Eu não vi. Mandei desligar a coisa há mais de um ano. Mas mesmo que pudesse ver não via porque não me posso enervar. Contaram-me.Estava o primeiro-ministro José Sócrates (não confundir com Passos Coelho) a apresentar as medidas necessárias para sairmos da crise, incluindo o aumento de 1% do IVA em todos os escalões do mesmo, quando aparece alguém que lhe pergunta se acha justo avançar assim com a artilharia pesada e fazer disparar o preço de bens essenciais, tipo água e pão.
Para quem não perceba a pergunta, esclareço que há já por aí muita malta a pão e água e não é de sementes nem do Luso.
Vai daí o primeiro-ministro José Sócrates (não confundir com Passos Coelho, e se insisto nisto é porque eu própria os confundo...), respondeu com aquela rapidez de raciocínio que lhe é própria (e que lhe tem permitido dizer uma coisa hoje e dizer outra logo amanhã, quando não uma de manhã e outra à tarde e tudo no mesmo dia...), que se o pão ia aumentar a Pepsi e a Coca Cola também.
Antes de mais, quero saudar o primeiro-ministro por ter referido as duas marcas rivais sem esquecer nenhuma, o que lhe teria ficado mal, tanto mais que acumula as suas funções no governo com as de secretário-geral de um partido pluralista.
Em seguida, queria dizer ao senhor primeiro-ministro que se, conhecida como é a sua costela europeísta de esquerda, posso perceber o gozo que lhe terá dado taxar, de uma vez só, duas bebidas americanas (passa a Coca Cola de 5%, ou seja, do mais baixo escalão do IVA, para 6%), por outro lado não entendo por que razão uma embalagem do europeíssimo Nestum (quem diz Nestum diz cereais, quem diz cereais diz pão…), taxada já em 20% (ou seja, o mais alto valor do escalão) passa a 21%. Porquê? O que é que o governo presidido por V.Exª pode ter contra a Nestum?
Eis uma pergunta que gostaria de ver respondida, sem com isto pretender pôr em causa a bondade das medidas anunciadas pelo senhor primeiro-ministro Passos Coelho, perdão José Sócrates (eu bem disse que os confundia).
Fusão celular observada aqui