Leio que aquela senhora que previu um aumento das exportações de couves-portuguesas para a China por via da epidemia de Covid 19 está, e cito, «debaixo de fogo».
O ministério da Agricultura a que preside contesta a revolta escrevendo: «O dia não terminou ainda e o Ministério da Agricultura e da Alimentação não está em falta em relação ao afirmado anteriormente», num comunicado datado de 8 de Julho referente a pagamentos aos agricultores que deveriam ter sido feitos até dia 4.
Congratulo-me que este nosso prodígio ministerial esteja, como disse, «debaixo de fogo», só não percebo porque tiveram que esperar que abrisse a época de incêndios.
"(...) Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. (...) DAQUI
Pastas de professores?! Blazers?! FordFiesta? Cadeirinhas para os filhos no banco de trás?! PENTEADOS!!! Isto sim, é a decadência.
O feicebuque é um lugar estranho. À Menina Limão expulsaram-na. A mim convidaram-me para apoiar o Alegre. Qualquer dia querem que eu seja amiga da Lídia Jorge.
Confesso que me faz espécie. Gostam de Maria Velho da Costa mas também gostam de Lídia Jorge. Gostam de Herberto Helder mas também gostam de Manuel Alegre. Gostam de Pacheco mas também gostam de Peixoto. Gostam de Borges mas também gostam de Sepúlveda. Excluindo a Rebelo Pinto e o Coelho brasileiro (e este mesmo assim tem dias...), em quem sempre foi tão fácil bater, de que será que não gostam? Gosto tão eclético — que nada tenho contra o ecletismo — recorda-me a frase de Richard Dawkins exposta ali no canto direito do blogue: “There's this thing called being so open-minded your brains drop out”. Ou então é outra coisa.
Registe-se mais uma frase sábia do ministro da economia e inovação sobre o potencial [turístico] de Portugal: Às vezes esquecemos que o cão do presidente Obama é um cão algarvio. [Que por acaso nasceu no Texas...] Lido aqui, vindo daqui
Manuel Alegre lá esclareceu o tabu: fica. Porém, se o bardo histórico fica mas calado [pelo menos, por agora], o mesmo não se diga de Margarida Moreira, a tal senhora da DREN cujo português nem com 30 acordos ortográficos... Como bem resumiu Manuel António Pina "deu-lhe para o lirismo metafísico". E deu-lhe forte. Poetisou, pois, a dita, diz-se que em agradecimento ao apoio demonstrado pelas escolas. Foi uma orgia em verso branco. Eis a prova:
"Faz hoje 4 Anos. Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas. Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem. Contudo há algo que o tempo tem os limites certos." *
Note-se que para além da compreensão clara do emaranhado relativista einsteiniano, que aqui assume todo um pendor místico que nem o poema de Alegre "Ser ou não ser" alçança, Margarida também melhorou muito o português:"Contudo há algo que o tempo tem os limites certos." E ainda há quem, surdo à alma lirica de Moreira, ouse gritar-lhe: "NON, TU NE CHANTERAS PAS ! NON, TU NE CHANTERAS PAS!" [obrigada Tomás]
*Versão integral do e-mail de inspiração camoniana roubada daqui: De: Margarida Moreira (DREN) [mailto:margarida.moreira@dren.min-edu.pt] Enviada: segunda-feira, 11 de Maio de 2009 19:38 Para: Escolas Sede e não Agrupadas (DREN – Externo) Assunto: 4 ANOS DE MANDATO Caras e caros colegas Faz hoje 4 Anos (Surpreeeeeeesa). Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas. Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem. Contudo há algo que o tempo tem os limites certos: - Foram quatro anos bons de amizade, de solidariedade e de prazer de poder contar com o vosso profissionalismo e apoio. DA VOZ DAS COISAS Só a rajada de vento dá o som lírico às pás do moinho Somente as coisas tocadas pelo amor das outras têm voz. Fiama Hasse Pais Brandão Em nome da Direcção o nosso muito obrigado.
Um já está, faltam 7. Foi inaugurado com pompa e circunstância. E foi construído em U para que nem um só hóspede deixasse de ver o mar, dizem. Fica na Meia-Praia, em Lagos, e também dizem que é de luxo. Serão 8, portanto. Vão dar trabalho a muita gente que nem todos podem ser doutores. Até porque para doutores já nos basta o Pinho e para engenheiros, o Sousa, mais conhecido por Sócrates. Aos índios da Meia-Praia, a esses há que realojados em casas com condições que aquilo é uma vergonha! Tês3 para os Índios, já!*
Humanize-se, pois, o que resta de costa e de vazio, que os portugueses têm horror ao vazio, como se prova pela mania das esplanadas que depois ninguém frequenta dadas as correntes de ar.
Que mil negócios de betão floresçam, mas agora sem tapar as vistas (veja-se o Estoril-Sol que bonito que ficou assim em degrauzinhos, tipo socalcos do Douro...). Nada de Torremolinos ou Quarteiras: Quintas do Lago é o novo paradigma litoral... No meio disto tudo, só uma ideia perversa me consola: com a subida das águas prevista por bastos cientistas, pode ser que um dia o betão afunde [sempre se perdia menos do que a casa do Garrett deitada abaixo pelo Pinho]. Triste consolo, porém! O que me lembra, a propósito de "porém", uma frase do meu mestre [um dia havia de citá-la]: They say Wilder is out of touch with his times. Frankly, I regard it as a compliment. Who the hell wants to be in touch with these times?
*[ou que se vistam a preceito e animem o turismo com os seus modos picarescos]
A polémica sobre os alunos ciganos alojados em contentor próprio, trouxe de novo à liça a inenarrável Margarida Moreira. Independentemente das tricas partidárias que envolvam o assunto, o que me encanitou nesta história foi a conversa da discriminação positiva e da integração social. Fala Margarida Moreira da especificidade do grupo e de que seriam alunos que tinham fugido à escola.
Pergunto eu: mas, nesse caso, não seria mais eficaz aplicar-lhes uns triângulos castanhos para não repetirem a graça?
Como o meu masoquismo tem limites, não vou repetir o anterior exercício, feito aqui, a partir de uma outra pérola literária assinada por Margarida Moreira. Neste caso, limito-me a destacar a seguinte frase: Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável, acompanharemos de muito perto a defesa do bom nome da escola, dos professores, dos alunos e de toda uma população que muito tem orgulhado o nosso país pela valorização que à escola tem dado.
Esta senhora das duas uma: ou é analfabeta ou sofre de anacolutia mental. [o texto foi descoberto aqui, e clique-se na imagem para, aumentando-a, se poder confirmar que não sou eu quem está maluca]
Manuel Pinho é aquele crânio visionário que a crise ainda mal descolara já ele lhe anunciava o fim. Em 2006. O tal que querendo talvez provar saber tanto ou mais que Sócrates, inventou em inglês o Allgarve e a West Coast. O mesmo que foi dizer aos chineses que nós éramos muito em conta ou, mais recentemente, que a falência da Qimonda pode ter uma consequência positiva: dar mais flexibilidade à reestruturação das diversas partes do grupo, raciocínio que emparelha, em clarividência e militante optimismo, com a sua última deixa: números do desemprego são um sinal de esperança. O Iluminado inventou outra campanha (de novo, para não ficar atrás?): «Descubra um Portugal Maior». Uma campanha de 4 milhões de euros. A pensar em nós. No nosso bem. Para que possamos ir de férias. Por montes e vales. De biblioteca em biblioteca. Sim, porque sabeis de quantas bibliotecas dispomos? De Norte a Sul? O Pinho sabe: 20 mil. Com sorte, ainda o vamos apanhar este Verão, nalguma delas, a ler às escondidas o Viagens na Minha Terra. Why not? Vinha a propósito e sempre é Almeida Garrett. O Garrett de cuja casa Pinho foi propietário, até a conseguir demolir substituindo-a por um condomínio moderno digno da West Coast. Enfim, não certamente por acaso é este homem ― amante de sapatos italianos e manequins Fátima Lopes ― chamado da Inovação. Ora bardamerda!
Eu e os meus amigos sabíamos que existiam televisões a cores, mas nunca tínhamos visto nenhuma. Quando alguns dos rapazes que andavam comigo na escola começaram a ter televisões a cores, não foi algo que nos surpreendesse. Nós sabíamos que existiam televisões a cores. No entanto, foi espantoso ver a abelha Maia ou o Dartacão pela primeira vez a cores.