Se José Luís Arnaut tem razão, e falta à Grécia aquela qualidade “natural” que podemos admirar no faisão e na perdiz da célebre natureza morta de Renoir, ou mesmo em qualquer nação gerada por Deus na véspera do shabat, o que dizer do “paraíso artificial” que é indiscutivelmente este coiso, perdão, este
jardim à beira-mar plantado cantado por Tomás Ribeiro?
Porque se é vero que, desaparecidos os loiros e as acácias olorosas, a noite de estrelas rutilante apenas ilumina autoestradas, tendo as torrentes alterosas dado lugar a barragens de um glorioso amarelo, nem por isso as aves gorjeiam menos noite e dia. Aves raras.
Tivesse Baudelaire conhecido o Portugal de hoje, e ao ópio, ao vinho e ao haxixe decerto acrescentaria a classe dirigente lusa, a qual, sem recurso conhecido a psicotrópicos, bombardeia o país com doses maciças de gás hilariante.
É assim que temos um ex-espião que descobre a sua queda para o coiso consumindo “O Santo” na infância, a que acresce, já na idade adulta, o modo pouco smart como deixa que o DIAP lhe game o smartphone, facto que nos permite suspeitar que em algum momento da vida terá telefonado ao pai, bradando, à maneira de Loureiro, “pai, já sou espião!”
Segue-se um ministro que, intérprete de uma versão série B do “J. Edgar” de Eastwood, ameaça uma jornalista de publicar na Internet pormenores da sua vida privada, desconhecendo, porventura, que na era do facebook a vida privada já não é como soía.
Para apimentar o plot, veio o mesmo negar as acusações pedindo porém desculpa pelo coiso, o que nos leva aquela frase avisada de Groucho: “Ele pode parecer um idiota e agir até como um idiota, mas não se deixe enganar: ele é mesmo um idiota!"
E bote plurais nisso.
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28/05/12
15/09/11
Por estas e por outras é que eu [ainda] gosto deste país...
... ou em que outro lugar do mundo um deputado presidente de uma Comissão de Assuntos Constitucionais enviaria um envelope com informação secreta pelos CTT (correio azul?) chegando este ao destinatário (um ex-espião sob suspeita) "engatado pelo picotado"?
E, no meio disto tudo, não nasce um Jerome K. Jerome?! Porque essa parte de só nos saírem peixotos é que lixa tudo.
28/07/11
Espião que espia espião tem cem anos de perdão?
Não tenho seguido com muita atenção o assunto. Parece que mete aventais, russos e negócios em África, tudo coisas respeitáveis e recomendáveis, portanto. Resumindo o que corre para aí: diz-se que um super-espião português passou informação confidencial a uma empresa para a qual seria depois contratado como assessor.
Garante o agora ex-super-espião português que passou toda essa informação nos limites da legalidade. Será, eu cá não faço ideia nenhuma.
Não deixa, contudo, de ser bizarro que a mesma empresa para a qual passou as informações confidenciais nos limites da legalidade o tenha depois contratado como assessor.
O João Lisboa resumiu há uns dias o assunto com analítica clarividência
1) "Expresso" acusa super-espião de "passar" informação confidencial à empresa para onde, de seguida, iria trabalhar;
2) Super-espião nega tudo;
3) Super-espião pondera apresentar uma queixa-crime contra o "Expresso" por eventual existência de situações de violação de correspondência privada;
4) Logo, se a notícia do "Expresso" foi obtida através de violação da correspondência privada, a notícia... é verdadeira.
Garante o agora ex-super-espião português que passou toda essa informação nos limites da legalidade. Será, eu cá não faço ideia nenhuma.
Não deixa, contudo, de ser bizarro que a mesma empresa para a qual passou as informações confidenciais nos limites da legalidade o tenha depois contratado como assessor.
O João Lisboa resumiu há uns dias o assunto com analítica clarividência
1) "Expresso" acusa super-espião de "passar" informação confidencial à empresa para onde, de seguida, iria trabalhar;
2) Super-espião nega tudo;
3) Super-espião pondera apresentar uma queixa-crime contra o "Expresso" por eventual existência de situações de violação de correspondência privada;
4) Logo, se a notícia do "Expresso" foi obtida através de violação da correspondência privada, a notícia... é verdadeira.
Entretanto, o advogado do ex-super-espião já avançou com uma queixa-crime contra desconhecidos por violação da conta pessoal de e-mail do seu cliente.
Dois comentários
1. Não vejo que haja necessariamente violação. Se um super-espião me enviasse informação confidencial dentro dos limites da legalidade e eu por qualquer motivo o quisesse lixar, fazia constar a informação que obtivera entretanto dentro dos limites da legalidade e pronto. Acho que não é preciso ter lido o John le Carré para perceber isto.
2. O ex-super-espião português tem mesmo cara e tamanho de ex-super-espião.
Imaginá-lo de avental a jurar fidelidade aos irmãos não me tranquiliza nada, antes pelo contrário.
19/11/10
Cavaco terá medo que o espião de Sócrates vá substituir Jorge Silva Carvalho na direcção do SIED mas os tipos do Câmara Coperativa não confirmam
O anúncio da demissão de Jorge Silva Carvalho do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa nas vésperas da cimeira da NATO caiu — salvo seja — como uma bomba.Augusto Santos Silva já veio afirmar que isso não afectará em nada a segurança dos participantes nem a imagem de Portugal lá fora, mas esta última certeza foi, entretanto, contrariada por vários telefonemas feitos a partir do estrangeiro, alguns dos quais chegaram a pôr em causa a virilidade do ministro.
Conhecido internacionalmente por “gostar de malhar”, houve quem não entendesse a sua paralisia face à decisão do chefe máximo dos espiões.
After all, ele gosta de malhar, garantiu simpaticamente um assessor de Obama de ascendência açoriana. Mas em quem?!, retorquiu céptico o treinador de Bo que passava nesse momento pela Sala Oval. O tamanho de Jorge Silva Carvalho teria contribuído para o retraimento do ministro, comentava-se em segredo pelos corredores do Eliseu com receio de melindrar Sarkozy. Na Alemanha, os serviços secretos aventavam a hipótese de "malhar" significar “fazer malha”. Esta suposição terá sido a que mais magoou Santos Silva que logo mandou dizer a Angela que, embora nada tivesse contra hobbies femininos, nunca na vida havia feito tricot.
Enquanto isto, no Palácio de Belém, Maria Cavaco Silva avisou o marido, logo ao pequeno-almoço, que se Rui Paulo Figueiredo fosse nomeado para o cargo deixado vago por Silva Carvalho, e ele não reagisse, levava com um processo de divórcio.
Aturei-o sempre coladinho a ti lá na Madeira, mas isso foi só para não dar o braço a torcer ao Alberto que passou o tempo a fazer piadas!, rematou a primeira-dama entre torradas, lágrimas e suspiros.
Tentámos obter a confirmação destas notícias junto da fonte sempre bem informada do Câmara Coperativa mas a pessoa que nos atendeu — recusando identificar-se e assegurando apenas que não era o Abrantes quem falava — jurou que não sabia de nada e que andavam agora demasiado ocupados a malhar na direita porque defender o Sócrates também já parecia mal.
O blogue mudou muito nas últimas semanas, foi a única declaração que lhe conseguimos arrancar.
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