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06/01/23

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «1, 2, 3 EXPERIÊNCIA»

«A primeira aparição em carne e osso, digamos assim, de HAL 9000, uma personagem/computador criada pelo escritor britânico Arthur C. Clarke, aconteceu no clássico de Stanley Kubrick, 2001, Odisseia no Espaço, chegado ao grande ecrã em Abril de 1968 estava a França a um mês de ensaiar uma revolução que exigia o impossível.

(...) Mais de meio século depois de HAL 9000, a mais badalada coqueluche da Inteligência Artificial é um chatbot que dá pelo nome de ChatGPT. Desenvolvido e aperfeiçoado pela OpenAI, surgiu em Novembro de 2022 e poucos dias após ter sido lançado já alimentara a conversa de mais de um milhão de utilizadores.

Confesso que no que toca à utilização de chats, a minha curtíssima experiência recua aos seus tempos primordiais, quando a troca de mensagens escritas tinha por trás seres humanos (sabendo-se embora que em muitos casos, se não a maioria, os seus perfis haviam sido aprimorados, para não dizer aldrabados), e terminaria abruptamente mal começara quando um moço que se dizia na Suíça me perguntou: Donde teclas? A minha sensibilidade à língua não aguentou o embate da nova forma verbal e deixei o interlocutor sem resposta entregue à maçadoria helvética.

Leio agora que o ChatGPT leva a cabo uma revolução nunca vista, inimaginável sequer pelos franceses que em Maio de 68 exigiam o impossível. (...)»

16/09/22

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «A MORTE SAIU À RUA»

«... Eram os loucos anos 80. Sobretudo nas cidades, a juventude, isenta agora de ir para África combater os turras e gritar Angola é Nossa, dava finalmente ares de modernidade (ou de pós-modernidade) — amortecido o apelo dos comícios e da Reforma Agrária — e recuperava o tempo perdido da geração anterior.

O clima era culturalmente festivo e as noites não lhe ficavam atrás (quase se poderia colá-las ao título da francesa Raphaele Billetdoux editado pela saudosa Cotovia: As Minhas Noites são mais Belas que os Vossos Dias). E para se entender melhor o abismo que separa o ambiente, o tom, a alegria dessa época da anterior, registe-se a data de publicação de dois dos nossos romances maiores: O Delfim de José Cardoso Pires, 1968; O que Diz Molero de Dinis Machado, 1977. (...)

Estreou então entre nós o filme A Cidade Branca. Era 1983, na capital, no Bairro Alto, ainda havia jornais e putas, e foi com dificuldade que convenci um amigo brasileiro a ir ao cinema ver a fita do suíço. O meu amigo não podia com helvéticos. Odiava chocolate suíço, relógios de cuco, a banca suíça, os Alpes suíços, o queijo Gruyère e, claro, todo e qualquer artista suíço (talvez pudesse apreciar Robert Walser, mas porque Walser era louco). (...)»

07/08/22

AMINISTIA INTERNACIONAL: O RELATÓRIO DA POLÉMICA

OCORREU-ME PORQUE ISTO ANDA TUDO LIGADO

E eu pensei.
Serão as pessoas defensoras da Ucrânia como Terra Impoluta da mesma família daquelas que consideraram o filme de Michael Cimino, "O Caçador", uma obra fascista porque continha cenas de crueldade onde os rapazes maus eram os vietcongues?

01/07/22

A MEDITAÇÃO DE SEXTA: «Always Look on the Bright Side of Life (mas está difícil)»

«... A coisa vem de trás. Se o ex-futebolista Paulo Futre falava com contagiante optimismo dos charters de chineses que iam vir, foi preciso a Rússia invadir a Ucrânia para Ursula von der Leyen o conseguir igualar no discurso esperançoso, ao anunciar-nos que um planeta mais verde nos espreita na esquina da guerra. Putin está a empurrar a Europa para a energia renovável, limpa, a ajudar a Europa a livrar-se dos combustíveis fósseis russos, disse a presidente da Comissão Europeia numa entrevista à jornalista norte-americana Mika Brzezinski, transmitida a 23 de Maio pelo canal de televisão MSNBC. Se o raciocínio não é mais sofisticado do que o da nossa ministra da Agricultura, que vislumbrou na Covid-19 uma oportunidade para a couve-portuguesa invadir o mercado chinês, parece, no entanto, mais próximo do estilo querençoso de Marta Temido quando ao ser perguntada, no Programa de Cristina, sobre o seu papel na pandemia, respondeu, o olhar celestial: “Lembro-me muito daquele filme A Vida É Bela, em que o pai tentava sempre proteger o filho num campo de concentração e contar-lhe histórias, animá-lo, para o proteger daquele ambiente negativo. Eu acho que é isso que nós temos de fazer uns aos outros.” E que me perdoe o leitor se insisto em reproduzir tais declarações, mas há frases que nos ficam para a vida. (...)»

17/06/22

A MARTINHA! Ó A MARTINHA!

Não sei mesmo como alguém pode levar a sério uma ministra  falo evidentemente de Marta Temido  que, quando convidada do programa da Cristina Ferreira, diria acerca do seu papel em tempos de pandemia: «Lembro-me muito daquele filme, "A Vida É Bela", em que o pai tentava sempre proteger o filho num campo de concentração e contar-lhe histórias, animá-lo, para o proteger daquele ambiente negativo. Eu acho que é isso que nós temos de fazer uns aos outros» (sic).

Mais fofa só a Teresa de Calcutá que era má como as cobras!


07/05/22

RELEMBRANDO QUE QUASE TUDO EM «DOCTOR STRANGELOVE» DE STANLEY KUBRICK ERA VERDADE

Um artigo de 2014 publicado em The New Yorker assinado por Eric Schlosser cuja actualidade não precisará de ser explicada. 

«... Released on January 29, 1964 [“Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, Stanley Kubrick’s black comedy about nuclear weapons], the film caused a good deal of controversy. Its plot suggested that a mentally deranged American general could order a nuclear attack on the Soviet Union, without consulting the President. One reviewer described the film as “dangerous … an evil thing about an evil thing.” Another compared it to Soviet propaganda. Although “Strangelove” was clearly a farce, with the comedian Peter Sellers playing three roles, it was criticized for being implausible. An expert at the Institute for Strategic Studies called the events in the film “impossible on a dozen counts.” A former Deputy Secretary of Defense dismissed the idea that someone could authorize the use of a nuclear weapon without the President’s approval: “Nothing, in fact, could be further from the truth.” (See a compendium of clips from the film.

When “Fail-Safe”— a Hollywood thriller with a similar plot, directed by Sidney Lumet—opened, later that year, it was criticized in much the same way. “The incidents in ‘Fail-Safe’ are deliberate lies!” General Curtis LeMay, the Air Force chief of staff, said. “Nothing like that could happen.” The first casualty of every war is the truth—and the Cold War was no exception to that dictum. Half a century after Kubrick’s mad general, Jack D. Ripper, launched a nuclear strike on the Soviets to defend the purity of “our precious bodily fluids” from Communist subversion, we now know that American officers did indeed have the ability to start a Third World War on their own. And despite the introduction of rigorous safeguards in the years since then, the risk of an accidental or unauthorized nuclear detonation hasn’t been completely eliminated. (...)»

20/02/22

LARGUEM A UCRÂNIA, VEJAM CINEMA!

Vi ontem, por mero acaso, na televisão o filme «Charlie Wilson's War», em português «Jogos de Poder» (2007). É sobre os bastidores da política que levou à intervenção dos norte-americanos no Afeganistão. 
Não é uma obra-prima do cinema, nem me interessa particularmente a sua mensagem. Mas os diálogos escritos por Aaron Sorkin e a personagem interpretada por Philip Seymour Hoffman... Caramba! 
Só para pessoas crescidas. 


28/07/11

O Ovo da Serpente [que isto de me ter fartado de ver Bergman sempre há-de servir para alguma coisa]



"He never says what he’s thinking. He just charges ahead with all his feelings and he looks so frightened. And I try to tell him that we’ll help each other, but that’s only words for him. And everything I say is useless. The only real thing is fear."
Manuela Rosenberg sobre Abel Rosenberg, in O Ovo da Serpente

08/03/10

E como eu gosto deste homem, minhas senhoras!


Valeu a pena ficar acordada até às 5 da manhã só para ver Jeff Bridges levar para casa a estatueta dos óscares.
[E já agora, confesso, assistir à abada do Avatar...]