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28/06/24
06/09/22
CONTRIBUIÇÃO VOLUNTÁRIA PARA O ESFORÇO DE GUERRA
Todos aqueles e aquelas que defendem que a guerra em curso da Ucrânia deverá apenas terminar — não com cedências dos contendores discutidas à mesa — mas com o ribombar dos canhões vitoriosos que farão fugir o último russo da Crimeia, têm agora uma oportunidade de ouro para demonstrarem a sua solidariedade para com Volodymyr Zelensky.
É pegarem nos 125 euros do bónus oferecido por António Costa e, em vez do o gastarem em vinho ou em bolos, endossá-lo ao governo ucraniano.
Com o Orwell no coração: «Guerra é Paz; Liberdade é Servidão; Ignorância é Força».
04/08/22
PENSAR ENQUANTO É TEMPO
Tudo o que se possa dizer da distopia chinesa e mais um par de botas.
Tudo, menos dizer, como acaba de afirmar esta quinta-feira John Kirby, o porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos: «The provocateur here is Beijing. They didn’t have to react this way to what is completely normal travel by congressional members to Taiwan...The Chinese are the ones who are escalating this».
Viagem normal quando até o Biden veio dizer que os militares norte-americanos não a achavam boa ideia?!
Não, a provocadora aqui foi e é Nancy Pelosi.
Dizer o contrário já está para lá do «guerra é paz» do Orwell.
26/07/22
NADA DISTO TEM CONSERTO
A falta de formação da presente geração de políticos é confrangedora. Abrem a boca sem conseguirem contar até 10. Qual 10! 5!
Decididamente, o Trump & Companhia não nasceram das ervas.
Agora foi Jacinda Arden, a primeira-ministra da Nova Zelândia, quem, a propósito da epidemia de Covid 19, se sai com esta: «You can trust us as a source of that information. You can also trust the Director General of Health and the Ministry of Health. For that information, do feel free to visit – at any time – to clarify any rumour you may hear. Otherwise, dismiss anything else. We will continue to be your single source of truth.»
Single source of truth?! Volta, Orwell, estás perdoado. E daqui a 20 anos falamos de democracia! Se não for antes.
14/06/22
09/12/21
PANDEMIA: PARA MAIS TARDE RECORDAR
«[os relatórios sobre vacinação infantil contra a Covid 19] São internos, não são secretos»
Graça Freitas (a plagiar George Orwell)
24/04/10
A book a day keeps the doctor away: Livros & Cigarros de George Orwell
Aos leitores que começam a ler os livros logo pelo princípio, um aviso. Não se deixem enganar pela contabilidade do primeiro texto: Livros & Cigarros não é sobre o preço dos livros (ou dos cigarros) em libras, xelins ou dinheiros. Os ensaios aqui reunidos versam sobre variadíssimos assuntos, da edição e crítica literária à liberdade de expressão, do totalitarismo às memórias de infância.Este último tema, desenvolvido em ‘Ah, Ledos, Ledos Dias’, o texto mais extenso, invoca a experiência de George Orwell, nascido Eric Arthur Blair (1903/1950), no colégio interno de St. Cyprian. Por indicação do próprio só seria publicado após a sua morte, e é um libelo contra a educação assente nos castigos corporais e na estratificação classista. Lê-lo é compreender melhor a génese das posições políticas de Orwell, a sua defesa intransigente da liberdade e desprezo assumido pelo autoritarismo.
Comum a todos os textos, a inteligência do autor de “Mil Novecentos e Oitenta e Quatro” assente, sobretudo, num olhar corajoso que não recusa a complexidade do real, desprovido de preconceitos ideológicos e ilações simplistas.
Inimigo feroz do artificialismo, político ou intelectual, Orwell seria um profícuo e influente ficcionista, memorialista e ensaísta (cf. por exemplo, Por Que Escrevo e Outros Ensaios, também publicado pela Antígona em 2008).
Em Livros e Cigarros o que mais nos atrai é o facto de, seja qual for o assunto abordado, Orwell nos remeter sempre de forma tocante para a própria vida, seja esta a do pobre crítico literário que, apesar do seu amor genuíno à literatura, não deixará de ceder à “intrujice”; seja a do alfarrabista que, sob o romantismo aparente da sua profissão, não pode deixar de reconhecer a “escassez dos verdadeiros amantes de livros”. “Um, Dois, Esquerda ou Direita – o Meu País” ainda hoje escandalizará muito internacionalista cheio de boas (ou más) intenções; “A Prevenção da Literatura” é uma reflexão definitiva sobre os vícios do totalitarismo e em defesa da imaginação, muito superior à chusma de banalidades que se escreveu desde então sobre o tema; “Assim Morrem os Pobres” relata a sua experiência num hospital francês, em que à miséria dos doentes se alia a desumanidade do pessoal médico. Em resumo: sete ensaios actuais e obrigatórios publicados há cerca de 50 anos, de uma actualidade e brilhantismo inultrapassáveis.
"(...) a história das sociedades totalitárias, ou dos grupos de pessoas que adoptaram a perspectiva totalitária, sugere que a perda de liberdade é inimiga de todas as formas de literatura. A literatura alemã quase desapareceu durante o regime hitleriano, e o mesmo sucedeu, ou quase, em Itália. A literatura russa, pelo que nos é dado avaliar com base nas traduções, degradou-se acentuadamente desde os primeiros tempos da revolução, embora alguma poesia pareça ser melhor do que a prosa. Poucos ou mesmo nenhuns romances russos que possamos levar a sério foram traduzidos, digamos, nos últimos quinze anos. Na Europa Ocidental e na América, largas franjas da intelligentsia literária passaram pelas fileiras do Partido Comunista ou são fervorosos simpatizantes do comunismo, mas este movimento generalizado em direcção à esquerda produziu um número extraordinariamente reduzido de livros dignos de ser lidos. Também o catolicismo ortodoxo parece ter um efeito deletério sobre certas formas literárias, mormente sobre o romance. Ao longo de um período de trezentos anos, quantos indivíduos foram a um tempo bons romancistas e bons católicos? A verdade é que certos temas não podem ser glorificados pela palavra, e a tirania é um deles. Nunca ninguém escreveu um bom livro a louvar a Inquisição. (...) Num qualquer momento futuro, caso o espírito humano se transforme em algo de totalmente diverso do que é neste momento, talvez aprendamos a separar a criação literária da honestidade intelectual. Hoje em dia, sabemos apenas que a imaginação, à semelhança de certos animais selvagens, não vinga em cativeiro" (in "A Prevenção da Literatura").
Livros & Cigarros, George Orwell, Antígona, 2010, tradução de Paulo Faria
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