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14/06/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA «Os EMPATAS: Nos dias bons, aplaude-se a resistência ladina dos portugueses ao poder; nos dias maus, critica-se a falta de frontalidade dos mesmos.»

«(...) Considerando o avanço da extrema-direita na Europa – embora não falte quem, fazendo umas contas de merceeiro continue a achar, desentendendo a ironia do aforismo de Ennio Flaiano, companheiro de estrada e de argumentos de Fellini: “La situazione politica (…) è grave ma non è seria” – (veja-se o exemplo de Ursula von Der Leyen, gritando em êxtase sem desarrumar o cabelo: “Vencemos as eleições europeias!”), os resultados em Portugal só nos podem alegrar.

Em resumo: o voto de protesto no Chega, sendo grave, não foi sério. Os deuses nos ouçam!
«De resto, basicamente o costume. Os portugueses, mais uma vez comedidos, optaram pelo empate. A calcutaense Temido lá vai para a Europa, assim como o pernóstico Bugalho e mais uns quantos, um pacote onde se incluem betos e betinhos. Aproveitemos que daqui a nada metem-se as férias de Verão e muito pior estão os franceses.
«Ainda assim, impossível esquecer que os tambores da guerra continuam a rufar pela Europa. Mas como diz o mais macabro provérbio nacional: “enquanto o pau vai e vem folgam as costas!” E termino por aqui que não quero estragar um dia bom.»

08/06/09

A derrota de Sócrates profetizada por Moreira ― na altura ninguém entendeu por ser a frase um tanto obscura como é próprio das profecias

Palavras para quê? É uma artista portuguesa!
Imagem roubada daqui

Eleições: o Dia D depois do Dia D

Os conservadores avançam na Europa, pelo que se aguarda com grande expectativa a entrada no Parlamento Europeu das deputadas eleitas pelo partido de Silvio Berlusconi.
A extrema-direita avança na Europa. Na Holanda, então, é um vez que te avias. Mas na Inglaterra, meus senhores!?
José Sócrates levou uma abada bem dada depois da campanha negra do Vital. A ajuda do próprio juntou a fome à vontade de comer. E comeram pela medida grande!
A extrema-direita não elegeu ninguém no burgo. Os brandos costumes nem sempre são uma coisa má.
Há um partido de piratas eleito na Suécia. Eu, se fosse sueca, mesmo não sendo loura se calhar tinha votado neles.
Os eleitores europeus borrifaram nesta Europa; qualquer dia os burocratas de Bruxelas lixam-se. Esperemos só não nos lixarmos todos por arrasto.
Enquanto isto, na América, Obama continua a parecer uma razão para não desistirmos ainda.

05/06/09

E quanto às eleições é isto

Acho que se deve votar. O voto branco, nulo e a abstenção são ignorados pelo sistema político. O voto será sempre uma escolha relativa, táctica, prática. Se excluirmos 25% de cidadãos bafejados pela graça, a imensa maioria não se identifica com nenhum programa, líder ou sub-líder, para andar por aí em comícios ou arruadas.
Deixo de lado a fauna abjecta dos directores gerais e esposas, assessores, pequenos e médios autarcas e famílias, directores de hospitais e de agrupamentos de centros de saúde, administradores delegados filhos e filhas, brochistas e esposas. Essa gente é o esteio do regime. Vive da tença. O seu entusiasmo é proporcional às ajudas de custo. Organizam-se em sociedades discretas onde tratam dos valores e da sua reprodução. Deviam ser ignorados pelas pessoas de bem.
Deixo de lado os excursionistas, os pobres de espírito, o exército de reserva, os que fazem fila para um lugar na plateia e batem palmas, sorriem, dizem ohhhh de espanto a mando dos cartazes.
Deixo de lado os rapazes de família que vêem na chatice das tarefas partidárias a tarimba para um futuro radioso.
Deixo de lado os convictos. Os militantes dos partidos minoritários. Eu tive a fé deles e a doença deles.
Mas se excluirmos os pulhas, os excursionistas e os convictos que alimentam o espectáculo do regime, o que resta é a multidão que os suporta com indulgência e agora, ao que parece, se prepara para abster.
Como tomar banho na praia, beber um copo ou dormir são actos insignificantes, é preferível a insignificância do nosso voto. Um voto contra Sócrates, que representa o pior dos últimos trinta e cinco anos: inscreveu-se no PS porque se enganou na porta, assinou projectos que simbolizam a degradação imobiliária do país interior, transformou o PS no partido dos Coelhos e dos Varas, dos Campos e dos Vitais, esteve na trapalhada do Freeport, na entrega do CCB, criou a dona Lurdes e a dona Ana, privatizou o ar e nacionalizou o BPN, foi elogiado ad nausea pelo dr. Dias Loureiro. Aos socialistas que votam nessa sêxtupla de pesadelo que assombra as rotundas da pátria – Campos e Estrela, Gomes e Estrela, Capoulas e Estrela, Vital e Estrela, Elisa e Estrela – devíamos dizer: jamais esqueceremos.
Texto roubado daqui.

28/05/09

Maniqueísmo update: Vital passou do "sempre, sempre ao lado do povo" para o "sempre, sempre ao lado do polícia"

Quando se trata de prevaricações, prefiro caçar o prevaricador e não atirar sobre o polícia, disse Vital Moreira no âmbito da campanha para o Parlamento Europeu, referindo-se ao caso BPN e, supõe-se, a Vítor Constâncio.
E, por falar em campanha para o Parlamento Europeu, fiquei hoje a saber [se calhar já toda a gente sabia...], ao tropeçar num cartaz de rua da Juventude Socialista, que a JS é pelo "direito ao TGV" [!!!]. Acabo de encontrar a justificação online:
Quanto ao TGV, esta é uma proposta que a JS defende activamente sem qualquer lugar para dúvidas. É um direito da juventude, porque seremos nós quem mais tirará proveito com a alta velocidade.
Li e fiquei de rastos (e não, não são as preposições que me matam...)!
É que uma pessoa põe-se a pensar no InterRail com paragem em todas as estações e apeadeiros e (descontado o pivete das peúgas e a falta de desodorizante dos compagnons de route) não só leva com "o tempo, esse grande escultor" como ainda leva com o jovem Duarte Cordeiro.