Rodeado por uma polémica pouco edificante, foi confirmado ontem, segunda-feira, o óbito de Eluana Englaro, após 17 anos em coma e dois em estado vegetativo persistente, segundo notícia que leio aqui. A questão da eutanásia é demasiado complexa e demasido séria para ser tratada em três penadas num post, mas um dos argumentos avançados por Sílvio Berlusconi para se opor ao desligamento das máquinas era tão tão gore que não consigo deixar de evocá-lo. Afirmou o primeiro-ministro italiano que Eluana è una persona viva, respira, le sue cellule cerebrali sono vive e potrebbe in ipotesi fare anche dei figli ...
O domínio técnico actual chega a permitir que possam nascer bebés de mães clinicamente mortas mas, neste caso, alegar a funcionalidade do sistema reprodutor de Eluana Englaro só em razão de algum fetichismo necrófilo. Talvez apenas Jörg Buttgereit para se lembrar de uma barbaridade destas. Não consta, porém, que o Vaticano goste muito do realizador alemão, ao contrário de Berlusconi de quem gosta muito.