
A polémica, se assim lhe posso chamar, não é sobre o tamanho das pedras adequado ao acto. Tem que ver com outra coisa. A saber, com quem estava por detrás da dita.
Infelizmente, sobre isso nada posso adiantar. Não sei. Nem sequer sei quem terão sido os organizadores oficiais (a controvérsia pressupõe, claro, que existem organizadores não oficiais).
Também nada posso dizer de particularmente interessante sobre quem esteve presente. Encontrei uma amiga que não via há algum tempo e tropecei na Edite Estrela (despermanenteada). Confesso que não me agrada por aí além concentrar-me ao lado de Edite Estrela, mas a causa justificava-o (foi o que pensei na altura).
No Largo de Camões, muito pouca gente. Mais ou menos o mesmo número de pessoas que se juntava na escadaria da igreja do Chiado a ver uns mimos.
Os organizadores, era evidente, mostravam-se pouco familiarizados com megafones. Percebiam-se mal e os discursos foram moles.
Muitas mulheres de democrático salto-alto — o que me deixa sempre um pouco perplexa por ser do tempo em que a malta, quando se concentrava, corria o risco inevitável de ter de se desconcentrar à pressa.
Tudo isto, porém, são pormenores. Explico-me.
Se fosse eu quem tivesse sido condenada ao apedrejamento (ou, para que não haja equívocos, condenada à morte por qualquer dos métodos disponíveis) gostaria de saber que pelo mundo fora havia gente a manifestar-se. Incluindo a Edite Estrela (já sei que não poderia contar com o Pereira Coutinho que tem uma visão masturbatória da compaixão ou lá o que é...).
Adianto ainda que se tivesse organizado a coisa (não sei quem foi, como já referi acima...) teria preferido concentrar-me na Rua Alto do Duque, 49 e deixar saquinhos de pedras sortidas à porta da embaixada. Até tive uma ideia para um cartaz: As pedras já cá cantam.
Resumindo: na minha (pessoalíssima) opinião, corre por aí uma polémica tonta. Como até o politizado mais empedernido salvo seja, canhoto ou dextro, deveria perceber, o caso é de vida ou morte.
O que me conduz ao segundo tema deste post: o INEM.
Pois o 112, aquele número universal a quem a gente pensa poder recorrer quando está mesmo à rasca, afinal, não é o que parece.
A não ser que já estejamos mortos ou prestes a ficá-lo nos próximos 20 minutos, do 112 despacham-nos para os bombeiros.
Reparem, nada tenho contra bombeiros. Aliás, se há gente de quem goste é de bombeiros. A questão não é essa.
Eu sei que a uma senhora não fica bem falar do metal vil, mas a questão é que em Lisboa os bombeiros cobram 30 euros por ida (e o mesmo à volta), para nos levarem nem que seja a dez minutos de casa. Se sairmos do concelho — e tivermos, por exemplo, de levar um doente de Lisboa ao Hospital de Cascais — são 53 (só ida e não têm troco).
Insisto. O problema não reside nos bombeiros. O problema é o INEM.
Ok. Não se justifica ocupar uma ambulância por causa de uma dor de dentes. Ok. Não morro se não for ao hospital, digamos, no prazo de uma hora. Mas e se a situação for daquelas em que se nada for feito morro daí a três? Espero o óbito e telefono depois do além?
Parafraseando o Sócrates, se o Serviço Nacional de Saúde é uma batalha sem fim a vida é ao contrário. E borrifa-se nos "cortes estruturais". Não acreditam, perguntem ao ex-ministro do trabalho do PS, o profícuo Maldonado Gonelha.