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12/10/22

ISTO ESTÁ A SER UM SUCESSO!

Humilharam-se, Biden e Macron, e envergonharam-nos (pelo menos a mim, envergonharam-me), apertando a mão ao mandante do assassínio e esquartejamento do corpo do jornalista Jamal Khashoggi.

Tudo em nome do petróleo que, neste caso, os direitos humanos ficavam para mais tarde e o Biden até foi bestialmente corajoso quando foi há umas semanas numa excursão à Arábia Saudita e olhou o Princípe nos olhos e lhe disse: "Olha, Mohammed, tenho-te a dizer não gostei nada que tivesses mandado cortar o Jamal aos bocadinhos!"

09/08/22

ISTO TEM TUDO PARA ACABAR TÃO BEM!

Enquanto um facínora cheio de petróleo, que se sabe ter mandado matar e esquartejar um jornalista nas instalações da embaixada do seu país na Turquia, é recebido de braços abertos e com pompa e circunstância no Ocidente, andam uns doidos na Europa a querer trancar os russos comuns em casa, a ver se eles aprendem.

Mas nunca ninguém lhe explicou em criança que o mundo não era justo?! Entretanto, bastava-lhe ter ido viajar, sei lá, ao Iémen, ao Mali, ao Afeganistão ou à Síria, por exemplo, para já ter percebido

Começa a ficar tudo demasiado parecido e não tarda nada vem aí o Inverno e como dizia o poeta, de seu nome Jorge Sousa Braga, ainda "vamos todos acordar com uma pérola no cu". E cu não leva acento, já agora.

08/08/22

AINDA A AMNISTIA INTERNACIONAL E O RELATÓRIO DA POLÉMICA

E até já me interroguei se a insistência em denegrir a AI e o Relatório não é mais nociva para a causa ucraniana do que simplesmente aceitar o óbvio: na guerra não há santos, independemente de quem tenha ou não tenha razão. É que tanto barulho acaba por soar a censura e propaganda. 

«Apesar do clamor gerado pelo relatório que acusa o exército ucraniano de colocar civis em perigo na sua resistência à invasão russa, a ONG Amnistia Internacional mantém o rumo, liderada pela incansável Agnès Callamard.

A publicação na semana passada de um comunicado da Amnistia Internacional que acusa a Ucrânia de instalar infraestruturas militares em áreas povoadas, em violação ao direito internacional humanitário, provocou uma das controvérsias mais explosivas dos últimos anos envolvendo uma ONG.

Os críticos enfureceram-se em todo o mundo e na Ucrânia o presidente Volodymyr Zelensky acusou a Amnistia Internacional de colocar "em pé de igualdade a vítima e o agressor". Esta declaração provocou inclusive rupturas internas, levando em particular à demissão da chefe da AI na Ucrânia, Oksana Pokaltchouk, sob alegação de que o relatório estava servindo involuntariamente a "propaganda russa".

Mas a francesa Agnès Callamard, secretária-geral da AI desde Março de 2021, já conhecera outros críticos. Como relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, fora ameaçada de morte por uma autoridade saudita devido à sua investigação do assassínio do jornalista e dissidente saudita Jamal Khashoggi em Istambul, em 2018.

"Mantemos totalmente as nossas conclusões", disse Callamard à AFP na sexta-feira, assegurando que a pesquisa foi conduzida com idêntica seriedade à de "todo o trabalho da Amnistia Internacional". 

E as conclusões também coincidem com as conclusões de vários meios de comunicação ou organizações internacionais, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), lembrou. Num relatório de 29 de Junho, o ACNUDH lamentou que "as forças russas e grupos armados afiliados, assim como forças ucranianas, tenham assumido posições em áreas residenciais ou perto de infraestruturas civis de onde lançaram operações militares sem tomar medidas para proteger os civis presentes, conforme determinado pelo Direito Internacional Humanitário".


28/07/22

DA SUPERIORIDADE MORAL COMO CONCEITO INSTÁVEL

Mohammed bin Salman, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, acusado pelos Estados Unidos em 2018 de estar implicado no assassínio e esquartejamento do corpo do jornalista Jamal Khashoggi ocorrido no interior do consulado saudita em Istambul, anda a passear pela Europa, depois de ter recebido em casa Joe Biden.
 
Já esteve com Kyriakos Mitsotakis, primeiro-ministro grego, e falta ainda a fotografia com Macron que o recebe hoje em Paris, no Eliseu (a que reproduzo é de Dezembro do ano passado em Riad). 



17/07/22

JOE BIDEN NA ARÁBIA SAUDITA: SUJAR AS MÃOS E VOLTAR COM ELAS VAZIAS

Depois de ter desistido da promessa de tornar a Arábia Saudita num Estado pária, fechando os olhos ao assassínio e desmembramento do corpo do jornalista Jamal Khashoggi, encontrando-se com o mandante do crime, o Príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, o presidente norte-americano regressa do Médio Oriente sem conseguir o seu principal objectivo: garantir um aumento da oferta de petróleo. 

Isto tem tudo para correr tão bem!


16/07/22

JOE BIDEN, OS ESTADOS PÁRIAS E A ELASTICIDADE MORAL

O problema dos discursos moralistas é que a moral, quando a coisa aperta, torna-se elástica...

Se antes de ser eleito, Joe Biden tinha garantido ir fazer da Arábia Saudita um «Estado pária» — «I would make it very clear we were going to make [the Saudi government] pay the price, and make them, in fact, the pariah that they are.» — agora dá conferências conjuntas com os responsáveis do país que fazem orelhas moucas às perguntas de jornalistas sobre assassínio e desmembramento do corpo de jornalistas...

«No final do encontro entre o Presidente Biden e o Princípe herdeiro Mohammad bin Salman da Arábia Saudita, o jornalista da NBC News Peter Alexander gritou: “Jamal Khashoggi. Vai pedir desculpa à família?". O Príncipe Mohammad e Biden ignoraram a pergunta.»

01/07/22

NEGÓCIOS DAS ARÁBIAS, JOE BIDEN, A GRAMÁTICA E O LADO (in)CERTO DA HISTÓRIA

«Não pedirei directamente aos sauditas que aumentem a extracção de petróleo», disse Biden quando perguntado sobre a sua visita agendada à Arábia Saudita, no âmbito de uma reunião do Conselho de Cooperação do Golfo. «A reunião é NA Arábia Saudita, não é SOBRE a Arábia Saudita», enfatizou, distinguindo o pronome da preposição.

Sem questionar os conhecimentos gramaticais do presidente dos EUA, não se pode deixar de confirmar como o nosso Luís de Camões estava certo e o mundo é mesmo composto de mudanças. 

Ainda em 2020, Biden tinha prometido transformar a Arábia Saudita num Estado pária, após a divulgação de um relatório que dava como provada a implicação do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman no assassínio  seguido de desmembramento do corpo   do jornalista do Washington Post, Jamal Khashoggi, no consulado saudita em Istambul em 2018.

Como não amar a política?