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09/06/10

Educação sexual dos 6 aos 16 ou a modernidade húmida


Estamos completamente quilhados (a palavra talvez devesse ser "fornicados" por mais apropriada ao assunto).
Tolhido pela profundidade do pensamento de D. Duarte de Bragança — "Tornar obrigatório a educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade" — e/ou a pedagogia iluminada dos que acham indispensável introduzir a disciplina nas escolas primárias (penso que agora já não se chamam assim), Portugal dá mais um passo gigantesco em direcção a essa incontestada e incontestável coisa chamada Modernidade, que já no meu tempo era um conceito um bocado antigo.
Sobre a sexualidade infantil ainda nada foi dito de mais profundo do que isto: A teoria antiga negava a sexualidade dos adultos. A moderna diz que os bebés têm prazer sexual enquanto defecam. A antiga era melhor, ao menos podia ser contraditada pelas partes envolvidas.
O autor foi, claro, Karl Kraus e a frase visava Freud.
Quanto a mim, que nada tenho contra as cegonhas (o mesmo já não podendo dizer de Freud), estou com Kraus.
E acrescento: e se deixassem as crianças em paz? Não se preocupem com elas: quando estão interessadas, perguntam.
Isto, claro, se não estiverem demasiado ensonadas derivado ao facto de se levantarem às 6 da manhã para chegarem à escola às 8 (tudo em nome do seu sucesso escolar, claro). Mas também é verdade que já era esse o horário durante a Revolução Industrial, glorioso momento histórico que nos tornou a todos modernos.
Depois, contudo, não se admirem.
[O velhíssimo vídeo aí em cima, dos velhíssimos Monty Python, está classificado no YouTube para maiores de 18 anos — ora aí está uma medida adequada a estes tempos sombrios]

26/05/09

Cruzamento de dados: o paraíso sexual de João César das Neves e o deboche da igreja irlandesa

Não sei porquê, durante muito tempo pensei que João César das Neves, colunista do DN, fosse padre. Afinal é economista, professor universitário e ex-assessor de Cavaco Silva. Estamos sempre a aprender.
Padre ou não padre, César das Neves é ferveroso defensor da Igreja católica apostólica romana. Tem todo o direito a sê-lo. Nessas coisas da intimidade de cada um não me meto. Agora o que não acho bem é que, sem me conhecer de lado algum, o Neves se ponha com insinuações acerca da minha pessoa.


Esquerdistas é comigo, claro. Não que eu seja canhota. Ou cega. Ou surda. Para resumir: sou de esquerda e tenho dúvidas.
Por exemplo, tenho dúvidas sobre a utilidade ― e exequibilidade ― de uma disciplina de "Educação Sexual" autónoma. Tenho dúvidas que isso seja uma disciplina, à semelhança da Geografia [que saudades da geografia!], da Matemática, da Física ou das Línguas.
Posto isto: que César das Neves, padre ou não padre, venha falar dos good old times em que prevaleciam "o pudor, a castidade e matrimónio", opondo-os aos actuais, em que prevalecem a "masturbação" o "impulso sexual" e a "perfeita equivalência entre todas as opções sexuais", já me parece excessivo ― mesmo para uma esquerdista ambidextra.
Sejamos claros: não é preciso ter lido o Velho Testamento para saber que a rebaldaria vem de longe. Pormenores teológicos à parte, fiquemo-nos pelo recente relatório irlandês sobre os abusos sexuais praticados pela Igreja católica durante 60 anos na maior das impunidades. Aos padres e freiras metidos ao barulho, teria César das Neves de lhes chamar "porcalhões", "debochados", "proxenetas" e etc. Mas o problema, caro professor, é que os abusos eram endémicos. E tudo isto antes da "deseducação sexual"! Há coisas do diabo!
Texto de João César das Neves descoberto aqui.

03/06/08

O neo-realismo reciclado: assim como assim, prefiro as cegonhas







Livro alemão de educação sexual para crianças. A prova de que a pedagogia é uma praga universal. [As fotos podem ser ampliadas clicando sobre elas]