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11/10/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer»

«Se recordarmos a Guerra dos Cem Anos que assolou a Europa durante a Idade Média, concluímos, sem que isso nos sirva de especial consolo, que há guerras que vieram para durar.

02/05/22

GUERRA NA UCRÂNIA: OS IMBECILLI QUE MANDAM NISTO RENDIDOS À LEI DE GODWIN

Sendo a Internet  além de ferramenta útil  um viveiro de imbecilli, para citar Umberto Eco, compreende-se que a Lei de Godwin, a que diz que à medida que uma discussão online se prolonga, a probabilidade de surgir uma comparação com Hitler ou com nazis tende para 100%, faça aí prova da sua justeza. 

Que actualmente tenha saltado dos comentários na Internet para o universo da diplomacia diz muito do estado a que isto chegou.

«So what if Zelenskyy is a Jew. The fact does not negate the Nazi elements in Ukraine. I believe that Hitler also had Jewish blood», Sergei Lavrov, ministro dos Negógios Estrangeiros russo.

29/03/10

Padres pedófilos saltando como coelhos da cartola

Não sou cristã. Nem por convicção, nem por água benta. Em casa de meus pais pontificava Jean Barois.
Pequenina, sentia-me estranha no colégio por ser a única que não acreditava em Deus. Às vezes falava com Ele e pedia-lhe um sinal. Coisas pueris. Que chovesse num dia de sol. Que a marmelada da sanduíche se transformasse em queijo. Que a camisola de lã me deixasse de picar. Nunca obtive resposta.
Já crescida, li sobre a Inquisição e outros temas edificantes da historiografia cristã. Tive a minha fase mata-frades. Há uns anos, em Auschwitz, voltei a sentir vontade de despachar alguns elementos do clero, mas também já me cruzei com católicos interessantes.
Pela parte que me toca, irrita-me o Novo Testamento. Prefiro a neurose judaica ao sorriso da Teresa de Calcutá (do que é que ela ri, afinal?).
À Virgem Maria, reputo-a responsável por séculos de prazer subtraído às mulheres; e mesmo a única ideia evangélica na aparência simpática — a de que somos todos irmãos em Deus — subverteu-a o proselitismo: os que negavam o parentesco eram perfilhados à força.
Chegada aqui, não sou cristã mas também não sou ateia. Gosto de me pensar panteísta, à maneira de Espinosa ou de Einstein. Ao ateísmo acho-lhe sobretudo uma falha: empobrece a imaginação. Quanto a acreditar em Deus, lembro a frase de Hemingway, citada pelo escritor Lobo Antunes, quando lhe perguntaram por isso: “Às vezes, à noite, no escuro”.
Agora quanto aos pedófilos, é assim. As denúncias são demasiadas, e demasiado graves, para que se possa continuar na lengalenga do costume que todas as classes (???) têm defeitos (???) desse género (???) (em Portugal, ao que parece, a coisa resume-se mesmo ao Frederico da Madeira que bazou para o Brasil).
Não sendo católica, e reconhecendo que as religiões de Deus único não terão trazido assim tanto Bem ao mundo, confesso, porém, que fico um pouco assustada com a hipótese de a Ratzinger sucederem os Bob Proctor. É que o primeiro, ao que dizem, terá de responder ante Deus. O Deus dele. Mas pelo menos isso.

04/10/09

A book a day keeps the doctor away

O historiador Jorge Martins assinou um estudo recente e exaustivo, em três volumes, sobre a presença judaica no nosso país: Portugal e os Judeus. A obra, reconhecida como o mais importante trabalho da área desde que Mendes dos Remédios publicou, em 1895, Os Judeus em Portugal, foi agora complementada por uma versão breve dirigida ao grande público.
Entre nós, a presença judaica, tida como um lugar-comum, é na verdade pouco estudada. Afirma-se correntemente que um número assinalável de portugueses terá sangue judaico a correr-lhe nas veias, aponta-se a origem judaica de inúmeros apelidos (pondo nisso, talvez, até um certo exagero), conhecem-se influências na culinária (as alheiras, por exemplo, criadas para contornar o consumo proibido da carne de porco), na linguagem, na própria idiossincrasia lusa, mas trabalhos aprofundados são escassos. Breve História dos Judeus em Portugal vem contribuir para colmatar essa falha.
Organizado cronologicamente e recuando até período anterior à fundação do reino, conduz-nos pela Idade Média, pela época dos Descobrimentos, pelo período Liberal, pela I República e pelo Salazarismo, detendo-se em pormenor na sangria cultural e financeira que resultou do estabelecimento da Inquisição, na extraordinária Obra de Resgate encabeçada por Barros Bastos já no século XX (de que a comunidade de Belmonte é exemplo mundialmente único), e na política do Estado Novo no que respeita aos acossados de Hitler. Mas ler esta Breve História… será, sobretudo, compreender como a especificidade da política nacional em relação aos judeus (nomeadamente, o seu baptismo compulsivo em 1497, durante o reinado de D. Manuel I) se repercute até hoje no marranismo que atravessa a sociedade portuguesa, fundamento de uma identidade “não apenas múltipla e miscigenada, mas [também] difusa e sempre dominada por uma angustiante duplicidade (…)”.
Breve História dos Judeus em Portugal, Jorge Martins, Nova Vega, 2009

25/09/09

E que nem a propósito da ordem de Amado para que se trocasse a honra por um prato de lentilhas, acaba de sair a Breve História dos Judeus em Portugal

... lembrando-nos que se o governo, hoje, cedeu à queima dos livros, Salazar, ontem, havia cedido à queima de homens.
"(...) os cônsules de carreira não poderão conceder vistos consulares sem prévia consulta ao Ministério aos estrangeiros de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio, aos apátridas, aos portadores de passaportes Nansen e aos Russos; (...) àqueles que apresentem nos seus passaportes a declaração ou qualquer sinal de não poderem regressar livremente ao país de onde provêm; aos judeus expulsos dos países da sua nacionalidade ou daqueles de onde provêm."
Circular 14, de 11/11/1939 in Breve História dos Judeus em Portugal, Jorge Martins, Vega, 2009

Na imagem, refugiados judeus partindo de Lisboa para os EUA