
Embora não pertencendo a nenhum dos partidos com assento na referida Assembleia, e sem sequer me dizer grande coisa a referida matéria, como já deixei claro no ponto prévio, gostaria de dizer 4 coisas.
1. Não tendo por hábito meter-me na vida dos outros, acho basicamente ― e concedo que de forma muito básica ― que se os homossexuais se querem casar é com eles. Não vindo daí qualquer mal ao mundo, talvez apenas mais divórcios, porque raio é que os heterossexuais têm, não só de opinar, como de decidir contrariamente à vontade de um clube de que não são membros?
2. Independentemente da declaração anterior, fez-me particular espécie a agitação socialista. Sobretudo a história da disciplina de voto. E, sobretudo, a aritmética do seu líder parlamentar.
3. Senão vejamos. Segundo notícia veiculada pela LUSA, e cito, «uma maioria dos deputados socialistas aprovou hoje a disciplina de voto contra os projectos sobre casamentos homossexuais». A contagem deu «47 votos favoráveis» e «cerca de duas dezenas contra».
1. Não tendo por hábito meter-me na vida dos outros, acho basicamente ― e concedo que de forma muito básica ― que se os homossexuais se querem casar é com eles. Não vindo daí qualquer mal ao mundo, talvez apenas mais divórcios, porque raio é que os heterossexuais têm, não só de opinar, como de decidir contrariamente à vontade de um clube de que não são membros?
2. Independentemente da declaração anterior, fez-me particular espécie a agitação socialista. Sobretudo a história da disciplina de voto. E, sobretudo, a aritmética do seu líder parlamentar.
3. Senão vejamos. Segundo notícia veiculada pela LUSA, e cito, «uma maioria dos deputados socialistas aprovou hoje a disciplina de voto contra os projectos sobre casamentos homossexuais». A contagem deu «47 votos favoráveis» e «cerca de duas dezenas contra».
Ainda segundo a LUSA, «o grupo parlamentar do PS é composto por 121 deputados». Regressando às contas temos que: 47+20 (quanto aos «cerca» podiam ir de 1 a 9, mas deixemo-los de lado...) dá 67. Faltam, portanto, outros tantos que não se pronunciaram, o que poderia, caso se tivessem pronunciado, fazer subir o número de apoiantes da proposta da direcção parlamentar, mas também diminuí-lo ou igualá-lo ao dos seus opositores.
Não se percebe, assim, a declaração heróica do líder parlamentar do PS, Alberto Martins: «a maioria, de forma muito expressiva, aprovou a disciplina de voto». É uma frase para a qual só encontro uma explicação: ele não sabe fazer contas.
4. Mais surpreendida fiquei ainda com a conclusão que o mesmo Alberto Martins retirou do facto de o PS vir permitir a Pedro Nuno Santos votar em consciência (ou seja, a favor do casamento entre homossexuais, apesar do não a que obriga a disciplina de voto). Afirmou ele que essa decisão foi uma «afirmação de pluralismo». Mas onde é que uma unidade (neste caso, Pedro Nuno Santos) pode ser ao mesmo tempo plural?
A não ser que Martins, apesar de péssimo em números, seja senhor de uma complexidade filosófica que me ultrapassa. O que é uma contradição nos termos, como saberá qualquer pessoa que tenha lido Platão.
4. Mais surpreendida fiquei ainda com a conclusão que o mesmo Alberto Martins retirou do facto de o PS vir permitir a Pedro Nuno Santos votar em consciência (ou seja, a favor do casamento entre homossexuais, apesar do não a que obriga a disciplina de voto). Afirmou ele que essa decisão foi uma «afirmação de pluralismo». Mas onde é que uma unidade (neste caso, Pedro Nuno Santos) pode ser ao mesmo tempo plural?
A não ser que Martins, apesar de péssimo em números, seja senhor de uma complexidade filosófica que me ultrapassa. O que é uma contradição nos termos, como saberá qualquer pessoa que tenha lido Platão.