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22/09/23

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «A ilustre casa de Portugal»

«(...) Tão à-vontade a emborcar uma mini pelo gargalo na Ovibeja como a beber una caña com Felipe VI de Espanha numa esplanada em Madrid, Marcelo Rebelo de Sousa não consegue escapar ao pecadilho dos bem-nascidos que se relacionam com o povo (recordo o poema de Cesariny [“Vamos ver o povo / Que lindo é / Vamos ver o povo. / Dá cá o pé. // Vamos ver o povo. / Hop-lá! / Vamos ver o povo. / Já está.”]) mesclando comportamentos paternalistas e elitistas com uma condescendência mais ou menos postiça.

25/11/22

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «E O QUE DIRIA MONTAIGNE?»

 «... Quanto à morsa de Oslo, sujeita ao stress da presença humana apesar dos apelos para que deixassem o animal em paz, decidiram as autoridades, temendo que pudesse tornar-se agressiva, matá-la. Foi poupada no entanto ao esquartejamento ao vivo para educação dos infantes como aconteceu à girafa da Dinamarca. Não desesperemos: talvez seja verdade que o mundo pula e avança…

Não sei por que me lembrei da morsa. Da morte anunciada da morsa. Entretanto, os humanos já tinham chegado aos oito mil milhões de exemplares.

Talvez tenha sido — é uma hipótese que me coloco — devido à torrente de raciocínios absurdos com que nos presentearam ultimamente. E que não se deixe de considerar absurdo o raciocínio que esteve na origem da decisão de matar a morsa: os humanos estão a stressar o animal; o animal stressado pode tornar-se agressivo; mate-se o animal!

Note-se: eu não estou a sugerir, à maneira de Swiff, que, em vez de se matar a morsa, se matassem os humanos. Mas se ao menos falassem menos!

....

É neste quadro dantesco [do Qatar]  — em linha com o Afeganistão, embora sem cordilheiras e com bastante mais dunas, areia e estádios e hotéis —, que só podemos ficar sensibilizados com as declarações de António Costa recusando-se a ir para lá louvar a sharia, era o que mais faltava!, e em especial de Marcelo Rebelo de Sousa que, dando o corpo às balas (salvo seja) se mostrou disposto a encabeçar — in situ — uma arriscadíssima cruzada em prol dos direitos humanos.

Quanto a Augusto Santos Silva, nada lhe ouvi ainda, mas estou certa de que emprestará à defesa dos valores democráticos universais, a mesma determinação de que deu provas na defesa do Acordo Ortográfico. (...)»

11/06/22

EM MATÉRIA DE HUMOR (INVOLUNTÁRIO) O 10 DE JUNHO FOI UM DIA GANHO

Entretanto, a cerimónia tinha começado com 90 minutos de atraso devido a um problema com o voo em Portugal e um neto de Marcelo Rebelo a residir em Inglaterra tinha-lhe telefonado a dizer que não podia ir...
Les portugais sont toujours gais (em inglês não rima).

22/04/12

A pão e água e era pouco

Não há fome que não dê em fartura. Vem o ditado popular a propósito de uns dias me faltar assunto, em outros ser uma avalanche (espero poder continuar a escrever avalanche e não, obrigatoriamente, avalancha). Quando o assunto é isso, pois, fica uma pessoa em apuros para focalizar, verbo que tem vindo paulatinamente a substituir o démodé dissílabo focar e que me faz sempre lembrar alguém a espancar outrem na cabeça com binóculos, resultado talvez de ter consumido BD em excesso durante a juventude.
A semana passada, por exemplo, gostaria de ter falado da medida anti-tabágica anunciada por Paulo Macedo para proteger as crianças do fumo dos progenitores dentro de veículos fechados (nada foi dito, que eu saiba, sobre descapotáveis), medida que, naturalmente, faz o pleno com outra – a de querer encerrar a Maternidade Alfredo da Costa – esta última por razões obscuras (tão obscuras que nem a sagacidade de Marcelo Rebelo de Sousa as conseguiu desvelar).
Ia eu comentar as louváveis prioridades do ministro da Saúde quando tropeço noutro tema (neste caso musical): o hino do Movimento Zero Desperdício, com música de João Gil e letra de Tim, interpretado por cerca de 50 artistas de um largo espectro político (como sói dizer-se).
Começa assim:“Eu não sei o teu nome mas sei que te posso ajudar/Sei que andas a passar fome mesmo andando a trabalhar/ O que eu não aproveito ao almoço e ao jantar/ A ti deve dar jeito/ Temos de nos encontrar”.
Não vou falar da miséria das rimas nem dos pobrezinhos do antes do 25 de Abril (cada família tinha o seu…). Vou limitar-me, educadamente, a citar Mário Cesariny: afinal o que importa não é haver gente com fome// porque assim como assim ainda há muita gente que come.