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09/06/22

GUERRA NA UCRÂNIA: TRÊS CONDENAÇÕES À MORTE NO DONETSK

O Supremo Tribunal da autoproclamada República Popular de Donetsk (que declarou a independência da Ucrânia em 2014 e não é reconhecida pela ONU) condenou à morte três homens acusados de participarem na tentativa armada de derrube do governo ao lado das forças ucranianas.

Foram identificados como Aiden Aslin e Shaun Pinner, cidadãos britânicos, e Saadun Brahim, cidadão marroquino. O Tribunal informou que os condenados têm um mês para recorrer da sentença.

01/10/11

Viva a D. Maria II

Quando me ponho a pensar naquilo d’o orgulho de ser português assunto que raramente me ocorre por ser pouco atreita a patriotismos vem-me sempre à cabeça a abolição da pena de morte.
Indiferente à “doçura de sentimentos”, ao “ânimo sofredor” ou à “valentia sem alardes” que dizem (alguns) caracterizar a História de Portugal, quando chego àquela parte da D. Maria II a assinar o fim das execuções por crimes civis em 1852 sinto que nem tudo foi em vão.
Não é que isso anule o resto (“o Nada é só resto”, escreveu o poeta Reinaldo Ferreira). No caso, o resto podia também bem ser, como se relata nas Farpas, um homem condenado a varrer as ruas de Gouveia… por matar a mulher.
"Oh! Entenda-se bem: De modo nenhum queremos limitar os maridos no direito de matar suas mulheres. São questões domésticas com que nada temos. (…). Que os maridos quando lhes convenha, para melhor organização do interior doméstico, partam suas mulheres aos pedaços – coisa é que nem nos escandaliza nem nos jubila. (…) entendemos que, quando um marido se sinta dominado pelo desejo invencível de partir alguma coisa – é mais natural ir à cozinha trinchar o roast-beef do que à alcova, retalhar a esposa!"
Ramalho e Eça ridicularizaram assim, com a habitual ironia, um tribunal oitocentista. As recentes execuções nos EUA paralisam-me infelizmente o verbo.
A 21/09/2011, dois homens foram mortos pela Justiça americana, um na Georgia, outro no Texas: Troy Davis, um negro acusado de ter morto um polícia branco, clamou até ao fim a sua inocência, sujeito de um processo cheio de buracos, adiamentos e pedidos de clemência que incluíram Ratzinger, Jimmy Carter, Desmond Tutu e a Amnistia Internacional; Lawrence Brewer, um branco condenado por matar um negro, arrastando-o preso por uma corda à traseira de um jipe.
Repugnam-me as duas sentenças, mesmo se a minha simpatia se esgota em Troy Davis. E creio não ser preciso ter lido O Último Dia de um Condenado de Victor Hugo para se perceber porquê.

02/08/11

Às vezes prefiro mesmo a minha cadela e que se lixe a metafísica

A história de Ameneh Bahrami é sinistra. Um homem, Majid Mohavedi, que viu recusado o seu pedido de casamento, atirou-lhe ácido à cara, desfigurou-a e cegou-a.
Segundo a lei vigente no Irão, quem com ferro mata com ferro morre. Um tribunal condenou Majid Mohavedi à cegueira e a sentença só não foi executada porque a vítima o perdoou no último momento. Em vez de cego, o agressor terá de lhe pagar uma determinada quantia em dinheiro, com base naquilo a que é chamado “dinheiro de sangue”.
É evidente que qualquer ser humano que lance ácido sobre outro merece castigo e dos valentes (a não ser que mais nenhum recurso lhe reste para se salvar a si próprio), e a história desta iraniana dirá muito da relação entre os dois sexos no país.
O que choca, contudo, na notícia é, mais do que o gesto do homem, um tribunal tê-lo condenado à cegueira. E, ainda mais do que isso, a execução da sentença ter lugar num hospital. Sem ou com anestesia, pergunto?
Porque, no último caso, seria um pouco como a pena capital, em que os matamos civilizadamente, tal como no poema da Sophia, sem descurar a sensibilidade do acto.