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22/11/10

Keept it simples: da relatividade de Einstein ao valor do dinheiro

Aqui há uns anos lia-se muito Piaget. Eu, pelo menos, lia. De um dos seus livros, ou de algum livro sobre ele, recordo uma história em que se contava que as crianças não tinham qualquer dificuldade em compreender a relação entre tempo e velocidade proposta por Einstein.
Até uma determinada idade, os putos achavam absolutamente natural — e mesmo uma evidência sem necessidade de demonstração — que quando se anda mais depressa o tempo passa mais devagar.
A mesma clarividência parece desenhar-se a propósito de finanças.
Tentem explicar a um miúdo as guerras cambiais entre a China e os EUA com a Europa pelo meio. Façam-no recorrendo a exemplos domésticos e deixem os esoterismos de lado.
A resposta, verão, será invariavelmente a mesma: Tens falta de dinheiro? Bom, mas nesse porque é que o governo não fabrica mais notas e pronto?, dirá ele, borrifando-se completamente para as valorizações e desvalorizações da moeda.
Ou seja, as crianças não só percebem com facilidade Einstein como, ao que parece, também concordam com Occam: entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem. E tudo isto sem saberem nada de física, de latim, ou de finanças. Abençoadas!

20/07/08

Adopção e tal e coisa...

Queria chamar a atenção para uma coisa: qualquer besta pode ter filhos. A capacidade de reprodução da nossa espécie não está sujeita a nenhum crivo prévio de selecção e, sendo assim, criaturas que engomam crianças com ferros quentes, as espancam porque choram demasiado à noite, as sujeitam ao mínimo denominador comum dos beijinhos e festinhas substituindo-os por televisão ou computador no quarto, as entregam aos cuidados de terceiros porque andam demasiado ocupadas com a carreira ou com a festa da Bibi (e não falo de nenhuma Bibi em particular, até porque não conheço nenhuma…), ou as usam para se promoverem socialmente estão todas à-vontade para criarem famílias tradicionais.
Vem isto a propósito da discussão sobre a possibilidade de casais homossexuais poderem – ou não – adoptar. Discussão que segue a outra, sobre a possibilidade de os casais homossexuais poderem – ou não – casar.
Quanto a esta última, o único argumento que me ocorre é o seguinte: se os homossexuais querem dar o nó, o que é que o Estado tem que ver com isso? Será pouco elaborado, mas serve para recordar que, como já sabia o velhíssimo William de Ockham, a parcimónia é preferível às explicações rebuscadas.
Quanto à adopção por homossexuais, a realidade dos factos – a de que qualquer besta pode ter filhos – deveria levar os seus opositores a reflectir um pouco mais no assunto. Eu, pessoalmente, não tenho dúvidas. Se faltasse à minha filha mais nova (e aqui bato na madeira quatro vezes), há um casal amigo formado por dois homens que a trataria como uma princesa.
A mim, são coisas destas que me fazem pensar.