uma, em nome, diz o partido de Louçã, da “violação de contrato, perda de palavra, da quebra de confiança” (tudo coisas um bocado antigas, digo eu, mas sem com isto pretender comparar-me com o QI da malta citada neste post).
O Portas, eterno líder do CDS, emergiu logo para dizer que a moção de censura do BE pode ser um favor a Sócrates.
No PSD, enquanto Passos Coelho cavaquisticamente “não comenta”, alguns militantes do Partido, como, por exemplo, Marques Mendes, afirmam mais ou menos o mesmo do que Portas: a moção de censura é um frete monumental ao primeiro-ministro.
O PCP, como habitualmente, reflecte em segredo numa moção de censura que seja minha, minha e só minha.
Quanto ao próprio Sócrates, eterno líder do PS, diz que a moção de censura do BE só serve os interesses da direita, transmitindo mensagens erradas aos mercados (os mercados tornaram-se assim numa espécie de papão omnipresente e omnipotente, pior do que "o homem do saco" da minha infância ….).
Nenhuma novidade, portanto, no reino da fantochada. Ou apenas uma: depois do Simplex, dos painéis solares diurnos e nocturnos, dos moinhos de vento e do Magalhães, parece que finalmente vamos ser salvos pelos carros eléctricos e os árabes que metam o petróleo naquele sítio…
A acreditar no Teixeira dos Santos — e como não acreditar? — é o delírio!

07/05/09

A propaganda dá sempre merda!

Estou francamente farta do assunto. Que volte a ele significa que a propaganda resulta. Num mundo ideal não devia. Não vivemos num mundo ideal. Ah! pois é.
O último 1º de Maio gerou um "não acontecimento". As escaramuças entre Vital Moreira e alguns participantes da manifestação convocada pela CGTP para a data transformaram-se num caso nacional, e até o primeiro-ministro veio dizer que se tratara de "uma vergonha para a democracia".
Uma onda de indignação varreu o país porque o candidato europeu fora injuriado, esmurrado, pontapeado, enfim, ferido no mais fundo da sua alma e à superfície da epiderme também.
Até hoje, não vi nenhuma imagem que comprovasse tais factos. Mas, como diria Goebbels, um mestre da propaganda, uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade.
Saramago, diz-se que convertido já na terceira-idade aos valores democráticos, cumpriu o seu papel de bardo e falou alto.
Num artigo em que a partir do segundo parágrafo desata a referir-se a si próprio na terceira pessoa, como se do rei de Espanha se tratasse, e, significativamente intitulado "Expulsão", pede identificações e exige purgas.
Entretanto, vão-se trocando galhardetes em praça pública, pedidos de desculpa, mais galhardetes e mais pedidos de desculpas. Não se trocam bengaladas nem sapatos.
Depois alguém vem acrescentar que, pelo menos um dos arruaceiros, não era do PCP. Era do Bloco de Esquerda. Dão-lhe nome. Dão-lhe rosto. Rosto que o BE terá apagado do seu site, à semelhança do que Estaline fizera a Trotsky.
Chegada aqui, perdi-me.
Perdida, só quero dizer o seguinte porque eu cá não nasci das ervas: mentir é muito feio, andar à cata de pessoas é muito feio, denunciar é muito feio... e brincar com o Photoshop também, pelo menos às vezes.
Quanto ao Goebbels, que sem dúvida era um mestre, acabou mal. O pior, claro, tinha sido o resto.